Mário Nogueira | Jornal de Notícias
| opinião
Os professores são dos grupos
profissionais mais qualificados e com maior responsabilidade social, lidando
diariamente com todas as crianças e jovens e, com o seu trabalho, preparando o
futuro do país.
O facto de constituírem um grupo
numeroso, ainda que abaixo das necessidades reais das escolas, tem levado os
governos a tomar medidas de desvalorização material dos professores, não poucas
vezes acompanhadas de campanhas destinadas a desvalorizá-los socialmente.
Resultado de políticas
conducentes à redução de custos com os professores, sucessivos governos:
remeteram milhares para o desemprego; acumularam trabalho nos que permanecem e
que hoje têm horários efetivos superiores a 46 horas semanais; aumentaram os
níveis de precariedade laboral; retiveram no escalão de ingresso os que nos
últimos anos entraram na carreira; deixaram envelhecer o corpo docente,
recusando a aprovação de normas adequadas de aposentação, essa sim, medida que
permitiria o rejuvenescimento, promoveria o emprego e ainda reduziria os custos.
Alvo central e permanente das
políticas de embaratecimento do trabalho dos docentes tem sido a sua carreira,
sobre a qual se têm abatido medidas para a desvalorizar. Desde a sua criação,
em 1989/90, tem sofrido os mais diversos ataques que, contudo, os professores
têm sabido suster ou reverter.
Desta vez, pretende-se
desvalorizar a carreira dos docentes, aumentando-a em 9 anos 4 meses e 2 dias.
Isto é, obrigando os professores, para atingirem o topo, a trabalhar mais anos
do que os estabelecidos para a aposentação, isto, para além de outras perdas e
dos crivos intermédios destinados a travar a progressão nos tempos adequados.
Pressionado pela contestação dos
professores, o Governo comprometeu-se a contabilizar o tempo congelado e a
Assembleia da República, respeitando os professores e o compromisso do Governo,
reiterou que o tempo a contar seria todo, definindo-se, em processo negocial, o
prazo e o modo de o fazer. Ao contrário, o Governo, desrespeitando a Assembleia
da República, o seu próprio compromisso e, acima de tudo, os professores, tenta
apagar todo ou quase todo aquele tempo em que os professores trabalharam e
cumpriram responsavelmente os seus deveres.
De novo pressionado pelos
professores, o ministro vem agora dizer que quer negociar... Pois, se quer, não
parece.
*Secretário-geral da Fenprof
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