segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Portugal. DUALIDADE DE CRITÉRIOS



Nunca o país, sobretudo no que diz respeito à comunicação social, se mostrou tão exigente com os políticos. Não com todos os políticos, mas com os políticos que integram os partidos de esquerda e que se preparam para apresentar uma solução política em oposição à "solução" apresentada pelo Governo de Passos Coelho. Se dúvidas existem sobre esse acréscimo de exigência, sugere-se o seguinte exercício: assistir aos canais de televisão (com especial relevo para o canal público RTP1) e passar os olhos pelos jornais. A exigência que se pede aos partidos de esquerda, e que não há memória de ter sido sequer aflorada nos partidos de direita, é comparativamente incomensurável.

Dir-se-á, numa tentativa de enquadrar tudo num contexto de normalidade, que esta solução avançada pela esquerda é inédita. É bem verdade que sim, mas só esse facto não justifica tão acentuada dualidade de critérios. Por que razão se exige tanto da solução de esquerda e se lidou com tanta naturalidade com a inexistência de programa político da coligação conhecida por PàF? A verdade é que Passos Coelho e Paulo Portas se apresentaram a eleições sem programa eleitoral e com um passado oneroso e de má memória. Talvez por isso tenham adoptado a estratégia de discutir apenas e só o programa do Partido Socialista. Comentadores, entrevistadores e jornalistas manifestam estar particularmente preocupados com a solução de esquerda, sendo que nunca demonstraram a mesma exigência com a solução de direita, com as mentiras, com a incompetência, com a intransigência.

De resto, é o próprio Presidente da República a cair nessa dualidade de critérios, chegando ao ponto inconcebível de colocar fora da democracia os partidos mais à esquerda do PS. Com efeito, depois da abertura deste gravíssimo precedente não se sabe o que se pode esperar de um país cujas elites (parte relevante) manifestam pouca ou nenhuma cultura democrática.


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