quinta-feira, 9 de abril de 2020

África tem 48 países com testes e compete com "mundo desenvolvido" - UA


África tem 48 países com testes à COVID-19 e compete com o “mundo desenvolvido” no acesso a testes e material de protecção, revelou hoje o director do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC).

John Nkengasong, que falava durante um encontro online com a comunicação social a partir de Adis Abeba, na Etiópia, sublinhou “o feito” que a União Africana alcançou ao conseguir que, em duas semanas, o número de países com capacidade de testar a COVID-19 passasse de dois para 43, situando-se actualmente nos 48.

“Se tivéssemos começado em Janeiro, todos os países já teriam esta capacidades de diagnóstico”, disse.

O director do África CDC sublinhou que, graças à existência destes testes de diagnóstico, é possível quantificar hoje o número de infectados no continente.

Segundo afirmou, África regista actualmente 11.400 casos em 52 países, com 572 mortos e 1.313 recuperados.

Aos jornalistas, John Nkengasong referiu que o continente está actualmente a competir com “o mundo desenvolvido” no acesso a estes diagnósticos e também a material de protecção como máscaras e fatos.


E deixou um recado: “O inimigo é o vírus e um vírus perigoso. Não podemos politizar esta situação, pois tal seria devastador para nós”.

“O inimigo é o vírus e não organizações como a Organização Mundial de saúde (OMS) ou a União Africana”, advertiu.

Virologista de profissão, John Nkengasong assumiu que nunca imaginou que iria viver para um dia assistir a uma situação tão devastadora como a pandemia de COVID-19.

“Quando estudamos virologia, estudamos estes casos nos livros, como a situação de 1918”, disse, numa referência à “gripe espanhola” que, entre 1918 e 1920, infectou 500 milhões de pessoas.

Os países africanos com mais infecções por COVID-19 são actualmente a África do Sul (1.800), Argélia (1.500), Egipto (1.500), Marrocos (1.200) e Camarões (650).

Em pelo menos uma dezena de outros países, o número de casos confirmados é na ordem das centenas.

Todos os países africanos lusófonos registam casos da doença, com a Guiné-Bissau a ser o mais afectado, contabilizando 33 pessoas com infecções pelo novo coronavírus.
Angola soma 17 casos confirmados de COVID-19, contabilizando duas mortes.

Moçambique mantém 10 casos declarados de infecção pelo novo coronavírus e Cabo Verde totaliza sete casos de infecção desde o início da pandemia, entre os quais um morto.

São Tomé e Príncipe, o último país africano de língua portuguesa a detectar casos da doença no seu território, regista quatro casos confirmados.

Na Guiné Equatorial, que integra a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, estão confirmados 16 casos positivos de infecção pelo novo coronavírus.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da COVID-19, já infectou mais de 1,5 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 87 mil.
Dos casos de infecção, cerca de 280 mil são considerados curados.

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