terça-feira, 27 de setembro de 2022

MLSTP-PSD refuta declarações de vitória da ADI. Faltam todos os dados oficiais da CEN

Eleições: Abdul Quaresma pede ao povo para aguardar pelos resultados oficiais

São-Tomé, 26 Set 2022 ( STP-Press )  – O MLSTP-PSD acaba de refutar as declarações de vitoria com maioria absoluta feita esta manhã pelo do líder do ADI nas legislativas de domingo e pede a população para aguardar pelos resultados oficiais da Comissão Eleitoral Nacional, CEN.

A reação do MLSTP-PSD foi feita pelo vice-presidente partido, Abdul Quaresma que sublinhou “ refutar qualquer tipo de manifestação ou declaração de vitória com a maioria absoluta na medida em que ainda não dispomos de todos dados oficiais da Comissão Eleitoral Nacional, CEN”.

Abdul Quaresma avançou que “os nossos dados através dos nossos gabinetes também apontam para um resultado de 22 a 24 deputados para MLSTP, cerca de 6 deputados para Movimento Cauê e cerca de 02 a 03 para o BASTA, quer dizer que qualquer tipo de declaração de maioria absoluta é muito prematuro”.

“E, mais ainda pedir serenamente que o povo são-tomense aguarde serenamente os resultados oficiais e para que tenhamos até agora uma eleição pacífica e com resultados bastantes fidedignos”, precisou Abdul Quaresma.

 O vice-presidente do MLSTP-PSD sustentou que “ estas afirmações não fazem bem a sociedade, ao povo são-tomense, porque, podem geral clima desagradável ao nosso povo”.

As reação do MLSTP-PSD surgem horas depois do líder do ADI, Patrice Trovoada ter reivindicado a vitória do seu partido nas legislativas de domingo com maioria absolta de 30 deputados com 54,5 % de votos, tendo declarado que assumirá o cargo de Primeiro-ministro.

Ricardo Neto, jornalista da Agência de Notícias STP-Press

PLANETA FOME

Esta é a Imagem Escolhida de hoje aqui no PG. Certo é que podia ser a imagem escolhida todos os dias. Repare-se: A fome aumentou em todo o mundo nos últimos dois anos, e a situação não está perto de melhorar, aponta novo relatório da ONU. Entre 702 e 828 milhões de pessoas foram afetadas pela fome no mundo em 2021, segundo o estudo. São números deprimentes para a humanidade. Continuamos nos afastando da nossa (ONU) meta de acabar com a fome até 2030. A fome atualmente continua a aumentar.

Quem denomina erradamente de Planeta Terra este habitáculo que a humanidade-desumanidade usa como casa sua devia corrigir e dar-lhe o nome acertado e próprio: Planeta Fome. Assim, sim, é adequado. (PG)

Lavagem cerebral condicionando o Ocidente para a guerra com a Rússia

Ray McGovern* | AntiWar - 22 de setembro de 2022

Graças à mídia do establishment, os aprendizes de feiticeiros que aconselham o presidente Joe Biden – refiro-me ao secretário de Estado Antony Blinken, ao conselheiro de segurança nacional Jacob Sullivan e ao especialista sobre a China Kurt Campbell – não terão problemas para reunir os americanos para a guerra mais ampla em 77 anos, começando na Ucrânia, e talvez se espalhando para a China. E, surpreendentemente, sob falsos pretextos.

#Traduzido em português do Brasil

A maioria dos americanos ignora a realidade de que a mídia ocidental pertence e é operada pelas mesmas corporações que obtêm lucros maciços ajudando a alimentar pequenas guerras e depois vendendo as armas necessárias. Líderes corporativos e elites envoltas em Ivy, educadas para acreditar no "excepcionalismo" dos EUA, acham o lucro e o brilho lucrativos demais para serem capazes de pensar direito. Eles se enganam pensando que (a) os EUA não podem perder uma guerra; (b) a escalada pode ser calibrada e a guerra mais ampla pode ser limitada à Europa; e (c) pode-se esperar que a China fique apenas à margem. A atitude, consciente ou inconscientemente, "Não se preocupe. E, em qualquer caso, o lucro e o brilho valem o risco".

A mídia também sabe que pode sempre apresentar russófobos inexperientes para "explicar", por exemplo, por que os russos são "quase geneticamente motivados" a fazer o mal (James Clapper, ex-diretor de inteligência nacional e agora sábio contratado em CNN); ou Fiona Hill (ex-Oficial de Inteligência Nacional da Rússia), que insiste que "Putin quer expulsar os Estados Unidos da Europa... Como ele poderia dizer: "Adeus, América. Não deixe a porta bater em você na saída."

Na ausência de uma aparência milagrosa de cabeças mais claras com uma atitude menos ignorante em relação aos interesses centrais da Rússia na Ucrânia e da China em Taiwan, os historiadores que sobrevivem para registrar a guerra agora à nossa porta a descreverão como resultado de arrogância e estupidez desenfreada. Os historiadores objetivos podem até notar que um de seus colegas – o professor John Mearsheimer – acertou desde o início, quando explicou na edição de outono de 2014 da Foreign Affairs “Por que a crise na Ucrânia é culpa do Ocidente ”.

A historiadora Barbara Tuchman abordou o tipo de situação que o mundo enfrenta na Ucrânia em seu livro "The March of Folly: From Troy to Vietnam". (Se ela estivesse viva, ela certamente o teria atualizado para levar em consideração o Iraque, o Afeganistão, a Síria e a Ucrânia). Tuchman escreveu:

"A cabeça de madeira... desempenha um papel notavelmente grande no governo. Consiste em avaliar uma situação em termos de noções fixas preconcebidas, ignorando ou rejeitando quaisquer sinais contrários. É agir de acordo com o desejo, sem se deixar desviar pelos fatos. "

O RETORNO DO FASCISMO -- Chris Hedges

Chris Hedges* | original para ScheerPost - 26 de setembro de 2022

As contas de energia e alimentos estão subindo. Sob o ataque da inflação e da prolongada estagnação salarial, os salários estão em queda livre. Bilhões de dólares são desviados por nações ocidentais em um momento de crise econômica e desigualdade de renda impressionante para financiar uma guerra por procuração na Ucrânia. A classe liberal, aterrorizada pela ascensão do neofascismo e demagogos como Donald Trump, jogou sua sorte com políticos do establishment desacreditados e insultados que fazem servilmente as ordens da indústria de guerra, oligarcas e corporações.

#Traduzido em português do Brasil 

A falência da classe liberal significa que aqueles que denunciam a loucura da guerra permanente e da expansão da OTAN, acordos comerciais mercenários, exploração dos trabalhadores pela globalização, austeridade e neoliberalismo vêm cada vez mais da extrema-direita. Essa fúria de direita,  disfarçada  nos Estados Unidos como fascismo cristão, já obteve  enormes ganhos  na  Hungria ,  Polônia ,  Suécia ,  Itália ,  Bulgária  e  França  e pode  tomar o poder  na República Tcheca, onde a inflação e  o aumento dos  custos de energia viram o número de tchecos  abaixo da linha da pobreza dobra.

Na próxima primavera, após um inverno punitivo de apagões contínuos e meses em que as famílias lutam para pagar por comida e aquecimento, o que resta de nossa anêmica democracia ocidental poderá ser amplamente extinto.

O extremismo é o custo político da pronunciada desigualdade social e da estagnação política. Demagogos, que prometem renovação moral e econômica, vingança contra inimigos fantasmas e um retorno à glória perdida, emergem do pântano. O ódio e a violência, já em ebulição, são legitimados. Uma classe dominante injuriada e a suposta civilidade e normas democráticas que ela defende são ridicularizadas.

Não é, como  aponta o filósofo Gabriel Rockhill , como se o fascismo algum dia tivesse desaparecido. “Os EUA não derrotaram o fascismo na Segunda Guerra Mundial”  ,escreve ele , “eles o internacionalizaram discretamente”. Após a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos, Reino Unido e outros governos ocidentais  colaboraram  com centenas de ex-nazistas e criminosos de guerra japoneses, que  integraram  aos serviços de inteligência ocidentais, bem como regimes fascistas como os da Espanha e Portugal. Eles  apoiaram  as forças anticomunistas de direita na Grécia durante sua guerra civil em 1946 a 1949, e depois  apoiaram um  golpe militar  de direita  em 1967. A OTAN também tinha uma política secreta de  operar grupos terroristas fascistas. A Operação Gladio, como a BBC detalhou em uma série investigativa agora esquecida,  criou  “exércitos secretos”, redes de soldados ilegais que ficam atrás das linhas inimigas se a União Soviética fizesse um movimento militar para a Europa. Na verdade, os “exércitos secretos” realizaram assassinatos, bombardeios, massacres e ataques terroristas de bandeira falsa contra esquerdistas, sindicalistas e outros em toda a Europa.

Veja minha entrevista com Stephen Kinzer sobre as atividades da CIA no pós-guerra, incluindo o recrutamento de criminosos de guerra nazistas e japoneses e a criação de locais negros onde ex-nazistas foram contratados para interrogar, torturar e assassinar suspeitos de esquerda, líderes trabalhistas e comunistas.  detalhado  em seu livro  Poisoner in Chief: Sidney Gottlieb and the CIA Search for Mind Control ,  aqui.

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

COLHENDO O EFEITO DO REDEMOINHO -- Scott Ritter

Scott Ritter* | Especial para o Consortium News

A ordem de Putin para iniciar a mobilização parcial das forças militares russas continua um confronto entre a Rússia e uma coalizão de nações ocidentais liderada pelos EUA que começou no final da Guerra Fria.

#Traduzido em português do Brasil 

A guerra nunca é uma solução; sempre há alternativas que poderiam — e deveriam ter sido — perseguidas por aqueles encarregados do destino da sociedade global antes que a ordem fosse dada para enviar a juventude de uma nação para lutar e morrer. Qualquer líder nacional que se preze deve procurar esgotar todas as outras possibilidades de resolver os problemas enfrentados por seus respectivos países.

Se visto no vácuo, o anúncio do presidente russo Vladimir Putin na quarta-feira, em um discurso televisionado ao povo russo , de que ele estava ordenando a mobilização parcial de 300.000 reservistas militares para complementar cerca de 200.000 militares russos atualmente engajados em operações de combate em solo de A Ucrânia parece ser a antítese da busca de uma alternativa à guerra.

Este anúncio foi feito em paralelo com um que autorizou a realização de referendos no território da Ucrânia atualmente ocupado pelas forças russas sobre a questão da união desses territórios com a Federação Russa.

Vistas isoladamente, essas ações parecem representar um ataque frontal ao direito internacional, conforme definido pela Carta das Nações Unidas, que proíbe atos de agressão de uma nação contra outra com o objetivo de tomar território pela força das armas. Este foi o caso apresentado pelo presidente dos EUA, Joe Biden , ao discursar na Assembleia Geral das Nações Unidas horas após o anúncio de Putin.

“Um membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas invadiu seu vizinho, tentou apagar um estado soberano do mapa”, disse Biden. “A Rússia violou descaradamente os princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas.”

A história, no entanto, é uma amante dura, onde os fatos se tornam inconvenientes para a percepção. Quando vista através do prisma do fato histórico, a narrativa que está sendo promulgada por Biden torna-se invertida. A realidade é que desde o colapso da União Soviética no final de 1991, os EUA e seus aliados europeus conspiram para subjugar a Rússia em um esforço para garantir que o povo russo nunca mais seja capaz de montar um desafio geopolítico a um governo americano. hegemonia definida por uma “ordem internacional baseada em regras” que foi imposta ao mundo após a Segunda Guerra Mundial.

Durante décadas, a União Soviética representou tal ameaça. Com seu fim, os EUA e seus aliados estavam determinados a nunca mais permitir que o povo russo – a nação russa – se manifestasse de maneira semelhante.

Quando Putin falou sobre a necessidade de “medidas necessárias e urgentes para proteger a soberania, segurança e integridade territorial da Rússia” das “políticas agressivas de algumas elites ocidentais que tentam por todos os meios necessários manter sua supremacia”, ele tinha essa história em mente. mente.

O objetivo dos EUA e seus aliados ocidentais, declarou Putin, era “enfraquecer, dividir e, finalmente, destruir nosso país”, promulgando políticas destinadas a fazer com que “a própria Rússia se desintegrasse em uma infinidade de regiões e territórios que são inimigos mortais uns dos outros. .” Segundo Putin, o Ocidente liderado pelos EUA “incitou propositadamente o ódio à Rússia, particularmente na Ucrânia, para a qual destinaram o destino de uma cabeça de ponte anti-russa”.

A Terceira Lei do Movimento de Newton, de que para cada ação há uma reação igual e oposta, também se aplica à geopolítica.

Em 24 de fevereiro, Putin emitiu ordens para que as forças armadas da Rússia iniciassem o que ele chamou de “Operação Militar Especial” (SMO) na Ucrânia. Putin declarou que esta decisão estava de acordo com o artigo 51 da Carta das Nações Unidas e os princípios de autodefesa preventiva coletiva, conforme definido pelo direito internacional.

Os objetivos desta operação eram proteger as repúblicas recém-independentes de Lugansk e Donetsk (referidas coletivamente como a região de Donbass) de um perigo iminente representado pelo acúmulo de forças militares ucranianas que, segundo a Rússia, estavam prontas para atacar.

O objetivo declarado do SMO era proteger o território e o povo das repúblicas de Lugansk e Donetsk, eliminando a ameaça representada pelos militares ucranianos. Para conseguir isso, a Rússia abraçou dois objetivos principais – desmilitarização e desnazificação.  

A desmilitarização da Ucrânia seria realizada através da eliminação de todas as infraestruturas e estruturas organizacionais afiliadas à Organização do Tratado do Atlântico Norte, ou OTAN; A desnazificação envolveria uma erradicação semelhante da odiosa ideologia do ultranacionalista ucraniano Stepan Bandera, responsável pela morte de centenas de milhares de judeus, poloneses e russos étnicos durante a Segunda Guerra Mundial e em uma década de guerra anti-soviética. resistência após o fim da guerra.

A partir de 2015, a OTAN vinha treinando e equipando os militares ucranianos com o objetivo de confrontar separatistas pró-Rússia que haviam tomado o poder no Donbass após a deposição do presidente ucraniano pró-Rússia Victor Yanukovich em uma insurreição violenta, conhecida como “Maidan”. Revolution”, liderado por partidos políticos ucranianos de direita que professam lealdade à memória de Stepan Bandera.

A Ucrânia buscava a adesão à OTAN desde 2008, consagrando esse objetivo em sua constituição. Embora a adesão real ainda escapasse à Ucrânia em 2022, o nível de envolvimento da OTAN com as forças armadas ucranianas tornou uma extensão de fato da aliança da OTAN.

A Rússia via a combinação da adesão à OTAN com a postura anti-russa do governo ucraniano pós-Maidan, ligada à ideologia de Bandera, como uma ameaça à sua segurança nacional. O SMO foi projetado para eliminar essa ameaça.

Estudantes cabo-verdianos na Rússia sofrem com as sanções devido à guerra

A exclusão da Rússia do Sistema de Pagamento Internacional SWIFT, devido à invasão da Ucrânia, está a criar dificuldades aos estudantes cabo-verdianos no país. Nem familiares, nem Governo conseguem enviar-lhes dinheiro.

Estudantes cabo-verdianos na Rússia enfrentam dificuldades para receberem as ajudas dos pais e apoios sociais do Governo, desde que o país foi banido do Sistema de Pagamento Internacional (SWIFT), devido à guerra na Ucrânia.

Juliana Lima, bolseira do Governo russo e aluna do terceiro ano do curso de Mecânica de Aviação, disse à DW África que estão a sentir falta dos apoios enviados de Cabo Verde.

"Principalmente da ajuda dos nossos pais, que era algo fixo e com o qual contávamos mais. Já a bolsa que temos de Cabo Verde, era algo trimestral. Quer dizer, recebíamos um valor que era estipulado pelo Estado para ajudar os alunos aqui", explicou.

No entanto, esta estudante afirma que o principal fator da crise que vive é o facto de os pais "não terem a possibilidade" de os apoiar financeiramente.

"181 euros não chegam para comer num mês"

Além de não poderem receber dinheiro, os estudantes debatem-se ainda com aumento do custo de vida na Rússia. Juliana diz que, agora, tudo ficou mais complicado, mesmo tendo uma bolsa de estudos.

"Antes, se os meus pais me enviassem 20 mil escudos (181 euros), rendia aqui um valor considerável, que me permitia comprar comida e pagar os transportes", disse.

A estudante faz as contas e, no saldo final, afirma que atualmente os 181 euros são "insuficientes para a alimentação mensal".

Mesmo com dificuldades, Juliana conta que os estudantes não têm passado por situações extremas, porque têm-se apoiado mutuamente, com o pouco que ainda têm. Mas lembra que isso não durará por muito tempo.

O Presidente da Associação dos Estudantes Cabo-verdianos na Rússia, Renato Fortes, ouvido pela DW, diz que se não for encontrada uma solução, a situação vai agravar-se.

"A situação dos estudantes cabo-verdianos na Rússia poderá piorar, caso não seja encontrado um método de envio de subsídio de Cabo Verde ou de outro país para a Rússia", disse. O porta-voz explicou ainda que a situação pode complicar-se a curto-prazo pois "já faz muito tempo que os alunos receberam os seus últimos subsídios".

Governo cabo-verdiano à procura de solução

Renato Fortes afirma que os estudantes tentam arranjar formas para contornar o problema, mas que tem sido "complicado".

"Nós não estamos em contacto direto com o Governo. Porém, temos recebido ajuda da diretora do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que tem tentado encontrar métodos para fazermos transferências a partir de outros países para a Rússia".

A DW tentou contactar a Secretária de Estado para o Ensino Superior de Cabo Verde, Eurídice Monteiro, para uma entrevista, mas sem sucesso. Contudo, em respostas às perguntas enviadas por mensagem, esclareceu que os estudantes na Rússia são bolseiros do Governo russo e que estes têm recebido as suas bolsas normalmente.

Disse ainda que o que não têm recebido é o apoio complementar do Estado de Cabo Verde e remessas dos pais. Mas, sublinha, O Governo em Cabo Verde está à procura de resolver o problema.

Ângelo Semedo | Deutsche Welle

Guiné-Bissau: FMI quer que Governo mobilize mais receitas públicas

Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que a Guiné-Bissau precisa de mobilizar mais receitas para "debelar os desafios existentes no país", segundo um comunicado do Ministério das Finanças.

O chefe da missão técnica do FMI, Xiao Yuan, traçou um quadro favorável na perspetiva de estabelecer um acordo financeiro com a Guiné-Bissau, mas avisou que, é necessário mobilizar mais receitas públicas com vista a debelar os desafios existentes no país", refere uma nota do Ministério das Finanças, divulgada esta segunda-feira (26.09) no final de uma missão técnica da organização financeira a Bissau.

A missão técnica chegou ao país no dia 14 e durante a sua permanência em Bissau esteve a analisar as folhas salariais da função pública, bem como o recenseamento dos funcionários públicos e a conhecer o número total de professores existentes no país.

A missão manteve reuniões com técnicos de várias instituições nacionais.

Questão salarial é um desafio

O ministro das Finanças, Ilídio Vieira Té, afirmou que a gestão da massa salarial "continua a ser um dos desafios" para o país, devido ao "incumprimento da lei na Administração Pública", havendo pessoas que acabam por ser contratadas ilegalmente.

"A inspeção da função pública continua inoperacional, lamento" disse o ministro das Finanças, citado no documento, com o FMI a aconselhar a sua ativação.

"O ministro Ilídio Vieira Té prometeu prosseguir com as medidas corretivas e voltou a defender a necessidade de verificar minuciosamente o recenseamento dos funcionários públicos realizados recentemente na Administração Pública", refere o comunicado.

Retomada de ajuda

O FMI anunciou em junho que iria retomar brevemente a assistência financeira à Guiné-Bissau no âmbito da Facilidade de Crédito Alargado e destacou no âmbito das consultas do artigo IV que a gestão orçamental sustentável é uma "prioridade" e que a consolidação orçamental deve continuar em 2022 para "conter o elevado risco" de aumento da dívida pública.

Em abril, o FMI estimou que o crescimento económico na Guiné-Bissau tenha acelerado para 5%, mas as perspetivas para 2022 são "mais incertas" devido ao aumento de preços provocados pela guerra na Ucrânia.

As perspetivas, segundo o FMI, tornaram-se mais incertas "dado o impacto potencial do aumento dos preços do petróleo e dos alimentos resultante da guerra na Ucrânia, prevendo-se que o crescimento seja de 3,75% em 2022, com uma inflação superior a 5%, que afetará negativamente os mais vulneráveis".

Mais de 56% do Orçamento do Estado para este ano da Guiné-Bissau é destinado a despesas correntes com salários, bens e serviços, juros e transferências.

A Guiné-Bissau mobiliza mais de 80% das suas receitas fiscais para pagamento de salários aos funcionários públicos. Os salários para os setores da educação e saúde representam mais de 50% das receitas fiscais.

Deutsche Welle | Lusa

Eleições em STP: Patrice Trovoada reivindica vitória com maioria absoluta

Antigo primeiro-ministro são-tomense, Patrice Trovoada, reivindica vitória com maioria absoluta nas eleições de domingo. Mas o partido do Governo repudia estas declarações e diz esperar os resultados oficiais.

O ex-primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe Patrice Trovoada (Ação Democrática Independente, oposição) reivindicou esta segunda-feira (26.09) a vitória, com 30 deputados (maioria absoluta), nas eleições legislativas e anunciou que irá chefiar o próximo Governo.

"Reivindicamos a vitória nas eleições legislativas, com maioria absoluta, totalizando 30 mandatos, 30 deputados, com 54,55% dos votos", disse, numa declaração perante algumas dezenas de apoiantes, na sede do partido na capital são-tomense.

Patrice Trovoada fez a declaração num momento em que a Comissão Eleitoral Nacional (CEN) são-tomense ainda não divulgou resultados preliminares das eleições legislativas, autárquicas e regional deste domingo.

"Conforme prometido, com uma maioria absoluta, eu assumirei as funções e as responsabilidades de primeiro-ministro e de chefia do próximo Governo", afirmou, recebendo fortes aplausos dos militantes.

De acordo com a projeção da ADI sobre os resultados eleitorais, com base nos editais das 309 mesas de voto no território nacional e na diáspora, o partido conquistou oito mandatos no distrito de Água Grande (o mais populoso do país e onde se localiza a capital, com 57% dos votos), seis deputados em Mé-Zochi (60%), quatro em Cantagalo (67%), três em Lobata (43%), três em Lembá (50%), um em Caué (20%) e três na Região Autónoma do Príncipe (60%).

Na diáspora, onde 10 países da Europa, incluindo Portugal, e de África elegeram pela primeira vez dois deputados, a ADI também ganhou nos dois círculos. Nas legislativas são eleitos 55 deputados à Assembleia Nacional.

Partido do Governo repudia declaração da ADI

No entanto, o MLSTP/PSD, no poder em São Tomé e Príncipe, rejeitou hoje qualquer "declaração de vitória com maioria absoluta" nas legislativas de domingo, como a que fez a ADI (oposição), e pediu à população que aguarde serenamente os resultados oficiais.

"Refutar qualquer tipo de manifestação ou declaração de vitória com maioria absoluta, na medida em que ainda não dispomos de todos os dados oficiais ou de quaisquer dados oficiais da Comissão Eleitoral Nacional [CEN]", declarou Gabdulo Quaresma, vice-presidente e diretor de campanha do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe/Partido Social Democrata (MLSTP/PSD), numa declaração sem direito a perguntas na sede do partido, no Riboque, São Tomé.

Os dados apurados pelo partido, acrescentou, "apontam para um resultado de 22 a 24 deputados para o MLSTP, cerca de seis para o movimento de Caué [Movimento de Cidadãos Independentes/Partido de Unidade Nacional] e cerca de dois a três para o Basta".

A Assembleia Nacional é composta por 55 deputados, correspondendo a maioria absoluta a 28 mandatos.

Deutsche Welle | Lusa

A NAZIFICAÇÃO DE ANGOLA E DO MUNDO – Artur Queiroz

Artur Queiroz*, Luanda

Guerra na Ucrânia. Conflito começou exactamente há sete meses. Isto é o que dizem os Media ocidentais todos. Não há excepções. As autoridades de Kiev entraram em guerra contra as Repúblicas Populares do Leste em Março de 2014. Pelo caminho massacraram cidadãos russófonos em Odessa e Mariupol. Em 2021, o comissariado da ONU para os Direitos Humanos registava a morte de milhares de civis e dezenas de milhares de refugiados. Kiev disparava contra o seu povo! Uma guerra civil terrível.

Os Media Ocidentais dizem que o povo da Federação Russa não sabe o que se passa na Ucrânia porque existe censura. Os cidadãos da Europa e dos EUA não sabem o que se passa na Ucrânia porque existe uma censura férrea da Redacção Única. Só existe propaganda e péssima. Hoje falou na Assembleia Geral da ONU o ministro russo das relações exteriores, Lavrov. Em Portugal, o canal SIC traduziu o discurso para inglês. A CNN Portugal pôs um rapazola e dizer umas frases e no fim disse que emitiram o discurso com “tradução simultânea”. 

As organizações dos jornalistas têm o dever de intervir contra a censura e a manipulação, mas primam pelo silêncio cúmplice. Os Media de todos os países ocidentais, mesmo os pedintes, mandam “jornalistas” à Ucrânia. Nem um até hoje ouviu deputados da Oposição. Membros de sindicatos e das chamadas organizações da sociedade civil. Ontem foi libertado o líder da Oposição e nem um Media ocidental deu essa informação. Chamaram-lhe muitos nomes mas não foi apresentado como um deputado eleito que está contra a adesão da Ucrânia à União Europeia e à OTAN (ou NATO). Não existe. Matam quem não pensa como eles.

As mentiras e falsificações sobre a Ucrânia vão acabar mal para o mundo. Na União Europeia começaram os malefícios há muito ´tempo. Os partidos de extrema-direita avançam avassaladoramente. Até a social-democrata Suécia foi à vida. No Reino Unido manda uma extrema-direita disfarçada. O euro já vale menos do que o dólar e valia muito mais. Os combustíveis estão ao preço do ouro. A inflação está a nível dos países do terceiro mundo. A pobreza sobe em flecha. Mas vai piorar e muito. Só enriquecem os senhores da guerra. Cada vez mais ricos.

Está em marcha a nazificação em Angola. Um pouco mais primária do que na Ucrânia, mas tanto ou mais perigosa, dado o passado da UNITA entre 1966 e 2002. Também há a adesão ao nazismo de forças inorgânicas e partidos extintos por falta de votos. Perigosíssimo. Não vou ao princípio do perigo. Nem repetir todas as etapas da traição. Não vou falar dos anos em que os membros do Galo Negro andavam a matar o Povo Angolano, às ordens dos colonialistas e dos racistas de Pretória. Vou falar apenas de agora.

O líder da UNITA, Adalberto da Costa Júnior, disse, eufórico, que a manifestação de hoje foi contra o MPLA, que classificou de partido único. Nunca se viu um partido convocar uma manifestação contra outro partido. Isso só existe na cabeça de quem não é capaz de ultrapassar as fogueiras da Jamba. 

O chefe do Galo Negro, ante os seus seguidores, no Largo das Escolas, acusou “instituições do estado e o governo de prenderem, torturarem a matarem activistas políticos gente próxima de nós”. Depois garantiu que “defendemos a paz e a democracia”. Instigou os apoiantes contra o partido que ganhou as eleições, as instituições do estado e o governo. Fez ameaças graves. Depois da bofetada escondeu a mão. Típico da UNITA.

Adalberto foi mais longe mas basta. É claro que ele quer mesmo uma rebelião. Para isso, a direcção da UNITA arregimentou grupos de marginais dispostos a tudo. É uma pena que não tenham ouvido o General Francisco Furtado quando disse: Não atentem contra a Segurança nacional porque levam no focinho. Pelos vistos não acreditam. Também não acreditavam que a ONU impusesse pesadas sanções aos dirigentes da UNITA e seus familiares directos, mas isso aconteceu. Até as suas contas bancárias foram congeladas. Na hora da verdade, os donos fingem que não é nada com eles.

Conhecendo como conheço o MPLA, nunca me passaria pela cabeça convocar uma manifestação contra o partido e acusá-lo de ter roubado os votos. O MPLA conduziu a luta armada de libertação nacional. Combateu as forças invasoras estrangeiras e seus aliados internos até à Independência Nacional. Enfrentou as forças da África do Sul apoiadas abertamente pelos EUA, França e Alemanha, durante a Guerra pela Soberania Nacional e a Integridade Territorial. Convocou eleições multipartidárias em 1992. Salvou a vida aos sicários da UNITA que acompanhavam Savimbi na sua aventura belicista. Não provoquem!

Marcolino Moco não foi à manifestação. Mas sentado no conforto do sofá de sua casa disse que João Lourenço deu um golpe de estado. Tomou posse com as tropas nas ruas contra o povo. Isto é gravíssimo. Uma coisa é dizer umas baboseiras sobre a fraude. Outra é acusar o Chefe de Estado de ter comandado um golpe de estado militar. Adalberto e os accionistas da Sociedade Civil hoje fecharam todas as portas aso diálogo e apostam tudo na confrontação. Por favor, tenham presentes as palavras do General Francisco Furtado. Não me obriguem, com esta idade, a vestir de novo o camuflado e empunhar a arma. Não nos façam isso.

 Um dos pasquins da UNITA hoje escreve isto: “Apesar de as autoridades angolanas não terem comunicado nada sobre o estado de saúde do Estadista, optando pelo secretismo, fontes do Club-K, atestam que em círculos restritos do regime ventila-se com certa convicção de que de terá sofrido Ataque Isquémico Transitório (AIT), que poderá ter sido provocado pela subida da tensão arterial logo após o desfecho dos resultados eleitorais. Há relatos que não ganhou as eleições de 24 de Agosto conforme desejava mas que a Comissão Nacional Eleitoral e o Tribunal Constitucional ajudaram a inverter o quadro fazendo-lhe vencedor”.

Pelos vistos a impunidade não tem limites. Mas o que escreveram sobre o Chefe de Estado é crime e muito grave. Estão a criar um clima de vale tudo menos tirar olhos, nos Media amigos e nas redes sociais. 

Isto vai acabar mal. Eu como sou mais rude que o General Francisco Furtado, peço-lhes pelas alminhas que parem com isso. Se prosseguirem por esse caminho, vão mesmo levar nos cornos. Hoje, se fossemos a votos, aqueles 55 por cento da abstenção iam votar em massa no MPLA. A grande família está de novo unida. A UNITA fez esse milagre.

*Jornalista

Contagem de votos das eleições em STP indica provisoriamente vitória da ADI

ADI à frente da contagem de votos seguido do MLSTP, MCI/PS-PUN e do BASTA

São Tomé (São Tomé e Príncipe), 26 Set. 2022 (STP-Press), O partido ADI lidera a contagem de votos das eleições são-tomenses de domingo, seguido do MLSTP-PSD, do MCIPSD-PUN e do BASTA, acordo com as primeiras projeções da Radio Nacional do arquipélago.

Segundo a emissora estatal citando dados parciais saídos das assembleias de votos face as legislativas deste domingo o ADI de Patrice Trovoada está a frente da contagem com 19.791 votos, seguido do MLSTP-PSD de Jorge Bom Jesus com 14.624, MCIPSD-PUN de António Monteiro com 4.467 e do Movimento BASTA de Salvador Ramos com 4.147 votos.

Quanto a eleição regional do Príncipe dados da Rádio Nacional colocam o parido UMPP de Filipe Nascimento a frente com 2.167 votos seguido do MVDP de Nestor Umbelina com 1.795 votos.

Os dados oficiais provisórios das eleições de domingo devem ser ainda hoje divulgados pela Comissão Eleitoral Nacional, CEN, órgão com competência para o efeito .

Ricardo Neto, jornalista da Agência de Notícias STP-Press

UMA CARTOGRAFIA DE LUTA SOCIAL LATINO-AMERICANA

Raúl Zibechi | Outras Palavras

Em livro, estudioso dos movimentos antissistêmicos da região propõe enxergá-los sem lentes eurocêntricas. O que une correntes como zapatismo, MST, pedagogia freireana e Teologia da Libertação? Suas conclusões são surpreendentes

#Publicado em português do Brasil

Este ensaio, cujo título original é “Liberar o mundo novo que pulsa no coração dos movimentos”, integra o livro Territórios em rebeldia, de Raúl Zibechi, publicado pela Editora Elefante, parceira editorial de Outras Palavras. Quem apoia nosso jornalismo tem 25%¨de desconto em todos os títulos do site da editora.

Na América Latina, os movimentos antissistêmicos apresentam algumas peculiaridades com relação aos do Primeiro Mundo, além de diferenças no que diz respeito às análises que a sociologia dos movimentos sociais tem produzido. Essas diferenças podem ser agrupadas em três grandes eixos: as correntes políticas em que os movimentos se inspiram; suas principais características; e as tradições que influenciam sua conformação. É a partir deles que podemos estabelecer uma definição de movimentos alternativos e antissistêmicos neste continente.

No primeiro eixo, quatro grandes correntes políticas de resistência social e cultural, nascidas nesta região, configuram a estrutura ideológica e cultural dos grandes movimentos: as comunidades eclesiais de base, vinculadas à Teologia da Libertação; a insurgência indígena, portadora de uma cosmovisão distinta da ocidental; a educação popular; e o guevarismo, inspirador da militância revolucionária. Essas correntes de pensamento e ação estão presentes em quase todos os movimentos importantes, dando lugar a uma espécie de mestiçagem, sendo esta um de seus diferenciais. No entanto, essas correntes não apenas nasceram na América Latina: encontramo-nas somente aqui, pelo que podemos dizer que, na segunda metade do século XX, afirmaram uma personalidade diferenciada e diferente, sobre a qual vêm sendo erigidas pautas emancipatórias heterogêneas em relação às herdadas das tradições eurocêntricas.

Brasil | DUAS TÁTICAS NA RETA FINAL E A AMEAÇA DE GOLPE

Luciano Siqueira*, de Brasília | Correio do Brasil | opinião

Enquanto Bolsonaro radicaliza suas diatribes, Lula consolida a amplitude e a pluralidade. Correndo por fora, as candidaturas de Ciro Gomes e Simone Tebet também se diferenciam, tanto porque o pedetista segue apontando prioritariamente sua metralhadora giratória contra Lula.

#Publicado em português do Brasil

Noves fora complexas e atribuladas manobras e iniciativas dos dois principais concorrentes à presidência da República, chegamos à reta final da campanha com táticas diametralmente opostas, características da natureza mesma dos projetos em conflito.

O conjunto das pesquisas, sem contar uma rodada do Datafolha a ser anunciada hoje à noite, indica não apenas a consolidação da polarização entre Lula versus Bolsonaro, como tendência à vitória do ex-presidente, podendo até acontecer já no primeiro turno.

Tirante a carga emocional crescente do movimento pro liquidação da fatura agora, a hipótese da vitória de Lula em 2 de outubro se apoia tanto na crescente ampliação da diversidade e da amplitude dos apoios que vem recebendo, como na suposição de que haja embutidas nas pesquisas tendências de eleitores ditas “envergonhada”, “oculta pelo medo” ou “útil”.

Nesse cenário, o presidente Jair Bolsonaro proclamou, em improvisado discurso em Londres, onde compareceu para os funerais da rainha Elizabeth, que vencerá no primeiro turno por larga margem “se as eleições foram legítimas”.

Parece estranho, mas não é.

É a tática que resta ao futuro ex-presidente, em franca desvantagem: tumultuar o processo para conferir a chance de interrompe-lo mediante golpe de força.

Golpe de força

Dará certo? Provavelmente, não.

Mas a ameaça existe. E não deve ser subestimada.

Isto porque no outro extremo a candidatura do ex-presidente Lula consolidou-se como expressão de uma ampla frente em defesa da democracia, tão heterogênea que inclui entre os seus variados matizes liberais convictos e influentes de mãos dadas com defensores de um projeto nacional-desenvolvimentista adequado às circunstâncias atuais do mundo e do Brasil.

Um arco-íris capaz de vencer e necessário para a governabilidade diante da tremenda tarefa da reconstrução nacional.

Assim, enquanto Bolsonaro radicaliza suas diatribes, Lula consolida a amplitude e a pluralidade.

Correndo por fora, as candidaturas de Ciro Gomes e Simone Tebet também se diferenciam, tanto porque o pedetista segue apontando prioritariamente sua metralhadora giratória contra Lula, não se sabe ao certo com que a intenção; como porque a emedebista parece conformada com a provável migração de parte de seus eleitores para o ex-presidente.

Considerados esses fatores, é possível concluir que estamos na iminência de uma vitória do campo democrático e progressista sobre as forças extrema direita.

Entretanto, há que se acoplar à disputa eleitoral propriamente dita a mobilização social e política anti golpe. Inclusive valorizando articulações em plano internacional no sentido de que, uma vez anunciado pelo TSE o resultado do pleito, chefes de Estado dos cinco continentes de imediato se pronunciem cumprimentando o vencedor e enaltecendo a lisura do processo.

É como se estivéssemos conduzindo um valioso vaso de porcelana chinesa milenar cercado de todas as garantias de conduzi-lo até o seu destino, sem riscos de que caia ao chão.

*Luciano Siqueira, é Médico, vice-prefeito do Recife, membro do Comitê Central do PCdoB

Brasil - Eleições | Pesquisa DataFolha mostra o início da onda ‘Lula no primeiro turno’

A estabilidade com oscilação positiva para o petista no cenários de uma semana para cá, aferida pela mais recente pesquisa do Datafolha, vai acirrar a queda de braço entre as duas campanhas líderes de uma corrida cuja decisão na primeira rodada pode ocorrer no olho mecânico e no último minuto da apuração na sede do TSE.

#Publicado em português do Brasil

A menos de 10 dias para o primeiro turno das eleições presidenciais, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oscilou dois pontos para cima e chega agora a 47% e tem uma dianteira de 14 pontos sobre Jair Bolsonaro (PL), que se manteve em 33%. Cresce, assim a possibilidade de o petista vencer no primeiro turno, em linha com o movimento detectado pela campanha petista de uma onda para levar “Lula no primeiro turno”.

A estabilidade com oscilação positiva para o petista no cenários de uma semana para cá, aferida pela mais recente pesquisa do Datafolha, vai acirrar a queda de braço entre as duas campanhas líderes de uma corrida cuja decisão na primeira rodada pode ocorrer no olho mecânico.

Empatados em terceiro lugar estão Ciro Gomes (PDT), oscilou de 8% para 7%, e Simone Tebet (MDB), que segue com 5%. Soraya Thronicke (União Brasil) oscilou de 2% para 1%, mantendo-se empatada no limite da margem com Tebet.

Oscilação

A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos neste levantamento, feito de terça a quinta-feiras. O instituto ouviu 6.754 pessoas em 343 cidades, e a pesquisa encomendada pelo diário conservador paulistano Folha de S. Paulo e pelo canal da TV aberta Globo está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A boa notícia para Lula é que, com a oscilação, ele voltou à casa dos 50% de votos válidos, limiar para uma vitória no primeiro turno. Esse critério, adotado pelo TSE para a contagem da eleição, exclui os brancos e nulos: quem tiver 50% mais um voto está eleito diretamente. Semana passada, estava em 48%.

Correio do Brasil, de São Paulo

ESCOLHER E VOTAR EM CUBA - a Imagem Escolhida

Um cidadão cubano vota numa escola de Havana, a 25 de Setembro de 2022. Até às 14 horas locais, mais de 5 milhões de leitores, 55% do universo elegível, já tinham votado no referendo sobre o novo Código de Família, cujo texto elimina qualquer vestígio de discriminação no âmbito familiar, reforçando significativamente os direitos das mulheres, da comunidade LGBTIQ+, dos idosos e das crianças 

Yander Zamora / EPA – em AbrilAbril

MELONI DEPOIS DE MUSSOLINI. A ITÁLIA DE VOLTA À EXTREMA-DIREITA

A extrema-direita conquistou neste domingo a terceira maior economia da União Europeia, com uma vitória histórica do partido de Giorgia Meloni nas eleições legislativas na Itália, país que, pela primeira vez desde 1945, está prestes a ser governado por uma liderança pós-fascista

“Os italianos enviaram uma mensagem clara a favor de um governo de direita liderado pelos Irmãos de Itália". Já era madrugada desta segunda-feira e Giorgia Meloni reagiu assim aos primeiros resultados saídos das eleições italianas e que apontavam a sua vitória. "Faremos isso por todos" os italianos.

"É hora de os italianos voltarem a ter um governo que sai de uma decisão nas urnas e é algo em que todos têm que prestar contas," sublinhou Meloni.

A política de 45 anos lamentou uma campanha eleitoral que descreveu como "agressiva e violenta" e assegurou que "a Itália e a União Europeia precisam do contributo de todos perante a complexa situação" em que se encontram.

Meloni lamentou a abstenção de 36%, a mais elevada de sempre, e assegurou que o objetivo será "reconstruir a relação entre o Estado e os cidadãos".

"O desafio agora é fazer com que as pessoas acreditem nas instituições; muitos italianos ainda decidem não confiar", disse.

Já esta manhã, com os resultados de 59.772 secções de voto (de um total de 60.399), o partido de extrema-direita liderado por Giorgia Meloni, Fratelli d'Italia (Irmãos de Itália), confirma-se como o mais votado, com 26,19% dos votos, de acordo com a última atualização.

A coligação de direita e extrema-direita obtém 44,10% dos votos nas legislativas de domingo em Itália. O bloco de centro-esquerda, liderado pelo Partido Democrático, de Enrico Letta, conquista 26,11%, enquanto o Movimento 5 Estrelas obtém 15,41%.

A Liga, de Matteo Salvini, obtém 8,93%, enquanto o partido conservador Força Italia, de Silvio Berlusconi, recolhe 8,28% dos votos. Liga e Força Itália são os potenciais aliados de Giorgia Meloni, dos Irmãos de Itália, numa eventual maioria governamental.

A taxa de abstenção deverá ficar pelos 36,09%, sendo que a taxa de participação é de 63,91%.

"Agora posso dizer que, com estes números, podemos governar"

Durante a noite, na sede de campanha do Irmãos de Itália a reação era de algum entusiasmo contido. Segundo o jornal La Stampa havia "um silêncio irreal, cheio de cautela". Mas havia quem não escondese algum entusiasmo, como o deputado Fabio Rampelli: "Agora posso dizer que, com estes números, podemos governar."

Salvini foi o primeiro líder partidário a comentar estas projeções, escrevendo no Twitter: "O centro-direita tem vantagem tanto na câmara baixa como no Senado. Será uma noite longa, mas agora quero dizer-vos obrigado".

Pouco depois o coordenador do Força Itália reagiu às projeções no Twitter. "O Força Itália é determinante para a vitória do centro-direita e será determinante para a formação do novo governo", escreveu Antonio Tajani.

Já depois da meia noite, Debora Serracchiani, responsável do Partido Democrático, admitiu a derrota e classificou o PD como "a segunda força mais votada e a primeira da oposição". Reconhecendo que os resultados ficaram "aquém do esperado" para o partido, Serracchiani deixou ainda um aviso: "A direita tem a maioria no Parlamento, mas não tem a maioria no país."

Devido à pulverização partidária, nenhum partido deverá obter uma maioria suficiente para governar sozinho. A direita e a extrema-direita conseguiram um acordo de coligação que poderá levar Giorgia Meloni ao poder e a tornar-se na primeira primeira-ministra de Itália. Integram a coligação o partido conservador Força Itália, do ex-primeiro-ministro Sílvio Berlusconi, e a Liga, de Matteo Salvini, conhecido pela sua política dura contra a imigração.

ULTRA-DIREITA VENCE ELEIÇÕES EM ITÁLIA

Meloni reivindica liderança do próximo governo em Itália

A presidente do partido Irmãos de Itália (FdI), Giorgia Meloni, declarou vitória nas eleições legislativas de domingo no país transalpino, reivindicando a liderança do próximo governo. Deverá ser a primeira mulher a exercer o cargo em Itália.

No primeiro discurso após a votação de domingo, Meloni garantiu que o partido irá governar "para todos" e "para que os italianos se possam orgulhar de ser italianos".

"Os italianos enviaram uma mensagem clara de apoio a um governo de centro-direita" liderado pelo partido Irmãos de Itália, disse Meloni.

De acordo com resultados parciais, a coligação de direita e extrema-direita - liderada pelo FdI e que reúne ainda a Liga, de Matteo Salvini, e o partido conservador Força Italia, de Silvio Berlusconi - obteve 43 por cento dos votos nas legislativas.

O bloco de centro-esquerda, liderado pelo Partido Democrático, de Enrico Letta, deverá ter 26 por cento dos votos.Meloni deverá formar o governo mais de extrema-direita desde a II Guerra Mundial, naquela que é a terceira economia mais forte da União Europeia.

"É hora de os italianos voltarem a ter um governo que sai de uma decisão nas urnas e é algo em que todos têm que prestar contas", sublinhou Meloni.

domingo, 25 de setembro de 2022

Ataque terrorista de Kiev e OTAN em Kherson contra a democracia e o jornalismo

O ataque terrorista de Kiev apoiado pela OTAN em Kherson foi um ataque contra a democracia e o jornalismo

Andrew Korybko* | One World

Nenhum número de mísseis conseguirá impedir o exercício dos direitos democráticos dos habitantes locais, conforme consagrado na Carta da ONU, nem impedir que jornalistas russos de classe mundial reportem sobre este evento histórico.

#Traduzido em português do Brasil

Kiev bombardeou um hotel na antiga cidade ucraniana de Kherson com mísseis na manhã de domingo, no que as autoridades locais descreveram como um ataque terrorista pré-planejado apoiado pela Otan. Um ex-funcionário da Rada que desde então rompeu com o regime fascista instalado pelos EUA foi morto, assim como outra pessoa, enquanto dois jornalistas da RT que cobriam o referendo em andamento dessa política sobre a adesão à Rússia milagrosamente escaparam ilesos. Considerando os alvos e o contexto político em que este local civil foi atacado, pode-se dizer que se tratava de um ataque contra a democracia e o jornalismo.

Em relação ao primeiro, Kiev e seus patrocinadores da OTAN querem intimidar os locais de exercerem seu direito político à autodeterminação consagrado na Carta da ONU. Eles não se contentam em apenas tentar desacreditar esse processo aos olhos dos cidadãos do Bilhões de Ouro , mas decidiram escalar realizando um ataque terrorista pré-planejado para punir quem quiser participar dele. Em relação ao segundo alvo deste ataque, não há dúvida de que Kiev sabia que jornalistas da RT estavam hospedados naquele hotel, o que significa que queria matar membros da imprensa por reportar o referendo.

A ironia é que o Ocidente e seus representantes afirmam apoiar a democracia e o jornalismo, ao mesmo tempo em que alegam que seus inimigos geoestratégicos, como a Rússia, supostamente estão contra eles, mas o último ataque terrorista de Kiev apoiado pela OTAN expõe a trágica verdade por trás dessa retórica. A realidade é que é a primeira dupla que odeia tanto a democracia e o jornalismo sempre que são exercidas de forma contrária aos seus interesses que fazem greve contra um hotel onde jornalistas estão hospedados enquanto cobrem um referendo local.

A chamada “ordem baseada em regras” que eles nunca se cansam de lembrar a todos que eles apóiam nada mais é do que a implementação arbitrária de padrões duplos destinados a promover os objetivos americanos às custas de todos os outros. Se Kiev e seus patronos ocidentais realmente defendessem a democracia e o jornalismo como afirmam, teriam restringido seus ataques a alvos puramente militares em vez de deliberar atingir os civis, para não mencionar enquanto os jornalistas estivessem hospedados lá. O último ataque terrorista prova assim que o referendo em curso é algo que eles temem profundamente.

A razão para isso é evidente, e é que o resultado previsível dos moradores locais votando para se reunificar com sua histórica pátria russa resultará na expansão das fronteiras dessa grande potência eurasiana, após o que Moscou pode proteger seus territórios recém-incorporados com armas nucleares se necessário. Embora pretendido pelo Kremlin como uma medida pragmática de desescalada para congelar a linha de controle ou apenas expandi-la até as fronteiras administrativas pré-reunificação dessas regiões, a América pode ignorar esse ramo de oliveira para ordenar que Kiev lance uma invasão suicida em todo o posto -fronteira de referência.

Embora existam argumentos a favor e contra os EUA que provocam a Rússia a empregar armas nucleares táticas em autodefesa como último recurso absoluto da perspectiva de seus interesses hegemônicos subjetivos, Washington ainda está sendo forçado a enfrentar um dilema sem precedentes por Moscou após o presidente O mais recente movimento de judô de Putin ao declarar que reconhecerá o resultado dos votos e utilizará todos os meios à sua disposição para proteger o povo e o território de seu país. É por isso que os EUA querem tanto atrapalhar os referendos ordenando o último ataque de Kiev em uma tentativa desesperada de evitar esse cenário.

Nenhum número de mísseis conseguirá impedir o exercício dos direitos democráticos dos habitantes locais, conforme consagrado na Carta da ONU, nem impedir que jornalistas russos de classe mundial reportem sobre este evento histórico. Tudo o que esse ataque terrorista conseguiu foi que corroeu ainda mais a credibilidade dos EUA e de Kiev ao expor sua “ordem baseada em regras” como a retórica enganosa que foi descrita anteriormente nesta análise como sendo. O mundo deve notar que nenhum desses dois realmente se importa com democracia ou jornalismo, caso contrário o ataque terrorista de domingo de manhã nunca teria acontecido.

*Andrew Korybko -- analista político americano

O MILIONÁRIO REDUZIDO A TROCOS

Artur Queiroz*, Luanda

A Federação Russa e a Ucrânia fizeram uma troca de prisioneiros e prisoneiras. Ainda bem. Cadeia, nem para os cães. Entre os libertados pelo governo de Kiev está um cidadão ucraniano que foi apresentado pelos Media ocidentais (todos censurados e reduzidos a instrumentos de propaganda) como milionário, aliado próximo do Presidente da Rússia, oligarca, legislador ucraniano. Um condenado por traição à pátria. Amigo de Putin. Pró russo. 

O libertado chama-se Viktor Medvedchuk e é o líder da oposição ucraniana! Porque conquistou esse estatuto nas eleições que deram o poder a Zeklensky!

Advogado de profissão, Medvedchuk manifestou, desde o golpe de estado nazi de 2014, a sua total oposição à adesão da Ucrânia à União Europeia. Em Novembro de 2018, Medvedchuk foi eleito presidente do partido político Pela Vida, que mais tarde se fundiu no partido Plataforma de Oposição-Pela Vida. 

Nas eleições parlamentares de 2019, o partido elegeu 37 deputados na lista nacional e seis assentos eleitorais. Foi o segundo partido mais votado, o que faz do seu presidente, o líder da oposição na Ucrânia. 

Sendo contra a adesão da Ucrânia à NATO (ou OTAN) e à União Europeia, a PIDE de Zelensky prendeu Viktor Medvedchuk logo no início da operação militar, em Fevereiro. Foi imediatamente acusado de alta traição e levado para um local que familiares, amigos e correligionários políticos desconhecem. Preso incomunicável e em local secreto. 

A Cruz Vermelha Internacional nunca quis saber da situação do prisioneiro. O comissariado dos Direitos Humanos da ONU ignorou a situação do líder da oposição ucraniana. A União Europeia nem fala do seu nome. Washington muito menos.

Adalberto da Costa Júnior é o líder da oposição em Angola. O seu partido, UNITA-Pró Morte, ficou em segundo lugar nas eleições de 24 de Agosto. Nelito Ekuikui, Hitler, Luaty Beirão, Abílio Camalata Numa, Wambo, Apolo e outros activistas resolveram atacar esquadras da política e quartéis das FAA. Avançaram sobre o Palácio Presidencial. Tomaram de assalto a Assembleia Nacional. 

A polícia prendeu o líder do partido Pró Morte. Foi levado para lugar secreto e ninguém sabe dele. Entretanto, o Tio Célito mandou prender o Bonga, a Luzia Moniz, a Alexandra Simeão, o Álvaro Sobrinho e o João Soares. Trocou este material putrefacto pelo Adalberto.

Os Media ocidentais noticiaram a troca dizendo que Adalberto da Costa Júnior é pró Casa Branca, oligarca dos diamantes de sangue, legislador, traidor à pátria. 

Isto é pura ficção. Se algum dia quiserem mandar para Angola o lixo humano que enumerei, por favor, não aceitem. Nem sequer a roupa deles. Ou os sapatos. Dessa porcaria, nada de nada.

A TPA, canal de televisão angolano empalmado pelo banditismo mediático internacional, hoje deu a notícia da troca de prisioneiros afirmando que Viktor Medvedchuk é “pró Kremlin”. Assim mesmo. Propaganda acéfala. Nem foram capazes de trabalhar a propaganda. Assim ignoraram que as autoridades da Federação Russa fizeram um grande favor ao Povo Ucraniano, ao salvarem da morte certa o seu líder da oposição.

Os angolanos não merecem isto. O Estado (todos nós) paga milhões para ter todos os dias no ar a TPA. No mínimo, jornalistas do canal têm de mostrar mais profissionalismo. Mesmo que estejam a ser pagos pela embaixada dos EUA em Luanda ou pela delegação da União Europeia.

Hoje o Povo Ucraniano pode acreditar em dias melhores. O líder da oposição, Viktor Medvedchuk, está livre dos nazis de Kiev. Gostava de saber por que razão, escondem que ele é o líder de um partido político, de uma plataforma política verdadeira (não é a aldrabice da frente patriótica unida) e conquistou os votos suficientes, para ser o líder da oposição a Zelensky e seu partido populista e nazi. Reduziram o milionário a uns trocos. Coisas da Redacção Única que já chegam aos Media angolanos. 

Antes a morte que tal sorte.

*Jornalista

ARRISCAR TUDO PARA SAIR DE ÁFRICA E ATRAVESSAR O MEDITERRÂNEO

Amor, determinação e arriscar tudo para atravessar o Mediterrâneo

A jornada de Sadia do Benin para a Europa a faria enfrentar uma rota de migração mortal e se separar do marido.

LexieHarrison-Cripps | Al Jazeera

Estava escuro quando Sadia*, 25 anos, subiu da praia da Líbia para o bote inflável cinza, junto com seus três filhos pequenos, numa noite de abril de 2022. Como os primeiros a embarcar, eles se sentaram na proa, enquanto os outros se espremiam em torno deles. Homens montavam nas laterais do bote, cada um com uma perna pendurada na água.

#Traduzido em português do Brasil

Dos 101 passageiros, sete eram mulheres e 44 eram menores, 40 dos quais desacompanhados.

Sadia e sua família viajaram de Benin para tentar chegar à Europa. No entanto, para esta etapa final da viagem, ela iria sozinha com seus filhos. Ela teve que deixar Agidigbi*, seu marido – e amor – para trás.

À medida que o barco seguia para o norte, a cada segundo aumentando a distância entre ela e Agidigbi, Sadia procurou em vão por sua bolsa contendo água e comida. A percepção de que estava perdido foi sua última lembrança a bordo do bote enquanto sucumbia às ondas de náusea e vômito do enjoo grave, enquanto entrava e saía da consciência.

Sadia e seus filhos estão entre as 25.164 passagens irregulares de fronteira marítima registradas pela Frontex, a Agência Europeia de Fronteiras, entre o Norte da África e a Itália no primeiro semestre deste ano, 23% a mais do que nos primeiros seis meses de 2021. tentativas veio um aumento correspondente nas mortes , de acordo com a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

As mulheres representam uma porcentagem muito pequena de pessoas que tentam essa jornada perigosa. Apenas 6% das pessoas que chegaram à Itália por mar este ano eram mulheres adultas, informou o ACNUR.

Muitas dessas travessias terminaram em vítimas fatais, incluindo 30 pessoas que desapareceram em junho de 2022 de um barco que naufragou parcialmente no Mediterrâneo. Um navio não governamental de busca e resgate, o Geo Barents, operado pelos Médicos Sem Fronteiras (conhecido por suas iniciais francesas, MSF) chegou ao local e conseguiu resgatar 71 pessoas, embora uma mulher grávida tenha morrido apesar das tentativas de ressuscitá-la.

Na ONU, primeiro-ministro do Mali critica a ONU, a França e elogia laços com a Rússia

Abdoulaye Maiga ataca o ex-governante colonial, a ONU, ao elogiar a cooperação 'exemplar' com a Rússia. 

#Traduzido em português do Brasil

O primeiro-ministro do Mali, nomeado pelos militares, atacou a França e as Nações Unidas em um discurso cheio de queixas sobre a deterioração da situação de segurança de seu país, enquanto elogiava a cooperação “exemplar” com a Rússia.

Discursando na 77ª sessão da Assembleia Geral da ONU no sábado, Abdoulaye Maiga criticou o que chamou de "decisão unilateral" da França de realocar suas tropas restantes para o vizinho Níger em meio à deterioração das relações com o líder do golpe de duas vezes do Mali, Assimi Goita .

Embora tenha sido Goita e seus aliados que derrubaram um presidente democraticamente eleito pela força militar há dois anos, o primeiro-ministro do Mali se referiu repetidamente a uma “junta francesa” ao longo de seu discurso de 30 minutos.

“Afaste-se do passado colonial e ouça a raiva, a frustração, a rejeição que está surgindo das cidades e campos africanos, e entenda que esse movimento é inexorável”, disse Maiga, que foi nomeado primeiro-ministro no mês passado.

“Suas intimidações e ações subversivas só aumentaram as fileiras dos africanos preocupados em preservar sua dignidade”, acrescentou.

Angola | ENTALADO ENTRE CESALTINA E O MINISTRO – Artur Queiroz

Artur Queiroz*, Luanda

O respeitinho é muito bonito por isso vou começar pelo senhor ministro da Comunicação Social. Sua excelência disse que o contraditório é o suprassumo do Jornalismo (pedra angular). Excelência, não acredite no bêbado da valeta ou no Teixeira Cândido. Porque para eles o único critério que conta é dinheiro, quanto mais sujo melhor. A verdade é outra, muito diferente.

Entre os critérios que suportam os conteúdos comunicacionais, aquele que é a marca distintiva do Jornalismo chama-se RIGOR. O Jornalismo é um exercício permanente de grande rigor e só se realiza numa lógica de contrapoder. Os outros critérios de nada valem sem este. Sem ACTUALIDADE não há notícia porque este critério é a marca distintiva das mensagens informativas. Mas pode haver jornalismo sem ele. 

Sem o critério da VERDADE DOS FACTOS pode haver Jornalismo. Desde que o jornalista prove que, em boa-fé, reputou os factos como verdadeiros quando produziu a notícia ou reportagem. Essa é uma das causas de exclusão do ilícito. A Liberdade de Imprensa é tão importante para o regime democrático que o jornalista até pode escrever mentiras, desde que tenha confirmado e reconfirmado os factos (teoria das três fontes). Foi enganado, paciência.

IMPARCIALIDADE (o tal contraditório) é o “critério flutuante”. Sem ele há Jornalismo e até pode ser de excelência. Permita-me excelência que lhe fale de mim. Uma fase da minha vida fui repórter sem patrão. Hoje é freelancer. Tinha uma combina com o director de um grande rotativo e andava cavando notícias que ao fim da tarde lhe levava. Ele escolhia o que interessava e pagava à vista. Mas tinha direito a um prémio por cada notícia ou reportagem que davam manchete ou janela de primeira página. No final do mês recebia mais em prémios do que o salário do director. Gastava a massa rapidamente nos botequins, bares e cabarés onde meninas gentis provavam à saciedade que o amor é facílimo.

Quando conseguia uma “cacha” retumbante eu geria os fragmentos de informação parcimoniosamente. Na primeira manchete revelava factos chamativos. Na segunda, factos mais interessantes. E na terceira manchete, os extraordinários. Dava espaço a todas as partes com interesses atendíveis. Mas à medida que ia revelando fragmentos de informação que os “picassem”. Quando ia ouvi-los, abriam o livro e aquilo dava makas mundiais. E eu a facturar manchetes. Claro que em todas as reportagens informava os consumidores, que estava a fazer esforços para ouvir as outras partes. Profissionalismo acima de tudo.

Aqui entra o DEVER DE CUIDADO. É uma obrigação dos jornalistas mas ao mesmo tempo um critério que suporta os conteúdos comunicacionais. Sem ele não há jornalistas nem Jornalismo. Portanto, já sabe, excelência. Isso do contraditório é lá para os Tribunais. A Imparcialidade pode e deve ser gerida pelo jornalista. Porque desde o início do século XX, a notícia é uma mercadoria, muitas vezes com usura incorporada. 

Os jornais deixaram de ser espaços de liberdade para serem meros negócios ao serviço de interesses inconfessáveis. Digo-lhe mais, excelência, o ideal é que o ramo esteja nas mãos do Estado. Assim sabemos que o negócio é controlado por quem foi eleito e não por madalenos e sobrinhos. Isto para não falar de abutres e outras aves de rapina. Coitadinhos dos marimbondos, são insignificantes comparados com esses gabirus. 

Eu sou uma vítima do imperialismo. Nessa qualidade conheci gente muito interessante, também anti-imperialista por dever de sobrevivência. Uma dessas pessoas era Cesaltina Abreu, engenheira agrónoma e minha amiga. Um dia destes surpreendeu-me com uma “acção popular” dos accionistas da Sociedade Civil em consórcio com a UNITA. Fiquei muito surpreendido mas a vida é mesmo assim. Só não mudam de campo os burros como eu, que fazem da honestidade e da coerência uma bandeira hasteada no mastro mais alto da vida.

Hoje recebi um texto da Cesaltina intitulado “Os resultados de uma equipa apresentada como vencedora”. Uma pretensa resposta à declaração de João Lourenço sobre a sua equipa ganhadora. Caríssima amiga, o presidente do nosso MPLA (ou já não és? Olha eu, burro como sou, não consigo mudar nem para o partido de Deus) falou em ganhar eleições. Estava a falar dos resultados eleitorais. E da equipa que as ganhou. Não falava dos resultados da governação na legislatura. Mas esses também não foram muito maus porque submetidos ao voto popular, o MPLA ganhou estrondosamente. Nadas de manipular para enganar e iludir.

Para provar que a equipa governamental liderada por João Lourenço coleccionou derrotas sociais e económicas, Cesaltina cita a Chatham House (antes chamava-se Royal Institute of Internacional Affairs) uma coisa sinistra ligada aos serviços secretos britânicos. Colecciona denúncias e “reflexões” sob rigoroso anonimato. Promoção dos bufos e bufas. Tem como patrocinadores o governo dos EUA, a National Endowment for Democracy (ligada à CIA e ao Pentágono) e a Open Society Foundations do George Soros, patrão de Rafael Marques e outra criadagem. Cesaltina, já vais aí? Não corras tanto que eu não aguento a passada.  

A minha amiga Cesaltina, para provar que o governo dos últimos cinco anos foi mau (também acho que foi) cita prestimosas instituições ligadas a serviços secretos ocidentais como a Feeedom House Index (quando sou confrontado com a palavra índex penso logo na Inquisição e até os testículos me temem porque sou ateu e blasfemo) e a EXX África do Bill Neukom, empregado de Bill Gates e defensor estrénuo da empresária Isabel dos Santos. Também está ligado ao World Justice Project, um instrumento da prestimosa CIA, instituição que mandou para Angola oficiais, agentes e matilhas de mercenários, em 1975, para impedir a Independência Nacional. Que lástima, Cesaltina!

Eu também acho que o primeiro governo de João Lourenço foi mau. Mas está desculpado porque ascendeu ao poder quando o Ocidente está em falência técnica e cria perturbações terríveis no planeta. A meio do mandato o mundo parou com a COVID19. No final rebentou a guerra da OTAN (ou NATO), EUA e União Europeia (coligação dos falidos) contra a Federação Russa por procuração passada à Ucrânia. Guerra, Cesaltina! 

Agora vamos ver quanto vale o governo de João Lourenço. Espero muito que tenha sucesso. O Povo Angolano merece. E como ficou demonstrado em 24 de Agosto, nem nos próximos 50 anos há alternativa ao MPLA. Tudo o que existe de positivo em Angola, deve-se ou tem a ver com o MPLA. Porque enquanto estávamos a construir um país em África, a UNITA e seus parceiros da Sociedade Civil estavam a destruir ou à boa vida. Não sabem fazer mais nada. 

*Jornalista

Mais lidas da semana