sábado, 3 de novembro de 2018

A BlackRock, um fundo de investimento que está a dominar a economia mundial


Octávio Serrano*

Isto parece pertencer ao domínio da ficção; de um Big-Brother económico que só parece imaginado; mas que na realidade, todos os dias consolida o seu domínio sobre a economia mundial, por cima dos restos da bancocracia implodida com a crise de 2008.

A BlackRock, é um fundo financeiro de pensões e não só; com tal poder, que consegue dispor de uma capacidade financeira, equivalente à soma dos PIBs da Alemanha e do Reino Unido; um oligopólio absolutista e monopolista; qualquer coisa como 5,2 biliões de euros presentemente; mas este número não é estático, pois todos os dias se avoluma.

A Black Rock começou por ser uma empresa financeira, que se dedicava a gerir fundos de pensões dos trabalhadores americanos; mas, devido à necessidade de perceber no que investia, decidiu desenvolver um programa informático, de análise de gestão de risco de investimento; o Alladin; quando se dá a crise do sub-prime, a banca de investimento estava encharcada com títulos, dos quais ninguém conhecia o seu real valor; o governo americano, dentro do processo de intervenção publico que na altura se viu forçado a executar, decidiu chamar a Black Rock, a fim de fazer essa análise; desse modo, além das avultadas comissões, que cobrou, a Black Rock adquiriu também conhecimentos da realidade interna das carteiras de títulos da Banca que faliu com a crise do sub-prime; detentora de gigantescos fundos, tal permitiu-lhe comprar barato as melhores fatias, desses fundos insolventes; um salvador; nessas fatias douradas estavam acções de muitas sociedades mundiais, líderes de mercado, nomeadamente de bancos que controlavam a economia mundial.

Tal permitiu-lhes adquirir posições significativas e de controle, em muitas sociedades cotadas; e estarem presentes nos seus conselhos de administração; para reforçar este poder enorme, que ia adquirindo, a Black Rock, lançou em 2008, os chamados fundos “passivos”; em que os investidores adquirem unidades de participação, cujos capitais são investidos em acções listadas em índices como o alemão DAX 30, ou o americano S&P 500, e muitos outros; e sabem quem controla essas bolsas? Precisamente a Black Rock, que com o seu peso financeiro as consegue manipular, de modo a obter grossas mais-valias!

Mas não se fica por aqui; se a BlackRock, tem participação privilegiada em todas as sociedades, que lhes interessa, conseguem obter um monopólio de influência; isso quer dizer, que conseguem concertar preços comerciais monopolistas nos mercados internacionais, entre empresas que supostamente concorreriam entre si; e isto à revelia, dos governos e das comunidades de países, que supostamente deveriam garantir a livre concorrência no mundo capitalista.

E o círculo fecha-se; garantidos preços “rentáveis” às empresas de que é acionista, garante-lhes bons lucros e boas performances nas bolsas; em consequência, os seus fundos financeiros de pensões e os ditos de “passivos”, dão excelentes rentabilidades e cada vez têm mais procura; e dado que os fundos da BlackRock, têm êxito, outros, vêm juntar-se-lhes para fazer parte do seu êxito; e na própria Europa, pressionada pelos “lobies” dos ultra-liberais, existe uma pressão enorme, para substituir os sistemas de reforma públicos existentes, por fundos de pensões capitalistas, precisamente geridos sob a batuta da BlackRock!

Enfim! Num mercado monopolizado, quem o domina, impõe os preços que o consumidor tem de pagar! E os governos dos países, necessitados de investimentos, em vez de os afrontar bajulam-nos; o próprio BCE, os utiliza como consultores, para enfrentar os problemas advindos da crise da divida soberana! E eles aconselham, precisamente o que mais lhes convêm! Claro! Nem poderia ser de outro modo!

*Octavio Serrano-Pagina de Analise Politica | Facebook, em 28 de Agosto de 2018

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