segunda-feira, 30 de março de 2015

CASOS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA EM MACAU AUMENTARAM 47% EM 2014




Macau, China, 30 mar (Lusa) - No ano passado, 419 pessoas foram alvo de violência doméstica, o que representa um aumento de 47% em relação a 2013, de acordo com dados da polícia, citados hoje pelo jornal Ponto Final.

A maioria das vítimas identificadas pelas autoridades foram mulheres: 277 ou 66%. Os homens surgem em segundo lugar, com 132 casos ou 31% do total, seguidos dos abusos contra menores, que envolveram dez crianças.

Macau está atualmente a legislar contra a violência doméstica, com a proposta de lei intitulada "Lei de prevenção e correção da violência doméstica" em análise em sede de comissão na Assembleia Legislativa.

ISG// PJA

ÁLCOOL MISTURADO COM INSETICIDA FAZ NOVE MORTOS NA INDONÉSIA




Jacarta, 30 mar (Lusa) -- Nove homens indonésios morreram depois de terem ingerido álcool misturado com repelente de mosquitos e bebidas energéticas, informou hoje a polícia da Indonésia, onde são frequentes as mortes provocadas por bebidas adulteradas.

As vítimas compraram as bebidas na rua na cidade de Prabumulih, na ilha de Samatra, na quinta-feira, disse um porta-voz da polícia local, Djarod Padakova, citado pela agência France Presse.

No mesmo dia sentiram-se mal e foram hospitalizadas. A primeira vítima morreu na sexta-feira e a última no domingo, segundo a mesma fonte.

Um décimo homem intoxicado com a mesma bebida continua hospitalizado.

Segundo a imprensa local, a bebida foi vendida como gin.

A Indonésia tem registado com alguma frequência mortes pela ingestão de bebidas adulteradas.

Em 2014, 16 pessoas morreram depois de beberem álcool adulterado durante os festejos de Ano Novo em Java, a maior ilha do arquipélago indonésio.

MDR // APN

AVIÃO SOLAR DESCOLOU DA BIRMÂNIA JUNTO À CHINA




Mandalay, Birmânia, 30 mar (Lusa) - O avião Solar Impulse 2, que trabalha com energia do Sol, descolou hoje de Mandalay, segunda cidade da Birmânia, em direção a Chongqing, na China, cumprindo a quinta etapa da sua viagem à volta do mundo.

A equipa de pilotagem esperou, em Mandalay, mais de uma semana que o estado do tempo melhorasse no sudoeste da China para se lançar numa das etapas mais difíceis do percurso - um trajeto de 1.375 quilómetros a fazer em cerca de 18 horas, sob frio extremo.

Desde o posto de controlo da missão, no Mónaco, o príncipe Alberto deu em direto a autorização de descolagem a Bertrand Piccard, um dos dois pilotos suíços do Solar Impulse 2.

Nesta etapa, a dupla deverá enfrentar temperaturas negativas, que podem chegar aos -20ºC na cabina de pilotagem, e dificuldades inerentes ao sobrevoo das províncias montanhosas de Yunnan e Sichuan, na China.

O aparelho vai sobrevoar uma zona isolada da região fronteiriça entre a Birmânia e a China, onde intensos combates opõem rebeldes chineses da etnia maioritária Kokang ao Exército birmanês.

O Solar Impulse 2 partiu, a 09 de março, de Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, aonde deverá regressar em julho ou agosto.

Ao todo, a aeronave vai percorrer 35 mil quilómetros, sobrevoando dois oceanos.

Prevista em 12 etapas, a volta ao mundo é o culminar de 12 anos de investigação dos dois pilotos, que procuram, além da exploração científica, veicular uma mensagem política.

ER // SMA

Retirado alerta de tsunami devido ao sismo de magnitude 7,5 na Papua Nova Guiné




Sydney, Austrália, 30 mar (Lusa) - O Centro de Alerta de Tsunami do Pacífico cancelou hoje o aviso de tsunami anunciado horas antes devido ao sismo de 7,5 graus de magnitude registado esta manhã ao largo da costa da Papua Nova Guiné.

No entanto, o organismo indicou, em comunicado, que nas próximas horas podem produzir-se pequenas ondas como as de trinta centímetros registadas no porto de Tarekukure, nas Ilhas Salomão, a 450 quilómetros do hipocentro.

O sismo ocorreu hoje às 09:49 locais (23:48 de domingo), a 55 quilómetros a sudeste da localidade de Kokopo e à profundidade de 40 quilómetros.

Posteriormente foram registadas três réplicas na mesma zona com intensidades de 5,7, 5 e 4,8, entre 35 e 53,26 quilómetros de profundidade.

Durante a manhã de hoje não foi reportada a existência de vítimas ou danos materiais.

ISG (FV)// FV

SpeedCast anuncia contrato multimilionário de serviços de conectividade no Mar de Timor




Díli, 30 mar (Lusa) -- A empresa SpeedCast, do grupo AsiaSat de Hong Kong, anunciou um contrato multimilionário de vários anos para o fornecimento de serviços de comunicações via satélite à ConocoPhillips no campo de Bayu Undan, no Mar de Timor.

O contrato prevê o aumento significativo dos serviços de comunicações via satélite para a ConocoPhillips entre o campo de Bayu-Undan, localizado a 250 quilómetros a sudoeste de Suai, no sul de Timor-Leste, e a 500 quilómetros noroeste de Darwin, na Austrália, e a sede da Conoco em Perth, na Austrália Ocidental.

A ConocoPhilips opera o campo em nome do consórcio que inclui as empresas Santos, Inpez, ENI, Tokyo Electric e Tokyo Gas.

Com este contrato, cujo valor total não revela, a SpeedCast compromete-se a ampliar a ligação para 60 Mbps em ambas as direções, o que representa uma das maiores ligações 'point-to-point' para fins comerciais na Austrália.

A conectividade IP de alto desempenho será usada para comunicações operacionais e sociais, incluindo dados e voz, bem como aplicações de bem-estar da tripulação, explica a empresa.

A SpeedCast tem vindo a fornecer serviços de comunicação por satélite à ConocoPhillips há mais de 10 anos, para uma variedade de aplicações, incluindo embarcações 'offshore' e plataformas, utilizando uma ampla gama de tecnologias de satélite para atender às necessidades da petrolífera.

ASP // FV

Timor-Leste. “PARA OBTER UMA VIDA DIGNA É PRECISO A COLABORAÇÃO DE TODOS” - PR



30 de Março de 2015

O presidente da República, Taur Matan Ruak disse que todos os cidadãos precisam de melhorar o seu comportamento para que possam reforçar a paz e participarem nos programas de desenvolvimento do país, segundo o Suara Timor Lorosa’e. 


“O meu objetivo de fazer visitas a cada suco é o de ver a diferença no comportamento das comunidades e comparar com o período da resistência e da independência, nomeadamente na sua contribuição para o desenvolvimento nacional”, disse o chefe de Estado durante a realização do diálogo comunitário no distrito de Viqueque.

Taur Matan Ruak salienta ainda que para alcançar uma vida digna, tais como boas estradas, ter acesso à água potável, a educação e entre outros, é necessário a colaboração de todos, e ainda vai levar algum tempo.

“Conseguimos lutar pela nossa independência, porque é que agora não conseguimos obter outro objetivo através do trabalho árduo? Acredito que iremos alcançar, apesar de precisarmos de mais tempo, de uma geração para outra geração”, disse.

Na mesma ocasião o representante da juventude desse região disse que para participar no processo de desenvolvimento nacional e para ter o acesso ao mundo global é preciso obter uma formação, e informa que poderá criar um centro de formação, mas que para isso todos os materiais são emprestados do município e das escolas, daí precisar da atenção do Estado.

SAPO TL com STL  - foto cedida pela Presidência da República

Entrevista SAPO TL: CONHEÇA MELHOR O PM DE TIMOR-LESTE, RUI ARAÚJO



30 de Março de 2015

Desde a sua tomada de posse, no dia 16 de fevereiro 2015 que temos acompanhado diariamente a agenda preenchida do S.E Primeiro Ministro, Dr. Rui Maria de Araújo. O SAPO TL teve a “curiosidade” de conhecer um pouco mais a pessoa que está por detrás desta tão importante função. 

Através destas 8 seguintes perguntas que o SAPO TL fez por escrito ao PM Dr. Rui Maria de Araújo que talvez poderão ser também algumas questões dos timorenses, o PM timorense dá a conhecer as suas grandes influências, qual é o seu lema de vida e deixa-nos a sua mensagem a todos os timorenses que se encontram de momento for a do país.

1. Imagine se há 20 anos atrás lhe dissessem que iria tornar-se no Primeiro-Ministro de Timor-Leste, o que diria a essas pessoas?

Provavelmente diria “cabeças no ar”. Há 20 anos estava precisamente a exercer o meu primeiro ano de medicina geral e estava imensamente embrenhado no entusiasmo da aplicação da ciência médica à vida real e não estaria interessado em trocá-lo por um cargo pouco conhecido, na altura, no âmbito timorense.

2. Faça a comparação entre o trabalho de médico e o de Primeiro-Ministro.

Ambos lidam com o diagnóstico de problemas e buscam soluções para esses mesmos problemas. A diferença reside no facto de o médico lidar maioritariamente com pacientes enquanto indivíduos e o Primeiro-Ministro lida maioritariamente com questões relacionadas a grupos de pessoas e à sociedade no seu todo. Ambos gratificantes quando bem exercidos, mas o contacto humano-indivíduo prevalece no exercício da medicina, enquanto que na chefia do Governo, o distanciamento do humano- indivíduo é muitas vezes necessário em prol da isenção e do rigor.

3. Quem o inspirou a querer tornar-se médico e a seguir a área política?

Interessante que, para ambos, a inspiração veio da mesma classe de profissão. Para médico a minha inspiração foi uma madre canossiana enfermeira chamada Luísa que, nos anos de 1972-1974, trabalhava na comunidade de canossianas no Suai e fazia visitas domiciliárias às aldeias nos arredores da vila de Suai, particularmente nos sábados e domingos, levando consigo um „bando
de miúdos, em que eu estava incluído. Prestava muita atenção à forma como ela lidava e tratava carinhosamente os doentes das aldeias e fiquei com algo no subconsciente a dizer-me sempre que “quando eu fosse grande gostava de ser médico”. Na área política, quem me inspirou mais foi Rudolf Virchow, medico alemão do final do século 19 e princípios do século 20, que lançou as bases para a medicina social. A sua célebre frase “a medicina é uma ciência social e a política nada mais que a medicina em larga escala” foi a fonte de maior inspiração para a minha participação na política.

4. Qual é o lema da sua vida?

Servir.

5. Como divide o seu tempo para a família e para o trabalho?

Procuro sempre o equilíbrio. Nem sempre é fácil. Exige disciplina e firmeza, mas também compreensão e flexibilidade.

6. Qual seria um livro que sugeria aos jovens timorenses para lerem como inspiração para o seu futuro?
 
7. Dizem que “uma fotografia é um instante de vida capturado para a eternidade”. Qual seria a “foto” que queria que fosse tirada de si para ser lembrado para a eternidade?

Uma em que melhor se expresse a palavra servir.

8. Deixe uma mensagem a todos os timorenses que se encontram de momento a viver fora do país.

Timor-Leste pertence a todos, e necessita do apoio de todos para progredir. Para os que podem, contribuam na medida dos possíveis para o desenvolvimento deste torrão natal que é nosso.

Sapo TL - Tradução: Sapo TL - a entrevista foi realizada em tétum

BOM DIA BILDERBERG!




Sem mais considerações apresentamos o Expresso Curto. Hoje, por aqui pelo PG, não conte com o habitual 31 de teclas – primo da conversa fiada do 31 de boca. A semana começa. A luta para encontrar emprego, almoçar e jantar, está nas prioridades de sobrevivência para muitos. Muitos mais que aquilo que as estatísticas nos deixam perceber. Até parece que andam a viciar aquelas coisas para uma vez mais nos enganarem. Essa é a arte da trupe do Cavaco-Passos-Portas. Não nos admiremos. Está-lhes no ADN. O Expresso Curto com Ricardo Costa. 

Bilderberg é o clube do tio Balsemão, do Expresso, do grupo Impresa. Sobre o Bilderberg tem no PG um vídeo na barra lateral. É rápido mas dá para perceber umas coisinhas...

Bom dia Bilderberg!

Redação PG

Bom dia, este é o seu Expresso Curto

Ricardo Costa, diretor

Uma vitória, uma cabazada e ir às compras com o Visa de Puti

Começamos pelo 2 a 1 ou pelo 44 a 11? Talvez pelo primeiro, que se conta depressa e deixou o país satisfeito. Em poucas linhas: com Fernando Santos a cumprir castigo, Portugal alinhou sem ponta de lança (ah sim?...) com Eliseu e Coentrão na esquerda e Ricardo Carvalho a titular. A última escolha foi muito discutida nas bancadas, sofás e mesas de café (com aquela idade, meu deus…) até que Carvalho marcou de cabeça e não se falou mais disso. Até porque, de seguida, lesionou-se nos festejos e deu o lugar a José Fonte, estrela da Premier League, que fez um jogo seguro, onde Moutinho e Tiago estiveram em alto nível. Acabou 2-1 e o país está em paz com a seleção.

Vamos então ao 44 a 11, que terá originado uma grande encomenda de Alka Seltzers para o Largo do Rato, onde o líder ainda não falou, deixando o palco a Porfírio Silva, um filósofo que despontou na direção do PS. Mas, a verdade, é que nem Zenão, o primeiro dos estoicos, conseguiria explicar a cabazada que o PS levou ontem nas eleições na Madeira. Miguel Albuquerque, o ex-delfim e depois nemesis de Jardim, conseguiu a 11ª maioria absoluta consecutiva para o PSD-Madeira depois de 37 anos de Alberto João. E com o ex-líder contra ele. É obra.

Um resultado histórico para Miguel Albuquerque, que deixou um amargo de boca nos outros “vencedores” da noite: o CDS que continua a ser a segunda força, o PCP que cresceu e o Bloco que regressa ao Parlamento com dois deputados e mesmo ao Juntos pelo Povo, a grande surpresa da noite. Não conseguiram impedir a maioria absoluta. Mas a vida não vai ser fácil para Miguel Albuquerque, que vai governar uma região com uma dívida astronómica e um desemprego brutal.

Antes de irmos a outras notícias, o The Guardian divulgou esta manhã que a Agência de imigração australiana divulgou por engano dados privados de todos os líderes que estiveram na última cimeira do G-20, que teve lugar em Brisbane em novembro. Parece que um funcionário da agência enviou para a organização do Campeonato Asiático de Futebol uma lista com todos os passaportes, cartões visa e muitos dados pessoais de 31 líderes mundiais. A notícia é divertida, mas está a provocar celeuma, porque os australianos não avisaram ninguém do deslize enquanto andavam a circular os dados de Obama, Putin, Merkel, Modi, Renzi, etc.

Se não ouvirem falar de mim ao longo do dia é porque estou a comprar coisas na Amazon com o cartão de Putin ou a renovar a conta do iTunes com o American Express do Obama.

OUTRAS NOTÍCIAS

Sarkozy está de regresso e em grande forma. A segunda volta das departamentais francesas foram um desastre para o PS de Hollande, que perde em toda a linha. Marine Le Pen ficou satisfeita com o númerod e votos mas não conseguiu uma vitória que se visse.

Na Nigéria ainda se contam os votos de umas importantes e atribuladas eleições. A Nigéria é o país mais populoso de África, a maior economia do continente e está abraços com o terrorismo do Boko Haram

As negociações sobre o nuclear iraniano terminam amanhã em Lausane, na Suíça. Há alguns sinais de otimismo, mas ainda muitas dúvidas sobre a mesa.

Ontem morreu Sevinate Pinto, um dos maiores especialistas nacionais em Agricultura. Manuel Carvalho, no Público, explica bem a importância deste ex-ministro da Agricultura.

Se está a ler este texto Expresso Curto num telemóvel e não usaWhatsApp espreite este gráfico do Economist. Se usa, espreite na mesma. É impressionantea velocidade a que este serviço de mensagens tem crescido mundo fora.

FRASES

“É inacreditável a falta de escrutínio com que as sondagens são feitas”. Paulo Portas sobre as sondagens que desvalorizaram o CDS na Madeira, com fortíssimas críticas à Universidade Católica

“Vou abrir o governo a independentes”. Miguel Albuquerque, líder do PSD Madeira depois da vitória com maioria absoluta.

“Por amor de Deus abre a porta, abre a maldita porta”. As últimas palavras do comandante Patrick Sondheimer antes da queda do avião da Germanwings nos Alpes

“Dar a lista aos pais é incentivar a punição popular”. Maria José Costeira, nova presidente da Associação Sindical de juízes sobre a lista de pedófilos que o governo quer criar.

O QUE EU ANDO A LER 

Tudo o que tem aparecido sobre Ricardo III, o menos amado dos reis ingleses. Isto porque o monarca  teve direito a um enterro na semana passada, 527 anos depois de ter falecido. Foi uma discussão épica além-Mancha desde que descobriram o que restava do Rei debaixo de um parque de estacionamento em Leicester.  Morto em batalha - depois de dizer a célebre frase " um cavalo, um cavalo, o meu reino por um cavalo" -, Ricardo III ali ficou uns séculos, sem honra nem funeral e, com o passar dos anos, com alcatrão e automóveis em cima. 

Por isso voltei a pegar no Ricardo III de Shakespeare, uma recomendação fica sempre bem, mas que não vos deixará boa impressão do brevíssimo monarca (dois anos de reinado atribulado). O livro começa com outra célebre frase - Este é o Inverno do nosso descontentamento - e segue por aí fora a mostrar um homem cruel, torto - em todos os sentidos -, mesquinho, rápido a espalhar o mal e que teve a morte que merecia. 

Mas será mesmo assim? Há belos textos na imprensa da semana passada sobre a descoberta do corpo e o  enterro a que devia ter ou não direito, sobre um funeral que não foi de Estado e a que a Rainha não foi mas, pelo sim pelo não, enviou uns primos e que teve, isso mesmo, Benedict Cumberbatch a declamar um poema escrito para a ocasião ( pode ver aqui o belíssimo vídeo). Parece que Cumberbatch, que já representou a peça de Shakespeare dezasseis vezes, é descendente afastado de Ricardo III, e que o caixão foi feito por outro descendente que é marceneiro no Canadá. Se D. Sebastião resolver aparecer, é bom que traga um ator e um marceneiro na descendência para facilitar o protocolo e o Orçamento de Estado... Quem tiver sentido de humor por seguir Ricardo III no Twitter na conta  @richard_third onde surgem pensamentos e aforismos de um bem enterrado e com ótimo sentido de humor.

O que me apetecia dizer agora era " um café, um café, o meu Reino por um café", mas já bebi dois e o melhor é desejar bom dia e lembrar que vamos estar sempre a trabalhar no Expresso Online e que o fim da tarde tem o Expresso Diário, com toda atualidade bem explicada e opinião em primeira mão. É só usar o código que está na capa da Revista.  Saiba como aqui. Amanhã vai estar aqui o Henrique Monteiro, logo pela manhã.

domingo, 29 de março de 2015

Portugal - Eleições. PSD-Madeira já está a festejar a vitória junto à Assembleia Legislativa




Estão a chegar cada vez mais pessoas ao centro do Funchal, onde está instalada a festa do PSD-Madeira, que hoje à noite alcançou a maioria absoluta.

As celebrações estão a decorrer sobretudo junto à Assembleia Legislativa da Madeira, onde Miguel Albuquerque dirige-se à multidão.

Recorde-se que o PSD-Madeira, liderado por Miguel Albuquerque, alcançou hoje 44,33% dos votos e 24 dos 47 deputados eleitos, menos um do que nas últimas eleições.

Nas eleições de hoje votaram 127.893 eleitores, dos 257.232 inscritos, sendo a abstenção de 50,28%, constituindo um novo recorde na Região.

A percentagem de votos em branco foi hoje de 0,87% (0,74% em 2011) e os nulos de 3,40% (1,91% em 2011).

Diário de Notícias Madeira

Leia mais em DN Madeira

MADEIRENSES APOSTAM EM MAIS DO MESMO. PSD CONSEGUE MAIORIA ABSOLUTA



Celso Vanderlei, Funchal

O PSD Madeira conseguiu a maioria absoluta nas eleições de hoje no arquipélago. Como disse esta manhã ao Página Global acerca da minha perspetiva destas eleições na Madeira só vão mudar as moscas. Confirmou-se.  

Saiu o Jardim e entrou um seu sucessor, Miguel Albuquerque. Se tiver durabilidade de vida para isso, Albuquerque arrisca-se a ficar no governo regional por quase 40 anos, como Jardim. Os madeirenses não gostam de mudar. 

Mesmo que um amo lhes dê vergastadas e tenham a alternativa de mudar para um amo que não os vergaste, eles preferem invariavelmente o das vergastadas, que já conhecem. E assim não têm de mudar e enfrentar o que para eles é desconhecido. Também o caciquismo na Madeira é por demais. Isso conta para os votos que surpreendentemente são sempre a favor do PSD de modo maioritário.

A abstenção vai ser muito elevada. Ainda não existe informação de números relevantes mas podemos apontar para uma abstenção na ordem de 40 por cento.

PSD RONDA OS 45%, PARTIDO SOCIALISTA FOI UMA NÓDOA COLIGADA. ABSTENÇÃO TEVE MAIORIA

É oficial. O PSD ronda os 45% dos votos nesta contagem oficial mas provisória (44,33%). É muito provável que  nos resultados definitivos suba umas décimas.

O CDS garante ser o segundo partido mais votado. Os restantes partidos quedaram-se muito abaixo. Incluindo a coligação Mudança, constituída por quatro partidos com o PS incluído. Todos eles só valeram pouco mais que 11%. Podemos dizer que o PS foi uma nódoa. Uma nódoa ao coligar-se e não aparecer como devia, enfrentando o PSD e o CDS na eleição para a Assembleia Legislativa Regional. Fazendo contas, quanto vale o Partido Socialista na Madeira, 5%? Mais ponto menos ponto será esse o seu valor eleitoral. Descredibilização foi o resultado para o PS.

Temos assim o mesmo para o arquipélago da Madeira. O PSD de Miguel Albuquerque, ex-Presidente da Câmara do Funchal. Ele promete ser diferente de Alberto João Jardim. Será, sem dúvida. Mas nem por isso vislumbramos que traga muito melhores políticas. Como aqui se diz já "deixámos de andar à deriva para seguir rumo de encontro a obstáculos que podem afundar-nos."

Por agora Albuquerque terá na avaliação do seu governo pelos madeirenses uns meses de graça, de benefício da dúvida. Depois logo se verá o que vai acontecer ao rumo das suas políticas para uma região autónoma que tanto tem sofrido com esta crise e o agravo quase ditatorial da governação de Alberto João Jardim por cerca de 40 anos consecutivos.

SOCIEDADE CIVIL CABO-VERDIANA CONTRA AUMENTOS SALARIAIS DOS POLÍTICOS




A organização Mobilização para Ação Cívica (MAC) organiza na segunda-feira, diante do Parlamento, uma manifestação para protestar contra o aumento dos salários dos titulares de cargos políticos em Cabo Verde, noticia hoje a Inforpress.

Um dos coordenadores do MAC, Ronny Moreira, indicou que a iniciativa visa consciencializar as pessoas sobre os aumentos salariais dos políticos cabo-verdianos, que, segundo o novo estatuto aprovado na quarta-feira por unanimidade no Parlamento, indexa os vencimentos ao do Presidente de Cabo Verde, cujo ordenado subiu 64%.

Nesse sentido, Ronny Moreira adiantou que se pretende também exortar o próprio Presidente cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, atualmente em Portugal em visita às comunidades na diáspora, a usar o poder de veto contra a proposta de lei.

"Estamos perante uma situação em que a população deve entender o que está em jogo, pois temos uma classe política arrogante, pretensiosa e única e exclusivamente virada para as suas próprias preocupações", afirmou, indicando esperar que o protesto se estenda por todo o arquipélago.

O estatuto dos titulares de cargos políticos foi aprovado quarta-feira por unanimidade dos deputados das três forças políticas representadas no Parlamento, de 72 assentos Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, maioritário e no poder desde 2001 - 38 parlamentares), Movimento para a Democracia (MpD, 32) e União Cabo-Verdiana Independente e Democrática (UCID, dois).

A nova líder do PAICV, Janira Hopffer Almada, posicionou contra o aumento dos titulares dos cargos públicos e, em declarações à Lusa, admitiu divergências entre a Comissão Política Nacional (CPN) e o Grupo Parlamentar do partido, liderado pelo seu principal adversário nas eleições diretas de dezembro de 2014, Felisberto Vieira.

Para Janira Hopffer Almada, cuja demissão da liderança do PAICV já foi pedida pelo MpD por causa do entendimento entre os grupos parlamentares dos dois partidos sobre o estatuto, o atual contexto socioeconómico do país não permite os aumentos, mesmo apesar de os responsáveis políticos manterem o salário definido em 1997.

Em causa está o aumento de 64% do salário do Presidente de Cabo Verde, que passou de 170.000 para 280.000 escudos (de 1.540 para 2.540 euros), montante a que passam a estar indexados os restantes salários dos titulares de cargos políticos - Parlamento, Governo e eleitos municipais.

Várias classes profissionais em Cabo Verde, como as polícias, professores, portos, alfândegas e administração pública têm exigido melhores condições de trabalho e aumento salariais e que não têm sido atendidas e a alta taxa de desemprego (a rondar os 16%).

Cálculos feitos pelo jornal cabo-verdiano A Semana indicam que a "atualização salarial", que vigorará a partir de 01 de janeiro de 2016, custará anualmente mais de 200 milhões de escudos (1,8 milhões de euros), valor "não oficial", igual a 4,1% das despesas no Orçamento do Estado para 2015 (43 milhões de euros).

Na sexta-feira à tarde, cerca de cinco centenas de manifestantes protestaram em frente ao Parlamento contra o novo estatuto e exigiram a Jorge Carlos Fonseca que vete o diploma, lembrando que 2016 será o ano de três eleições - legislativas, autárquicas e presidenciais.

O movimento organizador da manifestação, aparentemente surgido da sociedade civil, mas que contou com rostos conhecidos do PAICV e do MpD, ostentava cartazes como "basta", "ladrões" ou "os «thugs» [ladrões] estão no Parlamento".

As duas maiores centrais sindicais do país também já pediram ao Presidente para vetar o diploma.

Lusa, em Notícias ao Minuto

Presidente da Guiné-Bissau exorta diáspora em Portugal a regressar ao país




O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, apelou hoje em Lisboa à comunidade guineense em Portugal para que considere regressar ao país e ajudar na sua reconstrução.

"Eu vim cá precisamente para apelar-vos: comecem a pensar no vosso regresso. Os riscos que vocês assumem aqui em Portugal, devem aceitar corrê-los na vossa terra natal", declarou, num encontro com a diáspora guineense no Fórum Lisboa.

Depois de sublinhar que conhece bem os problemas dos emigrantes em Portugal, o chefe de Estado guineense acrescentou: "Não estou aqui para vos dar uma lição, estou aqui para ouvir conselhos e para vos dizer como vai a terra que vos viu nascer".

"A Guiné-Bissau é um país de oportunidades, porque nada está feito, está tudo por fazer - e 1,1 milhões de dólares é muito dinheiro", observou José Mário Vaz, referindo-se à ajuda financeira da comunidade internacional que fez questão de agradecer.

"Muito obrigado à comunidade internacional, que nunca virou costas à Guiné-Bissau, apesar de nós não termos sido muito corretos no seu uso: dinheiro dado para comprar copos foi gasto a comprar viaturas...", exemplificou, desencadeando o aplauso no auditório quase cheio.

Salientando que "agora, a bola está do lado da Guiné-Bissau", o Presidente classificou a atual situação do país como "uma oportunidade para os guineenses que estão em Portugal".

"Temos uma grande responsabilidade, meus concidadãos, e cada um tem de fazer o que sabe fazer: temos bons pedreiros, bons carpinteiros, bons eletricistas, bons empresários... Não pensem em ir para a Guiné-Bissau para serem ministros, secretários de Estado, funcionários públicos", advertiu.

"Devem regressar para concorrer com os demais para a concretização de projetos" que contribuam para "a construção do país", porque, acrescentou, se os guineenses não aproveitarem os recursos financeiros disponibilizados pela comunidade internacional "outros estão à espera".

José Mário Vaz explicou que "hoje, na Guiné-Bissau, o Estado é o maior empregador e não pode ser".

"O Estado não pode ser tudo, porque senão enfrenta problemas sérios; o Estado não pode criar riqueza e não pode criar emprego, isso cabe ao setor privado, e temos de ter a coragem de fazer essa reforma", defendeu.

Instando mais uma vez os seus concidadãos a regressar, neste seu primeiro encontro com a diáspora desde que foi eleito, em junho de 2014, o Presidente guineense fê-lo na forma de pedido.

"Eu vou pedir: temos de limpar essa mágoa, esse ódio que está no interior dos guineenses; devemos esquecer o passado e olhar para o futuro, para a construção do país", insistiu, recordando ser sua ambição "contribuir para a mudança radical da Guiné-Bissau", porque acredita que "o Presidente da República tem de ser o homem que está sempre à procura de consensos".

Lusa, em Notícias ao Minuto

Angola. DEMOCRACIA E BRANQUEAMENTO



Filomeno Manaças – Jornal de Angola

Não há país sem história e os angolanos orgulham-se de terem uma das mais ricas e brilhantes, apesar do pouco tempo de independência que têm. A proclamação da independência deu-se em meio a batalhas ferozes contra forças invasoras apoiadas por mercenários e aliados internos que pretendiam impedir a consagração desse momento histórico.


Esse feito está devidamente registado e os heróis dessa nova madrugada para Angola são conhecidos e merecem todo o nosso reconhecimento.

Agostinho Neto foi o timoneiro dessa grande epopeia e como político visionário cedo percebeu e conclamou que “Na Namíbia e na África do Sul estavam a continuação da nossa luta”.

Angola tem uma das histórias mais ricas e brilhantes porque além da luta pela sua libertação do jugo colonial fascista português, uma vez conquistada a independência nacional mergulhou no combate pela emancipação de outros povos. E isso foi alcançado com bravura.

A batalha do Cuito Cuanavale, que este ano completou mais um aniversário desde que ela teve lugar há 27 anos, em que as FAPLA enfrentaram e impuseram de modo decisivo uma derrota histórica às forças invasoras sul-africanas, apoiadas por tropas da UNITA e por soldados do batalhão Búfalo, é um marco incontornável que abriu caminho à independência da Namíbia, primeiro, e depois à libertação de Nelson Mandela e ao fim do apartheid na África do Sul, com a consequente realização das primeiras eleições multirraciais no país.

Revisitar a história, mergulhar nos factos do passado recente que tiveram o condão de alterar todo o curso da história política, social e económica da África Austral, reveste-se de importância excepcional num momento em que, à pala da democracia, vamos assistindo a investidas incessantes no sentido do escamoteamento da verdade, numa estratégia meticulosamente desenhada destinada ao branqueamento das situações históricas.

Aos jovens que hoje têm 20 anos de idade, alguns dos quais só começaram a ganhar consciência política há pouco mais de quatro anos, temos a obrigação de contar o que na verdade se passou e eles o dever de saber que a marcha para a liberdade que hoje saboreamos vem de longe e envolveu sacrifícios incontáveis que não podem, num ápice, ser atirados para debaixo do tapete porque, em nome da democracia, há quem entenda que assim deve ser feito.

Nada mais errado!

Não vá amanhã um iluminado qualquer vir dizer que o hediondo regime de apartheid não existiu na África do Sul. Do mesmo modo que agora vemos políticos da UNITA a endeusarem Jonas Savimbi e o seu cortejo de mortes e destruições que deixaram o país à beira do colapso. Um colapso que foi possível evitar porque os angolanos, defensores acérrimos da paz e comandados pelo Presidente José Eduardo dos Santos, levaram a comunidade internacional a acordar a tempo da letargia e reconhecer e declarar que o líder rebelde, na sua caminhada tresloucada para a conquista do poder a todo o custo, mandando às urtigas o veredicto das urnas, se constituiu num sério entrave a qualquer tipo de solução política e ameaça grave até mesmo aos interesses de antigos aliados.

A direcção política da UNITA revela-se órfã de Jonas Savimbi, apesar de saber que é, em democracia, contra natura defender os valores que o líder da rebelião armada abraçou e fez questão de os levar avante até ao fim da sua vida: o do recurso à violência para a conquista do poder.

Sabemos todos que milhares e milhares de cidadãos perderam a vida por esta Angola fora devido à extrema irracionalidade de Jonas Savimbi, que não poupava nem mesmo os seus mais próximos, muitos dos quais mortos de forma bárbara.

E temos todos de colocar a nossa consciência em alerta quando a direcção da UNITA pretende passar a ideia de um Jonas Savimbi comprometido com os valores democráticos, pois além de nos remeter ao passado tenebroso recente que fazia da morte de angolanos uma coisa banal, traduz a ideia de que a direcção de Isaías Samakuva é incapaz de refundar o partido e ajustá-lo aos verdadeiros princípios da democracia.

Não podemos permitir que se falseie a história e muito menos aceitar que nos queiram apresentar como normal que a democracia nasça e se desenvolva em Angola sob o estigma da cultura da violência, que subverte os seus mais nobres propósitos, de respeito pela diferença de opinião, dos resultados eleitorais, do reconhecimento da legitimidade do vencedor das eleições e observância de fair play.

SINDIKA DOKOLO QUER RECUPERAR PEÇAS DE ARTE QUE DESAPARECERAM DE ANGOLA




Marido de Isabel dos Santos quer criar fundo para recuperar peças roubadas do país

Sindika Dokolo, esposa de Isabel dos Santos, filha do Presidente angolano,  anunciou uma campanha para reaver para Angola peças de arte que desaparecem do  país após a independência. 

Voz da América

Numa entrevista ao jornal francês Le Monde, Dokolo, conhecido por ser um coleccionador de arte,  afirma estar a investigar as peças que desapareceram de Angola. Ele está a trabalhar para recuperar aas peças  com um comerciante de arte, com sede em Bruxelas, entre outros parceiros.

Sindika Dokolo afirma  que os arquivos indicam claramente que antes da independência estavam em Angola o que ele chama de peças de grande qualidade que desapareceram.

O genro do Presidente diz acreditar que a maior parte dos compradores dessas peças actuou de boa fé, mas  os traficantes venderam-nas,  escondendo as suas origens.

Segundo o marido de Isabel dos Santos logo que essas peças forem localizadas  a sua proposta é que os compradores recebam uma indemnização igual ao preço que pagaram pelas peças de arte angolana.

Duas máscaras Tchokwe de grande valor foram já encontradas e é agora intenção de Dokolo criar um fundo com vários advogados para identificar outras peças roubadas.

Dikolo fez notar que o Museu do Louvre em Paris possui uma estátua de Tchibina Ilunga, o herói mítico da civilização Tchokwe, mas Angola nada tem. Esta peça, entretanto, está avaliada agora em cerca de 30 milhões de dólares.

Aquele coleccionador de arte defende que cabe aos africanos reclamar o seu património e diz que preciso que em Angola “tenhamos consciência do valor das nossas raízes”.

No próximo mês, Sindika Dokolo tenciona organizar uma cerimónia com o rei dos Tchokwe no Dundo com quem vai abordar este assunto.

Moçambique. “FALTAM RESULTADOS NAS INVESTIGAÇÕES DOS RAPTOS” - cônsul




O cônsul geral de Portugal em Maputo considera que "faltam resultados nas investigações dos raptos em moçambique", quando a capital moçambicana experimenta uma nova vaga deste crime e que no primeiro trimestre já atingiu três cidadãos portugueses.

"Não se veem condenações dos mandantes nem dos mediadores", observou Gonçalo Teles Gomes, assinalando que as punições em tribunal de agente policiais envolvidos nas redes de raptos "evidentemente não tranquilizam".

"Queremos pensar que a polícia está empenhada e faz tudo, nós reiteradamente oferecemos a nossa disponibilidade para ajudar o Governo moçambicano a combater esse flagelo", disse o diplomata, acrescentando que esta persistente vaga de raptos "está a desestabilizar as famílias moçambicanas e expatriadas e a provocar um dano importante na imagem de Moçambique, até em potenciais investidores".

Comentando a admiração generalizada sobre a incapacidade de as autoridades moçambicanas conterem esta vaga de crime, Gonçalo Teles Gomes disse que ele próprio está "intrigado".

"As forças policiais provavelmente tentam fazer o seu melhor, mas não têm chegado a grandes resultados", insistiu, referindo que "os grupos criminosos perceberam que é um negócio que gera recursos facilmente e rapidamente", além de se sentirem impunes, atuando no centro da capital, à luz do dia.

O diplomata testemunhou o rapto de um cidadão português, há dois meses, a partir do seu gabinete no Consulado na avenida Mao Tse Tung, no coração da capital.

Na mesma semana, uma portuguesa foi levada na avenida Julius Nyerere, junto da delegação da União Europeia em Maputo e de outras embaixadas e a escassos metros da Presidência da República de Moçambique.

Dos quatro casos de raptos ocorridos em Maputo desde o início do ano, três atingiram vítimas com nacionalidade portuguesa, o último dos quais uma luso-moçambicana de 19 anos, no dia 20 de maio, também no centro da cidade, na mesma manhã em que o Presidente da República, Filipe Nyusi, discursava durante uma cerimónia de graduação de oficiais da polícia, exigindo uma resposta adequada e oportuna ao crime organizado.

As vítimas acabaram por ser todas libertadas e bem de saúde, sem detalhes fornecidos pelas famílias ou pelas autoridades.

"Tentamos dar todo o apoio possível às famílias, a todos os níveis, na negociação, no apoio psicológico, tudo o que é possível fazer em entidades que estão fora do seu país", referiu Teles Gomes sobre a atuação do Consulado nestes casos.

Durante o desenrolar do último rapto, a Lusa tentou obter reiteradamente informações da Polícia da República de Moçambique, sempre sem sucesso.

O novo Governo moçambicano, empossado em janeiro, declarou o combate à criminalidade organizada como uma das suas prioridades e vários quadros de chefia de forças policiais foram substituídos este mês, incluindo o diretor da Polícia de Investigação Criminal.

As autoridades policiais enfrentam uma pressão crescente da opinião pública, agravada no início de março pelo assassínio a tiro do constitucionalista Gilles Cistac, no centro da capital, num crime que assumiu contornos políticos e que continua por desvendar.

O bastonário da Ordem dos Advogados alertou, no dia passado dia 02, durante a abertura do ano judicial e na véspera do assassínio de Cistac, que a situação da polícia constitui "um dos elos mais fracos" do Estado moçambicano.

"Se não queremos que a alternativa ao Estado de Direito impere, isto é, que a arbitrariedade reine, precisamos de reformar urgentemente a polícia", apelou Tomás Timbane

Lusa, em Notícias ao Minuto

Moçambique. FILIPE NYUSI ELEITO NOVO PRESIDENTE DA FRELIMO




Filipe Nyusi foi eleito hoje presidente da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) pelo Comité Central do partido, anunciou hoje o porta-voz da força política, Damião José.

Em declarações aos jornalistas à margem dos trabalhos do Comité Central da Frelimo, que termina hoje, Damião José confirmou que Nyusi foi hoje escolhido para suceder a Armando Guebuza à frente do principal partido do país.

Nyusi ganha o partido depois de ter sido eleito Presidente da República em outubro de 2014, sucedendo também a Armando Guebuza, que havia completado dois mandatos como chefe de Estado.

Dos 189 elementos presentes do Comité Central, 186 votaram a favor, tendo-se verificado duas abstenções e um nulo.

Armando Guebuza demitiu-se hoje da liderança do partido no poder em Moçambique.

Lusa, em Notícias ao Minuto

Ban Ki-moon. Eleições na Nigéria decorrem com "grande calma e de maneira organizada"




O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, felicitou hoje os nigerianos pela organização das eleições no país que se desenrolam "com grande calma e de maneira organizada", apesar de vários ataques dos estremistas islâmicos do Boko Haram.

Ban Ki-moon apelou ainda às autoridades nigerianas para manterem esta atmosfera pacífica e condenou os ataques realizados pelo "Boko Haram e outros que visaram perturbar" o escrutínio para a presidência do país e para as legislativas.

Além disso, destacou o facto de os nigerianos terem demonstrado muita perseverança ao irem votar apesar da "violência injustificada".

Apelou ainda a todas as partes para continuarem a rejeitar a violência durante o resto da votação e quando do anúncio dos resultados.

No total, cerca de 69 milhões de eleitores, de um total de 173 milhões de habitantes da Nigéria, vão eleger o presidente do país, 109 senadores e 360 deputados da nação mais populosa de África, o maior produtor de petróleo e primeira potência económica do continente.

Lusa, em Notícias ao Minuto

Alpes - Airbus 320 Afinal a caixa negra mostra mais do que as autoridades afirmam




O acidente nos Alpes franceses foi mais fácil de entender após a audição da caixa negra encontrada, contudo, as autoridades parecem ter escondido alguns pormenores.

O jornal alemão Bild afirma ter tido acesso às gravações da caixa negra do Airbus 320 que se despenhou nos Alpes e explica que nem tudo se passou da forma como as autoridades relataram.

A imprensa alemã noticia que os passageiros se aperceberam minutos antes que o avião estava em queda, principalmente devido às tentativas agressivas que o piloto fez para entrar no cockpit.

O jornal alemão frisa que a conversa nos primeiros 20 minutos foi bastante banal. O piloto comentou que não tinha tido tempo de ir à casa de banho, antes da partida de Barcelona.

10h27 - Avião atinge a altitude de cruzeiro, por volta de 11 600 metros, e é nesta altura que o piloto pediu a Lubitz que preparasse a aterragem em Düsseldorf, ao qual o jovem respondeu "já se vê".

O copiltoto diz ao comandante que pode ir à casa de banho e quando sai do cockpit, autoriza a que Lubitz fique a comandar o Airbus 320.

10h29 - Após este momento ouve-se a saída do comandante alemão, esta é a hora em que o avião começa a descer.

10h32 - Controladores aéreos franceses tentavam obter resposta dos pilotos mas sem sucesso. Um alarme no cockpit é disparado. Começam-se a ouvir batidas fortes objetivando a entrada do piloto na cabine.

A voz do piloto é possível de ouvir, "por amor de Deus, abre a porta". Neste instante começam-se a ouvir gritos dos passageiros.

10h35 - Ouvem-se golpes "metálicos contra a porta do cockpit", supostamente um machado que o piloto deverá ter usado. Segundos depois surge o alarme dos 5000 metros de altitude e o responsável pelo voo grita "abre a maldita porta!".

10h38 - Percebe-se que o piloto está vivo, ouve-se a sua respiração e mantém-se no contolo da cabine.

10h40 - O avião toca na montanha e os gritos aumentam de tom.

A caixa negra acabou por se desintegrar no trágico embate e não é possível ouvir mais nada.

Notícias ao Minuto

NETANYAHU ANUNCIA O FIM DA “SOLUÇÃO DE DOIS ESTADOS”



Thierry Meyssan*


Os acordos de Oslo, que Yitzhak Rabin e Yasser Arafat haviam imposto aos seus povos, foram liquidados durante a campanha eleitoral israelita. Benjamin Netanyahu mergulhou os colonos judeus num impasse, que será forçosamente fatal para o regime colonial de Telavive. Tal como a Rodésia não aguentou mais que 15 anos, os dias do Estado hebreu estão agora contados.

Durante a sua campanha eleitoral, Benjamin Netanyahu afirmou, com franqueza, que, enquanto ele vivesse, jamais os Palestinianos teriam o seu próprio Estado. Ao fazê-lo, pôs fim a um «processo de paz» que prolongadamente se arrasta, desde os acordos de Oslo, há mais de 21 anos. Assim se acaba a miragem da «solução de dois Estados».

Netanyahu apresentou-se como um “rambo”, capaz de assegurar a segurança da colónia judia esmagando para isso a população autóctone. 

- Ele tem dado o seu apoio à al-Qaida, na Síria.

- Ele atacou o Hezbolla, na fronteira do Golã, matando, nomeadamente, um general dos Guardiões da Revolução e Jihad Moghniyé.

- Ele foi desafiar o presidente Obama denunciando, no Congresso, os acordos que a sua administração negoceia com o Irão.

Os eleitores escolheram a sua via, a da lei da força.

Portanto, olhando para isto, mais de perto, tudo, nisso, é pouco glorioso e não tem futuro.

Netanyahu substituiu a força de paz das Nações Unidas pelo ramo local da Al-Qaida, a Frente Al-Nusra. Ele providenciou-lhe um apoio logístico transfronteiriço e fez-se fotografar com os chefes terroristas, num hospital militar israelita. No entanto, a guerra contra a Síria mostra-se uma derrota para o Ocidente e para os países do Golfo. Segundo a ONU, a República Árabe da Síria só consegue garantir o contrôlo de 60% do seu território, mas, este numero é enganoso já que o resto do país é um terreno totalmente desértico, por definição incontrolável. Ora, segundo as Nações Unidas, os «revolucionários» e as populações que os apoiam, quer sejam jiadistas ou «moderados» (quer dizer abertamente pró-israelitas), não atingem mais que 212 mil entre os 24 milhões de sírios. Quer dizer, menos de 1% da população.

O ataque contra o Hezbolla matou, é certo, algumas personalidades, mas ele foi imediatamente vingado. Enquanto Netanyahu afirmava que a resistência libanesa estava atolada na Síria e não conseguiria replicar, o Hezbolla, com uma fria precisão matemática, matou, alguns dias mais tarde, à mesma hora, o mesmo número de soldados israelitas na zona ocupada das granjas de Chebaa. Ao escolher as granjas de Chebaa, a zona mais guardada pelo Tsahal (significa Forças de Defesa de Israel- ndT), o Hezbolla lançava uma mensagem de poderio, claramente, dissuasora. O Estado hebreu compreendeu que não era, mais, o senhor do jogo, e encaixou esta chamada à ordem sem estrebuchar.

Finalmente, o desafio lançado ao presidente Barack Obama arrisca sair caro a Israel. Os Estados Unidos negoceiam com o Irão uma paz regional, que lhes permita retirar a maior parte das suas tropas. A ideia de Washington é a de apostar no Presidente Rohani, para fazer de um Estado revolucionário uma normal potência regional. Os Estados Unidos reconheceriam o poder iraniano no Iraque, na Síria e no Líbano, assim como também no Barein e no Iémene, em troca do qual Teerão deixaria de exportar a sua Revolução para África e para a América Latina. O abandono do projecto do Imã Khomeini seria garantido por uma renúncia ao seu desenvolvimento militar, especialmente, mas não apenas, em matéria nuclear (ainda uma vez mais, não se trata da bomba atómica, mas de motores de propulsão nuclear). A exasperação do presidente Obama é tal, que o reconhecimento da influência do Irão poderia chegar até à Palestina.

Netanyahu imita as acções de Ian Smith que, em 1965, recusando-se a reconhecer os direitos civis dos negros da Rodésia, rompeu com Londres e proclamou a sua independência. Mas, Ian Smith não conseguiu manter o seu estado colonial, que foi devorado pela resistência da União Nacional Africana de Robert Mugabe. Quinze anos mais tarde Smith teve que desistir, enquanto a Rodésia se tornava no Zimbabué e a maioria negra chegava ao poder.

As bravatas de Netanyahu, como antes as de Ian Smith, visam mascarar o impasse no qual ele mergulhou os colonos. Tendo ganho tempo, durante os últimos seis anos, em vez de aplicar os acordos de Oslo, ele só aumentou a frustração da população indígena. E, assim, vangloriando-se que conseguiu empatar a Autoridade palestina, para nada, ele provoca um cataclismo.

Desde logo, Ramallah anunciou que cessaria toda a cooperação securitária com Telavive se Netanyahu fosse, de novo, nomeado Primeiro-ministro, e aplicasse o seu novo programa. Se uma tal ruptura ocorrer, a população da Cisjordânia, e a de Gaza certamente, deverão ter, de novo, de se enfrentar com o Tsahal(FDI). Isto daria a Terceira Intifada.

O Tsahal (FDI)teme de tal modo esta situação que os seus principais oficiais superiores, na reserva, formaram uma associação, os Commanders for Israel’s Security (Comandantes pela Segurança de Israel - ndT), que não parou de alertar contra a política do Primeiro-ministro. Este último, mostrou-se incapaz de formar uma outra associação para o defender. Na realidade, é o exército, em conjunto, que se opõe à sua política. Os militares compreenderam, muito bem, que Israel poderia ainda estender a sua hegemonia, como no Sudão do Sul e no Curdistão iraquiano, mas que ele não poderia, mais, expandir o seu território. O sonho de um Estado colonial do Nilo ao Eufrates é irrealizável, e pertence a um século passado.

Ao recusar a «solução de dois Estados», Netanyahu acredita abrir a via para uma solução à rodesiana. No entanto, este exemplo mostrou que isso não era viável. O Primeiro-Ministro pode celebrar a sua vitória, mas ela será de curta duração.

Na realidade, a sua cegueira abre a via a duas outras opções: quer uma solução à argelina, quer dizer a expulsão de milhões de colonos judeus, dos quais muitos não têm nenhuma outra pátria para os acolher, ou uma solução à sul-africana, quer dizer a integração da maioria palestina no Estado de Israel segundo o princípio «um homem, um voto» ; a única opção humanamente aceitável.


*Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación(Monte Ávila Editores, 2008).