sexta-feira, 2 de novembro de 2018

São Tomé | PR Evaristo é conivente com o vazio de poder que reina no país - oposição


Os partidos da oposição acusam o Presidente da República Evaristo Carvalho de ser conivente com a actual situação de vazio de poder reinante no país. Segundo a oposição, a conivência do Chefe de Estado para com a situação que considera ser de ingovernabilidade, ficou evidente com o pronunciamento de Evaristo Carvalho à nação na quarta – feira.

O discurso do Presidente da República foi considerado pela oposição como, vazio e sem novidades. «Esperava-se que no mínimo o Presidente da República, pudesse informar a nação sobre o paradeiro certo do Primeiro Ministro, que numa atitude de manifesto desprezo e desrespeito pelo nosso povo abandonou o país há 20 dias sem dar qualquer explicação», refere a declaração conjunta das forças da oposição, lida pelo Presidente da coligação, o médico Arlindo Carvalho.

Numa altura em que o país, vive uma situação económica, social e política degradante e sem precedentes, a oposição diz que não encontrou qualquer medida urgente na declaração de Evaristo Carvalho à Nação. «É ainda de se lamentar o facto do senhor Presidente da República no seu pronunciamento ter tentado branquear a responsabilidade do Governo de Patrice Trovoada pela crise energética jamais vivida no país», sublinha a oposição.

«Compreendemos a revolta e indignação dos cidadãos mas apelamos a calma e a ponderação no sentido de se evitar que o património colectivo seja destruído», acrescentam as forças políticas da oposição.

Evaristo Carvalho está a ser conivente com a situação de vazio do poder, denunciou a oposição. «Fugiu claramente as suas responsabilidades ao não cumprir as suas atribuições constitucionais demonstrando assim ser conivente com a intolerável situação de ingovernabilidade que vive o país», frisa a oposição.

A conivência entre o Presidente da República, o partido ADI e o seu Governo rejeitado nas urnas, é sustentada pela oposição, com base no texto constitucional. «Não se vislumbra em parte alguma da constituição política, que a formação do governo esteja condicionada à tomada de posse dos deputados a Assembleia Nacional. Refutamos esta interpretação feita por sua excelência senhor Presidente da República e exortamo-lo a iniciar imediatamente contactos com os partidos políticos para formação do governo de acordo com os preceitos constitucionais, de modo a por cobro ao vaio de poder e as consequências que poderão advir do prolongamento desta situação», conclui a declaração conjunta das forças da oposição.

A conferência de imprensa da oposição, decorreu na sede do partido MLSTP. Jorge Bom Jesus, enquanto líder da oposição, detalhou que o actual governo em funções, «é um governo moribundo em fim de mandato. Esta indefinição permite a este governo assumir prerrogativas que já não deveria ter. Ouvimos dizer que engajamentos em nome do Estado estão a ser assumidos, contratos estão a ser assinados. Há muitos dossiers a serem deslocados, incluindo nas câmaras distritais há computadores a serem levados para casas de pessoas».

Jorge Bom Jesus, deixou claro que o país está nesta altura a saque.«Os que estão neste momento em final de mandato aproveitam para em alguns casos, queimarem documentos e praticarem outros actos ilícitos de saque do Estado. Exortamos o Presidente da República a tomar medidas urgentes para por cobro a esta situação, porque São Tomé e Príncipe já não aguenta mais. O Governo está decapitado», precisou o líder da oposição.

Tensão política persistente após as eleições legislativas, em que o povo retirou maioria absoluta ao partido no poder a ADI.

Abel Veiga | Téla Nón

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