Daniel de Oliveira –
Expresso, opinião
Mais uma
"barracada" do governo. Foi assim que o bastonário da Ordem dos
Oficiais de Contas definiu o atraso na publicação do diploma que define o
pagamento dos duodécimos dos subsídios. Deste atraso resulta uma confusão total
nas empresas, que estão impossibilitadas de fazer qualquer tipo de planeamento
na gestão de tesouraria, o que pode implicar negociações com os bancos. Coisa
que, a 10 de janeiro, já é virtualmente impossível. Resultado: o primeiro
duodécimo dificilmente será pago este mês. Estamos a meio do mês e ainda
ninguém sabe quanto vai pagar ou receber. O bastonário António Domingues
Azevedo resume bem o estado do País: "estamos a ser governados por
rapazes que não sabem o que estão a fazer".
O improviso,
em que tudo é feito em cima do joelho e apresentado como se de medidas
longamente refletidas se tratassem, é a imagem de marca deste governo. Não é
difícil de perceber porque é que isto acontece. Com um ministro das
Finanças sem qualquer conhecimento da realidade económica do País - como
grande parte das medidas que impõe demonstram -, um ministro da Economia
que nunca conheceu uma empresa e um primeiro-ministro que, sem
qualquer experiência executiva, pequena que seja, nada sabe sobre o
funcionamento do Estado, é natural que a nenhuma medida corresponda um
planeamento que tenha em conta a exequibilidade de cumprir prazos.
Esta ignorância dos
que ocupam os lugar-chave no governo não explica apenas a sua incompetência.
Explica a insensibilidade social com que governam. Quem não sabe é
como quem não vê, quem não vê é como quem não sente.
Perante esta
colossal trapalhada, não ficariam a gerir empresa exigente nem mais um dia. Mas eles
são os que acham que a má gestão está na natureza do Estado. E encarregam-se de
confirmar as suas próprias convicções. O que me espanta é como podem, tendo em
conta o seu miserável desempenho, pedir rigor e competência aos portugueses.
Sem comentários:
Enviar um comentário