quarta-feira, 13 de junho de 2012

Lisboa: Fundação Saramago é um "novo centro cultural" aberto ao mundo




O presidente da Câmara de Lisboa afirmou, esta quarta-feira, que a Fundação José Saramago é um "novo centro cultural" aberto "à cidade e ao mundo", tendo como missão a fidelidade ao legado do escritor e à sua "atualização criativa".

No discurso de inauguração da Fundação, na Casa dos Bicos, António Costa afirmou que este projeto, que tem o apoio da autarquia desde 2008, "é um grande motivo de satisfação e de orgulho para a Câmara Municipal de Lisboa".

Lisboa conta a partir de hoje, no "edifício memorável da Casa dos Bicos", com "um espaço aberto a atividades culturais diversas".

"Aqui se dá corpo e alma a um desígnio essencial da cultura, que a torna inseparável da consciência que temos do estado do mundo e da nossa vontade de liberdade e de justiça para todos", sublinhou o autarca.

Para António Costa, "a fidelidade ao legado de José Saramago e à sua atualização criativa são o fundamento e a missão deste novo centro cultural".

"Esse legado tem muitas dimensões e alcances. Nele, é fundamental a atenção à cultura e à língua portuguesas, mas também a promoção de uma cultura universalista, fundada na defesa dos direitos humanos, segundo a matriz da Declaração Universal, e incluindo a defesa do meio ambiente e do futuro da terra", sublinhou.

Por outro lado, disse, "o passado da Casa dos Bicos encontra, a partir de hoje, um futuro que se abre, numa renovação da sua história e do seu simbolismo".

O facto de a fundação ser inaugurada no Dia de Santo António também mereceu algumas palavras do autarca, que foram dirigidas à mulher do escritor, Pilar del Río: "Como sabemos, foi um santo de palavras e sermões, de milagres e prodígios, patrono também de casamentos felizes, como foi o de José e Pilar. Foi, além disso, um santo ubíquo, quase tão ubíquo como Saramago que, sobretudo depois do Nobel, estava ao mesmo tempo em vários lados".

Destacou também o "amor, a dedicação, a fidelidade a uma obra" de Pilar del Río, que se traduziu na "entrega militante e entusiasmada a um projeto, que é da cidade, do país e do mundo".

"Ela é a guardiã da memória e do legado de José Saramago, o qual representa 'o tesouro emocional, intelectual e espiritual da Casa dos Bicos'", comentou.

Para António Costa, esta Fundação "é e será evocação permanente do grande escritor" e um "lugar de descoberta e de redescoberta da sua obra literária".

Sublinhou ainda que o "espírito de abertura, descoberta, procura e solidariedade" do escritor "anima a Fundação José Saramago: Esta é uma casa aberta à cidade e ao mundo, que procura o encontro com os outros".

Sobre o título da exposição inaugural de Fernando Gomez Aguilera, "José Saramago: A Semente e os Frutos", António Costa afirmou que é um "bom lema" para a abertura da Fundação.

"Evocando a memória de José Saramago, sabemos que nada lhe daria mais prazer do que estar hoje aqui connosco. Por isso, o sentimos, como se estivesse vivo, entre nós, com a sua palavra justa, o seu sorriso irónico e o seu gesto fraterno, dirigido ao nosso encontro. Esta casa é, afinal, a retribuição dessa palavra, desse sorriso e desse gesto", concluiu.

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