sexta-feira, 10 de maio de 2019

Quase metade das crianças timorenses vive abaixo da linha da pobreza - UNICEF


Díli, 10 mai 2019 (Lusa) - Quase metade das crianças timorenses vive abaixo da linha da pobreza, um valor que é mais elevado do que entre os adultos, revela um relatório agora divulgado.

O relatório, da UNICEF e do Governo timorense, mostra que Timor-Leste é, tanto na Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) como na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o país com maior percentagem de crianças menores de cinco anos que sofre de nanismo devido a malnutrição.

O Livro de Dados da Criança 2018, que foi divulgado esta semana em Díli, indica que metade das crianças sofre de nanismo "severo ou moderado", uma em cada três crianças tem peso a menos de forma "moderada ou severa" e uma em cada nove tem debilitação (wasting).

O documento sublinha os desafios que o país enfrenta quando 46,4% da população total de 1,18 milhões tem menos de 18 anos, e 12,7% tem menos de cinco anos.

Os dados mostram que 49% das crianças com menos de 14 anos vivem abaixo da linha oficial da pobreza, fixada em apenas 46,37 dólares por mês, ligeiramente acima da linha internacional de pobreza fixada nos 40,45 dólares.



A pobreza infantil é muito maior nas zonas rurais, onde ronda os 40%, do que nas zonas urbanas, onde varia entre 22 e 24%, dependendo do grupo etário.

Em termos comparativos, a pobreza afeta mais as crianças do que os adultos, já que em termos totais 41,8% da população timorense vive abaixo da linha de pobreza nacional.

A nível regional, os índices mais elevados de pobreza são os da região do enclave de Oecusse -- 62,5% da população -- seguindo-se a zona de Ermera com 56,7%, na zona onde é produzida a maior parte do café do país, a única exportação de relevo.

Díli tem o índice de pobreza mais baixo, mas, ainda assim, mais de 29% vivem abaixo da linha oficial de pobreza.

O relatório mostra uma melhoria de 8,6 pontos percentuais nos últimos 12 anos, no que se refere à população total do país a viver na pobreza extrema.

Mostra ainda que a taxa de mortalidade infantil caiu de 125 por mil nados vivos em 2002 para 41 em 2016.

A mortalidade infantil no país é hoje mais baixa que na Guiné-Bissau, Angola e Moçambique, revela o relatório.

Os dados mostram uma queda de 4,7% nos últimos anos no número de crianças vacinadas em 2016, face a 2010.

O relatório indica que 3,6% das crianças com entre 10 e 14 anos faz trabalho infantil, percentagem que sobe para os 4% nas zonas rurais.

No que toca à educação, o estudo mostra que um quarto das crianças timorenses não estão na escola, sendo que só 22% das crianças estão inscritas no ensino pré-escolar, e quase 24% das crianças no nível 1 de escolaridade chumbam.

Uma em cada 40 crianças abandona a escola no ensino primário, 22% das meninas e 27% dos meninos não está inscrito no ensino secundário.

O relatório mostra que 58,5% das escolas têm fontes melhoradas de água e só 35,1 tem casas de banho a funcionar.

Quase um terço das jovens entre 15 e 19 anos referem ter sido alvo de violência física e 3% de violência sexual.

Essas percentagens sobem ao longo da vida sendo que quase 40% das mulheres adultas dizem ter sido alvo de violência e mais de cinco por cento alvo de abuso sexual.

Os dados mostram que mais de 1.500 melhores em Timor-Leste se casaram antes de cumprir 15 anos e mais de 23.700 antes dos 18.

Só 60,4% das crianças com menos de cinco anos têm registo de nascimento e só 29,2% têm certidão de nascimento.

ASP // FPA

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