sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

SG da Frelimo pede demissão por ser "vilipendiado pela imprensa" moçambicana




Matola, Moçambique, 28 fev (Lusa) - O secretário-geral da Frelimo, Filipe Paúnde, pediu a sua demissão "por estar a ser vilipendiado nalguns órgãos de comunicação social", anunciou hoje o porta-voz do partido no poder em Moçambique.

Segundo Damião José, a demissão foi apresentada durante os trabalhos do Comité Central da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), reunido desde quinta-feira e até domingo, na Matola, e na qual o partido vai nomear o seu candidato às presidenciais de 15 de outubro.

"Neste momento a direção do partido está a analisar o pedido de renúncia e ainda não tomou nenhuma decisão. Caso se tome em consideração este pedido, poderemos ter, no decurso desta sessão, um novo secretário-geral e um novo secretariado", adiantou Damião José.

Segundo o porta-voz, Paúnde entende que o seu nome tem sido difamado em órgãos de comunicação social, facto que, disse, poderá estar a afetar o partido.

Paúde, um quadro da confiança do Presidente da República e líder do partido, Armando Guebuza, estava a ser muito contestado internamente após ter assumido que só poderia haver três pré-candidatos às presidenciais, ou seja, os nomes propostos pela comissão política ao comité central: o primeiro-ministro, Alberto Vaquina, e os ministros da Agricultura, José Pacheco, e da Defesa, Filipe Nyusi.

No entanto, setores fortes do partido, como o ex-Presidente Joaquim Chissano e os antigos combatentes, contestaram a limitação e, hoje, o porta-voz da Frelimo certificou a existência de mais duas candidaturas, a dos ex-primeiros-ministros Luísa Diogo e Aires Aly.

No entanto, Damião José não confirmou a entrada da candidatura de Eduardo Mulémbwe, ex-procurador-Geral da República e ex-presidente da Assembleia da República, dado pela imprensa como o sexto candidato a candidato da Frelimo a Presidente da República.

Na última semana, o Expressomoz, um pequeno jornal de Maputo, associou Filipe Paúnde a um esquema de venda de licenças de importação de veículos, atribuídas com isenção de impostos à Frelimo, mas, alegadamente usadas para fins pessoais.

Paúnde anunciou que irá processar o jornal, que não citava qualquer fonte para sustentar a sua notícia.

LAS // VM - Lusa

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