quinta-feira, 23 de maio de 2019

Ex-banqueira admite culpa nas dívidas ilegais de Moçambique mas não implica Credit Suisse


A antiga vice-presidente da unidade de financiamento global do Credit Suisse admitiu a um juiz norte-americano ter ajudado “a lavar as receitas de actividades criminais, nomeadamente subornos ilegais pagos por uma empresa chamada Privinvest” no âmbito das dívidas ilegais de Moçambique. Contudo Detelina Subeva não apontou nenhuma responsabilidade ao banco suíço o que mantém o ónus de todos os moçambicanos pagarem as dívidas da Proindicus, EMATUM e MAM.

“Concordei, juntamente com outros, em ajudar a lavar as receitas de atividades criminais, nomeadamente subornos ilegais pagos por uma empresa chamada Privinvest e pelo seu representante, Jean Boustani”, disse Subeva esta segunda-feira (20) ao juiz William Kuntz II durante uma sessão do tribunal de Brooklyn, no Estado norte-americano de Nova Iorque.

De acordo com a agência de informação financeira Bloomberg, Subeva explicou ao juiz que o seu chefe, Andrew Pearse, lhe disse que ia transferir 200 mil Dólares norte-americanos para uma conta que ela tinha recentemente aberto, e que vinham de subornos pagos por Boustani e a Privinvest a Pearse, no valor de um milhão de Dólares.



Esses pagamentos ilícitos, que Subeva diz terem sido feitos em 2013, estavam ligados a um empréstimo do Credit Suisse para a Proindicus, a primeira das três estatais que contraíram dívidas de 2,2 biliões de Dólares norte-americanos com Garantias Soberanas emitidas violando a Constituição de Moçambique.

“Eu concordei em aceitar e ficar com estes dinheiros sabendo que eram provenientes de actividades ilegais”, confessou a antiga banqueira, que viu o Ministério Público norte-americano desistir de três outras acusações de conspiração, não sendo ainda claro se também foi feito um acordo sobre a pena, que pode ir de ficar em liberdade até 20 anos de cadeia.

A Justiça norte-americana acusa Detelina Subeva, outros dois banqueiros do Credit Suisse, Andrew Pearse e Surjan Singh, um representante do grupo Privinvest, Jean Boustani, o ex-ministro das Finanças, Manuel Chang, e o moçambicano Teófilo Nhangumele de violação da lei anti-corrupção, lavagem de dinheiro e fraude.

O @Verdade sabe que acusação que corre no United States District Court for Eastern District of New York foi iniciada por investidores norte-americanos das dívidas da Proindicus que se julgam defraudados, e de certa forma marginalizados pelas autoridades moçambicanas que estão perto de acordar com os credores da EMATUM e MAM novas modalidades de amortização das dívidas que deixaram de ser pagas em 2017.

Aliás a responsabilização destes cinco arguidos, e mesmo dos outros detidos em Maputo por corrupção, não resolvem o problema fundamental dos moçambicanos que é não pagarem as dívidas que foram contraídas ilegalmente mas ainda o Governo de Filipe Nyusi está a negociar para a retoma do seu pagamento.

Além disso, mesmo que todos fossem condenados e devolvessem os subornos que terão recebido, mal daria para amortizar uma parcela das dívidas que o Executivo de Nyusi entende que os moçambicanos devem pagar pois “não conseguimos provar que aquelas Garantias não foram assinadas por um agente do Estado”, afirmou na Assembleia da República em Março último o ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane.

Adérito Caldeira | @Verdade

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