segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

China espera continuar relações "pacíficas" com Taiwan após eleições




Pequim, 30 nov (Lusa) -- A China espera que as relações com Taiwan continuem a ser "pacíficas", após a realização de eleições locais na ilha, das quais o Partido Kuomitang (KMT), no poder, sofreu uma pesada derrota que levou à demissão do primeiro-ministro.

A intenção foi manifestada pelo porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado chinês, Ma Xiaoguang, depois de terem sido conhecidos os resultados das eleições na ilha Formosa, em declarações citadas pela agência oficial Xinhua.

"Esperamos que os nossos compatriotas do outro lado do Estreito mantenham os frutos arduamente trabalhados nas nossas relações e que continuemos juntos a salvaguardar e a contribuir para um desenvolvimento pacífico das relações", afirmou.

O KMT, favorável ao estreitamento dos laços com Pequim, sofreu uma pesada derrota nas eleições locais de sábado, vistas como um teste para as presidenciais de Taiwan em 2016.

No escrutínio, em que cerca de 18 milhões de eleitores foram chamados às urnas para escolherem os representantes para mais de 11.000 lugares, o KMT perdeu a liderança de nove cidades e distritos, deixando sob controlo do Partido Democrático Progressista (oposição) os principais núcleos urbanos, incluindo a capital, Taipé.

Após serem conhecidos os resultados, o primeiro-ministro, Jiang Yi-huah, anunciou a sua demissão, assumindo a "responsabilidade política" pela severa derrota do seu partido.

O Presidente de Taiwan, Ma Ying-jeou, nomeará, nos próximos dias, um novo primeiro-ministro, que será encarregado de formar o novo governo, de acordo com a Constituição da ilha.

O regresso do Kuomintang ao poder, em 2008, teve como consequência uma maior aproximação entre Taiwan e a China, com Ma Ying-Jeou a pôr de lado a retórica nacionalista do partido em benefício do desenvolvimento das trocas económicas com a China, primeiro parceiro comercial de Taiwan.

Tal levou, por exemplo, ao estabelecimento de voos diretos, uma ligação que anteriormente era feita através de países e territórios terceiros como a Coreia do Sul, Hong Kong ou Macau.

Contudo, têm crescido os receios no seio da opinião pública relativamente à influência da China na ilha.

Um dos fatores apontados como estando na origem do recuo do KMT, ao qual se soma o abrandamento económico e a uma série de escândalos alimentares.

DM (PAL) // DM

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