quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

“OPERAÇÃO CARLOTA III” – I – A FORJA DOS SONHOS!

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Martinho Júnior, Luanda

1 – Sempre que abordo o relacionamento entre os dois povos e os dois estados, Cuba e Angola, não posso deixar de evocar o que está na sua raiz comum: a imensa opressão a que ambos os povos foram sujeitos no passado histórico e o alargado resgate, que é também uma prova de afirmação e identidade, que se impõe contra o subdesenvolvimento, para além da luta travada contra o colonialismo, o “apartheid” e as suas sequelas.

A evocação histórica necessariamente que reflecte desde logo a escravatura dos africanos enquanto terrível experiência no triângulo comercial atlântico, no que terá sido uma das primeiras fórmulas de globalização.

O que aconteceu aos povos africanos naquela altura foi, pelas suas proporções, o maior dos crimes contra a humanidade, o maior de todos os holocaustos, a maior hecatombe em termos de direitos humanos, o maior apagão da tão propagandeada sabedoria judaico-cristã ocidental e por isso, é nessa perspectiva profundamente crítica e humana da história, que me parece ser hoje justo dever comum, ético e moral, situarmo-nos.

2 – Não é a primeira vez que evoco por isso a escrava Carlota, a “Operação Carlota”, a “Operação Carlota II”…

Essa evocação coloca-me com toda a veemência na preocupação e na linha de se continuarem os resgates que advêm do passado, por que as próprias conjunturas desequilibradas e injustas que se têm apresentado à humanidade sucedem-se até aos nossos dias, agora com a lógica do capitalismo selvagem e neo liberal que propulsiona o modelo contemporâneo desta tão inquinada globalização.

Isso é tanto mais importante, quanto em algumas partes do globo se criam condições para se ressuscitarem ideologias fascistas e nazis, ou ideologias de natureza feudal, que incrementam tensões, conflitos e guerras, para muitos a IIIª Guerra Mundial, quando a humanidade está tão sedenta de amor, de paz e de necessidade de equilíbrio, justiça e efectivamente sustentável desenvolvimento!

Por outro lado, o desaparecimento na Europa dos países socialistas e a dissolução da URSS, deram campo aberto ao capitalismo neo liberal e agora o espaço da esquerda é ocupado por tendências populistas e oportunistas, especialmente incrementadas pelos serviços de inteligência ocidentais e pelos instrumentos de “direitos humanos” de que se servem!

3 – A memória da escrava Carlota mistura-se com as imagens das terríveis situações que se têm deparado por exemplo ao Haiti, apesar da heroicidade de seu povo e da sua revolução pioneira.

Quanto seria importante para as nações, que nos seus curriculuns escolares inscrevessem o conhecimento sobre a história do Haiti, como um alerta para as novas gerações em todos os recantos da Terra e sobretudo nos países que compõem ainda hoje os Não Alinhados!

A corrente de nações que se formaram na esteira do tráfico de escravos desde então, constituem algumas das nações historicamente mais traumatizadas da humanidade e é ai que é justa, é legítima, a vontade de resgate tão fielmente interpretada pela revolução cubana que tudo tem apostado no homem enquanto alternativa vital para a sua própria capacidade de afirmação e resistência.

Quando em 2004 escrevi “ANGOLA – CUBA – OPERAÇÃO CARLOTA II – A POSSÍVEL NOVA AJUDA INTERNACIONALISTA CUBANA EM PROL DA EDUCAÇÃO, FORMAÇÃO E SAÚDE DO POVO ANGOLANO”, um artigo que saiu em Outubro num dos últimos números do “Actual”, já levava tudo isso em consideração e inspirei-me em muitas coisas que foram herdadas, desde a passagem do Che por África e dos relacionamentos que a partir de 1965 se propiciaram no âmbito do movimento de libertação, até aos desafios que se colocaram com o calar das armas em Angola em 2002, completam-se dentro em breve 10 anos!

4 – Julgo que coloquei uma insignificante pedra no que conduziu à decisão em 2007 de acordos entre Cuba e Angola, que se reflectem no estágio de relacionamentos de hoje.

Em 2007 a visita do Presidente José Eduardo dos Santos a Cuba e a recepção que mereceu do Comandante Fidel de Castro, lançaram o espírito e os programas do “Carlota II”!

O artigo que então produzi, sairia mais tarde no Pagina Um Blogspot, com aditamentos críticos a que não me pude na altura furtar; hoje esse artigo está na Internet na seguinte direcção (http://turcoluis.blogspot.com/2007/07/cuba-na-frica.html), pelo que volto a relembrá-lo na série que vou agora publicar no Página Global, tal como o artigo do “Actual” publicado em Outubro de 2004.

Há um heróico caminho de resgates conseguidos, mas são ainda maiores os resgates na luta contra o subdesenvolvimento, por que se têm necessariamente de enfrentar impactos que têm o condão das contra-correntes e por que trabalhar o homem, com o homem e para o homem, é sempre um processo que implica o muito longo prazo: o “mundo dos negócios” será mesmo compatível com o mundo humanizado e respeitador da natureza, respeitador do próprio planeta, de que tanto precisamos hoje?

O “Carlota II” já não é o sonho que foi para mim e para tantos outros em 2004; as primeiras fornadas de médicos, de enfermeiros e de técnicos começam a surgir a partir dos reptos de 2002/2004, começam a sair das faculdades e podem iniciar a sua contribuição à reconstrução e à reconciliação nacional em Angola, tornando-a mais apta para os resgates correntes e futuros, por isso é tempo de, com modéstia, rigor e responsabilidade, sonhar ir mais além, enquanto se molda a sociedade para o que é justo, solidário e saudável, combatendo-se a mentalidade mercenária de que enferma hoje uma parte do corpo de saúde angolana!

Ir buscar aos ambientes rurais e suburbanos os jovens capazes de responder ao repto que se coloca a Angola dos impactos capitalistas neo loiberais, é uma questão de fundo para a sociedade e para todas as comunidades, por mais remotas que elas se encontrem.

A maturação efectiva do “Carlota II” impulsiona-nos para o “the day after”, para um “Carlota III” que nos leve para o universo de investigações e pesquisas que em Angola em todos os campos mas substancialmente no campo da Saúde, urge realizar!

Foto:
O actual Embaixador Cubano em Angola, Pedro Ross Leal (um dos incentivadores dos acordos no espírito do “Carlota II”), quando a 24 de Janeiro recebeu a imprensa angolana para falar dos temas mais diversos da actualidade de Cuba e dos relacionamentos Angola-Cuba.

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3 comentários:

Anónimo disse...

Fidel, tarado por chocolates brasileiros.

Na pauta de exportações do Brasil para Cuba, pagas pelo próprio Brasil com linhas de financiamento do BNDES, a fundo perdido, dois itens chamam atenção: U$ 500 mil em vodca, para os camaradas matarem saudades dos russos e cerca de U$ 800 mil em chocolates. Após a visita de Dilma, surge uma pista do destino dos quitutes e acepipes derivados do cacau brasileiro: a enorme despensa da fazenda-bunker de Fidel Castro. Tanto é que o presente que Dilma deu ao maior ditador assassino vivo do planeta foi uma enorme caixa de chocolates. Mas não foram só chocolates que a coelhinha da Páscoa levou para Fidel. Dilma deixou por lá mais um cheque de U$ 400 milhões para que sejam pagos quando Cuba puder e quiser.

Blog coturno noturno

Anónimo disse...

Blog coturno noturno = PROPAGANDA CIÁTICA!

Este coturno se não é gringo imita bem!

Por que é que Obama não bloqueou a Dilma?

Garota danada ein?

Botou chocolate no Fidel!

Será que Obama quer também?

Se a Dilma fosse como esse CIA do coturno, o Brasil nada tinha a aprender com Cuba e o Haiti!

A danada diz que afinal Brasil tem muita a aprender!

Danada ein?

Que a Dilma ofereça banha da cobra ao coturno!

Anónimo disse...

CUBA PARA MEMBRO DA CPLP.

Uma coisa é certa : nenhum outro país está em condições de realizar uma operação , em termos de educação e saúde , como a que Cuba está realizando ao abrigo dos relacionamentos bilaterais .

Cuba já fez mais desde 1965 , em termos de educação , pelos angolanos do que o colonialismo português em 500 anos!

Os lusófonos deveriam convidar Cuba a pertencer à CPLP , por razões históricas e culturais .

Essa seria uma posição honesta por que o que acontece no relacionamento de Cuba com Angola , acontece também no relacionamento de Cuba com os outros PALOP !

Os PALOP deveriam convidar Cuba para pertencer à CPLP !

Martinho Júnior.

Luanda.