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terça-feira, 14 de junho de 2016

DISSIDENTE CHINÊS PRONTO PARA CONSEQUÊNCIAS AO PUBLICAR NOVO LIVRO, diz a filha



Pequim, 14 jun (Lusa) - Um advogado e conhecido dissidente chinês está a preparar-se para publicar o seu mais recente livro, em que prevê o colapso do Partido Comunista Chinês (PCC), partido do poder na China, apesar das previsíveis consequências.

Gao Zhisheng encontra-se em prisão domiciliária desde 2014, após ter cumprido uma pena de três anos por subversão.

Segundo a sua filha, Grace Gao, o ativista de 52 anos vai publicar o livro escrito durante a sua custódia e está preparado para aceitar as consequências.

"Ele disse-nos (à família) que devemos estar preparados. Ele está preparado física e mentalmente", apontou a jovem de 23 anos numa conferência de imprensa realizada nos Estados Unidos da América.

"Gao disse que está determinado a sacrificar a sua liberdade", afirmou a filha, em lágrimas, afirmando que "ele está determinado e não deixará a China? Por questões que ele diz que tem de resolver".

A mulher de Gao, Geng He, fugiu para os EUA em 2009, com Grace e a outra criança do casal.

O livro aborda os abusos físicos sofridos por Gao durante a detenção, a sua fé em Deus e a sua crença de que o PCC irá colapsar no próximo ano.
Os direitos foram comprados por um editor de Taiwan e o livro estará à venda a partir da próxima semana.

O editor não encontrou, até à data, um distribuidor na Região Especial Administrativa de Hong Kong.

O dissidente vive numa aldeia remota na província de Shaanxi, região oeste da China.

A forma como Gao entregou uma cópia do livro ao editor não foi, entretanto, revelada.

Gao foi detido pelas autoridades chinesas após ter defendido os direitos de grupos vulneráveis, incluindo membros de igrejas cristãs clandestinas, mineiros lesados e membros do movimento espiritual Falungong, que está banido na China continental.

Foi condenado, em 2006, a três anos de prisão com pena suspensa por "subversão do poder de Estado".

Em 2011, a imprensa estatal disse que um tribunal de Pequim decidiu que a cumpria a pena devido à violação da liberdade condicional.

A decisão foi alvo de críticas pelos EUA e União Europeia e grupos de defesa dos Direitos Humanos, como a Amnistia Internacional.

Após a sua libertação, em 2014, a sua família disse que ele sofreu abusos na prisão.

A China mantém presos vários críticos do regime comunista, incluindo o prémio Nobel da paz e escritor Liu Xiaobo.

JOYP // VM

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