domingo, 30 de outubro de 2011

Com morte de Kadafi, presidente de Angola vira africano há mais tempo no poder




ESTADÃO, em 20 de outubro de 2011

José Eduardo dos Santos está no cargo desde 1979, quatro anos após independência

LUANDA - A visita da presidente Dilma Rousseff a Angola nesta quinta-feira, 20, ocorre no mesmo dia em que seu anfitrião, o presidente José Eduardo dos Santos, obtém, junto com o guinéu-equatoriano Teodoro Nguema, o título de líder africano há mais tempo no poder, após a confirmação da morte do líbio Muamar Kadafi.

Presidente de Angola desde 1979, quatro anos após o país tornar-se independente de Portugal, Santos, de 69 anos, chegou ao cargo no mesmo ano em que Nguema e um ano antes que o zimbabuano Robert Mugabe.

Os três são remanescentes dos "big men" (grandes homens, em inglês), como foram apelidados os vários mandatários longevos que controlavam grande parte da África até uma década atrás.

Nas ruas de Luanda, a capital angolana, retratos do presidente ilustram numerosos outdoors, pôsteres e adesivos colados em carros de militantes do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), o partido no poder desde a fundação do país.

O culto à personalidade do líder também é exercido pelos meios de comunicação oficiais: basta que o presidente receba algum visitante em seu palácio - mesmo que um empresário ou um músico estrangeiro em turnê pelo país - que o encontro pode se tornar a manchete do Jornal de Angola, único diário com alcance nacional. Mas as manifestações recentes que levaram à queda de três big men africanos - Kadafi na Líbia, Zine Abidine Ben Ali na Tunísia e Hosni Mubarak no Egito - agora respingam em Angola.

Protestos

Inspirados pela primavera árabe, jovens angolanos têm organizado protestos para exigir abertura democrática e o fim dos 32 anos de mandato do presidente. Eles afirmam que as vastas riquezas naturais do país - que é o segundo maior exportador de petróleo da África Subsaariana - têm enriquecido apenas uma elite ligada ao governo, ao passo que a grande maioria da população continua à margem do progresso.


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