sábado, 12 de fevereiro de 2022

INVASÃO “IMINENTE” DA UCRÂNIA

Biden liga hoje a Putin, vários países pedem a cidadãos para deixar o país

Com a ameaça de uma invasão à Ucrânia “a qualquer momento”, os chefes de Estado dos EUA e França voltam a falar hoje com Putin, num último esforço para evitar uma ação militar de Moscovo

Um dia depois de os Estados Unidos alertarem que a invasão da Ucrânia pela Rússia pode estar por dias, o Presidente norte-americano vai telefonar este sábado ao seu homólogo russo com vista a Vladimir Putin recuar face ao seu alegado plano. Joe Biden avisou na sexta-feira os aliados da NATO e da União Europeia (UE), numa reunião por videoconferência, que a invasão militar do país poderá estar “iminente”, mas está disposto a tentar convencer Putin para o caminho do diálogo.

Segundo o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, tem aumentado a presença nos últimos dias de tropas russas junto da fronteira com a Ucrânia, estimando-se já cerca de 100 mil soldados, assim como se realizam cada vez mais exercícios militares, incluindo no Mar Negro: “Continuamos a ver sinais de escalada russa, incluindo novas forças a chegar à fronteira ucraniana. Creio que a ordem de partida foi dada, pelo que há razões para acreditar que um ataque poderá acontecer a curto prazo”, declarou o responsável pela pasta de segurança nacional, citado pela Reuters.

Ler em Página Global, por Andrew Korybko:

Falso alarme | O que desencadeou a última rodada de histeria de guerra russa?

Embora não seja possível antecipar quando poderá começar a invasão, Jake Sullivan, explicou que, a confirmar-se, é provável que se inicie “com bombardeamentos aéreos e ataques com mísseis” que poderiam “matar civis” de forma indiscriminada. Também o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, apontou para dados preocupantes, que indicam que a invasão russa da Ucrânia pode estar “iminente”, e anunciou que falará também este sábado com o chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov: “Se a Rússia estiver genuinamente interessada em resolver esta crise por via da diplomacia e do diálogo, estamos preparados para fazer isso”, garantiu.

Entretanto, a administração de Joe Biden já apelou à saída de cidadãos do país e prepara-se igualmente para anunciar a retirada do pessoal da embaixada de Kiev, segundo a AP. Também a Alemanha, Grã-Bretanha, Bélgica, Holanda, Noruega, Letónia, Austrália, Nova Zelândia e Japão pediram a retirada dos seus cidadãos da Ucrânia, face à escalada da tensão no país.

França e Alemanha pressionam também Putin

Ao mesmo tempo, vários líderes estrangeiros apostam também na via diplomática para tentar demover Vladimir Putin quanto à invasão da Ucrânia. Emanuel Macron, que já se reuniu presencialmente com o seu homólogo russo, irá também telefonar este sábado a Putin, enquanto o chanceler alemão, Olaf Scholz, mantém-se em contacto com o Presidente russo, antes de partir para Moscovo na terça-feira.

Do lado ucraniano, as unidades do Exército estão em alerta máximo, aumentando também os exercícios militares face à ameaça real de um ataque russo. Mas o governo pede “calma”, garantindo que está trabalhar para diminuir a tensão e a mobilizar o apoio dos parceiros internacionais para “manter a Rússia no quadro diplomático”. “As Forças Armadas ucranianas estão prontas a responder a qualquer ataque à integridade territorial da Ucrânia”, garante o MNE da Ucrânia. O autarca de Kiev, Vitali Klitschko, explicou por sua vez à CNN, que a cidade está a preparar-se para resistir a uma ofensiva militar, apostando, por exemplo, em reservas de combustível até 10 dias e quase 4.500 estruturas para apoio a serviços como a Proteção Civil.

Já o Kremlin continua a negar um ataque iminente à Ucrânia, falando em “histeria” de Washington e numa “campanha de desinformação em larga escala” por parte dos países Ocidentais e dos meios de comunicação social. E anunciou que vai retirar também o pessoal da embaixada russa em Kiev. “A histeria da Casa Branca é mais reveladora do que nunca. Os anglo-saxónicos é que querem guerra a todo o custo”, declarou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zajárova. 

Se havia o receio de que uma invasão à Ucrânia pudesse acontecer ainda antes do fim dos Jogos Olímpicos de Inverno – que terminam no próximo dia 20 de fevereiro, na China – os serviços de informações norte-americanos acreditam agora que Moscovo planeia iniciar a ofensiva militar já na próxima quarta-feira. Até lá, os EUA e os países da NATO vão continuar todos os esforços para pressionar a Rússia a retirar as suas forças junto à fronteira ucraniana e não avançar com a invasão do país.

(Em atualização)

Liliana Coelho | Expresso

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