quinta-feira, 5 de março de 2015

Portugal. Homem penhorado pela Segurança Social quer ser tratado igual a Passos




Manuel Pinto, um vendedor de 51 anos, recebeu em 2010 e 2011 cartas para saldar uma dívida à Segurança Social – colectou-se em 2003 e só pagou o primeiro mês. No dia em que foi fazer o acordo para saldar a dívida, penhoraram-lhe mais de 700 euros sem ter recebido uma carta de aviso, contou à TSF.

Depois de ter regularizado tudo – pagou uma pouco mais de dois mil euros já com juros – voltou a ser surpreendido: “Quando vou pedir uma certidão para não pagar IMI, sou confrontado com uma dívida e sou informado que seriam os valores para trás do ano que eu tinha começado a pagar”, explicou o vendedor. Estes valores eram referentes a uma dívida que já estaria prescrita. Depois de ter pedido a prescrição da mesma, recebeu uma carta a dizer que “não devia nada”.

Manuel Pinto afirma que teve um tratamento diferente do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho e exige justiça: “Vim agora a saber que ninguém pode ser executado sem receber uma carta registada e agora gostaria de saber onde posso pedir o meu dinheiro de volta”.

De acordo com as declarações do vice-presidente do Instituto de Segurança Social à TSF, milhares de contribuintes foram mal notificados em 2007.

Casos como este começaram a dar mais que falar na última semana, depois de ter sido noticiado que Pedro Passos Coelho tinha acumulado dívidas à Segurança Social durante cinco anos. 

O primeiro-ministro respondeu ontem, no encerramento das jornadas parlamentares do PSD, a essas mesmas notícias: "Podem crer que eu muitas vezes me atrasei", admitiu, afirmando que nunca deixou de cumprir as suas obrigações. "Nunca deixei de solver as minhas responsabilidades", sublinhou, afirmando que não tem "nenhuma dívida ao fisco".

Sol, ontem

Stacey Addison. Turista dos EUA deixa Timor-Leste após seis meses a braços com a justiça




Díli, 05 mar (Lusa) -- Uma turista norte-americana regressou aos Estados Unidos após seis meses detida em Timor-Leste devido à descoberta de drogas num táxi que estava a partilhar com mais pessoas.

Stacey Addison, veterinária, chegou hoje a Portland, no estado do Oregon, onde foi recebida pela mãe no aeroporto da cidade, segundo reportagens televisivas.

"É uma sensação fantástica, é um alívio estar finalmente de volta a casa, estar fora dali", disse a turista a uma estação de televisão local, acrescentando que a experiência por que passou em Timor-Leste foi "uma montanha-russa emocional".

Um grupo criado na rede social Facebook para pedir a sua libertação, publicou uma mensagem celebratória na terça-feira, anunciando que ela deixara Timor-Leste: "Finalmente aconteceu! A Stacey está a caminho de casa!!!".

Addison foi detida a 05 de setembro, depois de terem sido encontradas metanfetaminas no táxi partilhado que se dirigia para a capital, Díli, mas negou ter cometido qualquer crime.

A veterinária norte-americana, que tinha acabado de entrar em Timor-Leste via Indonésia quando foi detida, escreveu no Facebook que outro passageiro -- que ela não conhecia - pegou na bagagem que continha a droga, e a polícia deteve posteriormente todas as pessoas que seguiam no veículo.

Stacey Addison foi libertada ao fim de alguns dias na prisão, mas foi depois novamente detida, embora não tenha sido alvo de qualquer acusação. Foi outra vez libertada em dezembro, mas as autoridades timorenses retiveram o seu passaporte enquanto continuavam a investigar o caso.

O seu advogado tinha avisado que o inquérito poderia levar dois anos, mas na semana passada o Governo timorense anunciou que o ministério público decidira não a acusar.

O departamento de Estado norte-americano apoiou Addison e exerceu pressão para que ela fosse libertada.

Timor-Leste condena a penas severas arguidos em casos de droga, incluindo a pena de morte para traficantes.

ANC // JMR

AUSTRÁLIA OFERECE À INDONÉSIA TROCA DE PRESOS POR CONDENADOS À MORTE




Sydney, 05 mar (Lusa) - O Governo australiano ofereceu à Indonésia a possibilidade de troca de prisioneiros pelos dois cidadãos australianos condenados à morte e que se encontram na última fase antes da execução, disse hoje a ministra dos Negócios Estrangeiros, Julie Bishop.

A chefe da diplomacia australiana expôs a ideia na terça-feira à noite durante uma conversa telefónica com a sua homóloga indonésia, Retno Marsudi, diálogo que uma publicação do grupo News Corp Australia descreveu como "tenso".

"O que procurávamos era a oportunidade de discutir opções disponíveis na área da transferência de prisioneiros, uma troca de prisioneiros", disse Bishop, depois de participar numa vigília pelos dois australianos, hoje, em Camberra.

Bishop referia-se à situação dos traficantes de droga Andrew Chan, de 31 anos, e Myuran Sukumaran, de 33, que se encontram na ilha de Nusakambangan, onde se espera que sejam executados em breve, apesar de a data ainda não ter sido anunciada.

Segundo a ministra, ainda não foram discutidos detalhes sobre a possível troca de prisioneiros, estando o Governo australiano agora à espera de uma resposta por parte do Executivo indonésio.

O primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, que também participou na vigília, afirmou que solicitou à Indonésia para ter uma última conversa telefónica com Widodo.

"Posso garantir que esse pedido será aceite", assegurou Abbott, sublinhado que a Austrália "respeita a Indonésia e honra a sua amizade, mas defende os seus valores e os seus cidadãos".

ISG // JCS

INDONÉSIA CONFIRMA QUE VAI AVANÇAR COM EXECUÇÕES DOS AUSTRALIANOS




Jacarta, 05 mar (Lusa) - O ministro da Segurança indonésio disse hoje que Jacarta vai avançar com a execução dos dois traficantes de droga australianos e de outros condenados estrangeiros, rejeitando a oferta de troca de prisioneiros avançada por Camberra.

"De acordo com a ordem do Presidente, a pena de morte proclamada para os condenados vai ser aplicada", afirmou Tedjo Edhy Purdijatno, em Jacarta.

ISG // ARA

Moçambique. QUE A CULPA NÃO MORRA SOLTEIRA!



Verdade (mz) - Editorial

Indivíduos supostamente desconhecidos assassinaram, à queima-roupa, o constitucionalista moçambicano Gilles Cistac, na manhã de terça-feira (03), em Maputo, um acto duplamente cobarde e de intolerância contra a liberdade e diversidade de opinião. Mas porquê? Porquê exterminar um homem, sobretudo pelas costas?

A esta altura, aqueles que acabaram com a vida de Gilles Cistac esfregam as mãos, vibram e comemoram por ter calado, definitivamente, a voz de quem proferia discursos que contrariavam o senso comum e regia-se pelas leis. Porém, eternizaram-se o pensamento e os ideias que, talvez, só uma morte natural se encarregaria de abafá-los.

Aqueles que interromperam, por iniciativa própria ou por encomenda, o percurso de um compatriota que se fazia valer pelos seus princípios e que não se vergava diante daqueles que o consideravam contra determinados grupos, amanhã estarão, com certeza, no enterro da vítima e vão chorar “lágrimas de crocodilo”. Os lambe-botas que integram o famigerado G40, bem como aqueles que sobrevivem das tetas das suas facções, celebram também a sua cobardice. Contudo, que a culpa não mora solteira!

As palavras de Tomás Timbane, bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique, segundo as quais “a Polícia é um dos elos mais fracos do nosso Estado” e as instituições da Justiça são letárgicas em relação a este tipo de casos, devem cair por terra, detendo-se os culpados por esta chacina que atenta contra os mais elementares direitos fundamentais, dentre os quais as liberdades intelectual e de expressão.

Crimes como este não podem prevalecer sobre a impotência de quem elegemos para garantir a nossa segurança, que há tempos está em xeque mas finta-se o povo com um discurso sobre um trabalho que na realidade pouco se reflecte. O Estado não pode colapsar...!

Na falta de razões claras do que estará na origem desta selvajaria, a especulação ocupa o lugar dos factos e abre espaço para que se acredite que Gilles Cistac foi vítima da cobardia daqueles que são alérgicos a opiniões contrárias à lógica política estabelecida pelo regime. Os gestores do Estado têm de inverter o curso da história: encontrar um antídoto eficaz que permita termos uma Polícia comprometida com a Lei e Ordem.

Moçambique é o país lusofóno com maior número de mulheres no parlamento




Genebra, 05 mar (Lusa) - Moçambique é o país lusófono com o maior número de mulheres no parlamento, segundo o relatório anual da União Interparlamentar (IPU), divulgado hoje em Genebra.

A Moçambique seguem-se, por ordem decrescente, Timor-Leste, Angola, Portugal, Guiné Equatorial, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Brasil.

A nível mundial, Moçambique ocupa o 13.º lugar, com 39,6% dos lugares no parlamento preenchidos por mulheres.

Timor-Leste subiu dois lugares em relação ao ano anterior e ocupa o 16.º lugar mundial, com 38,5% de mulheres no parlamento nacional, sendo o melhor resultado da região Ásia e Pacífico.

A 19.ª posição no 'ranking' é ocupada por Angola, com 36,8% de mulheres representadas no parlamento, enquanto Portugal ocupa a 30.ª posição, com 31,3% de mulheres eleitas na Assembleia da República.

A Guiné Equatorial está no 52º lugar da classificação mundial, com 24% de mulheres representadas no parlamento, ainda presidido por uma mulher, enquanto Cabo Verde ocupa o 63.° lugar, com uma Assembleia Nacional constituída por 20,8% de mulheres.

Já São Tomé e Príncipe está na 75.°posição, com 18,2% de mulheres representadas, seguido da Guiné-Bissau, no 94.° lugar, com 13.7% de mulheres.

O Brasil, que ocupa a última posição entre os países lusófonos, está no 116º lugar, com 9% de mulheres na Câmara dos Deputados e 13.6% de mulheres do Senado Federal.

O relatório referencia a nível mundial o número de mulheres nos parlamentos até ao dia 01 de janeiro 2015.

"Se se quer que as quotas funcionem, é preciso que sejam fortes. No Brasil não há sanções, há uma interpretação livre das quotas", disse à Lusa Kareen Jabre, diretora dos programas da UIP, indicando que os partidos não são obrigados a cumprir o número de 30% de mulheres em lugares elegíveis.

A nível mundial, o número de mulheres parlamentares dobrou em 20 anos. Assim, desde a adoção em 1995 do programa de Pequim para a emancipação das mulheres, a média mundial passou de 11.3% em 1995 para 22.1% em 2015.

No entanto, comparativamente a 2013 (21,8%), a percentagem de mulheres representadas em parlamentos subiu ligeiramente em 2014 para 22,1%.

"Este abrandamento dos progressos demonstra talvez que devemos pensar noutras formas de promover as mulheres", adiantou a diretora.

A UIP agrupa 166 membros e 10 membros associados e foi criada em 1889, tendo a sua sede em Genebra, Suíça.

VYE // APN

Moçambique. POLÍCIA IMPEDE HOMENAGEM A GILLES CISTAC NA BEIRA




Cerca de 70 estudantes trajavam camisolas com os dizeres "Gilles Cistac, um homem que nunca vai morrer, estará sempre nas nossas mentes”.

Voz da América

A Polícia de Moçambique (PRM) impediu hoje, 5, a manifestação de cerca de 70 estudantes do Instituto de Ciências e Tecnologia Alberto Chipande que pretendiam homenagear o constitucionalista e professor universitário Gilles Cistac, assassinado na passada terça-feira em Maputo.

Os estudantes estavam concentrados na Praça 3 de Fevereiro, trajando camisolas com os dizeres “Gilles Cistac, um homem que nunca vai morrer, estará sempre nas nossas mentes”,  quando foram impedidos pela polícia.

Depois de uma hora, os jovens foram dispersados sem violência nem prisões.

Responsáveis do Instituto de Ciências e Tecnologia Alberto Chipande disseram não entender a atitude da polícia que foi informada a tempo sobre a manifestação.

Em Maputo, o Núcleo de Estudantes de Direito da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) vai realizar, no sábado, uma marcha de homenagem ao constitucionalista Gilles Cistac.

A marcha sairá às 7 horas do local onde o académico foi baleado até à Faculdade de Direito da UEM.

Os organizadores esperam que 500 pessoas participem na marcha, entre estudantes, colegas, amigos, familiares de Gilles Cistac e activistas sociais.

Angola. Advogados dos familiares de Cassule e Kamulingue processam "General Filó"




"General Filó" voltou a faltar a audiência no tribunal

Coque Mukuta - Voz da América

Os advogados dos familiares de Isaías Cassule e Alves Kamulingue, assassinados em 2012 por agentes dos serviços, vão processar criminalmente o oficial superior das Forças Armadas Angolanas, tenente-general, José Peres Afonso, conhecido como “General Filó” por ser um dos autores morais dos homicídios.

A partir de agora, com ou sem a presença do tenente-general, o grupo de advogado das Mãos Livres vai intentar um processo-crime contra o general por ter sido citado como um dos autores morais dos assassinatos.

David Mendes, assistente da família das vítimas, diz não concordar que o tribunal inicie as alegações finais sem antes ouvir o “general Filó”, para que este julgamento não venha a ser mais uma comédia do Caso Frescura, em que o Tribunal Supremo absolveu os sete polícias acusados de terem assassinado em 2008 no município do Sambizanga, oito jovens que se encontravam em pleno laser.

“Primeiro é que não concordamos que o julgamento termine sem antes ouvirmos o general Filo, nós não vamos admitir que ele não se faça presente porque não queremos mais assistir o caso Frescura, em que no final o Tribunal Supremo soltou todos os condenados”, disse.

Com a audiência desta quarta-feira, 4, em curso, não se sabe ainda se o Ministério Público vai pedir indemnização para as famílias das vitimas.

David Mendes afirma ainda o general terá mesmo de responder em processo-crime passando assim de declarante a arguido, tendo em conta as declarações do réu que era o elo de ligação entre o general e o grupo técnico do MPLA, em Luanda, que se dedicava a agredir os manifestantes em Luanda.

David Mendes entende que caso o responsável moral não seja responsabilizado, as agressões contra os activistas vão continuar.

Recorde-se que Alves Kamulingue e Isaías Cassule foram raptados na via pública, em Luanda, nos dias 27 e 29 de maio de 2012, quando tentavam organizar uma manifestação para exigir o pagamento das suas pensões e salários em atraso às autoridades governamentais angolanas. 

Segundo informações postas a circular na altura, as vítimas foram mortas em separado: Cassule foi espancado e largado no rio Bengo, num local frequentado por jacarés, e Kamulingue foi morto com um tiro na cabeça.

Angola tem o maior aumento de mulheres deputadas dos países lusófonos




Genebra, 05 mar (Lusa) - Angola é o país de língua portuguesa que registou o maior aumento de mulheres no parlamento entre 1995 e 2015, segundo o relatório da União Interparlamentar (IPU), divulgado hoje em Genebra.

Entre 1995 e 2015, a percentagem de mulheres no parlamento passou de 9.5% para 36.8% em Angola, equivalente a um aumento de 27.3 pontos percentuais, o maior entre os países lusófonos.

A Angola, seguem-se, por ordem decrescente, Portugal, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné Bissau e Brasil.

Os mesmos valores comparativos de Timor-Leste não existem já que o país obteve a sua independência apenas em 2002.

A diretora dos programas da UIP, Kareen Jabre, disse à Lusa que a tendência geral para os países em fase pós-conflito, como Moçambique e Angola, foi incluir quotas na lei eleitoral logo na primeira fase de reconstrução para favorecer a representação de mulheres em política.

No caso de Timor-Leste, foi só numa segunda fase após o conflito que foram aprovadas as quotas para melhorar a representatividade das mulheres no parlamento, de acordo com Kareen Jabre.

Atualmente, a legislação timorense impõe quotas nas listas eleitorais, nas quais tem de haver uma mulher em cada três candidatos. O parlamento timorense contabiliza neste momento 38.5% de mulheres, o melhor resultado da região de Ásia e Pacífico.

A nível mundial, Angola ocupa o 7.º lugar, com um aumento 27.3 pontos na representatividade de mulheres no parlamento entre 1995 e 2015.

A 30.ª posição no 'ranking' é ocupada por Portugal que passou em 20 anos de 13% para 31.3% de mulheres eleitas na Assembleia da República, enquanto a Guine Equatorial ocupa a 42.ª posição, com 7.5% em 1995 e 24% em 2015 de mulheres representadas no parlamento, que é presidido por uma mulher.

Moçambique está no 59.° lugar da classificação mundial, o número de mulheres parlamentares passou de 25.2% em 1995 para 39,6 em 2015.

Já São Tomé e Príncipe está na 80.°posição, com 18,2% de mulheres representadas em 2015 contra 7.3 em 1995, seguido de Cabo Verde, no 86.° lugar, com 11.1% de mulheres em 1995 e 20.8%, em 2015.

Guiné-Bissau ocupa o 131º lugar, com 10% de mulheres em 1995 e 13.7%, em 2015, enquanto Brasil, que regista a menor progressão dos país lusófonos e ocupa a 143.ª posição com 7% de mulheres parlamentares em 1995 e 9% em 2015.

O relatório referencia a nível mundial o número de mulheres nos parlamentos até dia 01 de janeiro 2015.

A nível mundial o número de mulheres parlamentares dobrou em 20 anos. Assim, desde a adoção em 1995 do programa de Pequim para a emancipação das mulheres, a média mundial passou de 11.3% em 1995 para 22.1% em 2015.

No entanto, comparativamente a 2013 (21,8%), a percentagem de mulheres representadas em parlamentos subiu em 2014 para 22,1%.

"Este abrandamento do progresso demonstra talvez que as quotas tornam-se barreiras de vidros e que devemos pensar noutras formas de promover as mulheres", adiantou a diretora.

A UIP agrupa 166 membros e 10 membros associados, foi criada em 1889, tendo a sua sede em Genebra, Suíça.

VYE // PJA

Brasil: QUEM TEM MEDO DO LULA?




Lula é odiado porque deveria ter dado errado e deixado as elites para seguirem governando o Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador.

Emir Sader – Carta Maior, em Blog do Emir

A direita – midiática, empresarial, partidária, religiosa – entra em pânico quando imagina que o Lula possa ser o candidato mais forte para voltar a ser presidente em 2018. Depois de ter deixado escapar a possibilidade de vencer em 2014, com uma campanha que trata de colocar o máximo de obstáculos para o governo de Dilma – em que o apelo a golpe e impeachment faz parte do desgaste –, as baterias se voltam sobre o Lula.

De que adiantaria ajudar a condenar a Dilma a um governo sofrível, se a imagem do Lula só aumenta com isso? Como, para além das denuncias falsas difundidas até agora, tratar de desgastar a imagem de Lula? Como, se a imagem dele está identificada com todas as melhorias na vida da massa da população? Como se a projeção positiva da imagem do Brasil no mundo está associada à imagem de Lula? Como se a elevação da auto estima dos brasileiros tem a ver diretamente com a imagem de Lula?
 
Mas, quem tem tanto medo do Lula? Por que o ódio ao Lula? Por que esse medo? Por que esse ódio? Quem tem medo do Lula e quem tem esperanças nele? Só analisando o que ele representou e representa hoje no Brasil para entendermos porque tantos adoram o Lula e alguns lhe têm tanto ódio.
 
Lula deu por terminados os governos das elites que, pelo poder das armas, da mídia, do dinheiro, governavam o pais só em função dos seus interesses, para uma minoria. Derrotou o candidato da continuidade do FHC e começou uma serie de governos que melhoraram, pela primeira vez, de forma substancial, a situação da massa do povo brasileiro.
 
Quem se sentiu afetado e passou a odiar o Lula? As elites politicas que se revezavam no governo do Brasil há séculos. Os que sentiram duramente a comparação entre a formas deles de governar e a de Lula. Sentiram que o Brasil e o mundo se deram conta de que a forma de Lula de governar é a forma de terminar com a fome, com a miséria, com a desigualdade, com a pobreza, com exclusão social. Eles sofrem ao se dar conta que governar para todos, privilegiando os que sempre haviam sido postergados, é a forma democrática de governar. Que Lula ganhou apoio e legitimidade, no Brasil, na América Latina e no mundo justamente por essa forma de governar.
 
Lula demonstrou, como ele disse, que é possível governar sem almoçar e jantar todas as semanas com os donos da mídia. Ele terminou seu segundo mandato com mais de 80% de referências negativas na mídia e com mais de 90% de apoio. Isso dói muito nos que acham que controlam a opinião publica e o pais por serem proprietários dos meios de comunicação.
 
Lula demonstrou que é possível – e até indispensável – fazer crescer o pais e distribuir renda ao mesmo tempo. Que uma coisa tem a ver intrinsecamente com a outra. Que, como ele costuma dizer, “O povo não é problema, é solução”. Dinheiro nas mãos dos pobres não vai pra especulação financeira, vai pro consumo, para elevar seu nível de vida, gerando empregos, salários, tributação.
 
Lula mostrou, na pratica, que o Brasil pode melhorar, pode diminuir suas desigualdades, pode dar certo, pode se projetar positivamente no mundo, se avançar na superação das desigualdades – a herança mais dura que as elites deixaram para seu governo. Para isso precisa valorizar seu potencial, seu povo, elevar sua auto estima, deixar de falar mal do país e de elogiar tudo o que está lá fora, especialmente no centro do capitalismo.
 
Lula fez o Brasil ter uma política internacional de soberania e de solidariedade, que defende nossos interesses e privilegia a relação solidaria com os outros países da America Latina, da África e da Ásia.
 
Lula foi quem resgatou a dignidade do povo brasileiro, de suas camadas mais pobres, em particular do nordeste brasileiro. Reconheceu seus direitos, desenvolveu politicas que favoreceram suas condições de vida e uma recuperação espetacular da economia, das condições sociais e do sistema educacional do nordeste.
 
Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo.
 
A melhor resposta ao ódio ao Lula é sua consagração e consolidação como o maior líder popular da  historia do Brasil. A força moral das suas palavras – que sempre tentam censurar. Sua trajetória de vida, que por si só é um exemplo concreto de como se pode superar as mais difíceis condições e se tornar um líder nacional e mundial, se se adere a valores sociais, políticos e morais democráticos.
 
Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia.
 
O Lula é a maior garantia da democracia no Brasil, porque sua vida é um exemplo de prática democrática. O amor do povo ao Lula é a melhor resposta ao ódio que as elites têm por ele. 

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INTENTONA GOLPISTA CONTRA VENEZUELA - Ramonet



Ignacio Ramonet - monde-diplomatique.es - en Rebelion

Simpática ave de la fauna amazónica, el tucano es bien conocido por su espectacular pico de vistoso color. Pero también es el nombre de un agresivo “pájaro de acero” fabricado por el constructor brasileño Embraer, cuya denominación militar es EMB 312, y cuyos dos modelos más vendidos son: el T-27 en su versión de entrenamiento, y el AT-27 armado para ataques a tierra. Es una de las aeronaves de entrenamiento más vendidas en el mundo. La aviación militar de Venezuela, por ejemplo, posee una treintena de Tucanos.

Y precisamente uno de esos Tucanos militares, artillado para atacar, debía bombardear el Palacio de Miraflores, en Caracas, el pasado 12 de febrero. Y matar al Presidente Nicolás Maduro. Tenía asimismo por misión atacar el Ministerio de Defensa, destruir el edificio que alberga los estudios del canal de televisión internacional TeleSUR para sembrar el caos y la confusión.

Según reveló el propio presidente Maduro, la intentona de golpe fue desarticulada gracias a la habilidad de los organismos de inteligencia bolivarianos. Ello permitió el arresto de un grupo de oficiales de la aviación y de civiles uniformados. “Se trata –declaró el mandatario venezolano– de un intento de utilizar a un grupo de oficiales de la aviación para provocar un ataque y un atentado golpista contra la democracia y la estabilidad de nuestra patria; es un coletazo del llamado ‘Golpe azul’ (1) de hace un año, en febrero-marzo de 2014”.

Nicolás Maduro contó que uno de los oficiales involucrados estaba “comprometido”, desde el año pasado, con grupos de la ultraderecha venezolana que buscaban generar de nuevo disturbios violentos en el país. El presidente reveló que, después de una serie de investigaciones, las autoridades militares exigieron que ese oficial fuera cesado de las Fuerzas Armadas. “Pero hace unas semanas –explicó el mandatario– varios opositores lo contactaron de nuevo, le pagaron una suma importante en dólares y le confiaron varias misiones. Al mismo tiempo, la Embajada de Estados Unidos le concedía un visado con fecha del 3 de febrero, y le garantizaba que, ‘si eso falla, ya sabes, tienes el visado para entrar en EE.UU. por cualquiera de nuestras fronteras’”.

A partir de ese momento –siguió relatando Nicolás Maduro– ese oficial contactó con cuatro compañeros más para ejecutar las misiones “trazadas desde Washington”. Una de ellas consistía en grabar en vídeo unas declaraciones del general de aviación Oswaldo Hernández Sánchez en la cárcel en la que se halla detenido por haber intentado ya dar un golpe de Estado en 2014.

“La orden era grabar un vídeo de este general a quien apodan ‘El Oso’ y, el 12 de febrero, en los actos de conmemoración (2) hacer despegar un avión Tucano y atacar el Palacio de Miraflores, y otros ‘objetivos tácticos’ como el Ministerio de Defensa, el Consejo Nacional Electoral (CNE) y la sede del canal TeleSUR. La orden de iniciar la acción putschista se disparaba en el momento en que un diario de la oposición publicase lo que ellos llamaban el ‘programa de gobierno de transición’” (3).

Por su parte, Diosdado Cabello, presidente de la Asamblea Nacional venezolana, y Jorge Rodríguez, alcalde del municipio Libertador de la capital, aportaron en Caracas, el 13 de febrero pasado, más detalles de la intentona golpista. Ambos dirigentes chavistas confirmaron que los oficiales detenidos habían admitido que la publicación de un “Manifiesto” en la prensa era una de las señales para lanzar la tentativa, cuyo nombre de código era: “Operación Jericó” (4).

Ambos revelaron que, según las declaraciones de los detenidos, los golpistas tenían la intención de “liquidar” desde el primer instante, además de al presidente Nicolás Maduro, a los propios Diosdado Cabello y Jorge Rodríguez, y a dos personalidades bolivarianas: Tibisay Lucena, presidenta del CNE, y Tareck El Aissami, ex ministro del Interior y actual gobernador del Estado Aragua.

Por otra parte, identificaron, además de al general Oswaldo Hernández, alias ‘El Oso’, a los otros presuntos cabecillas de la conspiración, a saber: el capitán Héctor José Noguera Figueroa; el coronel José Suárez Rómulo; el primer teniente Ricardo Antich Zapata (presuntamente encargado de los contactos con la Embajada de Estados Unidos), y el primer teniente Luis Hernando Lugo Calderón (5). También mostraron parte del arsenal incautado, en particular armas de alto calibre como fusiles semi-automáticos AR-15, ametralladoras y granadas. Asimismo revelaron que se habían descubierto mapas de la ciudad de Caracas con varios “objetivos tácticos” marcados: el Palacio de Miraflores, los Ministerios de Defensa, del Interior y de Justicia y Paz; el Consejo Nacional Electoral, la Dirección de Contrainteligencia Militar y el canal TeleSUR.

Cabello y Rodríguez designaron como “autores intelectuales” de la intentona golpista y del proyecto de magnicidio a dos personalidades de la oposición: Antonio Ledezma, alcalde metropolitano de Caracas (detenido el pasado 19 de febrero), y Julio Borges, diputado opositor. También afirmaron tener pruebas de la participación de personal de la embajada estadounidense: “Una funcionaria de la embajada llamaba a las esposas de los generales venezolanos y les decía que el nombre de su esposo estaba en la lista de personas sancionadas por el Congreso de los EE. UU. Y que el visado de toda su familia para ingresar en territorio estadounidense había sido invalidado. Buscando crear zozobra en las familias de los oficiales”, explicó Jorge Rodríguez.

El presidente Maduro dijo, por su parte, tener en su posesión el “plan de gobierno” redactado por los golpistas, en el que se eliminaban los poderes públicos y se amenazaba a los cubanos de las misiones de servicio social (salud, educación, deporte). “También hablan –dijo Maduro– de privatizar PDVSA (Petróleos de Venezuela Sociedad Anónima), de disolver todos los poderes públicos, de suspender las garantías democráticas, de liberalizar el sistema de cambio y de regalar los dólares otra vez a la oligarquía”. El Presidente añadió que, en ese “Plan de gobierno”, los golpistas “lanzan una amenaza contra lo que ellos llaman ‘los colectivos’ –que nosotros sabemos que es el pueblo venezolano–, anunciando que, cuando lleguen al poder, actuarán contra ellos con toda la fuerza militar. Y a los cubanos de las misiones en Venezuela, les dan veinticuatro horas para presentarse ante las oficinas del nuevo gobierno de facto o ‘se enfrentarán a las consecuencias’(...)”

A pesar de todos estos detalles y pruebas aportados por las máximas autoridades venezolanas, los medios de comunicación internacionales (incluso en América Latina) han dado poco crédito a este anuncio de intento de golpe de Estado. Esta ‘incredulidad’ forma parte –desde hace quince años– de la estrategia de los grandes medios de comunicación dominantes en guerra contra la revolución bolivariana, para desacreditar a las autoridades bolivarianas. Indiferente a esa hostil actitud, el presidente Nicolás Maduro ha seguido explicando, con perseverancia pedagógica y con toda clase de pruebas, cómo, desde el fallecimiento de Hugo Chávez (hace exactamente dos años), y desde su elección (el 14 de abril de 2014), un “golpe lento” está en marcha para intentar derrocarlo.

Esta vez, el golpe se iba a ejecutar en cuatro fases (6). La primera comenzó a principios del mes de enero de 2015, cuando el presidente Maduro realizaba una larga gira por el extranjero (China, Irán, Qatar, Arabia Saudí, Argelia y Rusia). Esta fase se realizó con el apoyo de sectores del empresariado que impulsaron campañas de acaparamiento de alimentos básicos y productos de primera necesidad, con el fin de crear escasez y malestar, preparando las condiciones para que los ciudadanos salieran a las calles a protestar y a saquear supermercados. Lo cual no se produjo.

En la segunda fase, los grandes medios de comunicación internacionales intensificaron la difusión de reportajes, noticias y artículos que daban una imagen distorsionada de la realidad venezolana. Haciendo creer que, en el país del “socialismo del siglo XXI”, se estaba produciendo una auténtica “crisis humanitaria”. El presidente Maduro denunció, en esta ocasión, el detestable papel desempeñado, en esa fase de la “operación Jericó”, por varios periódicos españoles (El País, ABC).

La tercera etapa debía estar protagonizada por un “traidor”, que, en la televisión y en los grandes medios de comunicación, haría un llamamiento solemne a la rebelión. Aunque el presidente no aclaró quién sería ese “traidor”, alertó a los ciudadanos: “No quiero alarmar a nadie pero estoy obligado a decir la verdad (...) Están buscando a un traidor y pido al pueblo que esté alerta”.

La cuarta fase del golpe es la que se desveló el 12 de febrero, con la participación de un grupo de oficiales putchistas de la aviación militar, financiados desde el extranjero. Entonces se anunciaría el “Programa de gobierno de transición”. Y se enterraría la revolución de Chávez.

Pero incluso en cuatro fases, el golpe fracasó. Y la revolución bolivariana sigue viva. 

Notas:
(1) El ala más derechista de la oposición venezolana –liderada por personalidades ultraconservadoras como Leopoldo López (detenido el 20 de febrero de 2014), Antonio Ledesma (detenido el 19 de febrero de 2015) y María Corina Machado (ex diputada)– lanzó un movimiento llamado “la Salida” que fomentó una suerte de “golpe blando” o “golpe azul” con la intención de derrocar al Presidente Nicolás Maduro mediante la financiación de violentas protestas callejeras (las “guarimbas”) que causaron 43 muertos, 878 heridos e incontables daños.
(2) El 12 de febrero, en Venezuela, es el Día de la Juventud; se conmemora la batalla de la Victoria, durante la guerra de Independencia, en la que unos mil estudiantes de Caracas hicieron frente a las tropas españolas y las derrotaron. 
(3) El manifiesto se publicó el 11 de febrero pasado en el diario opositor caraqueño El Nacional, en página 5, con el titulo: “Llamado a los venezolanos a un acuerdo nacional para la transición”. Léase: http://www.voluntadpopular.com/ index.php/ver-noticia/8-noticias/2330-llamado-a-los-venezolanos-a-un-acuerdo-nacional-para-la-transicion
(4) En alusión a la Biblia, y más precisamente al Libro de Josué, donde se cuenta que, cuando Josué, a la cabeza de los israelitas, llegó ante las murallas imponentes de la ciudad de Jericó, Dios le dijo que ordenara a los sacerdotes tocar las trompetas: Cuando todos escuchen el toque de guerra, el pueblo deberá gritar a voz en cuello. Entonces los muros de Jericó se derrumbarán, y cada uno entrará sin impedimento.
(5) Los demás oficiales golpistas serían: la capitana Laided Salazar De Zerpa, alias “Manuelita”; los capitanes Andrés Ramón Thompson Martínez, Nerio Alfonso Cordova Moreno; Carlos Manuel Osuna Saraco alias “Guillermo”; el mayor Cesar Pérez Carrero; el primer teniente Wilfredo Amado Castillo Colmenares; el primer teniente Javier Salazar Moncada; el primer teniente Miguel Ángel Salazar Molina; el primer teniente Carlos Esqueda Martínez; y el primer teniente Jofre de Jesús Pineda Trejo.
(6) Léase, sitio web de TeleSUR, Caracas, 12 de febrero de 2014.http://www.telesurtv.net/news/Gobierno-venezolano-desmantela-atentado-golpista-20150212-0053.html


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A GUERRA FRÍA ESTÁ MÁS VIVA QUE NUNCA EN LATINOAMÉRICA




El entusiasmo que ha generado la posibilidad de que Cuba y EE. UU. reanuden relaciones diplomáticas podría ser visto como el fin de la guerra fría en el continente americano. Sin embargo, y aceptando el enorme significado del acercamiento, los conflictos enmarcados en el proceso de mantenimiento de la hegemonía yanqui al sur del Río Bravo no han desaparecido. El acoso permanente ejercido en los últimos años contra países como Venezuela o Argentina, o los golpes de estado 'democráticos' como el sufrido en Honduras el 2009 demuestran que la guerra fría sigue viva, y tal vez más fuerte que nunca.

Las mas de cinco décadas de enfrentamientos entre Cuba y EE. UU configuraron paradigmáticamente el desarrollo de la guerra fría en la región, aunque no es el único ejemplo de las consecuencias del reparto del mundo después de la segunda guerra mundial. Los golpes militares en Guatemala, Bolivia, Brasil, Argentina y Chile así como las dictaduras en países como Nicaragua, Haití y Cuba dejaron claro que la doctrina Monroe cobró realidad sobre todo en el siglo XX... y en el XXI.

Las diferencias entre la guerra fría del siglo pasado y la del presente tienen que ver principalmente con la coyuntura internacional, caracterizada hoy por el debilitamiento de la rivalidad entre dos bloques hegemónicos -aunque los acontecimientos actuales en Ucrania parecen actualizar el viejo conflicto- y la histeria belicista de los que aún hoy creen ser los legítimos dueños del mundo. Yes we can fue el slogan de Obama, que básicamente codificó la idea de que los EE. UU. podían y debían recuperar la supremacía mundial, justo cuando ya la habían perdido. Poco después, ya como presidente recibió el premio Nóbel de la Paz y en su discurso no tuvo empacho en asumir la idea de la guerra justa... para imponer su dominación y salvar a la democracia occidental, por supuesto.

El reciente intento de golpe de estado en Venezuela no deja lugar a dudas de que la lógica imperialista y golpista vive en Latinoamérica, enmarcada en la certeza de que la región es un espacio no negociable, permanente patio trasero de los EE. UU., y que toda acción encaminada a romper dicha lógica deberá enfrentar la oposición abierta o velada del estado yanqui. No importa si el gobierno non grato ganó elecciones ejemplares o mantiene relaciones comerciales rentables con Exxon o Coca Cola. El desafío es intolerable por la sencilla razón de que expresa precisamente la debilidad que desean invisibilizar, la nueva dinámica del sistema interestatal que expone el fin de una época, el agotamiento de un proceso que, como se mencionó antes, está representado sobre todo por el bloqueo económico contra Cuba y el continuo hostigamiento que sin recato alguno ejerció por décadas contra sus habitantes.

Por otro lado, así como se mantiene la lógica de la guerra fría impulsada desde Washington también se mantiene entre las oligarquías latinoamericanas la idea de que solo hay un camino para ubicarse en el mundo contemporáneo: el sometimiento económico, político y cultural para con los intereses del tío Sam. Tradicionalmente aliadas a las potencias mundiales (España, Inglaterra y EE. UU) para mantener sus privilegios, consideran peligroso modificar sus lealtades y desde adentro han cumplido con el papel de quinta columna, tan útil para impedir cualquier cambio significativo en sus países.

Loas gobiernos de Argentina y Venezuela han vivido y viven con las viejas artimañas utilizadas el siglo pasado, esa perversa combinación de estrangulamiento económico y propaganda negativa sistemática, para hacerle la vida imposible a los habitantes y obligarlos a acabar con los gobiernos que ellos mismos elevaron al poder. En el caso de Venezuela, el ocultamiento de víveres y las presiones sobre su moneda y sobre el precio del petróleo, sostén básico de su economía; en el caso de Argentina con los bonos basura y ahora con el affaire Nissman. Ambos procesos, -orquestados por el gobierno “progresista” del Tío Tom-Obama quien, para evitar suspicacias sobre su vocación liberal, abre la mano para negociar el restablecimiento de las relaciones diplomáticas pero con enormes limitaciones como el tema de la devolución de Guantánamo o la negativa a retirar a Cuba de la lista de países que financian el terrorismo- obeceden al mismo objetivo: mantener la influencia yanqui en su espacio tradicional de dominación y dejar en claro que aquellos que se opongan sufrirán las consecuencias.

El mantenimiento de la Guerra Fría en Latinoamérica confirma que, a pesar del fin del mundo bipolar, la lógica capitalista pervive en la máxima: si no estás conmigo estas contra mí. Latinoamérica ha ganado enormes batallas en la materialización del sueño bolivariano, relegando al baúl de la historia a la Organización de los Estados Americanos (OEA) que caracterizaba el viejo modelo del orden mundial, para darle vida al Mercosur pero sobre todo a la Alianza Bolivariana de los Pueblos de Nuestra América-Tratado de Comercio de los Pueblos (ALBA-TCP). Y es precisamente este desafío el que ha exhacerbado el intervencionismo yanqui, el que ha mantenido viva la guerra fría y los métodos de sometimiento de regiones y pueblos enteros. Combinado con el debilitamiento de la hegemonía estadounidense aparece entonces una coyuntura inmejorable para consolidar una nueva era en la región, encabezada por los pueblos que han decidido romper con el yugo que hemos cargado por décadas, como el venezolano y argentino pero también del boliviano o el ecuatoriano. En este sentido es fundamental para la región y sus habitantes proseguir con el desafío ya que con ello no sólo estaremos fortaleciendo un nuevo proyecto histórico latinoamericano y mundial, con todas la limitaciones que pueda tener, sino también cavando la tumba del imperialismo yanqui.

Blog del autor: http://lavoznet.blogspot.mx/2015/03/la-guerra-fria-esta-mas-viva-que-nunca.html 

Rebelión ha publicado este artículo con el permiso del autor mediante una licencia de Creative Commons, respetando su libertad para publicarlo en otras fuentes.

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DE ONDE VEM O DINHEIRO DO “ESTADO ISLÂMICO”?


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Segundo estimativas, o grupo terrorista "Estado Islâmico" tem um orçamento de pelo menos 2 bilhões de dólares. Além do lucro com atividades criminosas, a milícia jihadista também sobrevive de doações de simpatizantes.

A organização radical "Estado Islâmico" (EI) não precisa se preocupar com recursos humanos. De todas as partes do mundo chegam rapazes – e cada vez mais moças – para se engajar na campanha violenta dos jihadistas. Alguns por convicção religiosa, outros porque acreditam que, desta forma, podem ficar ao lado dos irmãos de fé. E há também aqueles atraídos pela aventura e pelo impulso de extravazar violência.

Mas uma coisa parece comum a todos os milicianos: eles recebem um salário. Um combatente comum ganha de 500 a 600 dólares por mês. Fazendo as contas, chega-se a uma soma considerável já nos escalões superiores. O EI também tem apoiado programas de caridade para beneficiar órfãos, viúvas e feridos. Segundo o jornal Al-Araby al-Jadeed, o grupo terrorista dispõe, em 2015, de um orçamento de pelo menos 2 bilhões de dólares.

Mas como o EI consegue esse dinheiro? Até o final de 2014, a organização radical lucrava principalmente com a venda de petróleo. Tanto no Iraque como na Síria, o grupo assumiu o controle de regiões petrolíferas. E apesar dos confrontos, as unidades de produção permaneceram intactas ao ponto de os terroristas serem capazes continuar vendendo petróleo. De acordo com informações da revista Foreign Affairs, nos últimos meses do ano passado, o EI chegou a produzir 44 mil barris por dia no Iraque e na Síria.

Nesse ponto, os ataques aéreos da aliança internacional liderada pelos Estados Unidos tiveram efeito imediato. Os aviões atingiram as estruturas de transporte e extração, comprometendo significativamente a comercialização.

Diversas fontes de renda

Mas de lá para cá o EI já conseguiu novas fontes de financiamento. Várias doações dos países do Golfo Pérsico foram identificadas, embora não haja comprovantes de pagamento para identificar os doadores. Aparentemente, pessoas simpáticas às ideias do EI apoiam o grupo com quantias generosas. Outros pagam justamente pelo motivo contrário: temem que a organização se torne ativa na Península Arábica.

De fato já foram registrados confrontos na fronteira da Arábia Saudita com o Iraque. Representantes do governo curdo no norte do Iraque alegam que alguns países têm transferido dinheiro para o EI a fim de evitar a propagação da violência extremista dentro da península.

O EI também é financiado significativamente pela atividade criminal. Contrabandeia cigarros, medicamentos, telefones celulares e até antiguidades iraquianas. Além disso, ao entrar no Iraque e na Síria, combatentes estrangeiros vendem seus passaportes por milhares de dólares. A venda do passaporte não só engorda os cofres da milícia, como tem valor político simbólico: o combatente deixa sua antiga identidade para trás.

Outros recursos financeiros são originários de sequestros e tráfico de pessoas. Se os reféns não são especialmente prominentes – ou seja, ocidentais – o EI tenta extorquir as famílias das vítimas. A milícia ainda vende mulheres yazidi raptadas. Relatos recentes indicam que o EI também está comercializando órgãos no mercado negro – buscados desesperadamente em muitos hospitais e clínicas. Além disso, o EI cobra impostos e taxas da população dos territórios que domina.

Revidar com as leis do mercado

O "Estado Isâmico" obtém sucesso econômico graças à capacidade técnica de seus integrantes. A base de colaboradores da milícia não é constituída apenas por jovens desorientados, com convicções religiosas radicais ou sem perspectiva. Muitos integrantes de alto escalão e lideranças são ex-militares iraquianos dos tempos de Saddam Hussein. São pessoas que os americanos encarceraram em prisões iraquianas, que tiveram contato com o submundo do crime ao qual recorrem neste momento.

Para a especialista em terrorismo e crime organizado internacional Louise Shelley, as operações do EI não podem ser freadas somente pela polícia ou pela ação militar. O mais importante é impedir que os produtos do EI se tornem atraentes e sem concorrência no mercado. "Para se vencer um concorrente no mercado, é preciso mais do que cortar suas fontes de rendimento. É preciso derrotá-lo em seu próprio campo de atuação, em suas atividades econômicas. Em outras palavras, é necessário um negócio legal para destruir um negócio ilegal", escreveu Shelley em um artigo para a revista Foreign Affairs.

Ela acha que os Estados Unidos deveriam apoiar o governo iraquiano na sustentação da economia, para que ela seja atraente e consequentemente se torne mais competitiva. Se o mercado local não tem uma boa oferta, os clientes acabam procurando em outros lugares. Também seria importante, defende Shelley, utilizar melhor o knowhow dos comerciantes locais para identificar as rotas de negócios usadas pelo EI, e assim apresentar uma contraoferta atraente aos produtos da milícia. O mercado segue as sua próprias regras. Quem as ignora, acaba sucumbindo. E isso vale também para os terroristas.

Kersten Knipp (mp) - Deutsche Welle

O FUTURO DO PRÓXIMO-ORIENTE



Thierry Meyssan*

Desde há vários meses, Barack Obama tenta modificar a política norte-americana no Próximo-Oriente de maneira a eliminar o Emirado Islâmico com a ajuda da Síria. Mas ele não o consegue fazer, por um lado porque durante anos não parou de afirmar que o presidente el-Assad devia sair, e por outro lado porque os seus aliados regionais apoiam o Emirado islâmico contra a Síria. Portanto, as coisas evoluem lentamente de modo que ele deverá lá chegar dentro em breve. Assim, parece que todos os Estados que apoiavam o Emirado Islâmico pararam de o fazer, abrindo a via para uma redistribuição das fichas.

O mundo espera a conclusão de um acordo global entre Washington e Teerão -sob o pretexto ridículo de acabar com um programa nuclear militar, que já não existe mais desde o fim da guerra lançada pelo Iraque (1980-1988) -. Ele incidiria sobre a proteção de Israel, em troca do reconhecimento da influência iraniana no Próximo-Oriente e em África.

No entanto, tal só deverá ter lugar após as eleições israelitas (israelenses-br) de 17 de Março de 2015. A esperada derrota de Netanyahu refaria os laços entre Washington e Telavive, e facilitará o acordo com Teerão.

Neste contexto, as elites norte- americanas tentam pôr-se de acordo sobre a sua política futura, enquanto os aliados europeus dos Estados Unidos estão se preparando para alinhar com o que será a nova política dos EUA.

A procura de consenso nos Estados Unidos

Após dois anos de política incoerente, Washington tenta elaborar um consenso sobre aquilo que deveria ser a sua política no «Próximo-Oriente Alargado».

- 1. A 22 de outubro de 2014, a Rand Corporation, principal “think tank” do lobby industrial-militar, modificou radicalmente a sua posição. Depois de ter feito campanha pela destruição da República Árabe da Síria, afirma agora que, para os Estados Unidos e Israel, a pior coisa que pode acontecer é a queda do presidente Assad [1].

- 2. A 14 janeiro de 2015, o presidente emérito do C.F.R. (Council on Foreign Relations-Conselho de Relações Exteriores-ndT), o clube das elites dos E.U.A, Leslie Gleb, alertava contra as divisões na administração Obama, que ameaçam a sua autoridade no mundo. Ele preconizou uma espécie de nova «Comissão Baker- Hamilton» para rever, de cima para baixo, a política externa [2].

- 3. A 24 de janeiro, o New York Times publicava um editorial apoiando a viragem da Rand Corporation e apelando a uma mudança completa de política em relação à Síria [3].

- 4. A 6 de fevereiro, a administração Obama lançou sua nova doutrina estratégica. Não se trata mais, agora, de garantir a segurança de Israel destruindo a Síria para isso, mas, antes, criando uma aliança militar regional com as monarquias muçulmanas sionistas. No máximo, o Emirado Islâmico («Daesh») poderia ser utilizado para impedir a Síria de levantar a cabeça, e de voltar a jogar um papel político regional [4].

- 5. A 10 de fevereiro, a National Security Network (NSN)-(Rede Nacional de Segurança-ndT), um “think tank” bi-partidário que tenta divulgar a geopolítica nos Estados Unidos, publicava um relatório sobre as opções possíveis face ao Emirado Islâmico. Ele passava em revista as opiniões de uma quarentena de especialistas e concluía pela necessidade de «conter, depois destruir» o Emirado Islâmico, apoiando- se primeiro no Iraque, depois na Síria de Bashar el-Assad. A NSN foi fundada por Rand Beers, um antigo conselheiro de John Kerry, actualmente sub-secretário de Segurança Interna [5].

- 6. A 11 de fevereiro, a administração Obama apresentava ao Congresso um pedido para o uso da força militar contra o Emirado Islâmico, que relegava às urtigas a ideia de derrubar o Presidente Assad e de destruir a Síria [6].

- 7. A 23 de fevereiro, o novo secretário da Defesa Ashton Carter, reunia peritos para um jantar de trabalho. Ele ouviu as suas opiniões durante 5 horas sem revelar o seu próprio ponto de vista. Carter achava por bem verificar, por si mesmo, o trabalho da NSN. Entre os seus convidados encontrava-se não apenas o antigo embaixador dos E.U. na Síria, Robert S. Ford, e velhos veteranos dos “think-tanks”, como também Clare Lockhart, conhecido pelos seus laços com o mundo da Finança ; ou ainda o presidente da Escola de Jornalismo de Columbia, Steve Coll, para avaliar as possíveis reações dos media (mídia-br) [7].

O que mudou no terreno

Durante os últimos meses vários factores evoluíram no terreno.

- A «oposição moderada» síria desapareceu completamente. Ela foi absorvida pelo Daesh. A tal ponto que os Estados Unidos não conseguem encontrar os combatentes, que poderiam formar, para construir uma « nova Síria». O antigo embaixador Robert S. Ford, (hoje em dia assalariado do “think-tank” do AIPAC), que havia organizado as manifestações de 2011, e apoiou até ao fim esta «oposição moderada», oficialmente mudou de posição. Agora, ele pensa que a única oposição real na Síria é composta por jiadistas, que seria extremamente perigoso armar um pouco mais [8]. Retrospectivamente, parecia que a terminologia «oposição moderada» designava, não combatentes civilizados, mas, sim, Sírios prontos a trair o seu país aliando-se para tal com Israel. Aliás, eles nem o escondiam [9]. Desde o princípio, esta oposição era de facto dirigida por membros da al-Qaida (como o Líbio Abdelhakim Belhaj, depois o Iraquiano Abou Bakr el-Baghdadi) e dedicava-se às piores atrocidades (aí incluído o canibalismo) [10]. Ora, todos estes líderes são hoje em dia responsáveis no Emirado Islâmico.

- Israel parou, a 28 de janeiro de 2015, (resposta do Hezbolla ao assassinato de vários líderes na Síria), o seu apoio às organizações jiadistas na Síria. Durante três anos e meio Telavive forneceu-lhes armas, cuidou dos seus feridos nos seus hospitais militares, apoiou as suas operações com a sua aviação –pretendendo sempre, em cada uma das ocasiões, estar a lutar contra as transferências de armas para o Hezbolla libanês— e, em última instância, confiava-lhes a segurança da sua fronteira no Golã, em detrimento das forças da ONU.

- O novo rei da Arábia Saudita, Salman, afastou o príncipe Bandar, a 30 de Janeiro de 2015, e interditou a todos o apoio ao Emirado Islâmico. Assim, o Reino parou de desempenhar um papel na manipulação do terrorismo internacional; uma função que lhe tinha sido confiada pela CIA após a revolução islâmica iraniana de 1979, e que foi durante 35 anos a sua carta mestra.

- Identicamente, a Turquia também, desde 6 de fevereiro, e a demissão do chefe do MIT –-os seus serviços secretos— Hakan Fidan, parece ter deixado de apoiar os jiadistas. Além disso, na noite de 21 para 22 de fevereiro, o exército turco entrou ilegalmente uma trintena de quilómetros na Síria, para remover as cinzas de Suleiman Shah, o avô do fundador do Império Otomano, do relicário que ela detêm nos termos do Tratado de Ancara (1921). Apesar de uma impressionante exibição de força, o exército turco não combateu contra o Emirado Islâmico, o qual controla a zona. Os restos de Suleiman Shah acabaram não sendo repatriados, mas, sim, depositados um pouco mais longe, ainda em território da Síria. Desta maneira, a Turquia mostrava que não tem a intenção de agir contra o Emirado Islâmico, e que ela conserva as suas ambições anti-sírias.

As opções possíveis dos E.U.

Seis opções são, actualmente, discutidas em Washington:

- Destruir o Emirado Islâmico, depois destruir a Síria, é o ponto de vista da empresa Raytheon, primeiro produtor mundial de mísseis, defendido pelo seu lobista Stephen Hadley, o antigo conselheiro de segurança nacional de George W. Bush. É fazer a guerra pela guerra, sem levar em conta os interesses nacionais. Este ponto de vista maximalista não é apoiado por nenhum responsável político, é apenas formulado através dos média, para fazer inclinar a balança no sentido da mais ampla guerra possível.

- Apoio no Emirado Islâmico para destruir a Síria, sobre o decalque do modelo de alianças concluídas durante a Guerra do Vietname (Vietnã-br). É a opinião do presidente da Comissão Senatorial das Forças Armadas, John McCain, apesar da memória da queda de Saigão, em 1975. É extremamente caro (20 a 30 biliões de dólares por ano durante muitos e longos anos), arriscado e impopular. Assistiríamos, imediatamente, a uma intervenção directa do Irão e da Rússia, e o conflito tomaria uma dimensão mundial. Ninguém, nem mesmo McCain, é capaz de explicar por que é que os Estados Unidos se deveriam lançar numa tal operação, que apenas aproveitaria ao estado de Israel.

- Enfraquecer, depois destruir o Emirado Islâmico, coordenando aí bombardeamentos norte-americanos com tropas terrestres aliadas, incluindo grupos da «oposição síria moderada» (que já não existe). Depois, utilizar estes grupos da oposição (?) unicamente para manter a pressão sobre a Síria. Esta é a actual posição contra-terrorista da administração Obama. Está orçada em 4 a 9 biliões de dólares por ano. No entanto, supondo que se criou uma «oposição síria moderada», não se vê como a Força Aérea dos E.U. iria eliminar o Daesh, quando ela se viu incapaz de destruir os Talibãs no Afeganistão, apesar de já levar 13 anos de guerra, sem mencionar os exemplos da Somália ou o actual impasse francês no Mali.

- Enfraquecer, depois destruir o Emirado Islâmico, coordenando para isso bombardeamentos norte-americanos com as únicas forças capazes de vencer no terreno: os exércitos sírio e iraquiano. Esta é a posição mais interessante, porque pode ser apoiada quer pelo Irão como pela Rússia. Colocaria, de novo, os Estados Unidos na posição de liderança mundial, como aquando da «Tempestade no Deserto» contra o Iraque Saddam Hussein, e ganharia de certeza. No entanto, isso exigiria parar as campanhas de demonização da Síria, do Irão e da Rússia. Esta opção é apoiada pela NSN e corresponde, manifestamente, ao que o governo de Barack Obama desejaria fazer.

- A contenção do Emirado Islâmico, depois a sua degradação progressiva até o levar a um tamanho aceitável. Nesta opção, a prioridade seria a de proteger o Iraque, sendo que os combates importantes seriam deslocados para a Síria.

- O cerco. Não se trataria, mais, de combater o Emirado Islâmico, mas de o isolar de modo a evitar a sua propagação. As populações sob o seu contrôlo seriam então abandonadas à sua própria sorte. É a solução mais económica, mas a menos honrosa, defendida por Kenneth Pollack.

Conclusão

Estes elementos facilmente permitem prever o futuro : em poucos meses, talvez até mesmo a partir do final de março, Washington e Teerão conseguirão alcançar um acordo global. Os Estados Unidos irão renovar o contacto com a Síria, seguidos de perto pelos Estados europeus, incluindo a França. Irá descobrir-se que a el-Assad não é, afinal, nem um ditador nem um torturador. Portanto, a guerra contra a Síria chegará ao seu fim, enquanto as principais forças jihadistas serão eliminadas por uma verdadeira coligação (coalizão-br) internacional. Quando tudo tiver acabado os jihadistas sobreviventes serão enviados pela CIA para o Cáucaso russo ou o Xinjiang chinês.

Thierry MeyssanVoltaire.net - Tradução Alva

*Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación(Monte Ávila Editores, 2008).

Notas
[1Alternative Futures for Syria. Regional Implications and Challenges for the United States, (Ing- « Alternativas Futuras para a Síria. Implicações Regionais e Desafios para os Estados Unidos»- ndT), Andrew M. Liepman, Brian Nichiporuk, Jason Killmeyer, Rand Corporation, October 22, 2014.
[2] “This Is Obama’s Last Foreign Policy Chance” (Ing- « Esta é a última “chance” de Obama na Política Externa»- ndT), Leslie Gelb, The Daily Beast, January 14, 2015.
[3] “Shifting Realities in Syria” (Ing- «Realidades em Mudança na Síria»- ndT), The Editorial Board, The New York Times Sunday Review, 24 janvier 2015.
[4National Security Strategy (Ing-«Estratégia de Segurança Nacional»- ndT) , White House, February 6, 2015.
[5Confronting the Islamic State. An Assessment of U.S. Strategic Options(Ing- «Confrontando o Emirado Islâmico. Uma avaliação das Opções Estratégicas dos E.U.A»- ndT), Policy Report by J. Dana Stuster & Bill French, Foreword by Maj. Gen. Paul Eaton, National Security Network, February 10, 2015.
[6] “Joint resolution to authorize the limited use of the United States Armed Forces against the Islamic State of Iraq and the Levant (Proposal)” (Ing- « Resolução Conjunta para autorizar o uso limitado das Forças Armadas dos E.U. contra o Estado Islâmico no Iraque e no Levante-(Proposta)»- ndT), by Barack Obama, Voltaire Network, 11 February 2015.
[7] “Ash Carter Seeks Fresh Eyes on Global Threats” (Ing- «Ash Carter Procura Novas Abordagens para as Ameaças Globais»- ndT), Dion Nissenbaum, Wall Street Journal, February 24, 2015.
[8] “Ex-Ambassador: CIA Wrong On Not Wanting To Arm Syrian Rebels” (Ing-« Ex- Embaixador : CIA Errada por Não Querer Armar os Rebeldes Sírios»- ndT), Akbar Shahid Ahmed, The Huffington Post, October 22, 2014.
[9] « Leader Sees New Syria, Without Iran Ties » (Ing-«Líder Encara uma Nova Síria, Sem Laços com o Irão»- ndT), Jay Solomon et Nourmalas, Wall Street Journal, 2 décembre 2011.
[10] Abbou Sakkar, comandante de uma brigada do Exército sírio livre come o coração e o fígado de um soldado sírio, num registo vídeo que ele difundiu em maio de 2013. A propósito das exacções do Exército sírio livre sobre as quais a imprensa ocidental jamais deu a mínima notícia, ver a conferência da jornalista russa Anastasia Kopova.