sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

NOVA ETAPA PARA AS RELAÇÕES ENTRE CUBA E OS ESTADOS UNIDOS



 Martinho Júnior, Luanda

1 – O Encarregado de Negócios da Embaixada de Cuba em Angola, companheiro Reinaldo Valdés Obregón, deu a 18 de dezembro de 2014 uma Conferência de Imprensa em que fez o ponto de situação sobre o estabelecimento de relações diplomáticas de Cuba com os Estados Unidos ao nível de Embaixadas, facto que foi marcado com a libertação dos três últimos prisioneiros anti terroristas (Gerardo Hernandez, António Guerrero e Ramón Labañino) que compõem o grupo heróico dos “Cinco”, por parte dos Estados Unidos e a libertação de Alan Gross, assim como de um espião norte-americano detido há duas décadas (cujo nome não foi revelado), por parte de Cuba.

2 – A representação Diplomática cubana na capital angolana quis fundamentalmente sublinhar o momento histórico, mantendo-se naturalmente cautelosa em relação à perspectiva dos próximos desenvolvimentos, que envolvem contenciosos muito sensíveis como por exemplo as questões que dão corpo ao bloqueio, o fim da prisão de Guantánamo, a desactivação da base naval norte-americana ou ainda a reincorporação do território de Guantánamo a Cuba.

O clima da própria Conferência de Imprensa, com a presença não só dos repórteres destacados por vários órgãos de imprensa angolanos, mas também de algumas entidades angolanas afectas às relações bilaterais entre Cuba e Angola, foi de regozijo e de expectativa em relação ao futuro imediato.

3 – Pôr fim aos contenciosos e aos traumas acumulados durante décadas não será fácil de um momento para o outro, mas sem sombra de dúvida que os fluxos bilaterais que construtivamente forem possíveis, influenciarão também e por exemplo:

- Na correlação de forças no interior dos Estados Unidos entre os “lobbies” que suportam democratas e republicanos, tendo em conta o horizonte eleitoral já relativamente próximo e sobretudo ao papel de “charneira” da Florida nessa correlação;

- Na oportunidade de um maior equilíbrio entre as culturas mais expressivas que se manifestam nas conjunturas sócio-políticas internas dos Estados Unidos, nomeadamente a anglo-saxónica, a latino americana e a afro descendente.

- Nos relacionamentos da Pátria Grande com os Estados Unidos, tendo em conta as tensões entre as equações de independência, soberania e integração, por um lado e as que se revelam no quadro do presente “modelo” de globalização segundo a óptica da hegemonia unipolar em função das doutrinas e práticas do neoliberalismo.

- Nos relacionamentos no Atlântico Sul e em África, onde a luta contra o subdesenvolvimento crónico exige uma outra concertação internacional que se afaste em definitivo dos parâmetros da segunda metade do século XX, conformes à Guerra Fria, uma vez que Cuba poderá fundamentalmente aumentar a sua capacidade e vocação no que diz respeito à educação e à saúde, num ambiente internacional mais saudável, mais harmonioso e reciprocamente respeitoso.

4 – O que se vai iniciar nos relacionamentos bilaterais entre Cuba e os Estados Unidos, é sem dúvida uma nova etapa aberta à esperança dum futuro melhor, mas o estado da humanidade e do próprio planeta exigem muito mais a partir daí: será finalmente possível a entrada numa nova era, de acordo com as exigências que se vão histórica e antropologicamente acumulando nos termos da lógica com sentido de vida?  

Foto: O Encarregado de Negócios da Embaixada de Cuba em Angola, Reinaldo Valdés Obregón, durante a Conferência de Imprensa.

Portugal: ANA GOMES INSISTE EM MANTER OS SUBMARINOS À VISTA, Ó PORTAS...




Os submarinos. Ai os submarinos. Ora submergem, ora emergem... Foi o negócio opaco em que os portugueses pagam, bufam, mas o mal dos autores da opacidade é batatas. Quem não desiste de pôr o negócio dos submarinos às claras e até em doca seca é Ana Gomes. Arquivaram? Então agora tirem lá essa "coisa" novamente cá para fora porque há aqui mais uns "periscópios" para ver e apurar a verdade... se possível. Ana luta e labuta para manter os submarinos à vista. E o negócio à transparência devida aos cidadãos. Boa! A seguir ela explica. (Redação PG)

Ana Gomes: "Afinal foi Ministério da Defesa que foi contratado pela ESCOM"

A eurodeputada Ana Gomes disse hoje à Lusa que vai recorrer da decisão de arquivamento do processo dos submarinos, considerando que o teor do despacho revela que, "afinal, foi o Ministério da Defesa que foi contratado pela ESCOM".

Em declarações à Lusa, após já ter sido notificada da decisão do Ministério Público de arquivar o processo em torno da aquisição de submarinos em 2004, Ana Gomes disse que, após uma primeira leitura das mais de 300 páginas de despacho dos procuradores, que a levará "certamente a reagir na Justiça", pois, "naturalmente", vai interpor recurso, tem de fazer uma segunda correção ao que antes dissera.

"Quando eu fui declarar perante a comissão de inquérito parlamentar, eu não tive problemas em admitir um erro, e apresentei mesmo desculpas, por ter dito, nas queixas que fiz à Comissão Europeia, que a ESCOM [antiga empresa do Grupo Espírito Santo] tinha sido contratada pelo Ministério da Defesa. Mas agora tenho de fazer uma outra correção: é que, de facto, não foi a ESCOM que foi contratada pelo Ministério da Defesa, foi o Ministério da Defesa e o [então] ministro da Defesa [Paulo Portas] que foram contratados pela ESCOM, porque estiveram ao serviço da ESCOM e do BES", declarou.

Sublinhando que esta é a conclusão que tira face ao que já leu do despacho, Ana Gomes disse preferir não fazer, para já mais comentários, a não ser prestar "homenagem ao grande trabalho feito pelos procuradores, em condições extremamente difíceis, nos primeiros e últimos anos, porque a investigação esteve praticamente parada entre 2010 e 2013".

A aquisição por Portugal de dois submarinos alemães disponibilizou aos quatro arguidos e a membros do Grupo Espírito Santo 27 milhões de euros, mas o Ministério Público não conseguiu obter provas sobre os fluxos financeiros e arquivou o caso.

"No inquérito concluiu-se que a GSC [German Submarine Consortium] pagou à ESCOM UK 30.063.265,17 de euros e que (...) terão ficado na disponibilidade dos arguidos e de membros do Grupo Espírito Santo cerca de 27 milhões de euros", lê-se numa nota do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) sobre o arquivamento do caso, divulgada quinta-feira.

O inquérito, em investigação desde 2006, teve como arguidos Miguel Nuno Horta e Costa, Luiz Miguel Horta e Costa, Pedro Manuel de Castro Simões Ferreira Neto e Hélder José Bataglia dos Santos, suspeitos de fraude fiscal qualificada, branqueamento e corrupção.

O Ministério Público considerou, contudo, "inviável, face à impossibilidade de reconstituição de todos os fluxos financeiros, recolher prova documental quanto ao destino de todas as quantias na medida em que não foi obtida resposta, nomeadamente, de carta rogatória enviada para a Bahamas".

O contrato da compra dos dois submarinos por mil milhões ocorreu em 2004, quando o primeiro-ministro era Durão Barroso e ministro da Defesa era Paulo Portas, tendo este último sido ouvido este ano pelo MP, como testemunha no âmbito deste processo.

Na nota de quatro páginas sobre o arquivamento do inquérito são feitas ainda referências às condenações nos tribunais germânicos, tendo os investigadores portugueses lamentado que "as autoridades judiciárias alemãs nunca tenham facultado a documentação" que lhes foi pedida e que "era indispensável à reconstituição dos circuitos financeiros dos eventuais pagamentos de 'luvas'".

Lusa, em Notícias ao Minuto

Portugal: PORTAS, O "ESPECIALISTA" QUE METE ÁGUA MAS NÃO VAI AO FUNDO




Não merece o trabalho pôr muito mais na escrita. O inquérito dos submarinos foi arquivado pelo Ministério Público. Nas trocas baldrocas sabe-se que uns quantos figurões receberam por fora 27 milhões de euros e arrecadaram-nos mas o inquérito não concluiu que existissem provas para avançar com o processo. Esquisito. 27 milhões à solta e isso sabe-se... e não há provas... Esquisito. Parece que Ana Gomes não está nada pelos ajustes e vai fazer os submarinos emergirem. Mas isso é notícia que publicaremos a seguir e que antecipará esta. Portanto, quando aqui chegar já saberá do dito de Ana Gomes. A senhora pode ter uns quantos defeitos (todos temos) mas que prima em trazer as verdades à claridade... Disso não há dúvida. Faltam é muitas mais Anas destas na política e nos parlamentos... Merci madame. Ao Portas e associados não há o que agradecer, antes pelo contrário. Pode fintar tudo e muitos mas da fama já não escapa... já que teve o proveito. O que já se sabe é que ele é um "especialista" que mete muita água mas nunca vai ao fundo. Um artista de superfície e das profundezas. (Redação PG)

Submarinos: Portas "excedeu mandato" em negócio "opaco"

O Ministério Público procedeu ao arquivamento do inquérito à compra de dois submarinos a um consórcio alemão. No entanto, no despacho emitido por este organismo, os responsáveis pela investigação consideraram que o ex-ministro da Defesa Nacional, Paulo Portas, “excedeu o seu mandato” num negócio considerado “opaco”, escreve esta sexta-feira o jornal Público.

O caso dos submarinos chegou ao fim. O Ministério Público (MP) decidiu pelo arquivamento do processo de investigação. No entanto, no último documento emitido pelo MP, diz-se que Paulo Portas, à data dos factos ministro da Defesa Nacional, terá excedido o mandato conferido pelo Conselho de Ministros para proceder à compra dos dois submarinos.

Isto porque o agora vice-primeiro-ministro terá celebrado um contrato diferente do que estava estabelecido nos termos da adjudicação. Além destes factos, os investigadores consideraram que a negociação da compra decorreu “de forma opaca”, escreve o Público.

Esta última consideração refere-se às conversações que decorreram entre finais de 2003 e início de 2004 entre o Estado Português e o consórcio alemão. Apesar disto, os magistrados responsáveis pela investigação explicam que a “prática de ilegalidade [de princípios e normas de natureza administrativa] não têm, necessariamente, de configurar a prática de crime”. A juntar a este argumento, caso fosse identificada a prática de algum crime, os factos já teriam prescrito.

Assegura, contudo, o Ministério Público que durante a investigação não foi possível apurar a existência de indícios criminais, o que terá explicado, em grande medida, a decisão de arquivar um inquérito que se estendeu por oito anos. 

Notícias ao Minuto

Portugal: MARQUES MENTES ENVOLVIDO NOS VISTOS GOLD. TAMBÉM TU, PEQUENOTE?!




Quando chegou a vez de Marques Mendes comentar na TVI sobre o escândalo dos vistos dourados, em que uma sua empresa ou ex-empresa e uma sua sócia ou ex-sócia se encontram envolvidos o sujeito sacudi a água do capote e disse candidamente que nada tinha que ver com aquilo dos vistos gold, empresa e sócia. Afinal não é bem assim. O Mendes foi apanhado com a boca na botija a meter cunhas para concessão de vistos gold a "amigos" ou clientes, chamem-lhes o que quiserem. E a quem é que o Mendes foi meter cunhas? Ao presidente do Instituto dos Registos e Notariado, António Figueiredo, agora na prisão. Mendes diz que não meteu nisto o minstro da Economia... Se calhar até meteu. Claro que o ministro não vai dizer que sim e a verdade perde-se na pequenez de Marques Mendes enquanto descarado e mentiroso que disse nada ter que ver com os vistos gold. Até teve. Como se sabe agora. Era só uma "cunha". Pois. Assim... Desinteressadamente. O que a Mendes falta é corrigir o nome: Marques Mentes. (Redação PG)

Marques Mendes pediu ajuda para dois vistos gold

O nome de Luís Marques Mendes é referenciado no processo dos Vistos Gold. Seguindo a informação que a TVI conseguiu apurar, o antigo governante pediu ao então presidente do Instituto dos Registos e Notariado para que agilizasse pelo menos dois processos de atribuição de nacionalidade portuguesa a cidadãos estrangeiros.

Luís Marques Mendes pediu a António Figueiredo que agilizasse pelo menos dois processos de atribuição de nacionalidade portuguesa a cidadãos estrangeiros.

De acordo com a informação apurada pela TVI, um dos pedidos terá sido feito em agosto deste ano e destinava-se à atribuição de nacionalidade portuguesa à mulher de um dos maiores empresários de Moçambique. António Figueiredo, escreve a publicação, assegurou o pedido feito por Marques Mendes.

O antigo líder do PSD terá mesmo ponderado falar com Pires de Lima caso fosse necessária uma declaração do Ministério da Economia para a atribuição dos dois vistos. Contudo, à TVI, o gabinete do ministro da Economia desmente qualquer contacto por parte do agora comentador político, informação confirmada pelo próprio Marques Mendes que, também à TVI, revelou nunca ter tocado no assunto com o governante.

O outro pedido feito por Marques Mendes diz respeito a uma brasileira, que, segundo a publicação, tencionava fazer investimentos avultados em território nacional. Nessa altura, o ex-ministro voltou a contactar António Figueiredo, agora em prisão preventiva.

Contactado pela estação televisiva, Marques Mendes apenas não respondeu a uma questão: “Esse apoio da sua parte passou por um contacto direto com o ex-presidente do Instituto dos Registos e Notariado, dr. António Figueiredo?”. 

Notícias ao Minuto

Ministro português anuncia observatório de investimento entre Portugal e Angola



Voz da América

O ministro português de Estado e dos Negócios Estrangeiros anunciou ontem,18, em Lisboa, a criação de um observatório de investimento entre Portugal e Angola.

Ao falar numa conferência pela Câmara de Comércio e Indústria Portugal/Angola, Rui Machete afirmou que o observatório visa "acompanhar a evolução dos projectos dos angolanos em Portugal e dos portugueses em Angola e promover fluxos de investimento reforçados”.

Por agora, estão em carteira acordos nas áreas da economia e do comércio que deverão ser concluídos durante a visita que o chefe da Diplomacia portuguesa deve realizar em breve a Angola.

Rui Machete anunciou também a realização de um fórum empresarial entre os dois países que vai potenciar os investimentos conjuntos em outros países.

Na ocasião, o ministro português reiterou que Angola é hoje um “actor estratégico incontornável” na região.

Angola: DIRIGENTE DA UNITA NÃO ACREDITA NA JUSTIÇA ANGOLANA




Sistema judicial está subordinado ao poder poltico, diz Liberty Chiaka

Manuel José – Voz da América

O secretário provincial da Unita no Huambo Liberty Chiaka diz não ter fé no sistema judicial angolano por estar “subordinado” ao poder político.

Chiaka afirmou estar convencido de que as autoridades decidiram aumentar os actos de intimidação e agressão contra a oposição devido aos avanços da Unita a dois anos das eleições.

De acordo com aquele político da Unita, a única forma que o regime encontrou para travar esta tendência é partir para a intolerância política contra os membros do partido  e o exemplo flagrante que apresenta é a tentativa de assassinato que ele próprio diz ter sido alvo, mas que não vai dar em nada.

"Não vai dar em nada por uma simples razão: estão envolvidas instituições e pessoas poderosas como a Casa Militar da Presidência da República que deu o carro ao agente dos serviços secretos que tentou me matar”, disse.

“Temos um regime autoritário, não democrático onde a justiça subordina-se ao poder executivo”, acrescentou Chiaka para depois interrogar:  “Como posso acreditar nesta justiça"

Chiaka disse estar convencido que o seu partido vai vencer as eleições de 2017 e assegura que é a única maneira do sofrimento do povo angolano terminar.

Angola: A “MAGIA” DO OGE 2015



Reginaldo Silva – Rede Angola, opinião

Já há muitos anos que não víamos o Governo entrar e sair da Assembleia Nacional com um OGE aprovado, tão pouco consistente com a realidade que se anuncia para os primeiros meses do novo ano.

Efectivamente 2015 já nos está a bater à porta, quando pouco mais de duas semanas nos separam do inicio do próximo exercício fiscal que de facto pode vir a entrar para a história, como tendo sido um dos mais complicados de todos os tempos.

O “mais” aqui deve ser devidamente destacado e valorizado para se perceber bem do que estamos a falar.

Isto porque, os exercícios anteriores, mesmos aqueles que têm sido feitos em tempos de “vacas gordas”, com o preço do barril bem lá em cima, nunca foram pacíficos do ponto de vista das queixas, reclamações e críticas, com a dívida pública sempre a subir.

Em abono da verdade, mesmo quando o pão abunda, Angola é sempre a imagem daquela casa onde todos continuam a ralhar, restando apenas saber quem é que tem razão, sobretudo quando a maka se instala entre devedores e credores.

Curiosamente é nestas alturas de abundância, que, proporcionalmente, mais queixas se ouvem nos bastidores, onde se movimentam os protagonistas de uma estranha peça teatral, na qual os credores por vezes viram devedores.

Pelo que consta, os primeiros são mesmo obrigados pelos segundos a pagar uma “taxa de circulação” negociada na hora, se quiserem ser ressarcidos o mais rapidamente possível.

É pegar ou largar!

Qualquer coincidência desta peça com a realidade pode ser a mais pura verdade, pelo que também todos os anos ouvimos aqueles sintomáticos apelos a uma gestão mais transparente e parcimoniosa do erário, dirigida especialmente aos gestores e aos decisores.

São, claramente, apelos que nos fazem lembrar um bocado a pretensão de se ensinar o “padre nosso ao Vigário”.

Este ano, por força da conjuntura, o referido apelo ainda está a ser mais audível e visível, ao ponto do representante da Fazenda Nacional ter colocado num sitio que todos consultam um “sério aviso à navegação”.

As aspas nesta seriedade compreendem-se facilmente, pois o gato escaldado até da água fria tem medo.

Imaginemos pois o que será a execução deste próximo OGE que entrou para a secretaria da Assembleia com o barril a 80 e saiu de lá, com ele já a valer mais ou menos 60, que é o preço negociado nesta altura para a vendas a serem feitas em Fevereiro de 2015.

Mesmo assim e com toda a gente a saber que a tendência do mercado era exactamente essa, isto é, para o completo afundanço, o OGE tal como entrou, saiu – incólume e intocável.

Ninguém na soberana Assembleia conseguiu mexer numa só vírgula dos seus triliões e das suas projecções, com a magnitude do défice e do endividamento a chamar a atenção dos mais atentos pelas suas consequências.

Esta realidade que não é de hoje nem de ontem, que já é mais ou menos histórica, levou um dos deputados da Oposição a socorrer-se da sua veia humorística para se interrogar sobre qual é coisa qual é ela que sai sempre tal como entra.

A resposta dada pelo mesmo parlamentar foi o OGE angolano, embora lá fora também aconteça a mesma coisa, sempre que os governos tenham a confortável maioria absoluta.

Por isso é que os partidos que querem governar estão sempre a pedi-la, a tal maioria, para depois quando estiverem no “poleiro”, não terem de fazer novas contas à proposta inicial, o que é sempre uma grande “chatice”.

Em tempo de Natal, há talvez ainda que acreditar em milagres, época propícia para se dar largas a este tipo de fé mais cristã, em que agora todos os conhecidos ateus de um passado recente, dos tempos do materialismo histórico, se converteram, depois de terem andado uns largos anos a ler e a tentar aplicar outras cartilhas mais “científicas”.

Foi com esta fé natalícia na imprevisibilidade/generosidade do mercado internacional, que a maioria absoluta viabilizou o OGE-2015, tal como ele entrou, sem lhe mexer praticamente em nada.

Como sempre se tem feito, e para não dizerem que o Parlamento é apenas um corredor por onde o Governo passa sem olhar para o lado, lá foram aprovadas mais algumas dezenas de recomendações, não nos tendo sido possível saber em concreto se as outras do debate anterior vêm ou não reflectidas no OGE que acaba de ser adoptado.

Temos assim o país com um Orçamento algo mágico, pois diante dos factos e das tendências, só mesmo outras artes menos objectivas poderão fazer-nos acreditar na possibilidade do mesmo vir a ser executado tal como ele está desenhado.

Seja como for, e continuando a acreditar nesta possibilidade, achamos que é altura do principal “prestidigitador” responsável por este envelope pensar em tirar da cartola alguns “coelhos” que não são assim tão mágicos, pois eles têm uma existência real.

Estamos a falar do dinheiro público que anda por aí a passear-se em vários fundos soberanos ou não, incluindo os da segurança social.

Com estes “coelhos” fora da cartola, já acredito um pouco mais na possibilidade de virmos a ter um exercício fiscal menos complicado.

Angola: LUANDENSES PODEM PASSAR O NATAL SEM ÁGUA




Trabalhadores da única empresa de distribuição de água de Luanda entram em greve e exigem melhores condições de trabalho.

Domingos Bento – Rede Angola

A partir da próxima segunda-feira, 22, os trabalhadores da EPAL, empresa responsável pelo fornecimento de água de Luanda, vão paralisar as suas actividades. A informação foi tornada pública ontem pelo sindicato dos trabalhadores que se diz agastado com algumas irregularidades que se vive dentro daquela instituição pública. De acordo com o sindicato, o baixo salário e as péssimas condições de trabalho estão na base da greve que vai juntar a maior parte dos funcionários da empresa. Assim, estarão paralisadas as estações de distribuição de água do Casseque, Luanda Sudeste e do Kikuxi por um período indeterminado.

O sindicato fez saber que, em Janeiro do ano em curso, entregou à empresa um caderno reivindicativo onde constam todas as preocupações que inquietam os funcionários. Mas até ao momento a entidade empregadora não manifestou nenhum interesse em solucionar os problemas.

De acordo ainda com o organismo que defende os empregados, as condições de trabalho são bastante precárias, a começar pelos meios de transporte, que na sua maioria estão avariados. Por outro lado, a política de assistência médica aos funcionários são ineficientes, o que obriga o pessoal a recorrer aos hospitais públicos quando estão doentes. Outra das grandes preocupações prende-se com os sucessivos atrasos e o baixo salário, falta de meios de segurança de trabalho e o não pagamento da reforma a trabalhadores com mais de trinta anos de actividade.

Em entrevista ao Rede Angola, o porta-voz da EPAL, Domingos Paciência, fez saber que, apesar da comunicação da greve, a empresa tem a responsabilidade de assegurar o fornecimento de água na cidade capital, pelo que não há motivos para grandes preocupações. Segundo o responsável, a greve não vai afectar os serviços básicos. E à semelhança das outras paralisações, está salvaguardada a distribuição normal de água a todos os clientes.

“As pessoas podem ficar descansadas porque é uma informação que o sindicato passou e o que nós podemos dizer é que a água está garantida. Relativamente as condições que eles exigem, a direcção da empresa nunca deu as costas às conversações”, afirmou.

Esta é a segunda greve que acontece naquela empresa há menos de um ano. Em 2013, depois de verem esgotadas todas as negociações, os trabalhadores também haviam paralisado os trabalhos. Foram mais de dez dias de interrupção que criou grandes dificuldades à vida dos luandeses que se viram privados do fornecimento de água. Na altura, Leonídio Ceita, presidente do Conselho de Administração da EPAL, havia dito que a greve era resultado de “má-fé”, porque a empresa havia atendido as reivindicações dos trabalhadores e que, durante as conversações, os responsáveis sindicalistas não mostraram vontade de ouvir o Conselho de Administração sobre o cumprimento das exigências constantes no caderno reivindicativo.

Angola: É PROIBIDO ESTAGNAR



Jornal de Angola, editorial - 17 de Dezembro, 2014

Caminhamos para o final do ano, e é tempo das instituições dos diferentes sectores de actividade produtiva fazerem balanços das suas actividades  ao longo dos 12 meses. Quem produz, quem cria, lança e executa projectos põe o país a andar para a frente, corre sempre o risco de errar.

Só não erra quem nada faz ou fica de fora, quase sempre fazendo críticas fundadas no atrevimento de quem nunca fez nada de útil.

Por isso,  fazer balanços é um exercício necessário e indispensável, até porque eles nos obrigam à reflexão  sobre  os  aspectos positivos e negativos da nossa actividade. O que está bem pode ser melhorado, o que está errado é corrigido. Os erros muitas vezes ajudam a crescer.

Os balanços devem conter uma avaliação real do nosso desempenho, não devendo haver hesitações quanto à indicação dos erros cometidos ou de eventuais  incumprimentos. Somos um país em reconstrução com muitos problemas por resolver, pelo que temos de ter uma atitude  exemplar perante  o trabalho. Uma Nação como a nossa, que viveu uma guerra  durante mais de duas décadas e que  tem de reconstruir tudo, até as mentalidades, precisa de todos os seus filhos  para construir uma sociedade em que cada um possa viver com dignidade.

Os problemas , por mais complexos que sejam, podem ser superados se todos estivermos comprometidos com o cumprimento dos nossos deveres laborais. É difícil a caminhada que nos vai conduzir ao desenvolvimento. Mas não temos outra alternativa. Só o trabalho nos proporciona  uma vida  digna. Temos de ter consciência de que nada do que temos e conquistámos foi obra do acaso. Mas também tudo o que queremos depende de nós a sua obtenção.

Os anos vão passando e vamos sentindo que muita coisa  já se fez  para  retirar o país da situação em que se encontrava  até 2002, quando alcançámos a paz que perdura até ao momento e que nos tem permitido fazer de Angola um lugar bom para se viver.

Os angolanos  têm a oportunidade de, em tempo de paz, mostrar que em  condições de estabilidade são capazes de realizar obras grandiosas, em todo o território nacional. Por todo o lado há a grande preocupação de fazer mudanças  efectivas, nos diferentes sectores da vida nacional. Por tudo quanto falta ainda fazer em prol do progresso é proibido parar. Ou estagnar. É proibido parar, quando temos campos férteis e extensos para lavrar. É proibido parar , quando temos de edificar fábricas para dar emprego a milhares de jovens. É proibido parar, quando precisamos de boas escolas eficientes, com professores de elevada qualidade. É proibido parar quando temos de pôr todas as crianças a estudar. É proibido parar quando temos de  criar empresas para fazer crescer a economia. É proibido parar, quando temos de educar as comunidades dentro de valores de justiça, da solidariedade, do amor ao próximo, do respeito pela vida humana.

As tarefas são múltiplas e complexas, mas Angola está em constante movimento, traduzido no esforço  que se empreende nas cidades e no mundo rural. O sentido é único: garantir qualidade de vida a todos os angolanos. O ano de 2015 pode significar o arranque  da produção de bens e serviços, no quadro da diversificação da economia, um processo incontornável, tendo em conta  a necessidade de acabarmos com a dependência do petróleo. É tempo de apostar noutros recursos que a natureza generosamente nos deu, para  podermos enfrentar os problemas económicos. A diversificação permite-nos  ter várias opções, evitando os apertos quando os recursos financeiros , que são sempre escassos, se tornam ainda mais reduzidos. É importante encararmos a diversificação da economia como uma via que nos pode ajudar nas conjunturas económicas menos favoráveis a fazer face  aos problemas.   

Dos balanços que forem feitos no final  deste ano vai ser possível definir perspectivas que apontem para a diversificação  da economia. A experiência dos empresários  angolanos é chamada a desempenhar um papel importante na revitalização de  sectores produtivos ainda adormecidos, mas que podem  ser de grande valia se existirem infraestruturas  de apoio e recursos  humanos.

É certo que muitos resultados da diversificação económica só vão surgir a médio ou longo prazo. Mas se lançarmos  já as bases, o processo caminha seguramente para os objectivos que pretendemos atingir.  Também temos que aprender com as experiências de outros países que passaram  por situações idênticas às nossas, até para não insistirmos nos erros por eles já cometidos. O ano vai terminar dentro de alguns dias e precisamos de novas forças para  novos desafios. O país precisa  da  dedicação de todos. É preciso  que  a cada ano que passa, façamos sempre mais e melhor.

Moçambique: CHUVA MATA CINCO PESSOAS EM MAPUTO



Verdade (mz) - Tema de Fundo

A chuva que caiu entre a noite segunda-feira (15) e a manhã de terça-feira (16) causou cinco óbitos, igual número de casas desabadas e dezenas de famílias desalojadas nos distritos municipais da capital moçambicana, dos quais os de KaMaxaquene e KaMubukwana foram os mais afectados, segundo Nurbai Calu, vereadora para área da Saúde e Acção Social no Conselho Municipal de Maputo.

A vereadora disse que esta informação é preliminar porque ainda decorre o levantamento dos danos e na época chuvosa 2014-2015 nenhuma família cuja casa foi destruída ou alaga será albergada nos centros de reassentamento que existem há anos, devido à falta de condições de saneamento adequado, o que poderia causar doenças. Como alternativa, as vítimas das chuvas serão acolhidas pelos vizinhos ou parentes.

Nurbai Calu considera que o importante é que as pessoas que perderam as suas casas estejam bem de saúde e abrigadas. As questões relativas à reconstrução das habitações serão debatidas mais tarde porque os casos devem ser tratados um a um. "O apoio para as famílias que perderam suas residências será tratado no seu devido tempo e a ajuda para a reconstrução das casas irá variar de caso para caso", realçou a vereadora.

Apelamos aos nossos leitores, que estejam nas províncias sob alerta de mau tempo que nos reportem os problemas causados pelas chuvas e ventos fortes que presenciarem: SMS 90440 (texto) Whatsapp 843998634 (texto, foto ou vídeo) Emailaverdademz@gmail.com (texto, foto ou vídeo).

Moçambique: VÃO MORRER À ESPERA…



Verdade (mz) - Editorial

Em poucas horas, entre a noite da última segunda-feira e a manhã de terça-feira, os problemas de falta de projectos de engenharia e consistência das construções públicas e privadas, na cidade de Maputo, mormente na periferia, foram, mais uma vez, expostos pela chuva. E, certamente, nenhuma lição se tira desta situação, nem por parte das autoridades nem das vítimas. Aqueles com quem celebramos o “contrato social” fingem que não ouvem os gritos atroadores de pedidos de socorro.

As mesmas vias públicas, as mesmas machambas, as mesmas casas e as mesmas escolas que há meses foram submersas pela água da precipitação voltaram a ficar alagadas, tendo-se agravado o estado precário em que se encontravam. O cenário repete-se anualmente. Do lado dos citadinos, indigna-nos a relutância de permanecerem nos mesmos lugares nos dias de chuva. Nada aprendem com o sofrimento das épocas chuvosas passadas. Os riscos que corremos viram uma maneira de viver plasmada no dia-a-dia das comunidades.

Apesar de as autoridades que tratam dos fenómenos atmosféricos e das suas leis, com vista à previsão do tempo avisarem, sempre, que a chuva vai cair e poderá causar “excesso” de água ou inundações, as vítimas permanecem nos mesmos lugares e ficam à espera de serem evacuadas. O povo espera melhores práticas por parte do Governo nesse sentido mas este já provou a sua incapacidade para tal. É preciso, por iniciativa própria, fugir das zonas de risco para não se depender dos planos de contingência de uma autoridade que não consegue, sequer, atribuir um talhão devidamente demarcado, e até porque os tais programas de contingência nunca foram eficazes para se evitar tragédias.

Não podemos ficar à espera de que o Governo nos procure para nos dizer para onde nos devemos dirigir para escaparmos da fúria das águas. O caminho que nos leva até lá é o mesmo de sempre, mas não se deve nunca retornar à origem. Agir de tal forma é um sinal de cidadania e de maturidade, que não depende de nenhuma autoridade política para surtir efeitos na vida de cada um. As pessoas que ignoram as previsões de tempo do Instituto de Meteorologia e ficam à espera de que o município ou o INGC, por exemplo, lhes indique onde se devem refugiar arriscam-se a morrer por negligência, aguardando por uma salvação que talvez nunca chegue.

O Governo, a quem tanto se pede uma vida digna e um saneamento do meio com qualidade, tem o dever de garantir tais condições para todos, mas entre o que se promete fazer e a realidade existe uma distância abismal capaz de endoidecer qualquer um. Se as pessoas abandonassem as zonas de risco enquanto cedo e não ficassem à espera de soluções milagrosas, as lamentações em torno de vidas humanas jamais fariam sentido. Não se pode ficar levianamente à espera de que o Executivo distribua talhões ou casas até porque estes não chegariam para todos.

Timor-Leste: Infraestruturas básicas necessárias para o desenvolvimento turístico



19 de Dezembro de 2014

Vice-ministro Fernando La Sama de Araújo disse que o desenvolvimento do turismo só realizar-se-á com as infraestruturas básicas necessárias, como as estradas, que levarão os turistas a deslocarem-se aos distritos, segundo o Suara Timor Lorosae.

"O turismo não se desenvolve sozinho se as estradas não estiverem boas. É necessário que os Ministérios trabalhem em cooperação para desenvolver o sector do turismo atraindo os turistas para trazer receitas para o país", disse La Sama de Araújo.

No ano de 2015, está destinado um orçamento para infraestruras como estradas, aeroporto e porto para atrair os turistas para o país.

O Ministério do Turismo não pode trabalhar sozinho no desenvolvimento da sua área, tem que cooperar com outros ministérios no futuro, disse La Sama de Araújo.

Joaquim dos Santos, da bancada do partido da Fretilin, considerou que o Ministério do Turismo poderá dar um grande apoio nas receitas.

"Até hoje não se sabe quanto é que o ministério do turismo produziu e qual vai ser a sua contribuição no projecto da Zona de Economia Especial e Social de Mercado. O sector do turismo pode ajudar nas receitas do Estado, no entanto, ainda não se sentiu que tenha produzido receitas. É preciso desenvolver o potencial dos locais para o turismo, principalmente os da história da resistência", disse Joaquim dos Santos.

A deputada da bancada da CNRT, Bendita Moniz Magno pediu igualmente ao Ministério do turismo que desenvolva a sua área com o objectivo de atrair os turistas.

O Ministro do Turismo Francisco Lay disse que o seu ministério não conseguirá desenvolver o turismo no país se não tiver as infraestruturas básicas necessárias. O mesmo disse que é preciso criar as condições básicas, desde a electricidade, o fornecimento da água para atrair os turistas.

No ano de 2014, as receitas do seu ministério foram de 1.200.000$US e os turistas que visitaram o país foram um total de 45000.

SAPO TL com STL - Foto: Epifânio Sarmento, Sapo TL

"As raizes da crise na China capitalista" – Uma tese polémica



Miguel Urbano Rodrigues

Desmontar "peça a peça essa mentira desavergonhada, mostrar à China, que se mascara com coqueteria de marxismo, de socialismo e comunismo, o seu verdadeiro rosto de Górgona estatista e capitalista, e isso desde o início" – é o objetivo de um livro que está a gerar compreensível polémica em França.

Ao contrário do que se poderia crer por essa afirmação, a autora, Mylène Gaulard não é anticomunista.

Assumindo-se pelo contrário como marxista, é nessa condição, recorrendo ao pensamento, ao método e à obra de Marx que essa jovem francesa, professora da Universidade de Grenoble, afirma que "a direção do país (a China) pelo partido comunista nunca empreendeu, na verdade, uma rutura com o modo de produção capitalista".

As ideias defendidas no doutoramento foram posteriormente retomadas e desenvolvidas num livro [1] que tem sido tema de interessantes debates.

"É inegável que um país no qual o salariado continua em vigor, separando os trabalhadores e os seus meios de produção – escreve – e no qual se encoraja um processo de produção baseado nesse salariado e no fosso crescente entre o valor gerado pelo trabalho e a remuneração deste, um tal país somente pode ser analisado como capitalista".

Enumerando o conjunto das categorias específicas do capitalismo, Mylène afirma que se impõe uma conclusão: "a China é plenamente capitalista".

Refletindo sobre os diferentes modos de produção desde o asiático e o romano ao feudal e ao instaurado pela revolução industrial, a autora nega categoricamente "o caracter comunista da revolução de 1949". Segundo ela, "as elites políticas dos PCC situam-se, num país onde a grande maioria da população é rural, mais no acompanhamento da lógica da burguesia ascendente do que numa oposição frontal a esta".

No desenvolvimento da sua tese sublinha que "a adesão massiva dos funcionários do Kuomitang ao Partido garantiu o controlo de um aparelho de estado já fortemente burocrático". E lembra que a quase totalidade dos militares de Chiang Kai-Shek, incluindo generais, aderiu ao novo Estado.

Segundo "a interpretação do governo chinês – afirma Mylène – a bandeira da Republica Popular da China é, aliás, identificada por um fundo vermelho que simboliza a revolução e cinco estrelas amarelas que representam a união do Partido Comunista com as quatro classes sociais do país, os trabalhadores proletários, os camponeses, a pequena burguesia (comerciantes) e os capitalistas patriotas".

O próprio Leu Shaoqui, logo apos a vitória da revolução, criticou "os camaradas que, a arrepio do bom senso, querem atacar a burguesia" e condenou "os instintos destruidores de um proletariado de hooligans".

Grande parte do livro é dedicada ao estudo da atual estrutura de classes na China, nomeadamente à nova classe média, ao papel do Estado e do Partido Comunista, e a temas económicos.

Na opinião da autora, "o desenvolvimento da burguesia chinesa tinha já tinha sido tão encorajado pelo Estado que este último podia retirar-se progressivamente da esfera da produção, para ceder o lugar a essa nova classe dominante".

Recorrendo amplamente a estatísticas oficiais, informa que a participação do Estado no PIB, que era de 31,2% em l978 caiu para 18% em 2012.

Sublinhando que, apesar da redução da pobreza ter diminuído, a desigualdade social aumenta em vez de decrescer, alerta para o fato de a maioria dos bens de consumo duráveis serem somente acessíveis a 100 milhões de pessoas, numa população total de 1300 milhões.

Os salários aumentaram mais do que a produtividade nos últimos quinze anos, mas as elevadas taxas de crescimento da economia que guindaram o país a primeiro exportador mundial somente são possíveis porque o custo da mão-de-obra é ainda baixíssimo, comparativamente aos EUA e aos países da União Europeia.

Citando Marx, Lenin e Rosa Luxemburgo a propósito das consequências dos fenómenos de superprodução, reflete sobre os êxitos da indústria chinesa e as suas fragilidades.

A China, salienta, é responsável atualmente por 85% da produção mundial de tratores, de 75% dos relógios, de 70% dos brinquedos, de 55% das camaras fotográficas, mas a produtividade está em declínio apesar do enorme aumento da taxa de investimento (48% do PIB em 2012). A participação das empresas estatais na produção industrial que atingia 80% em 1979 não ultrapassava 35% em 2012. Somente os EUA têm hoje mais bilionários, alguns membros do Comité Central do Partido.

Um capítulo inteiro é dedicado à baixa da taxa de lucro e à inquietante bolha imobiliária.

Mylène, ao analisar esses fenómenos, conclui que as causas das crises cíclicas do capitalismo são já identificáveis na China cujos fundos de investimento figuram entre os mais importantes do mundo.

Graças aos seus colossais excedentes comerciais, a China possui as maiores reservas cambiais do mundo, avaliadas em 3 240 mil milhões de dólares, grande parte em Títulos do Tesouro dos EUA. Tamanha acumulação de capital é perigosa se permanecer entesourada. Dai os recentes e gigantescos investimentos chineses em África, na América Latina, no Sudeste Asiático, na Europa e nos EUA.

Essa pujança financeira não oculta, na opinião de Mylène, as debilidades de uma economia ameaçada por atividades especulativas, pela corrupção e pelo crescimento desmesurado do setor imobiliário.

Desde a "tomada do Poder pelo Partido Comunista – enfatiza – o aparelho produtivo chinês caracteriza-se pela sua forte intensidade capitalística, cavando um fosso cada vez maior entre os sectores mais modernos da economia e os mais tradicionais (…) A economia chinesa depende alem disso de maneira dramaticamente crescente dos seus mercados exteriores e não de uma demanda interior que contínua insuficiente, e isso torna-a muito sensível às flutuações económicas internacionais".

A autora encara o futuro do país a medio prazo sem otimismo.

Vê a China cada vez mais integrada no sistema global do capitalismo onde "nada ocorre por acaso e menos ainda pela livre vontade dos indivíduos ou dos Estados". É convicção sua que a crise atual "somente pode desembocar num aprofundamento nocivo e nefasto, com a perspetiva de um encadeamento de ciclos mundiais de crises económicas e de guerras cada vez mais destruidoras, as únicas capazes de regenerar o capitalismo (…)"

A conclusão do livro é ingénua, quase romântica. Perante o horizonte sombrio que esboça, Mylène enxerga a saída num "movimento que um dia conduziria à instauração da verdadeira comunidade humana (…)"

Não emito uma opinião sobre a tese central de Mylène Gaulard. Limito-me a chamar a atenção para o seu livro polémico. 

Não tive a oportunidade de visitar a China. Acompanho de longe, com absorvente interesse, as suas transformações e o seu rumo, marcado por guinadas imprevisíveis.

Como comunista, identifico no socialismo científico, criado por Marx e Engels, a alternativa para o capitalismo, o sistema que conduz à barbárie.

Não vejo futuro para o chamado socialismo de mercado.

O livro de Mylène Gaulard trouxe-me à memória a teoria da "lógica difusa" concebida por Loffy Zadek (nascido cidadão soviético em Baku em 1921) hoje amplamente utilizada no desenho de toda a aparelhagem e sistemas. A realidade difere da visão que dela tinha Aristóteles. Para Zadek a realidade é difusa e dialéctica, e quer máquinas quer sistemas funcionam como o mundo, são parte dele à semelhança da natureza e de nós mesmos.

Como lembra o meu amigo e camarada Rui Rosa, a lógica difusa apresenta pontos de contacto com o materialismo dialéctico e o budismo. Essa proximidade, creio, estará presente na brumosa tese de Mylèle Gaulart.

A China aparece-me como o país do imprevisível. Evito criticá-la porque os seus interesses nacionais, independentemente da ideologia, são incompatíveis com os dos EUA. A confrontação entre Washington e Pequim é inevitável. E para mim o imperialismo estado-unidense é o grande inimigo da humanidade. 

[1] Mylène Gaulard, Karl Marx à Pekin – Les Racines de la Crise en Chine Capitaliste, Editions Demopolis, 260 p., Paris, 2014

Esta resenha encontra-se em http://resistir.info/ 

FUNDO DE MIL MILHÕES DA CHINA AVALIA MAIS DE DEZ PROJETOS LUSÓFONOS




Macau, China, 19 dez (Lusa) -- Dez projetos lusófonos candidatos ao fundo de mil milhões de dólares da China estão a ser atualmente avaliados, depois de um de Angola ter obtido "luz verde", disse o secretário para a Economia e Finanças de Macau.

"Já foi aprovado o financiamento do projeto proveniente de Angola sobre a produção de suportes de fios elétricos e tubos, estando a ser avaliados mais de dez projetos apresentados por outros países lusófonos", afirmou, Francis Tam, em resposta escrita à agência Lusa, num balanço dos 15 anos da Região Administrativa Especial, em que destaca designadamente o papel de Macau como plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

Ativado no final de junho de 2013, o fundo aprovou, pelo menos segundo as informações divulgadas, o financiamento de apenas dois projetos: um proveniente da Angola e um chinês para Moçambique.

A assinatura do primeiro projeto financiado pelo fundo teve lugar em novembro de 2013 em Macau, lugar, onde, aliás, três anos antes, o então primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, o anunciou durante a terceira conferência ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

Um projeto agrícola em Moçambique, da empresa chinesa Wanbao, foi o primeiro a obter financiamento do fundo, criado oficialmente em junho de 2013 por iniciativa conjunta do Banco de Desenvolvimento da China e do Fundo de Desenvolvimento Industrial e de Comercialização de Macau.

Avaliado em aproximadamente 200 milhões de dólares, o projeto, na região do baixo Limpopo, perto da cidade de Xai-Xai, obteve "luz verde" do fundo que contribuiu com apenas dez milhões.

O Fundo de Cooperação para o Desenvolvimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa, de 1.000 milhões de dólares (800 mil milhões de euros), tem como objetivo apoiar as empresas do interior da China e de Macau no investimento nos países de língua portuguesa e atrair o de lusófonas na China.

DM // PJA

Presidente chinês pede "preparação para os riscos do futuro" em visita a Macau




Macau, China, 19 dez (Lusa) - O Presidente chinês, Xi Jinping, pediu hoje "preparação para os riscos do futuro" em Macau, durante uma visita ao território, onde preside sábado à cerimónia de tomada de posse do novo Governo.

"Temos de fazer uma preparação para os riscos no futuro e para enfrentar novos desafios. Precisamos de determinação para resolver as questões mais profundas e as dificuldades para obter melhores resultados. É preciso fazer o trabalho e não deixar os problemas [para trás] ", disse o chefe de Estado chinês perante uma audiência de cerca de 150 pessoas.

Xi Jinping foi recebido hoje na Nave Desportiva dos Jogos da Ásia Oriental pelo chefe do Executivo, Chui Sai On, pela atual equipa governativa e pelos novos secretários do governo local, pelos membros do conselho executivo, deputados da Assembleia Legislativa, representantes de Macau na Assembleia Popular Nacional e na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, entre outros.

O Presidente chinês lançou um apelo à população de Macau para que apoie Chui Sai On e dê "algum tempo" à nova equipa, que toma posse no sábado, "para se adaptar aos novos postos".

Xi Jinping salientou ainda a importância da "solidariedade", uma "excelente tradição" que, disse, quer ver promovida junto das gerações mais jovens.

ISG // JMR

ATIVISTAS PRÓ-DEMOCRACIA DE HONG KONG IMPEDIDOS DE ENTRAR EM MACAU




Macau, China, 19 dez (Lusa) -- Catorze ativistas pró-democracia e quatro jornalistas de Hong Kong foram hoje impedidos de entrar em Macau, noticiou a imprensa em língua inglesa da antiga colónia britânica.

Os ativistas pretendiam entregar uma carta a pedir o sufrágio universal ao Presidente chinês, Xi Jinping, que chegou hoje a Macau para as comemorações do 15.º aniversário da transição do território para a China, segundo a Rádio e Televisão Pública de Hong Kong(RTHK).

O grupo de ativistas incluía o líder da Liga dos Sociais-Democratas, Leung Kwok-hung, também conhecido por "Long Hair" (Cabelo Comprido, na tradução livre), e membros do Partido do Poder Popular.

No terminal marítimo, os ativistas entoaram palavras de ordem e abriram guarda-chuvas amarelos -- o símbolo do movimento pró-democracia em Hong Kong.

Segundo o South China Morning Post (SCMP), os 14 ativistas foram barrados à chegada ao terminal marítimo de Macau e enviados para Hong Kong.

Quatro jornalistas do Apple Daily, que planeavam fazer a cobertura da visita do Presidente chinês a Macau viram também negada a sua entrada em Macau.

À chegada a Hong Kong, por volta das 02:15 (06:15 em Lisboa), os ativistas mostraram documentos que indicavam que a sua entrada em Macau tinha sido recusada.

Segundo os documentos, os ativistas foram impedidos de entrar por "fortes indícios" de que iriam tentar realizar atividades que ameaçam a segurança pública de Macau.

FV // VM

Cuba: 'Estamos orgulhosos pelo exemplo que representam', diz Raúl a cubanos libertados



Opera Mundi, São Paulo

Diário oficial do PC de Cuba comemorou retorno dos últimos 3 dos 'Cinco Cubanos' que trabalhavam em operações de contrainteligência nos EUA

Os três agentes do grupo dos "Cinco Cubanos" foram libertados da prisão que estavam na Flórida e chegaram a Cuba. “Estamos orgulhosos de vocês, pela resistência que mostraram, pelo valor e exemplo que representam a todos”, expressou o presidente Raúl Castro ao recebê-los.

O Granma, veículo oficial do Partido Comunista de Cuba, dedicou a manchete da edição desta quinta-feira (18/12) com apenas uma palavra de celebração: “Voltaram!”.

Washington libertou na quarta-feira (17/12) os últimos três cubanos presos nos EUA, acusados de espionagem, em troca da libertação do norte-americano Alan Gross, que cumpria pena de 15 anos na ilha, também por motivos de espionagem.

Gross estava em Cuba, segundo o governo dos EUA, para distribuir equipamentos via satélite com o objetivo de “promover a democracia” no país. Já os cubanos estavam em território norte-americano em operações de contrainteligência. “Estamos muito emocionados, não temos palavras para expressar além de obrigado”, disse um dos cubanos libertados.

“Para mim, a maioria dos cubanos é incrivelmente gentil e generosa. Dói-me saber que eles são tratados do jeito que são por conta da relação entre os dois governos. Dois errados não dão certo”, declarou ontem Gross, poucas horas após ser libertado depois de cinco anos de prisão em Cuba.

Cinco Cubanos

Os “cinco heróis”, como são conhecidos em Cuba, foram presos na Flórida em 1998 e, três anos mais tarde, condenados pela Justiça do país por espionagem e envolvimento no abatimento de dois aviões. O próprio governo cubano reconheceu publicamente que Gerardo Hernández, René González, Tony Guerrero, Fernando González e Ramón Labañino eram agentes do serviço secreto de Cuba infiltrados nos Estados Unidos. Os cinco faziam parte de uma complexa operação batizada como Rede Vespa.

Instalados na Flórida e disfarçados de desertores do regime cubano, o esquadrão de 14 integrantes tinha a tarefa de munir Havana com informações sobre as organizações terroristas anticastristas que operavam no país.

Com o colapso da União Soviética, a ilha comunista do Caribe foi obrigada a assistir à drástica redução do seu orçamento, fortemente dependente das parcerias comerciais com os russos. Diante do período especial, Fidel Castro viu no turismo de luxo uma alternativa viável para afrouxar as contas nacionais e reverter a dramática redução do PIB.

Diante desse quadro, as organizações anticastristas de Miami não deixaram por menos. Criadas por cubanos exilados que fugiram do país após o triunfo da Revolução em 1959, todas elas tinham o objetivo explícito de lutar pelo fim do comunismo cubano e pela queda do líder Fidel Castro. Algumas delas, inclusive, não faziam questão de esconder que apoiavam e financiavam ações terroristas para alcançar o almejado fim.

Uma vez detectada a estratégia de Havana, o alvo dos milionários exilados passou a ser os imponentes resorts do balneário de Varadero, além dos pontos turísticos mais visitados da capital cubana. “A opinião pública precisa saber que é mais seguro fazer turismo na Bósnia-Herzegovina do que em Cuba”, estampavam os folhetos de algumas dessas organizações — que realizavam desde sequestro de aviões e pequenas explosões, até sobrevoos nos quais eram despejados cartazes com propaganda anticomunista pelas avenidas de Havana.

Julgamento

Após anos de operação sigilosa,o serviço de contrainteligência dos EUA acabou detectando a atuação da Rede Vespa e prendeu dez dos agentes cubanos. Metade deles fez acordos com a Justiça norte-americana e, por meio da delação premiada, pegou a pena mínima e ingressou no programa de proteção à testemunha do Departamento de Estado.

Em um longo e controverso julgamento — a cidade de Miami é majoritariamente anticastrista —, os cinco cubanos acabaram condenados pelo júri popular em 2001. Alguns anos mais tarde, Leonard Weinglass advogaria pelos cubanos. Sem sucesso, porém, o “caso dos cinco” somente se acumularia à afamada lista de causas defendidas pelo advogado: a a atriz Jane Fonda, os Panteras Negras e, antes de morrer, o criador do site WikiLeaks, Julian Assange, seu último caso.

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Cuba – Brasil - PORTO DE MARIEL: O QUE TUCANOS E ALIADOS TÊM A DIZER SOBRE ISSO?




O ataque ao financiamento da Odebrecht, na construção do porto, mostrou a pequenez daquele que se apresentava como projeto de estadista.

José Augusto Valente - Carta Maior

A cada dia que passa, fica mais claro o que representavam as candidaturas presidenciais em 2014. De um lado, Dilma com visão de estadista, com protagonismo internacional, com independência em relação aos EUA e com um programa progressista. 

Do outro lado, candidaturas de Aécio e Marina navegando ao sabor de ventos e correntes conservadoras, pensando no imediato, sem visão estratégica, com projeto de dependência aos EUA e com programa conservador e, em alguns casos, reacionário.

Um dos pontos que marcou esse confronto foi o financiamento de empresa brasileira, pelo BNDES, para construção do Porto de Mariel, em Cuba.

Neste vídeo de campanha (clique aqui), que foi ao ar no dia 25/9/2014, Aécio comete duas barbaridades: mentir sobre o financiamento da obra do Porto de Mariel, em Cuba, dizendo que se destinava ao governo cubano, quando o destino era a empresa brasileira Odebrecht; mostrar uma situação de caos portuário brasileiro inexistente, para “justificar” que o governo brasileiro priorize investir aqui e não lá.

O ataque ao financiamento da Odebrecht, na construção do porto, mostrou a pequenez daquele que se apresentava como projeto de estadista. O que estava em jogo, nesse ataque à Dilma, era consolidar sua posição com a direita conservadora que consegue ser mais realista do que o rei.

Sim, nos EUA, o empresariado quer as relações comerciais com Cuba e elas já ocorrem há tempos. Com o impedimento – para Cuba – de fazer suas trocas comerciais com crédito para pagamento a prazo. Tem que ser tudo à vista, por causa do embargo que, acredito, será suspenso em breve.

Se o empresariado dos EUA é a favor de relações comerciais com Cuba, o que impede então a suspensão do embargo? Pelo que pude apurar, quem não aceita a suspensão é a colônia de cubanos que mora nos EUA, que tem muito voto.

Na banalização ideológica desse tema, Aécio mostrou que não seguiu, sequer, a avaliação da FIESP, que congrega uma boa parte do empresariado brasileiro.

Para fundamentar o que estou escrevendo, ouça (clique aqui) o que disse Thomaz Zanotto, diretor de infraestrutura da Fiesp, em entrevista concedida à Record News. Nesta entrevista, Zanotto explica em detalhes por que o financiamento do BNDES à Odebrecht, para construção do Porto de Mariel, foi um golaço estratégico do Brasil.

Segundo o site da EBC, as obras no Porto de Mariel, tocadas pela Odebrecht, exigiram investimento de US$ 957 milhões, financiado pelo BNDES. Do montante, US$ 682 milhões foram aportados pelo Brasil. Como contrapartida, houve exigência de que pelo menos US$ 802 milhões do total fossem gastos na compra de bens e serviços comprovadamente brasileiros. Isso foi insuficiente para comover o candidato tucano.

A retomada das relações de Cuba com os EUA, estabelecida ontem (17/12/14) pelo presidente Obama, mostra o quanto Lula e Dilma são verdadeiramente estadistas e líderes mundiais e o quanto Aécio não é, nem nunca chegará a ser.

O que se espera, a partir de hoje (18/12), é uma declaração de autocrítica de Aécio e seus aliados, em relação às duras críticas feitas ao apoio do governo brasileiro ao porto cubano de Mariel. Terão grandeza para isso?

(*) José Augusto Valente – especialista em infraestrutura de transporte

Créditos da foto: Arquivo