sábado, 20 de fevereiro de 2021

DOS "BRINDES" QUE A EUROPA NOS DÁ! - III

Martinho Júnior, Luanda  

PARTICULARMENTE DESDE A DESTRUIÇÃO DA LÍBIA, HÁ DEZ ANOS, QUE ERA PREVISÍVEL QUE A ONDA DE CAOS, TERRORISMO E DESAGREGAÇÃO EM ÁFRICA VIESSE A CRESCER...

POR TODO O LADO E FORMATANDO AS MENTES, UM CAUDAL DE CANAIS DE COMUNICAÇÃO, DESDE ALGUNS DE “REFERÊNCIA” GLOBAL AOS LOCAIS, IMPACTAM NOS AMBIENTES HUMANOS, NA TENTATIVA DE MOLDAR OS PODERES NACIONAIS AOS INTERESSES E CONVENIÊNCIAS DO IMPÉRIO DA HEGEMONIA UNIPOLAR, CONFORME AO “SOFT POWER” CULTURAL “DE INSPIRAÇÃO” ANGLO-SAXÓNICA!

ANGOLA NÃO ESTÁ A ESCAPAR A ESSE “ATURADO TRABALHO” MERCENÁRIO DOS “MEDIA”, TENDO NO CENTRO DO VULCÃO OS HABITUAIS ARGUMENTOS EM PROL DOS “DIREITOS HUMANOS”, NO CASO ANGOLANO PONDO EM CAUSA UM DIREITO FUNDAMENTAL ADQUIRIDO PELO MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO PELA ÚNICA FORMA QUE LHE FOI POSSÍVEL, A FORÇA DAS ARMAS E DA LEGITIMIDADE HISTÓRICA DA REBELDIA COERENTE, LÚCIDA E JUSTA: AUTODETERMINAÇÃO, INDEPENDÊRNCIA E SOBERRANIA, SEGUINDO A TRILHA DA LÓGICA COM SENTIDO DE VIDA IMPULSIONADO PELA PRÓPRIA LUTA DE LIBERTAÇÃO!...

A EUROPA, CAIXA DE RESSONÂNCIA MOR DAS “REVOLUÇÕES COLORIDAS” E DAS “PRIMAVERAS ÁRABES”, DEMONSTRA SER SAUDOSISTA DA PIOR ESPÉCIE DO SEU PERVERSO DOMÍNIO COLONIAL, TRANSFORMANDO CAFUNFO EM MAIS UMA “PRAÇA MAIDAN”!

É POR ISSO QUE “BRINDES” NÃO FALTAM EM TODA A CORRENTE MERCENÁRIA, PARTICULARMENTE NA VIA DA SUBVERSÃO “INDEPENDENTE” DOS “MEDIA DE REFERÊNCIA” E DOS “PASQUINS” DA OCASIÃO!

MJ -- LUANDA, 14 DE FEVEREIRO DE 2021

IMAGEM: As cores do “massacre” dos mercenários da escrita – Para o caricatural  “pasquim” que dá pelo nome de “Folha 8”, amplia-se sem limites a sistemática injecção do DW e da Voz da América – na caricatura: a “Europa deplora o massacre de Cafunfo” e vai daí nada melhor que publicar, da forma mais grotesca que lhe foi possível, a face do actual Ministro do Interior da República de Angola, escudada pelos “bons ofícios” duma “diamantária” União Europeia, ao sabor do “eixo” Bruxelas-Bolsas de Antuérpia – https://jornalf8.net/2021/europa-deplora-massacre-de-cafunfo/ 


O MOMENTO É VISTO ASSIM PELO JORNALISTA VETERANO ARTUR QUEIROZ:

A Maquineta da Kamanga e o Combate à Corrupção

Artur Queiroz, Luanda

Os órgãos de comunicação social do sector empresarial do Estado estão debaixo de fogo disparado de todos os lados, até da entidade reguladora. A UNITA, revelando mais uma vez o seu ódio à liberdade de expressão e à democracia, anda de fita métrica na mão para contestar as políticas editoriais. Quer ouvir na Assembleia Nacional as administrações da TPA e da TV Zimbo, porque os dois canais passaram na íntegra um comunicado do MPLA e resumiram um da UNITA. Estão de cabeça perdida, se alguma vez tiveram cabeça.

A UNITA quer ouvir as administrações da TPA e da Zimbo sobre questões de política editorial. É o mesmo que ouvir um administrador da TAAG sobre técnicas de pilotagem de uma aeronave. Os jornalistas é que decidem se um comunicado é publicado na íntegra, por parágrafos ou apenas citado. E isso nada tem a ver com imparcialidade, mas mais ou menos interesse dos conteúdos comunicacionais. No caso do comunicado da UNITA sobre a rebelião armada de Cafunfo, qualquer jornalista principiante percebe que o conteúdo é mera propaganda política e, sabe-se agora, contém informação falsa. Teve o tratamento jornalístico em conformidade.

Quanto ao comunicado da direcção do MPLA, o seu interesse jornalístico é tal que está a ser escalpelizado, criticado e até repudiado por tudo quanto é comentador avençado e pela Redacção Única ao serviço do banditismo mediático. Logo, os jornalistas da TPA e da Zimbo agiram bem. O comunicado da UNITA, por conter informação falsa, nem sequer devia ser citado. Apenas noticiada a sua existência.

Nos últimos dias, os avençados ao serviço do banditismo mediático têm recorrido à falsificação de factos, à mentira descarada, ao delírio, à manipulação grosseira. No jornal de madalenos e sobrinhos, um escriba diz que em 2010 houve uma revisão constitucional. Isto é muito grave, porque a falsificação é assinada por um jornalista. Em 2010, entrou em vigor a Constituição da República, que pôs fim ao período de transição iniciado com o Acordo de Bicesse. A UNITA exigiu eleições gerais (as primeiras depois de Savimbi regressar à guerra) e anunciou ao Presidente da República, que saía do Governo de Unidade e Reconciliação Nacional (GURN).

O Presidente José Eduardo dos Santos disse a Isaías Samakuva que era melhor deixar amadurecer a situação política interna, mais dois ou três anos. E avisou que se o MPLA ganhasse às eleições, não mais aceitaria governar em coligação. A UNITA ficaria sem ministros, secretários de Estado, embaixadores, governadores e administradores. Isaías Samakuva recusou esperar. Os seus gurus em Pretória, Washington e Lisboa meteram-lhe na cabeça que ia ganhar a disputa eleitoral. O resultado foi catastrófico. O MPLA elegeu mais de dois terços dos deputados. E assim acabou o período de transição. Os titulares do Poder Legislativo tinham poderes constituintes e aprovaram uma Constituição da República que marca a mudança de regime.

É falso que a Constituição da República de 2010 seja um instrumento para dar todo o poder ao Presidente da República da época.  O regime presidencialista é muito importante para garantir a estabilidade política e fomentar amplos consensos. Isso é vital para Angola. Até um escriba com o intestino grosso ligado ao cérebro percebe porquê. O banditismo mediático, ao mesmo tempo, desenterra a proposta de José Eduardo dos Santos para que o Presidente da República eleito deixasse de ser o presidente do MPLA. Chamaram a essa proposta sensata e politicamente correcta, de “bicefalia”.

O regime presidencialista aconselha a essa mudança. Em quase todos os países onde o regime é semi-presidencialista, o presidente eleito sai do partido a que pertence ou suspende a sua militância, ainda que as candidaturas presidenciais sejam independentes dos partidos. Num regime onde o Chefe de Estado eleito é o cabeça de lista do partido mais votado e também titular do poder executivo, parece evidente que é da mais elementar prudência autonomizar a presidência do MPLA.  Isso nada tem a ver com “bicefalia”, mas com honestidade política, ética republicana e espírito democrático.

Combate à corrupção, a sério. Um ministro das Finanças do Governo de Angola disse-me em entrevista que a “maquineta da kamanga” é o motor da economia paralela e a fonte da corrupção em Angola. Ele defendeu mesmo que enquanto a “maquineta” não for desmantelada, a economia angolana estará sempre sob uma intolerável pressão. Na época, milhares de garimpeiros esventravam a Lunda Norte e dominavam o triângulo Cuango, Cafunfo e Luremo. A maioria dos exploradores artesanais de diamantes vinha dos países vizinhos e da África Central.

Um economista de primeira categoria disse-me, também em entrevista, que para reduzir ou mesmo acabar com a exploração ilegal de diamantes, o Governo de Angola devia fazer importantes investimentos em projectos transfronteiriços. Até aconselhava à criação de uma rede de distribuição de combustíveis da Sonangol nas províncias fronteiriças da República Democrática do Congo, Zâmbia e Namíbia. Essas medidas serviam de travão à emigração ilegal e ao garimpo de diamantes. É evidente que a rebelião armada de Cafunfo é resposta violenta ao combate à corrupção. Oiçam a gritaria que por aí vai!

No combate à corrupção, a seguir ao desmantelamento da maquineta da kamanga, tem de vir a recuperação do dinheiro roubado pela UNITA. Ninguém beneficiou mais do tráfico de diamantes. E é altura de apresentar as facturas aos invasores estrangeiros e seus apoiantes (Lisboa, Paris, Londres, Washington). Se o ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Francisco Queiroz, cair na asneira de receber a representante da União Europeia em Luanda (arrogantemente neocolonialista) então que lhe apresente a factura das destruições em Angola levadas a cabo pela UNITA, às ordens das grandes potências mundiais, entre as quais europeias.

Gaspar Santos, antigo colaborador do jornalista Manuel Rabelais no GRECIMA, revelou no Tribunal Supremo de Justiça, que a instituição foi obrigada a ceder a chantagens de canais televisivos portugueses, que custavam entre 40 e 50 mil euros. Os autores da extorsão e chantagem não foram identificados. Ainda bem. Um pirata informático português chamado Rui Pinto está a ser julgado por tentativa de extorsão. A portuguesa Ana Gomes é amigalhaça do delinquente e do condecorado Rafael Marques. Cuidado!

O dinheiro era pago aos chantagistas para impedir que fossem publicadas matérias contra Angola e titulares dos seus órgãos de soberania. Os canais de televisão portugueses SIC e TVI foram apontados por Gaspar Santos como os que fizeram a "boa imagem” de Angola a troco de pagamentos do GRECIMA. Quanto aos jornalistas e órgãos de informação angolanos que receberam muito dinheiro, nem é bom falar. Mas é tempo de revelar a lista de pagamentos apreendida no bunker de Savimbi no Bailundo. Constam lá muitos políticos e jornalistas angolanos, mas também portugueses. É uma forma importante de combater a corrupção.

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