terça-feira, 8 de agosto de 2017

Angola | LAVAR IMAGENS EM NOME DA DEMOCRACIA

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Martinho Júnior | Luanda

1- A “democracia” segundo os cânones da aristocracia financeira mundial, vale-se de peritos“lobistas” como Paul Manafort para, “lavar as imagens” dos “sargentos às ordens” e de seus “instrumentos agenciados” espalhados pelo mundo, de forma a, utilizando os “media de referência”, assim como os corredores essenciais às ligações, iludir por todas as formas a opinião pública global e a dos próprios Estados Unidos, a fim de através desses maquiavélicos expedientes, alcançar os fins de acordo com suas estritas conveniências.

No caso de Angola, a ligação de Paul Manafort a Jonas Savimbi, por via de Jardo Muekalia, é bem conhecida: começou com a abertura de portas da Casa Branca, quando o inquilino foi o republicano Ronald Reagan, o “sargento às ordens” que deu início ao processo de capitalismo neoliberal à escala global, de forma a transformar, no caso angolano, um “inveterado maoísta”, um constante alvo da Human Rights Watch num “freedom fighter” ávido de “democracia”.

A manobra foi de tal ordem a favor de Savimbi, que se “lubrificou” os “bons ofícios” do cartel de diamantes, no interesse de clãs que funcionam como sua rectaguarda, os Rockefeller e os Rothshilds entre outros e só quando a paranoia intempestiva savimbiesca o levou a enveredar pela“guerra dos diamantes de sangue”, “somalizando” Angola, não houve Paul Manafort algum que continuasse a garantir os lucros e caminhos da 1ª fase dessa operação de “lavagem”, que teve Bicesse como um dos seus dilectos “cenários”… a “imagem lavada” de Savimbi diluiu-se à custa dos milhões de vítimas angolanas e africanas, entre 1992 e 2002, mas para a aristocracia financeira mundial ficou de Paul Manafort a referência “in” do valor dos seus expedientes de “lavagem” em relação aos mais escabrosos “instrumentos agenciados” pelos interesses da hegemonia unipolar… e tudo em nome da “democracia”!...

2- A aristocracia financeira mundial por isso, entre o deve e o haver, foi mantendo Paul Manafort como “lobista especializado”, um “criativo” homem-de-mão pronto para as mais difíceis “lavagens de imagem” até aos nossos dias!

Se antes, nos tempos da apelidada “Guerra Fria”, essa especialidade ensaiava com todo o tipo de dificuldades os primeiros passos, com a ascensão do capitalismo neoliberal na construção da hegemonia unipolar ela garantia não só lucros na moeda-padrão imposta ao mundo, mas também os “jogos operativos” aferidos às melhores marcas de cosmética que se poderia imaginar, tornando versáteis, moldáveis e subtis as fronteiras entre o choque e a terapia neoliberais, ainda que houvesse alguém a proclamar aos quatro ventos qualquer tipo de medidas de “proteccionismo”…“the americans first”!...

A campanha do republicano Donald Trump foi assessorada pelo “especializado lobista” Paul Manafort e, como os ganhos (os dados) foram lançados, o emérito “lavador de imagens” tem lugar garantido entre os “consultores” do actual inquilino da Casa Branca para-o-que-der-e-vier, pois além do mais garante “links”, “em casa” uns, espalhados pelo mundo outros, que têm sido“cultivados” há décadas!…

Mesmo em relação aos termos da proverbial vassalagem da Europa, Paul Manafort é o “Conselheiro” mais indicado para “alisar o terreno”, quer a propósito das sanções em curso contra a Rússia, quer em relação ao “diktat” que pesa sobre a Venezuela Bolivariana.

Com o tempo Paul Manafort refinou os métodos da cosmética, com mensagens que “alisam o terreno”, isto é, deixam de ser abruptas, típicas de “freedom fighters”, nas primeiras impressões e nos segundos aproveitamentos passam a mensagens que se tornam “acessíveis”, “respeitáveis”,“moderadas”, “independentes”, jogando com a psicologia de massas adequada às espectativas dos estado-unidenses, como às espectativas globais.

Vejam como ele tem “lavado a imagem” e “moderado a linguagem” dum Donald Trump intempestivo, abrupto e pouco dado a longos discursos a ponto de ser um “twiter de eleição”!…

3- Em Angola essa “moldagem” está bem visível em época eleitoral nas “pistas” das mensagens de candidatos como Chivukuvuku, ou Samakuva, que viveram a saga da “malparada” interpretação“savimbiesca”, que se tornou impossível de “lavar”!

Os actuais candidatos, “recrutados” das hostes dos “freedom fighters” de então (lembre-se a Nicarágua dos “contras” e o Afeganistão de Bin Laden, tal como Angola de Savimbi), além do mais beneficiam duma vulnerável democracia que foi sujeita ao choque neoliberal e agora, apesar do desaparecimento físico dos “instrumentos originais agenciados”, está à mercê de muitos dos impactos providenciados pela terapia, onde se inscrevem pelo menos essas duas “réplicas”!

Com isso é evidente que o trabalho psicológico de massas em relação ao público-alvo angolano está em curso e ganha contornos inusitados em época eleitoral!...

“Conselheiro” Paul Manafort: estamos conversados!


Fotos:
- O “Conselheiro” Paul Manafort, um inveterado “lavador de imagens” (no topo).
- Cinco das experiências mais “traumáticas” de Paul Manafort enquanto “lavador de imagens”: Savimbi, Mobutu, Ferdinand Marcos (Filipinas), o nigeriano Abacha e Viktor Yanukoych, da Ucrânia.
- Savimbi com a “somalização” deitou a perder a “lavagem de imagem” que lhe foi propiciada por Paul Manafort, aferindo-o aos expedientes da “democracia”.
- Imagem oficial do Presidente da UNITA na campanha eleitoral de 2012 – a “lavagem de imagem” dum velho “freedon fighter” já era evidente, faltando apenas uma maior refinação do discurso.
- Nada melhor que uma “coligação” para uma “lavagem de imagens” para velhos “freedom fighters” pois além do mais ficam diluídas as eventuais “margens de erro” das mensagens que se pretendem “democratas”, “moderadas” e até “patrióticas”… com as cores escolhidas (amarelo e creme, segundo fórmula de 2016), o ciclo conforme a Paul Manafort fica consumado na “corrida” de Chivukuvuku.

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