domingo, 5 de agosto de 2018

Inhambane: Centenas de professores há meio ano sem salário

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Em Inhambane, os professores contratados pela Direção Provincial da Educação não recebem salários desde fevereiro. Autoridades falam em problema de reconhecimento no sistema de pagamento, mas não apresentam uma solução.

Perto de 450 professores na província de Inhambane, no sul, estão há quase meio ano sem receber os seus salários. Os docentes dizem que já procuraram saber os motivos da demora em várias instituições do Estado, mas a resposta é sempre a mesma: prometem resolver o mais rapidamente possível, mas até agora o problema continua.

Um professor de Inhambane, que falou à DW África e pediu para não ser identificado por temer represálias, conta que vive dias cada vez mais difíceis.

"Ainda não recebemos, procuramos ao nível provincial, distrital e do Estado em si, nas Finanças, através do diretor-adjunto provincial. Eles prometem resolver daqui a pouco, mas nunca mais. É um assunto que nos deixa muito abalados porque o salário é sagrado. Até a família acaba não acreditando, de tanto passar muito tempo. Quem trabalha deve ser pago", contou o professor.

Descoordenação administrativa

As autoridades dizem que se trata de um problema no sistema de pagamento, que não reconhece os professores. Acácio João, chefe dos recursos humanos da Direção Provincial da Educação de Inhambane, explica que os docentes foram contratados por esta entidade, antes de receberem instruções das Finanças. Como agora os pagamentos são feitos por via eletrónica - a chamada e-folha - e muitos professores ainda não estão registados nas Finanças, o sistema de pagamento não os reconhece.

"Desde o ano passado que o processamento de salário é feito via sistema e-folha, mas não temos como cadastrar o docente para poder receber o seu salário antes", explicou Acácio João.

Problema não é falta de dinheiro

O governador de Inhambane, Daniel Chapo, lamenta a situação em que se encontram os professores - que não recebem ordenado desde que arrancou o ano letivo, em fevereiro - e pede mais celeridade na tramitação dos processos administrativos para evitar constrangimentos.

"Esses salários não estão atrasados por falta de dinheiro do Estado, mas por aquele que foi contratado não ser cadastrado no sistema em tempo útil, como agora o salário é via e-folha, de facto o colega está lá na escola a dar aula, mas o sistema não reconhece que ele existe", disse.

Luciano da Conceição (Inhambane) | Deutsche Welle
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