terça-feira, 31 de julho de 2018

Robles | O homem que tem duas caras e quer sol na eira e chuva no nabal

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‘Maizum’ dia Ricardo Robles no Curto. É assim que ‘abre’ a prosa de Luísa Meireles, a artesã de serviço. E ainda bem. Porque em cada dia que passa lá vem este ou aquele pormenor a esclarecer o que foi de inicio ‘viciado’ pelo Correio da Manha e mais um ou outro. Escribas das furnas de esgoto. Adiante e depressa porque cheira mal.

Luísa refere Fazenda, um ‘velho’ do BE, leiam a seguir e está tudo dito. Melhor entendimento viaja para a nossa massa cinzenta sobre o caso. É capaz de ser correto adiantar que Ricardo Robles queria sol na eira e chuva no nabal ou então é um dos homens de duas caras. Desses há demasiados por aí. Ele que vá para o PSD, CDS ou para o PS. Ali safa-se.

Faça um bom dia, mesmo à tarde e à noite. Goze a saúde que tem presentemente porque não é para sempre que a terá. Há uma certeza de que provavelmente se esquece por sistema: garantidamente um dia morrerá. Goze o sol que aparece de vez em quando e o calor que dizem que vai acontecer neste 'inverão' dos próximos dias. Convença-se que demos mesmo cabo disto tudo e que ainda vai acontecer pior com mais alterações climáticas. 

Outro assunto, para terminar: Se levar o seu canídeo de estimação à “sanita pública” que são as ruas, os passeios e as calçadas, apanhe a cagada que o animal fez. Não a deixe solitária à espera que a carimbemos com os nossos sapatos. Se não a apanhar fique sabendo e medite: você é um grande porco ou porca – dependendo do género – e que além disso está-se cagando para os outros seus concidadãos, para os velhos e crianças, etc. Vá bugiar, seu Robles dos animais de estimação.

Adeus, até ao meu regresso. Já digo isto há 50 anos… Faz-me lembrar qualquer coisa… (MM | PG)

Bom dia este é o seu Expresso Curto

Ufa, finalmente percebeu!

Luísa Meireles | Expresso

Aquilo que parecia óbvio de imediato, Ricardo Robles demorou três dias a perceber. Soube-se ontem que apresentou a sua demissão no domingo a Catarina Martins, mas para o público, que ouviu ou leu logo pela manhã as declarações de Luís Fazenda, um dos líderes-fundadores do Bloco de Esquerda, que criticou as atividades imobiliárias como as realizadas pelo vereador do BE em Lisboa e apelou a uma reflexão, o anúncio de Robles parece causa-efeito.

Ontem mesmo, a Comissão Política do partido começou a conter os danos. Manuel Grilo, assessor do BE na área da Educação e ex-dirigente da CGTP e da Fenprof, é o novo rosto do partido na Câmara de Lisboa. Era o terceiro na lista.

Desde o princípio que se sabia que na direção do BE não havia unanimidade sobre a posição que acabou por ser defendida – em má hora – pela coordenadora do Bloco, que além de acusar a imprensa (sempre o mensageiro!) ainda disparou sobre tudo e todos, a pretexto de uma pretensa cabala. O óbvio era que a questão era moral e ética, porque um político que prega uma coisa e faz outra perde a legitimidade. Pior ainda quando se trata de um partido que sempre atacou a especulação imobiliária e os próprios proprietários. Apetecia perguntar, como Vítor Gaspar: “qual-é-a-par-te-que-não-per-ce-beu?”

A história toda, se quiser recordá-la, vem contada aqui pela Rosa Pedroso Lima, que lembra “As 76 horas da maior crise de sempre do Bloco de Esquerda”, pelo que me dispenso de a relatar. Não se esperava era que acontecesse no Bloco, que acaba assim de entrar na “idade adulta” dos partidos e ficou igual aos outros – pensam agora muitos eleitores, desafetos a estas organizações por razões assim. São estas as “dores de crescimento” que o BE vai ter de enfrentar.

O futuro, agora, é mais incerto e o partido está em polvorosa interna. Mas o mal está feito. Vai haver um preço a pagar. [Para já, Marcelo prepara-se para vetar o diploma que deu polémica com o Bloco. Pormenor eheh: o PCP diz que o projeto era dele].

O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, já veio entretanto dizer que “tudo como dantes” se o Bloco quiser. O Bloco quer.

Quanto aos partidos, houve uma variedade de reações, com destaque para a mortífera declaração de Jerónimo de Sousa, que não comentando, comentou que está de consciência tranquila, porque aprendeu a fazer política para servir os outros e não a si próprio. Rui Rio achou sensata a decisão de Robles (o partido já tinha pedido a demissão), Assunção Cristas não comentou “por elegância” à tarde, mas de manhã já tinha dito que “o BE saía desmascarado”. Quanto ao PS, o partido não falou enquanto tal, mas Porfírio Silva, do Secretariado Nacional, disse no domingo, no facebook, que considerava o caso “necessariamente grave”.

Comentários houve muitos e para todos os gostos. Destaco alguns: Rui Tavares: “O charme discreto da violência verbal”; João Miguel Tavares: “Coitadinho do Bloco que está a ser perseguido”; Miguel Esteves Cardoso: “Ricardo e os turistas”; mais atual,0 a de Miguel Sousa Tavares, crónica de uma demissão anunciada. E por aqui me fico que isto de opiniões há sempre muitas. Incluindo a sua, caro leitor.

OUTRAS NOTÍCIAS

As do Orçamento e das audiências do Presidente da República, que desde ontem está “a tomar o pulso aos partidos”sobre as perspetivas do novo ano politico “sem nenhuma preocupação especial”, sem ser – e não é pouca – a da conjuntura europeia e internacional. Ontem foi o PAN, Verdes, PCP e CDS, hoje serão o BE, PS e PSD. Antes, há de receber os campeões europeus de futebol sub19, que chegaram ontem em apoteose ao aeroporto de Lisboa.

Parênteses para um momento tesourinho: Ana Lourenço voltou a protagonizar a mesma cena que há 11 anos fez sair do estúdio da SIC Santana Lopes, zangado por a jornalista interromper a entrevista para o canal fazer um direto com José Mourinho, que chegava a Lisboa. Ontem, na RTP 3, a jornalista também interrompeu Honório Novo (PCP) para um direto com os sub19, mas a reação do comentador foi outra. Honório Novo não se levantou para se ir embora, mas aproveitou para dar os parabéns à seleção. Mudaram-se os tempos!

Regresso ao assunto. Para já, PCP e PEV consideram que “não há orçamentos no papo, nem linhas vermelhas”, enquanto o CDS prefere dizer que “não deixará morrer Tancos”. Quanto ao PAN, a sua preocupação é a prospeção de petróleo no Algarve e a diminuição do uso dos plásticos na restauração.

Tancos. O assalto ao quartel volta ao Parlamento, desta vez para novas audições às secretárias-gerais do Sistema de Segurança Interna e do Sistema de Informações e do chefe de Estado-Maior do Exército. Aguarda-se com expectativa o que este tem a dizer sobre os novos desenvolvimentos que foram revelados pelo Expresso, de que afinal nem todo o material roubado tinha sido recuperado. Há 15 dias, foi ouvido o ministro da Defesa e disse que não tinha sido informado das discrepâncias. Afinal o Exército sabia ou não?

Novas (boas) da Economia: o ministro do Trabalho e da Segurança Social diz que o desemprego, que já está nos 7% e deve cair para os 6,7% em junho segundo os dados do INE, ainda deve descer abaixo das expetativas do Governo (é a taxa mais baixa em 16 anos). Efeito da criação de emprego, disse.

Outra boa notícia: há recém-licenciados a ganhar €3500 ao mês! Nem todos são quinheuristas! E quer saber? São os delegados hospitalares, na indústria farmacêutica, que lideram a lista de 20 profissões que pagam melhor aos jovens em Portugal. Quem diria?

Entretanto, se ainda não está a par, é melhor que saiba como evitar pagar as comissões nos ATM. A notícia não é de hoje, mas a informação ajuda-o a controlar os seus gastos e a não dar a outros o que é seu.

Mistério insolúvel (para mim): o que é que o Sporting tem de tão apetecível que já são nove os candidatos à sua presidência? Vá lá, sete, se tivermos em conta que dois estão suspensos e um deles é o próprio ex. Agora é José Maria Ricciardi que entra na corrida. Diz que quer (ou sonha?) com um “Sporting alemão” e “manter o melhor treinador do mundo” (José Peseiro, para sua informação).

Não resisto a este insólito: Portugal abunda em turistas, mas nem todos gostam. Até aí normal. O divertido são os comentários dececionados colecionados no Trip Advisor. Tipo: mosteiro dos Jerónimos – “nada a dizer. Só para turista ver”. Ou então, Templo de Diana em Évora – “este sítio parou no tempo”. A sério?

LÁ FORA

Letra A, de Angola. A imprensa do país noticia que Isabel dos Santos foi notificada para prestar declarações no âmbito do inquérito sobre a sua gestão à frente da Sonangol. O atual presidente do Conselho de Administração acusa-a de, pouco depois de exonerada, ter feito transferências no valor superior a 38 milhões de dólares para uma empresa no Dubai.

B, de Brexit: 78% dos britânicos estão descontentes com o Governo britânico por causa do Brexit e muitos querem um novo referendo. Theresa May está mesmo em maus lençóis. À medida que se vai aproximando a data (31 de março de 2019) cresce a tensão. Na semana passada, a União Europeia avisou as suas capitais para se prepararem para o pior cenário, mas no Reino Unido também se preparam os planos de contingência, com o Exército chamado a intervir, se for o caso. Downing Street desmentiu.

E, de Espanha. A greve dos taxistas está a causar danos a sério. E prometem continuar. As promessas do Governo não os convenceram. É um teste duro a Pedro Sanchez

F, de França. O Presidente Emmanuel Macron enfrenta hoje a sua primeira moção de censura. 62 deputados de esquerda entenderam-se sobre o tema. O motivo arrasta-se há semanas, é o caso do segurança Alexandra Benalla, que é muito mais do que um homem que bate por gosto, mas sim a tentativa de criar uma força de segurança paralela no Eliseu, como explica o Daniel Ribeiro, o que, diga-se de passagem, nem é inédito. Já aconteceu com Mitterrand e deu-se mal com isso.

G, Grécia. Ainda os incêndios de Mati – não perca este documentário do João Duarte. Dói. “Ninguém veio para nos salvar”. Vítimas mortais são 91, desaparecidos 25.

H, de Hungria. Na semana passada, o Presidente francês esteve em Portugal e disse que as próximas eleições europeias serão decisivas pelo que está em jogo e pelo xadrez político alterado na Europa, infestado de populistas e extremistas da xenofobia. Agora, o primeiro-ministro húngaro pegou-lhe na palavra, considera o mesmo (as eleições serão cruciais), mas põe em guarda a UE contra uma liderança da França e diz este mimo: “a Europa ocidental é não-democrática”. Se for fluente em francês, leia tudo.

Cantinho de Trump. 1. Depois de ter dito o pior do Presidente iraniano, eis que o Presidente dos Estados Unidos anuncia que está disponível para se encontrar com ele, “em qualquer altura e sem quaisquer condições”. 2. Donald Trump recebeu ontem na Casa Branca “um dos seus”: o primeiro-ministro de Itália, Giuseppe Conte, com quem tem afinidades (1ª página do FT) em matéria de imigração e comércio. What else?

Recursos naturais. Esta notícia alarmou-me a sério: a partir de amanhã a Humanidade está a viver a crédito, quer dizer, feitas as contas, consumiu o total de recursos que a natureza consegue renovar este ano. 1 de agosto é a data em que terão sido utilizadas todas as árvores, água, solos férteis e peixes que a Terra consegue fornecer num ano para alimentar e abrigar os seres humanos e terá sido emitido mais carbono do que os oceanos e florestas conseguem absorver. Quer dizer que, hoje, precisaríamos de 1,7 planetas Terra para satisfazer as nossas necessidades. Se quiser ser curioso e ver a footprint de Portugal, vá a este site, role até ao fundo e explore o mapa.

E, finalmente Z, de Zimbabwe. O país foi às urnas ontem pela primeira vez sem Mugabe, mas sob a sua sombra. A contagem ditará se quem vence é o atual Presidente, Mnangagwa, do partido no poder ZANU-PF, ou o líder da oposição Nelson Chamisa. Com uma taxa de desemprego em torno dos 90% e quase metade dos eleitores com menos de 35 anos, o voto jovem é fundamental.

MANCHETES

"Guerra de preços na ADSE reabre conflito com privados" - Público

"Marcelo vai vetar a lei que dá direito de preferência a inquilinos" - I

"Metade das câmaras ajuda alunos com livros e material" - Jornal de Notícias

"Robles escapa a imposto Mortágua" - Correio da Manhã

"Melhoria do emprego dá folga orçamental" - Jornal de Negócios

"Marcelo prepara veto a lei que deu polémica com BE" - Diário de Notícias

FRASES

"Não tenho qualquer consideração pelo Bloco de Esquerda quando se faz passar por virgem sofredora do mundo em que vivemos" - Ascenso Simões, deputado do PS, no I

"Pessoal, não há stress: na guest house do Robles podemos todos plantar cannabis, eutanasiar avós e desligar a TV quando passa tourada" - Miguel Tiago, deputado do PCP (que vai deixar de ser), no I

"Não sigam modas, saltem dos caminhos que todos estão a percorrer e encarem um grande problema para o qual ainda não há resposta satisfatória da ciência" - Fraser Stoddart, num conselho aos jovens cientistas, que pode ser aplicado a tudo, no Público

"Agora a gente aperta um botão e tem tudo na palma da mão, mas eu levei 15 anos para ouvir Grândola, Vila Morena" - Gustavo Pacheco, escritor brasileiro, no Público

O QUE ANDO A LER

“Os Anos Trump, o Mundo em Transe”, de Eduardo Paz Ferreira (Gradiva), sobre o que nos deixa transidos (e não é de frio) na administração norte-americana e as consequências que já estão à vista. Com uma escrita fácil e uma cultura fora de série, o professor catedrático e advogado (já agora, antigo jornalista neste jornal) vai tratando de cada tema que o (nos) incomoda, tentando abanar consciências para se acordar de um pesadelo que tem causas profundas – e por isso não será fácil afastá-lo. O mundo não está fácil e Paz Ferreira não tem ilusões. Também ficámos sem elas.

Com tudo isto esquecia-me de o avisar: por favor, preste atenção ao tempo que aí vem. Depois do fresco e da chuva, chega o alerta vermelho sob a forma de uma vaga de calor que pode ir aos 45 graus no interior. É já a partir de amanhã! Cuide-se! E cuidado com os incêndios! Fique connosco, mas à sombra.

Assim chegámos ao fim deste Expresso abatanado.

Tenha um bom dia!
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