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sábado, 24 de junho de 2017

KARL MARX, QUEM DIRIA, JÁ PODE VOLTAR



Desigualdade brutal e ataque aos direitos sociais levam até os liberais ilustrados a reconhecer certas teses do filósofo. Mas como atualizá-las, para transformar o mundo de hoje?

Vicenç Navarro | Outras Palavras | Tradução: Inês Castilho

Uma das colunas mais conhecidas da revista semanal The Economist, a Bagehot (que tem como responsável Adrian Wooldridge) publicou, na edição de 13 de maio, um artigo que seria impensável encontrar nas páginas de qualquer revista econômica de orientação igualmente liberal, na Espanha [ou no Brasil].

Sob o título “O momento marxista” e o subtítulo “Os trabalhistas têm razão: Karl Marx tem muito a ensinar aos políticos de hoje”, Bagehot analisa o debate entre o dirigente do Partido Trabalhista do Reino Unido, Jeremy Corbyn, e seu ministro sombra da Economia e Fazenda, o John McDonnell, por um lado, e os dirigentes do Partido Conservador e os jornais conservadores Daily Telegraph e Daily Mail, por outro. Definir esse diálogo como debate é, sem dúvida, excessivamente generoso por parte da coluna Bagehot, pois a resposta dos jornais conservadores e dos dirigentes conservadores aos dirigentes trabalhistas é uma demonização tosca, grosseira e ignorante de Marx e do marxismo, confundindo marxismo com stalinismo, coisa que também acontece constantemente nos maiores meios de comunicação, em sua maioria de orientação conservadora ou neoliberal.

Uma vez descartados os argumentos da direita britânica, a coluna Bagehot passa a discutir o que considera as grandes profecias de Karl Marx (assim as define), para entender o que está acontecendo hoje no mundo capitalista desenvolvido. Conclui que muitas das previsões do velho economista resultaram corretas. Entre elas destaca que:

1. A classe capitalista (que a coluna Bagehot insiste que continua a existir, ainda que não use esse termo para defini-la), a dos proprietários e gestores do grande capital produtivo, está sendo substituída – como anunciou Marx – cada vez mais pelos proprietários e gestores do capital especulativo e financeiro, que Marx (e a coluna Bagehot) consideram parasitários da riqueza criada pelo capital produtivo. Essa classe parasitária é a que, segundo a coluna, domina o mundo do capital, sendo tal situação a maior responsável pelo “abusivo” e “escandaloso” (termo utilizado por Bagehot) crescimento das desigualdades.

Os capitalistas conseguiram cada vez mais benefícios, à custa de todos os demais. Para demonstrá-lo, o colunista do The Economist assinala que, enquanto em 1980 os executivos-chefes das cem mais importantes empresas britânicas tinham rendimento 25 vezes maior que o do empregado típico de suas empresas, hoje, ganham 130 vezes mais. As equipes dirigentes dessas corporações inflaram sua remuneração às custas de seus empregados, ao receber das empresas pagamentos (além do salário) por meio de ações, aposentadorias especiais e outros privilégios e benefícios. Mais uma vez, Bagehot ressalta que Marx havia previsto o que ocorreu. E mais: a coluna descarta o argumento segundo o qul essas remunerações devam-se às exigências do mercado de talentos, pois a maioria desses salários escandalosos dos executivos foi atribuída por eles mesmos, através de seus contatos nos Comitês Executivos das empresas.

Portugal | DEPOIS DO LUTO



Paulo Tavares | Diário de Notícias | opinião

Estão todos, por fim, onde queriam estar. Livres do luto e disponíveis para um debate político miserável e que mais não é do que o mesmo de sempre. Depois do que se passou nos últimos dias, o país pedia e merecia mais. Entre as inúmeras personagens secundárias, dos dois lados da barricada, que vão multiplicando-se em acusações absurdas e maniqueístas, salva-se a sugestão do PSD, para a criação de uma comissão técnica independente que nos dê as respostas que procuramos. Salva-se igualmente a rapidez com que o governo aceitou a sugestão. Já agora, se mal pergunte, "independente" vai significar exatamente a mesma coisa para governo e oposição? Quem vai escolher os nomes dos técnicos? Vamos ter votações no Parlamento para essas escolhas? Não me parece que seja o caminho, mas enfim.

Seja como for, que venha a comissão. Que seja rápida nas conclusões e que permaneça o mais independente possível. Já dou de barato que haja fogos florestais e que nem sempre seja possível contê-los nos primeiros momentos, ou seja, que alguns fiquem fora de controlo. Há um longo historial de casos semelhantes, com destruição de vastas extensões de floresta, em países com meios de combate bem mais sofisticados e numerosos - Estados Unidos (sobretudo Califórnia), Canadá e Austrália, apenas como exemplo. A grande diferença é que não há registo, nesses casos, de uma lista tão grande de vítimas - mortos ou feridos. Diga-se o que se disser - ou, nesta fase, adivinhe--se o que se adivinhar - sobre as ignições e as condições de propagação do incêndio de Pedrógão Grande, há uma certeza. Em caso algum deviam ter morrido ou ficado feridas pessoas sem qualquer ligação ao combate ao fogo. Por outras palavras, não é aceitável que morram civis.

Voltando à política. Já ouvi autarcas a disputar em direto na rádio o seu quinhão da solidariedade nacional. "Aqui também ardeu!", gritam, com as autárquicas ali ao virar do verão. Também já começou o empurrar da culpa de um lado para o outro. Ainda ontem, em direto numa televisão, outro autarca garantia que a limpeza daquela estrada - a EN236-1 - não era com ele, logo estava descansado. E há de chegar a fase em que a GNR empurra para os bombeiros, e os bombeiros para a coordenação da Proteção Civil, e por aí fora. Por respeito a tudo o que se passou, exigia-se mais ponderação e tranquilidade, sobretudo a quem tem tido acesso aos diversos palcos da comunicação social. 

Foto: Lusa

Stop | SOLIDARIEDADE COM VÍTIMAS DE INCÊNDIOS MOBILIZA PORTUGUESES



“O apoio foi do tamanho do mundo e nós somos pequeninos”. Bombeiros pedem suspensão de entrega de bens

“É um sufoco, é muita coisa. Deixem-nos respirar”. Bombeiros de Pedrógão não estão a conseguir fazer a triagem e apelam para que as pessoas suspendam “por uns dias” a entrega de bens
presidente da Associação de Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande apelou este sábado para que as pessoas suspendam por "alguns dias" a entrega de ajuda.

"É um sufoco. É muita coisa. São toneladas e toneladas de roupa, de sapatos", notou o presidente da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande, Carlos David, pedindo à população para suspender por alguns dias a entrega de ajuda na sequência dos incêndios que provocaram a morte a 64 pessoas.

Segundo Carlos David, a ajuda recebida no quartel dos bombeiros é "demasiada" para esta fase, sendo que, face à quantidade de apoio recebido, ainda não foi possível organizar a operação.

"Não estamos a fazer a triagem, a selecionar a roupa, que tem de se catalogar. Quanto mais chega, menos tempo" há para a seleção, frisou, pedindo às pessoas para deixarem os bombeiros organizarem-se.

"Deixem-nos respirar e organizar. Queremos organizar bem e servir a população, mas temos que ter aqui alguma disciplina. O apoio foi do tamanho do mundo e nós somos pequeninos. Não temos dimensão para isso", disse à agência Lusa Carlos David.

De acordo com o presidente da associação de bombeiros, há pequenos armazéns que estão a ser utilizados para armazenar a ajuda recebida, sendo que há instalações em "stand by" para o caso de ser necessário utilizá-las. Carlos David sublinhou que os bombeiros têm também levado a ajuda a outras corporações e postos de apoio, visto que, neste momento, "não há barreiras, não há concelhos, é toda uma região".

A ajuda, frisou, "está a chegar às juntas" e as juntas estão a distribuir no terreno, vincando que, caso alguém não esteja a receber ajuda, apenas precisa de avisar os bombeiros.

Em causa, os dois grandes incêndio, que provocaram a morte a 64 pessoas e ferimentos a mais de 200, e que deflagraram no dia 17 na região Centro, tendo obrigado à mobilização de mais de dois milhares de operacionais.

Expresso | Foto: Luís Barra | Título PG

NARENDA MODI | De visita a Portugal, primeiro-ministro da Índia expressa condolências



O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, expressou hoje perante o primeiro-ministro português, António Costa, "profundas condolências" pelas vítimas do incêndio de Pedrogão Grande que provocou a morte a 64 pessoas.

Na primeira visita bilateral de um primeiro-ministro indiano a Portugal, Modi expressou "profundadas condolências e solidariedade pelas vítimas dos devastadores incêndios em Portugal na semana passada".

Estas foram as primeiras palavras do chefe do Governo da Índia, na declaração à imprensa conjunta com o primeiro-ministro português, no Palácio das Necessidades, em Lisboa.

Dois grandes incêndios, que provocaram a morte a 64 pessoas e ferimentos a mais de 200, deflagraram no dia 17 na região Centro, tendo obrigado à mobilização de mais de dois milhares de operacionais.

Estes incêndios, que deflagraram nos concelhos de Pedrógão Grande e Góis, consumiram cerca de 53 mil hectares de floresta [o equivalente a 53 mil campos de futebol] e obrigaram à evacuação de dezenas de aldeias.

Após um encontro de mais de trinta minutos e de um almoço entre os dois chefes de Governo e respetivas delegações, foram assinados 11 memorandos de entendimento para a cooperação nas áreas comerciais, da ciência e tecnologia.

Os acordos envolvem a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), a Portugal-India Business Hub, a Universidade do Minho, o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia de Braga e a Fundação para a Ciência e Tecnologia.

O primeiro-ministro indiano encontra-se em Lisboa para uma visita de um dia a Portugal, depois de António Costa ter estado na Índia em janeiro passado.

Na sequência da invasão de Goa por tropas da União Indiana em dezembro de 1961, Portugal e Índia apenas restabeleceram relações diplomáticas após o 25 de Abril de 1974.

Lusa | Notícias ao Minuto | Foto: Reuters

NA RÚSSIA | Portugal goleia por 4 – 0 a Nova Zelândia e está nas meias-finais das Confederações



Golos de Nani, André Silva, Ronaldo e Bernardo Silva carimbaram apuramento.

A tarefa não era complicada mas Portugal goleou para não deixar dúvidas. Apesar de uma entrada algo apática por parte da seleção nacional frente à Nova Zelândia, o resultado volumoso garante o acesso às meias-finais da Taça das Confederações e o primeiro lugar do Grupo A.

Devagar se vai ao longe

Mas vamos ao filme do jogo. Comecemos pelos primeiros 45 minutos. Portugal começou mal o jogo. Pouco esclarecido, pouco coeso e com claras dificuldades nas transições ofensivas perante uma Nova Zelândia que, apesar de eliminada, mostrou-se muito motivada nos primeiros minutos de jogo.

No entanto, Portugal, aos poucos, foi assumindo o comando da partida e aos 32 minutos, depois de uma falta de Woods sobre Danilo na grande área da Nova Zelândia, Ronaldo converteu da melhor maneira uma grande penalidade.

O golo trouxe mais energia à formação lusa que, poucos minutos depois, fez o segundo na sequência de um bom entendimento entre Quaresma e Eliseu, no corredor esquerdo, com o lateral do Benfica a encontrar Bernardo Silva (37') no coração da grande área. O reforço do Manchester City atirou a contar e fez o segundo da partida.

Porém, o médio português acabaria por se lesionar dando o lugar a Pizzi na equipa portuguesa.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

ASSALTO A RAQQA PÕE A DESCOBERTO ARROGÂNCIA DOS ESTADOS UNIDOS E SEUS VASSALOS



Martinho Júnior | Luanda 

1- O assalto a Raqqa está a pôr a descoberto a arrogância dos Estados Unidos e de seus vassalos, em relação ao respeito que a nível internacional deve merecer o estado sírio.

A arrogância é de tal ordem que os Estados Unidos estão-se a implicar num mar de contradições na Ásia, que irão provocar uma sucessão de conflitos em cadeia, num processo que se vai alargando desde o Iémen à Síria, ao Iraque, à Turquia, ao Qatar e ao Afeganistão, entre outros potenciais intervenientes (Israel e Irão).

Na Síria, os Estados Unidos estão a fazer penetrar unidades suas a partir das fronteiras da Jordânia e do Iraque, depois de mover uma linha de logística militar a partir da Itália (Campo Darby – Porto de Livorno – Aqqaba, na Jordânia – Jedah, na Arábia Saudita), em Abril do corrente ano e na sequência dos êxitos em Mossul, contra o Estado Islâmico.

Entre os receptores desse material de guerra, estão os curdos de Rojava (territórios a norte do Eufrates, até à fronteira com a Turquia), cujas linhas da frente tendem a assaltar Raqqa a partir desses territórios situados na margem esquerda do Eufrates.

Há notícias que indicam que Rojava estabeleceu um acordo de cooperação militar por 10 anos com os Estados Unidos, o que aumenta o potencial de desestabilização não só em relação à Síria, mas também em relação à Turquia, ao Iraque e ao Irão.…

Os curdos têm agora, com o material de guerra fornecido pelos Estados Unidos, uma acrescida capacidade ofensiva.

A sul do Eufrates, os curdos dos cantões de Rojava procuram também isolar Raqqa, sem atender que todo esse processo inquinado pelos Estados Unidos, não pode impedir a Síria de, a partir do sudoeste, enveredar pelo assalto à capital do Estado Islâmico na Síria, bem como na tomada de Deir ez Zog (a leste de Raqqa), um assalto que também já começou.

2- Na contradição principal: enquanto a presença de unidades da Rússia, do Irão e do Hezbollah respeitam a soberania síria, os Estados Unidos e a coligação avassalada e apensa, estão na Síria sem qualquer respeito pelo estado sírio, de forma ilegítima e ilegal, desrespeitando por outro lado todo o tipo de convenções internacionais.

Tendo havido alguma espectativa sobre como Rojava iria determinar seu posicionamento, com o recente derrube dum bombardeiro sírio a sudoeste de Raqqa, a confrontação da Síria contra os curdos de Rojava parece levar um caminho inevitável, em função da arrogância estado-unidense na região; os curdos procuraram, ainda que sem sucesso, impedir a recuperação do piloto por parte dos sírios…

A Rússia suspendeu os contactos com a coligação e avisou que a ocidente do Eufrates o espaço aéreo irá ser controlado de forma a qualquer ameaça (drones e aviação) da coligação sujeitar-se a poder ser neutralizada.

A escalada de tensões em torno do assalto a Raqqa está instalada, abrindo uma brecha no sentido principal das acções, de que só o Estado Islâmico pode beneficiar e a responsabilidade dessa brecha recai por inteiro sobre a forma ilegítima, ilegal e errática da actuação dos Estados Unidos, o que comprova que sobre o caos e o terrorismo instalados, os Estados Unidos pretendem a fragmentação da Síria. 

3- As unidades sírias que estão envolvidas no assalto a Raqqa, tiveram de confrontar os curdos no local onde o bombardeiro sírio foi derrubado, a fim de resgatar o piloto (missão já cumprida).

Para o efeito travaram-se duros combates com os curdos de Rojava que em função do apoio estado-unidense se estão a recusar a coordenar os movimentos de tropas na direcção da capital síria do Estado Islâmico.

Por outro lado, as unidades de elite sírias, comandadas pelo general Suhail Hassan, “O Tigre”, já estão a sul de Raqqa e isso vai pôr em causa a tentativa dos curdos se tornarem hegemónicos no assalto, prevendo-se novas confrontações no horizonte entre sírios e curdos, dando alguma folga ao Estado Islâmico, que beneficia de algumas linhas de retirada por parte dos intereses da coligação liderada pelos Estados Unidos.

As próximas semanas são de múltiplas tensões e conflitos, todavía há um dado adquirido: a Síria não está disposta a ver seu territorio desagregar-se e, para tal, está a partir da vantagem da maioria da população síria estar já em territorio por si controlado.

Para além do assalto aos núcleos duros do Estado Islâmico (Raqqa e Deir ez Zog), a Síria começa também a recuperar territórios onde estão instalados alguns dos principais poços de petróleo do país, a nordeste.

Os combates tendem a evoluir das áreas mais densamente povoadas em direcção às periferias menos povoadas e aí a confrontação entre unidades regulares dos sírios contra outras forças (incluindo as unidades dos Estados Unidos), é um risco a considerar a sul, sudeste, leste, norte e nordeste.

Mapas:
Localização dos cantões dos curdos sírios, que compõem o território de Rojava; Confrontação entre a Síria e Rojava, apoiada pelos Estados Unidos; Assédio de Rojava a Raqqa.

A consular (Martinho Júnior):

Outras consultas:
De Camp Darby, des armes US pour la guerre contre la Syrie et le Yémen – http://www.voltairenet.org/article196028.html
El Ejército Sirio Combate contra los Kurdos y la SDF después del Derribo de un Su-22 por EEUU! –https://topeteglz.org/2017/06/18/el-ejercito-sirio-combate-contra-los-kurdos-y-la-sdf-despues-del-derribo-de-un-su-22-por-eeuu/
EEUU y las brigadas kurdas firman un contrato de cooperación militar por 10 años – http://annurtv.com/eeuu-y-las-brigadas-kurdas-firman-un-contrato-de-cooperacion-militar-por-10-anos/

OBRA DE JOMAV | Prisão de “Manecas” é "deplorável" e mostra "medo" do poder guineense



Detenção de Manuel dos Santos ("Manecas") é "deplorável" e demonstra receio que o poder político da Guiné-Bissau tem "até da própria sombra", afirma escritor e jornalista Tony Tcheka.

"A detenção de Manecas Santos é deplorável e motivo de uma enorme indignação. Nenhum cidadão guineense, independentemente das suas razões e questões ideológicas, pode estar tranquilo com uma atitude dessa natureza", sublinhou à agência de notícias Lusa o também vice-presidente da Associação de Escritores da Guiné-Bissau (AEGB).

A detenção na segunda-feira (19.06.) de "Manecas" Santos surgiu na sequência de uma entrevista dada em abril ao jornal português Diário de Notícias, em que o veterano comandante, de naturalidade cabo-verdiana, alertou para a possibilidade, face ao impasse político vigente há cerca de dois anos, de um novo golpe militar na Guiné-Bissau.

O veterano da luta armada pela independência da Guiné-Bissau tinha sido ouvido, há cerca de um mês, pelo Ministério Público, em Bissau, para esclarecer as declarações.

Motivações políticas?

Questionado esta terça-feira (20.06.) pela Lusa, Tony Tcheka, afirmou não ver qualquer outra razão para a detenção de "Manecas" Santos que não "motivações políticas".

A detenção prisional de camarada Comandante Manecas é grande asneira, uma desgraça nacional



GUINÉ-BISSAU

Abdulai Keita* | opinião 

A detenção prisional de camarada Comandante Manecas, um alto oficial das nossas gloriosas FARP na reserva, tendo-se desengajado dessa nossa sociedade castrense sem mácula nenhuma, ao contrário, só com distinções, é uma asneira grande. E pensada no fundo, no fundo, é uma DESGRAÇA NACIONAL. Condenável e a condenar, exigindo a sua libertação imediata, pelas seguintes razões.

1 – Os membros da sociedade castrense de todo o mundo e desde sempre, são cidadãos comuns à partida, como todos os outros cidadãos. Os membros das nossas gloriosas FARP, sobretudo, aqueles da geração de camarada Comandante Manecas, dos anos entre 1963 e 1980 e que sempre se mantiveram firmes na linha originária desta nossa instituição não escapam a esta regra. Uns já nos deixaram e outros ainda encontram-se no nosso seio, estando ainda de vida.

Visto portanto em geral, são cidadãos comuns, mas caraterizados por um elemento particular de destaque das suas vidas. Decidiram ou são os que foram/são chamados a defenderem todos os membros das suas sociedades contra todos os mais feios géneros de ameaças de destruição imediata, particularmente do tipo bélico. Isso, em qualquer momento e sob quaisquer circunstâncias. Tudo sob o empenhamento total e direto das suas vidas.

Por isso é que, os membros da sociedade castrense em todo o mundo, sobretudo quando são elementos dos mais destacados no seu seio, os altos oficiais, tendo cumprido todo o período dos seus serviços sem mácula; portanto, altos oficiais na reserva, são sempre respeitados. Muito respeitados.

Em outras palavras, não podem ser tratados de qualquer maneira. Porque são gente merecedora de grande respeito e honra. E isso se faz e é assim porque beneficia eternamente toda a sociedade. Beneficia toda gente em cada sociedade, em termos da criação permanente e do cultivo de referências benéficas a sua preservação sã no espaço (de imediato) e perpetuação sã no tempo (no futuro).

O camarada Comandante Manecas pertence a esta categoria dos mais destacados altos Oficiais na reserva, das nossas gloriosas FARP. Ele como tantos outros da sua geração que ainda estão de vida, como os camaradas Comandantes Luís Correia,  Lúcio Soares que me vêm agora assim de imediato na memória e que já estão na reserva.

Estes cidadãos nossos, devem e merecem muito respeito e honra, pelo bem da nossa sociedade inteira. Por isso, tratar mal qualquer um deles, tal como no caso aqui in causa, significará sempre, pensado no fundo, no fundo, uma desgraça nacional, e portanto, uma asneira grande, quando perpetrado pelos próprios agentes do nosso poder estatal.

CUBA | Qualquer estratégia para mudar nosso sistema socialista estará condenada ao fracasso



Governo cubano diz que EUA não está em condições de dar lições e que cubanos continuarão firmes na construção de uma nação soberana, independente, socialista, democrática, próspera e sustentável.

Na última sexta-feira (16), o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o cancelamento do acordo firmando, em dezembro de 2014, pelo presidente de Cuba, Raúl Castro, e pelo ex-presidente estadunidense, Barack Obama. Com um discurso típico da guerra fria, o atual mandatário estadunidense ainda reafirmou seu apoio pessoal ao bloqueio contra Cuba, política adotada desde década de 60 e que não foi alterada por Obama.

Cuba reagiu às medidas de Trump dizendo que qualquer estratégia voltada para mudar o sistema político, econômico e social de Cuba estará condenada ao fracasso. Governo cubano ainda disse que EUA não está em condições de dar lições e que cubanos continuarão firmes na construção de uma nação soberana, independente, socialista, democrática, próspera e sustentável.

Leia declaração do governo revolucionário de Cuba sobre as novas medidas de Trump:

Em 16 de Junho de 2017, o presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, num discurso, carregado de uma retórica hostil, que relembrou os tempos da confrontação aberta com nosso país, proferido em um teatro em Miami, anunciou a política do seu governo para Cuba, a qual reverte avanços alcançados nos dois últimos anos, depois que em 17 de dezembro de 2014 os presidentes Raúl Castro Ruz e Barack Obama fizeram pública a decisão de restabelecer as relações diplomáticas e iniciar um processo encaminhado à normalização dos vínculos bilaterais.

BRASIL | Na crise, placas tectônicas se movem



Luciano Siqueira *

Há uma enorme distância entre as necessidades essenciais do povo brasileiro (e os desafios da nação) e as instituições que compõem a República. Distância e desencontro. 

Os chamados Três Poderes literalmente experimentam um processo de contínuo esgarçamento, envoltos em conflitos intestinos e colidentes entre si.

Crise econômica se resolve pela política. Crise complexa, multifacetada - econômico-financeira, social e político-institucional - como a nossa, mais ainda.

Não há saída à margem da política.

O Estado brasileiro é configurado de tal forma que o terreno próprio da política, em âmbito institucional, reside no Parlamento e no Executivo.

Em tese, não cabe às instituições judiciárias, nem ao Ministério Público, nem à Policia Federal, ocuparem esse espaço.

Hoje ocupam - e têm a iniciativa, em conjugação com o "partido" em que se converteu o complexo midiático monopolizado.

MICHEL TEMER CORRUPTO | Polícia Federal acusa Michel Temer de corrupção passiva



Detalhes de relatório foram divulgados. Os investigadores afirmam que Michel Temer aceitou "vantagem indevida" e destacam silêncio de peemedebista

O presidente Michel Temer é acusado de corrupção passiva pela Polícia Federal (PF) no relatório preliminarsobre a investigação envolvendo o peemedebista e seu ex-assessor Rodrigo Rocha Loures. Detalhes do documento apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) foram divulgados nesta terça-feira (20/06).

Segundo a PF, as evidências indicam que o presidente praticou o crime de corrupção passiva. Os investigadores destacaram que foi possível concluir que Temer aceitou "vantagem indevida" por intermédio de Loures.

"Diante do silêncio do Mandatário Maior da Nação e de seu ex-assessor especial, resultam incólumes as evidências que emanam do conjunto informativo formado nestes autos, a indicar, com vigor, a prática de corrupção passiva", afirma o relatório, que foi entregue ao STF na segunda-feira.

O documento destaca que foi dado ao presidente a oportunidade de esclarecer os fatos, mas ele optou pelo silêncio. O peemedebista se recusou a responder as perguntas enviadas por escrito pelos investigadores.

O documento descreve ainda o episódio da mala de propina de 500 mil reais, que beneficiaria Temer, entregue a Loures pelo diretor da JBS Ricardo Saud e ressalta o fato do presidente ter nomeado a Joesley Batista o ex-assessor para intermediar assuntos de interesses da empresa junto ao governo.

A “PRESSTITUTA” INTEGRA A GUERRA PSICOLÓGICA CONTRA A VENEZUELA BOLIVARIANA



Martinho Júnior | Luanda 

1- A “Misión Verdad” em Abril deste ano, publicou uma síntese analítica sobre mais uma tentativa de golpe na Venezuela Bolivariana, que tem o mérito de indicar claramente os mentores da iniciativa, os instrumentos para a levar a cabo e alguns aspectos do seu “modus operandi”.

Em relação aos mentores é indicado o Conselho para as Relações Exteriores (CFR) para a América Latina, financiado pela Fundação Rockefeller e por empresas da órbitra desse clã: a Chevron, a Exxon Mobil, o Citybank e a JP Morgan.

O “think tank” CFR tornou-se responsável, por intermédio do seu Director, O’Neil, por apresentar ao Comité de Relações Exteriores do Senado, todo o plano de acção com vista à provocação do golpe na Venezuela, incluindo as acções sócio-políticas, de guerra psicológica, económicas e financeiras, plano esse que continua a prevalecer no âmbito das políticas dos Estados Unidos nos relacionamentos para com a América Latina, como uma das prioridades ofensivas, de ingerência e de manipulação (a outra é em relação a Cuba).

2- No âmbito da guerra psicológica desencadeada, recorrendo a ementas típicas das “revoluções coloridas” e “primaveras árabes”, a “presstituta” (entenda-se a imprensa prostituída pelos interesses enunciados pela “Misión Verdad” ao nível da aristocracia financeira mundial), mobilizou não só meios nos Estados Unidos (particularmente os habituais meios ligados às oligarquias das comunidades hispânicas residentes), como também meios dispersos por toda a América Latina (sob controlo das mais retrógradas das suas “empedernidas” oligarquias agenciadas de longa data por Washington), assim como de meios no espaço da União Europeia, particularmente na Península Ibérica, em Portugal como em Espanha.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

A ECONOMIA POLÍTICA E O GRANDE SALTO ATRÁS



Os banqueiros dominam a produção, controlam os palácios, não pagam impostos. As sociedades tornam-se impotentes. A democracia reduz-se a ficção. Diante da crise da modernidade, o neoliberalismo propõe marcha à ré

Luis Casado, Politika | Outras Palavras | Tradução: Inês Castilho | Imagem: Alamy Shutterstock, The Economist

A gruta de Lascaux (Dordogne, França) possui uma das mais impressionantes amostras de arte rupestre do Paleolítico. Em 80 a 90 metros de comprimento, foram classificadas 1.963 unidades gráficas entre pinturas e gravações, 915 das quais são de animais. Ao lado de Altamira (Cantabria, Espanha) e Chauvet (Ardèche, França), ela constitui o que os entendidos chamam de Capelas Sistinas da arte pré-histórica, ainda que as imagens não mostrem nenhum querubim.

Apesar de Lascaux não ter as atrações ou a variedade de um shopping e, diga-se o que quiser, não ser tão emocionante como a Eurodisney ou o final da Liga dos Campeões, até 1955 recebia mais de 1.200 visitantes por dia. O dióxido de carbono produzido pelos turistas começou a danificar as obras que o Homo sapiens sapiens pintou há uns 15 a 18 mil anos, de modo que, para garantir sua preservação, a gruta de Lascaux foi fechada ao público em 1963: triste fim de uma oportunidade de negócio.

Conta-se que Picasso esteve entre os privilegiados que chegaram a visitar Lascaux. Ao sair, os jornalistas perguntaram sua opinião. O pintor, impressionado pelo que havia visto, declarou: “não inventamos nada”.

Nem o abuso de criatividade de Picasso, que no seu auge pintava de diferentes maneiras, sem jamais satisfazer-se com o resultado, conseguiu superar as técnicas e a arte que praticaram os cro-Magnons do Paleolítico.

Por isso, entre outras razões, não me surpreendeu que Bernard Maris assegurasse, num de seus livros, que a Teologia e a Economia não descobriram nada nos últimos séculos. Questão de fé, há mais de dois mil anos é a mesma cantilena: o padre, o filho e o espírito santo. Amém. Por sua vez, quando perguntavam a Milton Friedman, “O que há de novo?”, Milton, que era um gozador, respondia “Adam Smith” — e morria de rir.

TIMOR-LESTE | PR pede respeito e ambiente de paz e estabilidade para voto de 22 julho



O Presidente da República de Timor-Leste apelou ontem aos eleitores que votem com responsabilidade e ajudem a garantir que a campanha para as eleições de 22 de julho, que começa terça-feira, decorre num ambiente de respeito, paz e estabilidade.

"A todos os cidadãos apelo a que votem com sentido de responsabilidade e respeito. Participem no processo de campanha para ajudar a esclarecer o povo timorense. O voto é muito importante para o país", afirmou Francisco Guterres Lu-Olo numa mensagem em vídeo.

"As forças de segurança garantirão a segurança. Sei que o povo votará com sentido de responsabilidade", afirmou.

Numa mensagem transmitida na página da Presidência da República no Facebook, Francisco Guterres Lu-Olo dirige-se ao "povo de Timor-Leste" para recordar a responsabilidade de todos em eleger um Governo que terá a responsabilidade de conduzir a vida do país.

"São 21 forças políticas que correram para ter o vosso voto de confiança a 22 de julho. Uma corrida normal no sistema multipartidário e democrático que temos em Timor-Leste e onde não cabe a violência", disse.


"Peço-vos a todos que não profiram ou escrevam palavras que atinjam a dignidade dos outros. Que falem sempre respeitando os outros e as suas ideias", afirmou ainda.
O objetivo, disse Lu-Olo, é levar a cabo uma eleição "livre e democrática" em que "não haja violência organizada, sem conflito, num ambiente de paz e estabilidade".

Lu-Olo recordou que os líderes dos partidos "já assinaram a 16 de junho no Palácio do Presidente um compromisso de garantir a paz e a estabilidade" e apelou "a todos os militantes e simpatizantes dos partidos para que honrem esse compromisso".

Os eleitores timorenses escolhem a 22 de julho os 65 membros do Parlamento Nacional, tendo um boletim de voto com 20 partidos e uma coligação.

A campanha começa na terça-feira e decorre até 19 de julho, decorrendo antes do voto dois dias de reflexão e que permitem que os timorenses se desloquem para votar nos locais onde estão recenseados.

SAPO TL com Lusa

Também publicado em TIMOR AGORA 

Timor-Leste | PST ENTREGA MENSAGEM AO PRESIDENTE LU ÓLO



Mensagem do PST entregue ao Presidente da República de Timor-Leste durante o encontro com dirigentes partidários


Sua Excelência
Presidente da República Democrática de Timor-Leste
Dr. Francisco Guterres Lu Ólo

Exmos. Senhores líderes dos Partidos Políticos de Timor-Leste

Díli, 16 de Junho de 2017

Respeitosos cumprimentos.

Estamos hoje aqui reunidos no Palácio Presidencial para falarmos sobre a consolidação dos Partidos e sobre a paz e estabilidade em contexto de eleições legislativas.

A “paz” (do latim Pax) é uma palavra geralmente entendida como um estado de calma e tranquilidade, ou seja, quando estamos em “paz” não há preocupações, nem agitações.


Se “paz” significa bem-estar e felicidade, perguntamos, será que o povo timorense está em paz?

Será que os nossos agricultores e assalariados estão calmos, tranquilos e felizes? Estão em paz?

Estas são perguntas que devemos fazer a todos nós, com total responsabilidade, principalmente em contexto de eleições legislativas e enquanto candidatos ao Parlamento Nacional.

Ao pensarmos na Constituição da RDTL, em particular nos artigos referentes aos direitos e deveres económicos, sociais e culturais, depressa concluiremos que ainda há um longo caminho a percorrer para alcançarmos a paz.

Segundo a constituição da RDTL, entre outros objectivos:

O “Estado promove a criação de cooperativas de produção e apoia as empresas familiares como fontes de emprego”; “Todos os cidadãos têm direito à segurança e à assistência social nos termos da lei”; “Todos têm direito à saúde e à assistência médica e sanitária e o dever de as defender e promover”; “Todos têm direito para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar; “Todos têm direito à igualdade de oportunidades de ensino e formação profissional”.

Para o PST, Partido Socialista de Timor, o compromisso com a paz e a estabilidade estão directamente ligados aos objectivos defendidos no seu programa partidário conducente ao cumprimento da Constituição da RDTL, ao bem-estar do povo, e à construção da paz e da estabilidade.

A paz não é somente a ausência de guerra entre países ou entre pessoas.

Para o PST, paz é garantir que todos tenhamos casa com dignidade, que os agricultores possam trabalhar as suas terras, que os estudantes tenham apoios sociais diversos, e que todos os timorenses tenham acesso à saúde, à educação e ao trabalho, construindo-se o amor, a paz e a compreensão.

Nestes termos, o Partido Socialista de Timor,

Iluminado pelos princípios e objectivos enunciados na Constituição da República Democrática de Timor-Leste e na Carta Universal dos Direitos do Homem;

Sentindo que os partidos políticos timorenses podem e devem contribuir para a promoção e reforço da paz, da democracia, do Estado de direito, da segurança e do desenvolvimento do país;

Decidido em contribuir para a promoção dos valores universais e dos princípios da democracia e dos direitos humanos;

Preocupado em contribuir para a promoção de uma cultura de alternância política com base em eleições legislativas verdadeiramente justas e livres supervisionadas por um órgão eleitoral independente nos termos da Constituição da RDTL;

Defende que,

Os partidos políticos desempenham um papel fundamental na consolidação da democracia e da paz porque representam várias ideologias e convicções políticas existentes na sociedade.

Uma das principais razões e importância dos partidos políticos nas eleições legislativas é que estando devidamente registados e aprovados pelo Tribunal de Recurso podem apresentar candidatos ao Parlamento Nacional que por sua vez, depois de eleitos, irão debater e procurar soluções para os inúmeros problemas e desafios que atormentam a nossa sociedade.

A construção da paz e da estabilidade é um processo delicado e complexo que exige o empenho e dedicação de todos os partidos políticos, principalmente aqueles que integram os órgãos do poder e decidem sobre a definição das políticas necessárias à governação e ao desenvolvimento sustentável de Timor-Leste.

Muito obrigado pela Vossa atenção.

Viva a paz e a estabilidade em Timor-Leste! Viva o Povo Timorense!

Com a mais elevada consideração,

O Secretário-Geral do PST, M. Azancot de Menezes

O Vice-Presidente do PST, Constâncio dos Santos /Akita Tama Laka

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ANTES E DEPOIS | O verão da tolerância zero de António Costa



Bernardo Ferrão | Expresso | opinião

Haverá um antes e um depois do incêndio de Pedrógão para o Governo de António Costa? Há, sem dúvida.

No ano e meio que já leva de chefia de Governo, Costa conseguiu somar uma alta popularidade. Não era fácil para alguém que não ganhou as eleições e a quem a direita teimava em chamar “primeiro-ministro ilegítimo”. Mas além das conquistas alcançadas na frente económica e política, o primeiro-ministro trouxe a confiança que faltava aos portugueses.

Só que depois de Pedrógão um novo filme começou a correr. Na entrevista que deu à TVI, Costa quis fazer o chamado “damage control” e responder aos “porquês?”, mas saltou à vista o seu desconforto. A falta de confiança na atuação das autoridades. Logo ele, ex-ministro da Administração Interna, que sabe como poucos o que é lidar com fogos desta dimensão.

As coisas não correram bem e Costa não pôde deixar de admitir o óbvio: houve descoordenação no terreno. Mas, sublinhe-se, a situação foi de tal forma grave e rápida no tempo que redundou numa série de acontecimentos que correram da pior forma. Um exemplo perfeito da Lei de Murphy. Ainda sem culpados.

Não se trata aqui de apontar o dedo a ninguém. Haverá certamente culpas mas essa é tarefa da investigação. No entanto, acredito que depois de Pedrógão a vida deste governo não será exatamente a mesma. O nível de tolerância com o Executivo será menor. É difícil imaginar como será a reação do país se, nos próximos meses, surgirem novas mortes em incêndios descontrolados. Reparem que o verão ainda mal começou.

Dirá o leitor que estou a agoirar. Nada disso! O que vos falo é de um historial que conhecemos de cor. Décadas de incêndios, ano após ano, e de erros sistemáticos que nunca são corrigidos apesar das muitas promessas que se fazem quando as cinzas ainda estão quentes. Vejam a vergonha do SIRESP: custa uma fortuna mas serve-nos de pouco. O Estado já nos falhou muitas vezes, mas desta vez foi diferente. Há 64 mortos e mais de 200 feridos. A nossa confiança esmoreceu.

Num artigo duro sobre o que se está a passar em Portugal, o correspondente do “El Mundo” escrevia que esta tragédia pode por fim à carreira política de António Costa. A profecia parece-me claramente exagerada, mas toca numa questão que está ainda adormecida no debate: quais são as consequências políticas? É lícito concluir que se fosse com outro Governo, e sobretudo com outra oposição, a discussão política já teria subido de tom. A ausência e a fragilidade política de Passos Coelho, o discurso alinhado das esquerdas - que agora até “rezam” pela chuva - e os abraços “reconfortantes” de Marcelo no terreno têm evitado a contestação ao poder político.

Sim, ao poder político. Na verdade, não podemos olhar para o que se passou e concentrar as nossas acusações apenas e só na liderança de António Costa. As culpas repartem-se por quem nos governou nos últimos anos de mão dada com muitos interesses: o PS de António Costa esteve lá mas também o PSD de Passos Coelho. Fizeram-se muitas leis, mas faltou um olhar de conjunto para este enorme problema. O desígnio nacional que não existiu não pode agora ser resolvido à pressa como quer Marcelo no seu afã de agradar ao povo (e ficar bem na fotografia). 64 vidas… O verão será de tolerância zero para António Costa.

Agora é ele que representa o Estado, que uma vez mais não nos soube proteger.

Foto Reuters

DESORGANIZAÇÃO | Deputado do PSD diz que a sua filha foi mandada para a “estrada da morte”



Dois sociais-democratas que estiveram no terreno denunciaram esta manhã, na reunião do grupo parlamentar, uma campanha de “propaganda sem respeito pelo que aconteceu” durante os incêndios na zona Centro. Dizem que falhou a primeira resposta às chamas, o sistema de comunicação e a coordenação de meios. Um deputado contou que andou a deslocar familiares e que a sua filha foi mandada para a “estrada da morte”, mas decidiu tomar outro caminho

Foram testemunhos muito duros, comovidos e revoltados, conta quem assistiu: dois deputados do PSD que nos últimos dias estiveram nos locais dos grandes incêndios do centro do país, foram esta quinta-feira à reunião do grupo parlamentar social-democrata denunciar uma realidade que nada tem a ver com o discurso oficial de que foi feito tudo o que podia ter sido feito para combater os fogos.

"A Proteção Civil falhou redondamente", afirmou Pedro Pimpão, deputado eleito por Leiria, que por várias vezes se emocionou durante o seu relato. Também Maurício Marques, eleito por Coimbra, descreveu dias de confusão e descoordenação entre as autoridades, contando as dificuldades por que passou para conseguir tirar familiares de locais onde a Proteção Civil não chegou.

Pedro Pimpão, que desde sábado até quarta-feira esteve nos concelhos afetados, afirmou a sua revolta por ouvir um discurso oficial que não bate certo com a realidade em que esteve mergulhado nos últimos dias. "Custa-me ver esta propaganda sem respeito pelo que aconteceu", afirmou o deputado, ouvido em total silêncio pelos seus colegas de bancada, durante a reunião que decorreu, ao fim da manhã desta quinta-feira, à porta fechada.

De acordo com fontes sociais-democratas que estiveram no encontro, o deputado de Leiria reconheceu que é preciso respeitar o luto, mas acrescentou que "já chega" e que "é preciso que as pessoas saibam a verdade". E a verdade que relatou foi assim: falhou a primeira ajuda após o início do incêndio, falhou o sistema de comunicação e, por isso, falhou a coordenação de meios.

"TEMOS O DEVER DE NÃO DEIXAR ISTO SER SILENCIADO"

Pedro Pimpão deu conta de aldeias completamente isoladas, sem qualquer tipo de apoio, pessoas que pediram ajuda "a meio da tarde", "muito antes das mortes", sem que nunca aparecesse ajuda alguma. E, contou, o centro de saúde de Castanheira de Pera estava fechado e quando abriu não tinha material. "Os deputados do PSD têm o dever de não deixar isto ser silenciado", exortou o parlamentar leiriense.

Também Maurício Marques, deputado eleito por Coimbra e ex-autarca de Penacova, contou o que viveu no terreno: teve de se fazer à estrada para retirar vários familiares que não conseguiam o apoio das autoridades e chegou a receber instruções de um responsável da Proteção Civil para seguir por uma estrada que, afinal, estava fechada. Contou também que a sua filha foi encaminhada para a "estrada da morte", e só se salvou porque decidiu tomar outra direção. E viu gente a seguir em direção ao incêndio sem que qualquer autoridade os travasse.

O clima, durante a reunião, foi muito pesado e os relatos reforçaram a convicção de que há muitas perguntas por fazer e responsabilidades por apurar. "Já é óbvio para toda a gente que houve muitas falhas e que a falta de coordenação foi gritante", diz um deputado com ligação aos distritos atingidos, lamentando que Marcelo Rebelo de Sousa tenha sido o primeiro a lançar a ideia de que foi feito tudo o que era possível.

Filipe Santos Costa | Expresso | Foto Lucília Monteiro

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Angola | PRATO CHEIO



Kumuênho da Rosa| Jornal de Angola | opinião

O dia político ontem bem pode ser considerado prato cheio. A poucas semanas do início oficial da campanha eleitoral foi interessante acompanhar as três principais forças políticas mostrarem ao que vêem.

Apesar de ser ainda prematuro tirar-se conclusões sobre o que podem vir a ser os resultados das eleições de 23 de Agosto, o certo é que facilmente se percebe que estas eleições não serão iguais a qualquer outra das três até aqui realizadas. Mas há-de interessar sempre uma apreciação, de certo modo, sobre as leituras possíveis e imaginárias à volta das escolhas dos candidatos em relação aos locais para desenvolverem actividades.

Este fim de semana temos Isaías Samakuva, o candidato da UNITA na Huíla, um território que segundo as contas da CNE e os dados do Censo da População e Habitação representa a segunda maior praça eleitoral, enquanto Abel Chivukuvuku faz o seu trabalho na província do Zaire, outra praça eleitoral importante.

Do ponto de vista da história, essas duas províncias foram claramente dominadas pelo MPLA nos últimos actos eleitorais, e a deslocação dos candidatos da UNITA e da CASA-CE tanto podem ser entendidas como incursões atrevidas em zonas proibidas ou demonstrações de vontade de disputar voto por voto ali onde se pensa ou se entende como zonas de influência de outro partido.

Mas o país inteiro pôde acompanhar essas movimentações de três dos candidatos às eleições de 23 de Agosto através dos meios de comunicação e das redes sociais. Em matéria de eleições as redes sociais representam um avanço portentoso, no que respeita ao acompanhamento e mesmo o escrutínio dos actos dos candidatos durante as diferentes fases do processo.

É proibido ignorar o facto de hoje, por causa das facilidades das novas tecnologias de informação e comunicação, claramente impulsionadas pela Internet, aportam ao processo eleitoral uma dinâmica incomparavelmente superior à que tínhamos com os meios convencionais, como a rádio e a televisão.

Angola | IMÉRITO & DESMÉRITO - cartoon



Folha 8

Angola | A MARCA DA BESTA



Raul Diniz, opinião

A ausência de regras e normas que promovem leis dúbias na assembleia nacional, estão de todo desconectadas da aceitação e aprovação popular. A sociedade civil inteligente activa não aprova tais praticas proteccionistas que serve apenas para blindar a família de criminosos de colarinho branco do ditador infame. Aliás, essa lei aparentemente legal, na verdade ela será uma lei vergonhosamente caricata, sobretudo, por expor claramente uma anomia tétrico, em torno da maquina político-administrativa do partido pendurado há 42 anos no poder. Pelos vistos, a pretensão de se manter no poder a todo custo é real.

Não tenho duvidas que o poder do MPLA erode em breve nas ruas com o povo a romper definitivamente com o regime, e o presidente da ditadura. "A volatilidade da conjuntura política em Angola é de tal ordem que qualquer prognóstico se torna precário neste momento. Estamos a viver em Angola sob o impulso de sua excelência o surpreendente facto. Angola e os angolanos não precisa de José Eduardo dos Santos para nada, muito menos precisam da roubalheira desenvolvida pelos seus filhos, parentes e amigos diletos internos e externos.

A lei proteccionista costurada sob medida para acobertar os interesses e assegurar a vida do tirano homicida, dos familiares gangsters e de seus amigos internos e externos é um ato indecoroso de monta. O MPLA não tem o direito de obrigar o povo a receber a marca da besta (leia-se marca de JES) na testa. Existe uma coerência refinada em afirmar, que Angola foi transformada na casa de banho do diabo. Um país onde somente sobrevivem aqueles que trazem a marca da besta (marca de JES) na testa não é de maneira alguma um estado de direito democrático. Em Angola todos quantos pretendam que Angola de transforme num país livre são execrados, e não têm vez.

O regime foge tem fugido da responsabilidade que possui acerca da crise institucional e económica que o MPLA deixa o país, e refugia-se em discursos fúteis e desconexos. Alem do mais, nota-se, que a mecânica do discurso do regime na campanha eleitora, contem uma musculosidade mecânica esdrúxula sem precedentes, na historia das democracias universalmente aceites. o regime responsabiliza a baixa do preço do petróleo como vector da crise económica que se vive, debalde. Se essa desculpa fosse realista, como então abalizar a crise institucional que estamos com ela? Qual a razão das instituições do estado serem intencionalmente enfraquecimento para servir interesses escusos da família de larápios do ditador corrupto?

Além dessa afirmação ter uma robustez ficcional, ela traduz o estilo imaginativo das emergentes falacias que o regime utiliza frequentemente para artificialmente justificar o injustificável.  Pensar dessa maneira significa mentir para enganar o povo, o que representa dar um mergulho perigoso no escuro. Essas e outras situações anómalas, conjugadas com a falta de credibilidade, justiça a fragilidade ética e moral dos dirigentes do regime. Essa perceptível verdade permite acreditar com veemência, que num futuro amanhã muito próximo, o MPLA/JES poderá ser atirado para as calendas do existencialismo permissivo e ali morrer de morte matada.

Enquanto isso, o país sobrevive em total letargia permanente, agravado pelo estado de total desordem institucional. O país vive hoje imerso num oceano de aguas turvas profundas. Esse estado de calamidade institucionalizada, demonstra a necessidade urgente de se retirar o povo da zona escura da miséria, e, afastar o país da clausura personalista daquele que deseja grifar-nos com marca da besta. O legado do PR não é recomendável por não servir como exemplo positivo, a triste realidade é que todos sabem que, o pseudo legado de JES, possui um gosto de caldeirada de coelho com sabor a gato. Essa situação permite retirar qualquer legitimidade do presidente da republica para impor restrições ao povo, observada pela crise que ele mesmo mergulhou o país.

William Tonet | HINO À DEMOCRACIA - livro



Do jornal angolano Folha 8 salientamos o artigo que traz ao saber o novo livro de William Tonet. A apresentação já aconteceu e disso tivemos conhecimento no Página Global, no entanto imponderáveis contribuíram para que só agora façamos referência ao que já chamam “Cartilha para a Democracia”, afinal condizente com o título no Folha 8: Hino à Democracia. Por nos socorrermos do artigo do Folha 8 para só agora apresentar o acontecimento cultural de suporte político, atrevemo-nos a atualizar o inicio do parágrafo seguinte que anunciava o que ia acontecer no passado dia 16. Acreditamos que vamos ainda a tempo de contribuir para levar ao conhecimento de mais uns quantos leitores interessados a obra de William Tonet. Desculpem-nos pelo atraso na data. Mais importante é o livro e não só o seu lançamento.(MM | PG)

Foi apresentado no passado dia 16, sexta-feira, pelas 16 horas, na União dos Escritores de Angola, o livro “Cartilha do Delegado de Lista”, de William Tonet. A apresentação da obra, da Editora FVIII, esteve a cargo do advogado Inglês Pinto, ex-bastonário da Ordem de Advogados de Angola.

Segundo Caetano de Sousa, antigo Presidente da Comissão Nacional Eleitoral, “a Cartilha do Delegado de Lista de que William Tonet é autor abrange todo o processo de votação em linguagem acessível, acompanhado de banda desenhada. É cartilha acessível a todo o cidadão eleitor e serve de manual indicativo de trabalho para todo o delegado de lista, foi pensado e dirigido para o Delegado de Lista, é digno de se recomendar”.

“Fico convencido que o Delegado de Lista que tenha acesso a um exemplar da Cartilha e que o leia tem tudo o que precisa para fazer um bom trabalho para benefício e eficiência do Processo Eleitoral”, acrescenta Caetano de Sousa.

No prefácio do livro, Paulo de Morais (Presidente da Frente Cívica e ex-candidato à Presidência da República de Portugal) diz que “a realização de eleições livres e independentes é essencial à democracia e esta é fundamental para o desenvolvimento humano, social e cultural das sociedades”, acrescentando que “só há países desenvolvidos onde há regimes democráticos que funcionam de forma regular. E, nestes países, os cidadãos têm direito à educação, a cuidados de saúde com qualidade, a um ambiente económico e social onde podem encontrar prosperidade e segurança. E tudo começa numa mesa de voto.”

“Um sistema político saudável permite aos cidadãos a apresentação de diferentes alternativas políticas para o governo das sociedades. Permite ainda que, em liberdade, essas alternativas se confrontem e sejam escrutinadas, pelos cidadãos e pelos media. Permite que os cidadãos escolham e que a alternativa vencedora forme governo para pôr em prática as medidas que propôs. E tudo passa pela mesa de voto. Na mesa de voto, decidem-se eleições. Decide-se a democracia. E esta só se realiza quando as mesas de voto são o espaço da verdadeira escolha”, escreve Paulo de Morais.

Nesse sentido, acrescenta Paulo de Morais, “esta Cartilha é um verdadeiro hino à democracia. Para que a vontade do povo se reflicta em sistemas de governo, não basta que os cidadãos acorram às urnas. É também imperioso que a sua vontade seja devidamente assumida pelo sistema. Tal só acontecerá se, por um lado, se evitar a fraude, a coacção, a manipulação dos eleitores. E se, por outro, se garantir que os resultados da vontade dos eleitores, expresso em cada boletim de voto, sejam devidamente registados, agregados e transmitidos para posterior consolidação nacional”.

“Esta Cartilha ensina a garantir a prossecução de ambos os objectivos. De forma simples, agradável e atractiva, explica como prevenir e até evitar nefastas influências de quem pretenda fazer batota eleitoral. Exemplifica o que se deve e não deve admitir para garantir a total higiene democrática em cada mesa de voto”.

O livro vai estar a venda no dia de lançamento, ao preço de dois mil kwanzas, na União de Escritores Angolanos. Depois do lançamento poderá ser adquirido nas livrarias ou por encomenda.


Portugal | O LUTO E A LUTA




Miguel Guedes | Jornal de Notícias | opinião

Hoje é o dia em que saímos do luto nacional com tudo por resolver. Findos que estão os três dias institucionais de dor, não há nada que tenha ficado diferente. Nem podia. Numa dor destas, o silêncio é das poucas companhias recomendáveis pela forma como nos propicia um tempo que seja. À distância de um oceano do país, a comoção sofre um verdadeiro bloqueio e embarga-se pelo choque. Vejo o país nas notícias por uma alegoria de inferno e somam-se os especialistas internacionais a explicar, à boleia da catástrofe, o que é isso do "dry lightning" ou trovoada seca. Pausa. Não há decreto que nos enterre o coração na areia quando a cabeça não pára para pensar. Não pode haver soluções enquanto o fogo caminha a passos de gigante, parecendo que voa. A luta começa agora.

A rendição absoluta de gratidão aos bombeiros que lutam e aos civis que ajudam. Isso e a pouca comiseração para quem tenta encontrar culpados em tempo de inferno. É impressionante a fogueira de vaidades e pouco tento que impele certas pessoas a abrir fracturas em tempo de terramoto. Para esses agentes sumários da punição, mais velozes do que o próprio vento que dá asas ao fogo a encontrar bodes expiatórios, não se limpam armas em tempo de guerra. E atacam, mesmo quando na paz podre de todos os invernos nunca os vi a deixar de dar beijinhos no dói-dói. À semelhança de quem tenta fazer notícia ao lado de um corpo carbonizado, aqueles que tentam encontrar culpados entre o sofrimento apenas descem mais um degrau do palco para onde imaginam estar a subir.

Pedrógão terá que ser o nosso público "ground zero". Nunca conseguimos trabalhar a propriedade privada da floresta que acaba por nos ser comum em catástrofe, nunca deixámos de ceder aos interesses e ao facilitismo. Sempre soubemos que a natureza não nos dá apenas pores-do-sol de excelência e nasceres do dia radiosos. A força natural da humanidade, de resto, não é impedir o seu curso. Compete-nos criar as estratégias para a acomodar e antecipar na violência perante um conjunto disperso de propriedades avulso sem investimento e sem o mínimo de zelo, desertificação populacional num agregado de restos de país votados ao abandono. Sempre olhámos para a floresta numa visão-túnel onde lá ao longe se vislumbra uma saída clara. Mas quando lá chegamos, pela proximidade do simples andar da carruagem, só vemos que arde. E assim vamos, todos os anos, em típicos lamentos que ninguém leva a sério. Acredito que até agora.

No momento em que escrevo, contam-se 64 mortos e centenas de pessoas que morreram por dentro e por tempo indefinido. Milhões de pessoas impossibilitadas de sair do luto. "Is dry lightning on the horizon line/ Just dry lightning and you on my mind", escrevia Springsteen. Para eles, o nosso pensamento. O coração diz coragem.
O autor escreve segundo a antiga ortografia

* Músico e advogado