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quinta-feira, 27 de abril de 2017

ANGOLA TEM MILHARES DE MILIONÁRIOS, 320 MULTIMILIONÁRIOS E… ISABEL DOS SANTOS




Temos 320 multimilionários e mais de 6 mil milionários

Relatório da consultora New World Wealth revela que número de milionários em Angola cresceu 82 por cento na última década.

Actualmente contam-se 320 fortunas multimilionárias em Angola, país que é o sexto africano onde há mais riqueza per capita, com USD 3.600 por habitante.

Os números são da consultora New World Wealth. Sobre Angola, o relatório, citado pelo Jornal de Negócios, refere que, no país como um todo, há riqueza no valor de USD 75 mil milhões, a sexta maior do continente.

Olhando para as grandes fortunas, a New World Wealth identifica 6.100 milionários, pessoas com activos superiores a USD 1 milhão, e 320 multimilionários, isto é, com uma riqueza que ultrapassa os USD 10 milhões.

Estes valores representam uma subida de 82 por cento no número de milionários nacionais durante os últimos 10 anos. Por outro lado, as fortunas multimilionárias recuaram 4 por cento.

Angola | EDUARDO DOS SANTOS MARCA ELEIÇÕES GERAIS PARA 23 DE AGOSTO | cartoon



Cartoon de Casimiro Pedro | Jornal de Angola

Angola | PRESIDENTE CONVOCA ELEIÇÕES


Os partidos políticos concorrentes às eleições gerais deste ano têm agora 20 dias, a contar do dia 1 de Maio, segunda-feira, para apresentarem ao Tribunal Constitucional a lista dos candidatos a Presidente da República, Vice-Presidente e deputados à Assembleia Nacional

O prazo decorre da convocatória pelo Presidente da República, em decreto presidencial do dia 25 de Abril, terça-feira, das eleições gerais para o dia 23 de Agosto. O diploma, que surge na sequência do pronunciamento da Comissão Nacional Eleitoral de que estão criadas as condições para o efeito e da audição ao Conselho da República, entra em vigor a partir do dia 1 de Maio.  

Na segunda-feira, 24, o Presidente da República apresentou ao Conselho da República a data de 23 de Agosto como indicativa para a realização das eleições gerais, tendo sido aprovado por unanimidade. 

O Conselho da República considerou que estão criadas todas as condições humanas, técnicas, materiais, logísticas e financeiras para a realização das eleições. Após uma apreciação positiva de todo o processo de registo presencial e a actualização do local de residência dos cidadãos maiores, o Conselho tomou conhecimento do parecer da Comissão Nacional Eleitoral, que considera estarem criadas as condições necessárias para que o Presidente da República possa convocar as eleições gerais de 2017.

DIJSSELBLOEM | O PORCO CHAUVINISTA QUE AINDA É PRESIDENTE DO EUROGRUPO


Sem sombra de dúvidas que Dijsselbloem é um porco chauvinista. Isto tem de ser dito objetivamente, salve-se a diplomacia. O caráter que Dijssembloem demonstra possuir vai do servilismo à Alemanha, mais concretamente a Shauble, que mostra ver como seu chefe, ao desprezo, à ignomínia e racismo por outros povos europeus.  Depois de isso ter sido constatado por declarações que proferiu acerca dos povos e países do sul da Europa jamais tem condições para continuar no cargo que ocupa indignamente no Eurogrupo. Isso mesmo foi hoje afirmado publicamente – outra vez - pelos deputados portugueses no Parlamento Europeu. Dijsselbloem “demita-se”, disseram-lhe. Apontando a porta da rua.

Compete à Comissão Europeia tomar as devidas medidas que afastem o indesejado e prejudicial individuo do cargo que incompetente e imerecidamente ocupa. Desde quando existe competência e mérito num individuo que ocupa o cargo de Presidente do Eurogrupo exibindo demonstrações de desrespeito, de racismo, de superioridade chauvinista por povos que fazem parte da UE ou até de outros povos?

A resposta do comprovado porco chauvinista, ao declarado e exigido pelos deputados de Portugal no PE, surge repleta dos subterfúgios característicos daquele seu mau caráter. Assumindo que não se demite. Assim demonstra a peça jornalística que se segue, se continuar a ler.

Quanto a Mário Centeno - ministro das Finanças português - ser sucessor de Disselbloem, esperemos que esteja fora de questão por parte do próprio e do governo de Costa.

MM | PG

Cinema | “FÁTIMA” DE JOÃO CANIJO CHEGA ÀS SALAS DE CINEMA PORTUGUESAS


“Fátima “ de João Canijo, que estreia neste dia 27 de Abril relata o trajecto em peregrinação de um grupo de onze mulheres que vão de Vinhais , em Bragança a Fátima.

“Fátima”é uma ficção inspirada na realidade de múltiplas pessoas que todos os anos rumam a Fátima num percurso de fadiga, cansaço e sofrimento assente numa promessa agora a pagar, ou num pedido angustiado de uma qualquer graça.

As onze actrizes intérpretes do filme contactaram essa realidade, para melhor entenderem e construírem os seus personagens.

E nesta peregrinação, de duas horas e meia o cerne da questão não está no elemento religioso mas e sobretudo no elemento humano, no relacionamento entre as mulheres.

EURODEPUTADOS PORTUGUESES APONTAM “A PORTA DA RUA” A DIJSSELBLOEM - com vídeo




Durante o debate sobre a segunda revisão ao programa de ajustamento à Grécia, Paulo Rangel (PSD), Pedro Silva Pereira (PS) e João Ferreira (PCP) criticaram o atual presidente do Eurogrupo.

Esta quinta-feira, durante o debate sobre a segunda revisão ao programa de ajustamento à Grécia, no Parlamento, os eurodeputados portugueses Paulo Rangel (PSD), Pedro Silva Pereira (PS) e João Ferreira (PCP) lançaram farpas ao presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, e defenderam a sua demissão imediata. Naquela que deveria ser uma reunião com os olhos postos em Atenas, acabou por se tornar um pedido de saída em praça pública.

“Eu aqui, no Parlamento Europeu, digo-lhe cara a acara e olhos nos olhos, que nós não nos satisfazemos com um simples pedidos de desculpas. O senhor presidente do Eurogrupo não tem condições para continuar”, afirmou o social-democrata Paulo Rangel. “Senhor Dijsselbloem, aqui, numa instância que representa os povos europeus, digo-lhe: só tem uma saída, é demitir-se e demitir-se o quanto antes”, realçou.

Pedro Silva Pereira também não se poupou em palavras críticas: “As explicações que veio dar a este Parlamento sobre as suas inaceitáveis declarações sobre os países do sul chegam tarde, não apagam a gravidade dos seus insultos e não lhe devolvem nem a credibilidade nem as condições politicas para prolongar o seu mandato como presidente do Eurogrupo”, afirmou o eurodeputado socialista.

“Mostrar-lhe a porta da rua, como lhe fizeram os eleitores do seu país, seria, para não ir mais longe, um ato de elementar bom senso e civilidade. Mas o facto de ainda se sentar aí diz muito do estado miserável a que tudo isto chegou”, disse, por sua vez, João Ferreira, do PCP. “Senhor Dijsselbloem, apesar de ainda ocupar essa cadeira, não se iluda: aquilo que representa não tem futuro”, acrescentou.

Ainda esta manhã, Jeroen Dijsselbloem reforçou a ideia de que as suas declarações ao Frankfurter Allgemeine Zeitung foram mal interpretadas e que nunca pretendeu ofender os países do sul da Europa. O presidente do Eurogrupo enfatizou que a última coisa que pretende é criar divisões na zona euro. Recorde-se que o líder do Eurogrupo já tinha comentado as polémicas afirmações ao jornal, recusando-se a emitir um pedido de desculpas oficial.

Mariana Bandeira | Jornal Económico

O PAPA FRANCISCO E OS GENOCIDAS


Trump a abrir o Expresso Curto de hoje, por Ricardo Costa. Aqui se fala do fulano que preside ao Império Maldito que denominam de USA ou EUA. Há umas horas o império lançou um míssil intercontinental ao longo do oceano Pacífico e que caiu nas ilhas Marshal. Aviso à Coreia do Norte e aos que mais vierem ou lhes der na gana. Uns fulanos que extinguiram milhares e milhares da população autóctone (genocídios) para se apoderarem do país composto por várias nações índias é capaz de tudo de mal. Outros tempos, dirão. Pois.

Bom dia. Basta de trampa de Trump e seus derivados.

Em Portugal há tolerância de ponto no dia da chegada a Fátima do Papa Francisco, que vem comemorar o centenário de uma muito provável treta católica, apostólica, romana. Um golpe de visão dos fascistas Cardeal Cerejeira e Oliveira Salazar. Está bem. Pois. Uma mentira a ser tantas vezes dita pode passar a ser tomada por verdade. Para os papalvos e para os ingénuos que nada põem em dúvida das obras saídas de sistemas manhosos. Enfim.

Que há polémica por causa da concessão da tolerância de ponto, porque Portugal é uma República e tal, um país soberano e tal. Oh rapaziada, o Francisco até é fixe. Deixem lá cada um acreditar no que quer desde que não prejudique o coletivo, o país. E isto não prejudica em nada o país desde que a fortuna do tal santuário de Fátima não seja depositada em offshores. Pois. Olhem, já agora vejam lá essas contabilidades, sem favor. É um dever, porque aquilo é um negócio de muitos milhões.

Israel soma e segue, cheia de força emprestada pelo Império Maldito. A aviação israelita atacou o aeroporto de Damasco. Houve israelitas que se miscigenaram com o nazismo dos tempos de Hitler e passaram a assimilados. Complexo adquirido naqueles tempos. Vai daí levaram para a tal terra prometida o mal e a caramunha. É o que se vê. E lá continuam eles no “santo sacrifício” de roubar terras e assassinar vizinhos como lhes apetece, numa postura de perfeitos genocidas.

Isto até parece um Curto baseado nos genocidas do costume, EUA e Israel.

Que em Hong Kong continua a “caça às bruxas” manipuladas pelos EUA e os “bifes” de Inglaterra, o MI qualquer coisa ou ilhargas disso. Houve um raide a opositores ao regime chinês da ex-colónia da velha Albion. Pois. A partir do momento em que as intromissões de potências estrangeiras passaram a manipular certos descontentamentos populares a China pôs-se a pau. Ali não há pão para malucos. Os de Hong Kong deviam saber isso e sacudir interferências estrangeiras. Como não o fizeram agora é difícil de o fazerem. Abram os olhos, das potências do ocidente nada de bom podem esperar.

Há mais, muito mais, neste Curto do diretor de informação da SIC. Saberá isso se continuar a ler. Por nós acabámos. Não faz sentido alongar mais mas sim absorver a cafeína matinal e ir de férias por uns dias. Bom dia. Curtam o Curto e aceitem as nossas saudações, escravos.

MM | PG

CDS E O TIQUE DDT ARRELIAM ALFREDO CUNHA COM FOTO DE SALGUEIRO MAIA


Chegámos ao ponto de ver pseudo comemorações do 25 de Abril entre os que nada têm que ver com o 25 de Abril ou se têm é contra o 25 de Abril. É o caso do CDS. É o caso do PSD com Passos Coelho na liderança. Será o caso de outros ainda ressabiados com aquele dia de Abril de 1974. O dia da libertação conquistada por muita luta de antifascistas ao longo de décadas, que culminou com o avanço em força de uma juventude que havia suportado com sacrifício de vidas uma guerra colonial-fascista que teve uma duração de 13 anos. Numa população escassa existia permanentemente um milhão de militares no ativo, cumprindo o serviço militar obrigatório. Defendendo o indefensável contra povos africanos que com toda a legitimidade lutavam pela sua libertação do jugo do regime que os colonizava, que os oprimia. Nunca os de antes e depois do 25 de Abril foram contra a guerra colonial, Nunca vimos os do CDS lutar contra o salazar-fascismo e colonialismo, antes pelo contrário.

Surgiu agora nas últimas comemorações, de há poucos dias, uma polémica com o profissional de fotografia Alfredo Cunha acerca de uma foto de sua arte que o CDS usou abusivamente e manipulou. A imagem é relativa ao capitão Salgueiro Maia, o tal capitão que foi desprezado quase sistematicamente por aqueles que ainda hoje têm o descaramento de se afirmar democráticos  e por Abril quando não o são. O que fazem é sujeitarem-se à Constituição e labutar para a alterar para um regresso ao 24 de Abril adaptado à atualidade. Aliás isso fica sempre muito bem demonstrado quando o CDS partilha o governo com o PSD, ainda mais nos últimos 4 anos em parceria com Passos Coelho.

Sobre a fotografia de Alfredo Cunha que o CDS usou, acima reproduzida (esperemos que não nos processem) há notícia e declarações de ambas as partes. Deixamos a ligação ao Notícias ao Minuto para melhor se esclarecerem.

Na verdade o CDS não se pode considerar dono disto tudo, nem do produto do trabalho dos outros ou do que é de outros (tique DDT). O CDS não é o site de pobretanas que têm 100, 500 ou 1.000 visitas diárias. Se não sabem deviam de saber. Ao menos devem dar conhecimento e pedir autorização aos autores para usarem as suas obras. E se tiverem de pagar os direitos devidos, paguem. No CDS decerto que não falta verba para isso. Mais claro ou menos claro haverá sempre uns euros (secos ou molhados) para se comportarem em conformidade com o que querem parecer: responsáveis de um partido político… de Abril.

Há ainda outro modo de dizer: Senhores, isto aqui não é o da Barbuda, nem vocês ainda são governo para atropelar e miserabilizar tudo e todos como fizeram quando com Passos e Portas foram governo. Será melhor perderem esse tique DDT (donos disto tudo) que mais parece que mantêm. Se não percebem (parece que não) será melhor perceberem que o que está mesmo muito mal é a péssima e arrogante atitude.

Saiba mais, se continuar a ler.

MM | PG

Em nome da paz? Como Washington disfarça ocupações com ‘intervenções humanitárias


Caos controlado – eis como frequentemente é denominada a política travada pela Casa Branca no Oriente Médio e que muitas vezes leva à erupção de conflitos tribais, guerras civis e tensões internas, tudo sob o lema dos sagrados valores democráticos. A Sputnik explica quais são os motivos deste conceito de intervenção e qual é o seu provável futuro.

O dia tenebroso de 11 de setembro, por mais dramático e doloroso que seja, não passou como apenas uma tragédia nacional. Segundo muitos analistas, também lançou alicerces e serviu como uma espécie de pretexto para inicialização de uma nova fase da política externa americana que se caracterizou por intervenções de larga escala na região perturbada do Oriente Médio.Para tais ações se usa todo o tipo de justificações e conceitos articulados, no âmbito dos quais, com efeito, se pode motivar a ingerência em quase qualquer parte do mundo, mascarada pelos valores da paz e humanitarismo.

De boas intenções está o inferno cheio?

Um dos princípios mais amplamente utilizados é a responsabilidade de proteger (em inglês Responsibility to Protect ou R2P), que foi pela primeira vez utilizado em um relatório da Comissão Internacional sobre Intervenção e Soberania Estatal da ONU datado de 2011, e até hoje tem sido aproveitado para justificar as chamadas “intervenções humanitárias” encabeçadas, particularmente, por Washington.

A ideia principal do conceito assenta na premissa de que em caso de impotência dos governos internos em outros países, onde “se violam os direitos humanos ou se efetuam crimes em massa”, a responsabilidade de impedir o desenvolvimento ulterior da crise passa para a comunidade internacional (muitas vezes, isto quer dizer um só país e todos sabem qual é).

Basta ressaltar que o ativamente repercutido e debatido conceito de R2P se confrontou com o conceito inverso do então governo brasileiro que, por sua vez, sempre foi simpatizante da “força suave” nas relações exteriores. Em vez do conceito americano, o governo petista, naquela época encabeçado pela presidente destituída Dilma Rousseff, propôs seu princípio de responsabilidade ao proteger que foi expressamente apoiado por muitos países em desenvolvimento. A ideia-chave do conceito brasileiro trata da necessidade de obter uma permissão oficial dos órgãos internacionais, em primeiro lugar do Conselho de Segurança da ONU, ou um pedido formal das autoridades do país, antes de iniciar uma intervenção militar ou “humanitária”. Mais que isso, tais autorizações devem ser precedidas por uma análise escrupulosa e profunda da situação interna no país-alvo da ingerência, sendo que todos os outros métodos pacíficos de solução do conflito já se terão esgotado.

Nem vale a pena explicar que a iniciativa brasileira, apesar de ter sido saudada por muitos países-membros das Nações Unidas, nunca chegou a ser levada a sério pelos mastodontes do palco internacional que, pelos vistos, têm suas próprias “regras de comportamento”.

Mas afinal, por que é que os EUA aspiram tanto a dominar no Oriente Médio sem ligar a todas as consequências da sua política, baixas civis e militares (inclusive deles próprios), dezenas de cidades destruídas, bilhões de dólares gastos?

Primeiro, uma camada vasta da elite política americana, primeiramente neoconservadora e intervencionista liberal, com efeito, acredita em uma “missão especial” atribuída aos EUA. Isto é, a promoção dos pilares democráticos em todo o mundo que irrompeu, ganhando novo fôlego, com a Primavera Árabe em 2011. Infelizmente, os arquitetos desta política frequentemente se esquecem de que nem todos necessitam e querem esta democracia por diferença de mentalidade e registro cultural.Em segundo lugar, não se pode descartar o enorme lobby saudita e israelense no meio do Congresso americano que, efetivamente, afeta os interesses nacionais de Washington e influi muito no seu bem-estar econômico. Embora as atividades de lobby sejam formalmente proibidas pela legislação nacional, ao longo dos últimos anos tem funcionado um evidente sistema de pesos e contrapesos ente a Casa Branca e estes dois países mais prósperos da atribulada região.

Efeito de dominó: como a ‘praga americana’ alastrou pela região

Como já foi ressaltado, o “advento” americano nos países árabes se iniciou, principalmente, após os trágicos acontecimentos em Nova York no ano de 2001, ou seja, os ataques do agrupamento terrorista Al-Qaeda que levaram quase 3 mil vidas de cidadãos americanos. A ira foi grande, a sede pela vingança também. Em outras palavras, era um momento ideal para iniciar uma campanha intervencionista fora, sem necessidade de justificá-la, nem perante a comunidade internacional, nem perante sua própria população.

Deste modo, em 7 de outubro de 2001, os EUA iniciaram a operação Liberdade Duradoura no território afegão, denominando como seu objetivo principal derrotar a organização terrorista do Talibã. O governo talibã, com efeito, acabou perdendo o poder e a força militar, porém, passou a travar uma guerra de guerrilha, provocando ainda mais tensões e vítimas do conflito. Na sequência disso, a intervenção americana no Afeganistão acabou por ser a guerra mais contínua na história do país, arrastando por 13 anos, e, na avaliação de muitos cientistas políticos, ainda aumentou o caos numa região que já não é controlada por ninguém.

Se a intervenção em território afegão foi mais ou menos compreensível para a comunidade internacional e teve várias condições prévias, a ocupação do Iraque (2003-2011) tem gerado muito mais polêmica pela ambiguidade de seus argumentos. Os principais motivos usados na época pelo governo de George W. Bush envolviam o alegado desenvolvimento de armas de destruição em massa iraquianas e a suposta ligação entre o líder do país, Saddam Hussein, e a Al-Qaeda, organização com a qual os EUA sonhavam acertar as contas. Entretanto, a coalizão internacional encabeçada por Washington nunca recebeu nenhuma resolução do Conselho de Segurança, o que, em princípio, se entende como uma gravíssima violação do direito internacional.

O presidente iraquiano acabou por ser executado pelos serviços secretos dos EUA, enquanto o país ficou dilacerado pela guerra civil e, consequentemente, pela insurgência de novos agrupamentos radicais como o Daesh. Porém, nunca ninguém conseguiu apresentar as malditas provas do desenvolvimento de quaisquer armas de destruição em massa em território iraquiano ou das respectivas ligações criminosas do líder nacional.

Com a erupção da chamada Primavera Árabe, vista por muitos como um fenômeno artificial, estourou um novo conflito desastroso — a intervenção militar na Líbia em 2011. No âmbito dela, as forças da OTAN fizeram questão em criar uma zona de exclusão aérea no espaço aéreo líbio para que as forças governamentais não pudessem atacar as forças rebeldes, aparentemente apoiadas pelo Ocidente, o defensor da democracia.
É interessante que, antes do colapso do “regime sangrento” de Muammar Kadhafi e seu consequente assassinato, a Líbia tinha sido um dos países mais prósperos da região, com produção petrolífera poderosa, subsídios sociais altos e serviços de ensino e saúde pública gratuitos. Basta apresentar apenas um fato: na época, o salário médio na Líbia somava mil dólares, enquanto o subsídio de desemprego era de 700-800 dólares. Hoje em dia, o país se encontra em uma paralisia econômica completa, um vácuo político e enfrenta uma pendente ameaça terrorista. Estas são a “democracia e paz” que os países-membros da Aliança Atlântica quiseram promover com seu conceito “responsabilidade de proteger”?Ainda resta a Síria. O país que ainda continua lutando para não cair sem regresso neste “caos controlado”, porém, as forças já são escassas. E dá medo imaginar o que seria do país se os outros atores, inclusive a Rússia, não tivessem forçado Washington a entrar em diálogo e tentar acordar com outros as suas ações militares no país debilitado por extremismos de toda a espécie.

Sob governo Trump, a hegemonia americana no Oriente Médio chegará ao fim?

Hoje em dia, são numerosos os políticos e especialistas que predizem a perda da influência pelos EUA nesta região turbulenta. Para muitos é evidente que, no contexto da ameaça jihadista eminente que que afeta todo o mundo sem exceção, os EUA já não se podem posicionar como os atores principais, para não dizer únicos, no Oriente Médio.

Aparecem outros — inclusive a Rússia, o Irã e a Turquia, o que obriga Washington a dialogar, por menos que ele o queira. Para os falcões americanos, isto pode parecer um sintoma de fraqueza e simbolizar uma derrota, mas do ponto de vista do senso comum — é um passo inevitável no caminho para a estabilidade regional. Outra questão é se a Casa Branca deseja tal estabilidade.

Basta sublinhar que no meio da elite americana o conceito agressivo de intervenções no estrangeiro também perde cada vez mais terreno. Por exemplo, 10 anos atrás a ocupação do Iraque era apoiada por dois terços do establishment americano. Já em 2016, no decorrer das primárias e das próprias presidenciais, a campanha iraquiana dos EUA foi criticada por todos os candidatos, caracterizada por muitos como um “grande erro”.Há vários indícios que mostram que Washington já não pode se nortear pelas regras do jogo estabelecidas por ele 15 anos atrás e se comportar como se fosse a única voz forte na região. Isto se vê pela política cada vez menos dependente e até ousada de Israel, levando em conta sua construção de assentamentos não apoiada por Washington, pela compostura agressiva do Irã e, claro, pelo papel russo cada vez mais crescente na solução do conflito sírio.

Durante o governo de Trump, parece que tudo vai depender da sua flexibilidade. Sendo um homem de negócios, ele deve se dar de conta de que um compromisso é sempre mais proveitoso e construtivo do que uma confrontação e tentar construir um diálogo duradouro com os novos atores no Oriente Médio. Caso contrário, as consequências podem ser desastrosas não só para a região, mas para todo o mundo.


EUA TESTARAM MÍSSIL INTERCONTINENTAL NO OCEANO PACÍFICO


Os EUA realizaram esta madrugada um ensaio com um míssil intercontinental que voou até um atol no Oceano Pacífico, para mostrarem a sua capacidade de dissuasão nuclear.

A Força Aérea anunciou esta quarta-feira o lançamento de um míssil balístico Minuteman III desarmado, desde a base aérea californiana de Vandenberg.

O míssil de longo alcance percorreu cerca de 6.800 quilómetros até uma zona designada para o impacto do projétil no atol de Kwajalein, nas ilhas Marshall.

"O lançamento desta noite é uma importante demonstração da nossa capacidade de dissuasão", declarou, em comunicado, o coronel John Moss, comandante da Ala Espacial 30, encarregada de gerir os silos de mísseis intercontinentais com capacidade nuclear em Vandenberg.

O lançamento ocorreu em plena escalada de tensões com a Coreia do Norte, depois dos ensaios com mísseis por parte do regime de Kim Jong-un.

O sistema de mísseis Minuteman tem 60 anos de história, mas tem sido modernizado em várias ocasiões, para poder manter a capacidade de dissuasão nuclear dos EUA, baseada em silos em terra, submarinos e bombardeiros estratégicos.

Jornal de Notícias | Foto: O míssil de longo alcance percorreu cerca de 6.800 quilómetros até uma zona designada para o impacto do projétil no atol de Kwajalein, nas ilhas Marshall | Foto Michael Peterson/usaf/handout Via Reuters

A desintegração europeia está em marcha – apesar da arrogância e da chantagem


Pierre Lévy

A imagem era terrível. Durante a noite eleitoral de 23 de Abril, as câmaras da [TV] France 2 difundiram durante intermináveis minutos a travessia de Paris pelo cortejo de Emmanuel Macron: um bando de motociclistas, uma dezena de veículos com todas as sirenes a urrarem e giro-faróis em acção. Mesmo o comentador em directo espantou-se com este comboio a ultrapassar todos os sinais vermelhos. Como uma alucinante caricatura da continuidade e da arrogância digna do Antigo Regime.

E como um símbolo subliminal de uma evidência: o "sistema" já instalou o seu candidato no poder. O sistema, ou seja, o aparelho económico-político-mediático que pretende assegurar a dominação da oligarquia mundializada através dos seus representantes nacionais. O antigo énarque [1] e banqueiro dos Rothschild encarna isto até à arrogância. Na forma em primeiro lugar, tendo em vista seu lançamento literalmente sem precedentes através do marketing e dos media . E no fundo, naturalmente, tanto os seus temas predilectos seguem estreitamente as prioridades das "elites mundializadas".

A começar pela Europa , claro. Ao concluir um dos debates da noite na France 2, Laurence Parisot – a antiga presidente do patronato que fez do anti-lepenismo a sua razão de viver – considerou que o maior mérito do sr. Macron era querer "refundar o mais belo projecto que há, o projecto europeu". No mesmo momento, afluíam mensagens para saudar a vitória anunciada do jovem banqueiro: do presidente da Comissão Europeia, do porta-voz da chanceler alemã e do ministro federal dos Negócios Estrangeiros, da chefe da diplomacia europeia, de Michel Barnier (responsável por Bruxelas das negociações do Brexit) e tantos outros... Todos indicaram ao povo francês qual seria a "boa escolha" no segundo turno.

Uma boa escolha, ou pelo menos uma escolha por defeito em favor da qual pronunciou-se a quase totalidade da classe política francesa. Emmanuel Macron reuniu apelos que vão de Benoît Hamon a François Fillon, de Pierre Laurent a Christian Estrosi. Todos se reagruparam para "barrar Marine Le Pen", que representaria "o ódio, o racismo, a xenofobia e o perigo que põe em perigo a República", deixando entrever as hordas de velhas camisas castanhas a irromper no país... Sobretudo – pois este pesadelo perdeu credibilidade – brandiram a ameaça da catástrofe económica que não deixaria de arruinar o país se fosse organizado um referendo sobre a saída do euro.

Le Monde, o diário de referência das forças dominantes, desde Fevereiro nunca publicou uma única edição em que não aparecessem pelo menos duas ou três análises, pontos de vista, tribunas ou editoriais advertindo contra a "loucura" do voto na candidata frentista (as declarações neste sentido de d'Angela Merkel, de Mariano Rajoy, de Mario Draghi ou de Jean-Claude Juncker foram além disso postas em destaque). Na véspera do primeiro turno, o director do jornal concluía assim: "uma candidatura é incompatível, em todos os pontos, com nossos valores e nossos compromissos: aquela de Marine Le Pen". A Europa é indispensável, precisava Jérôme Fenoglio, pois "doravante nada mais é possível num único país". Está tudo dito.

É claro que a última subida directa de Jean-Luc Mélenchon provocou alguns mísseis denunciando o "populismo anti-europeu", mas os tiros acalmaram-se quando, na última semana, o "insubmisso" os tranquilizou precisando que não tencionava "sair da Europa".

A CASTA MUNDIALIZANTE 

Resta o facto evidente: o mapa dos votos acumulados Le Pen-Mélenchon segue de maneira flagrante aquele dois NÃO no referendo de 2005. Trata-se, mais uma vez, de um fosso de classe, social e ideológico, que surge: de um lado uma casta que tem interesse na mundialização e que consegue congregar camadas médias superiores, "urbanas e educadas"; do outro, uma França popular, operária ou rural, que constitui a carne de canhão da liberdade de circulação dos capitais.

Como ontem no Reino Unido. E é esta revolta popular crescente que inquieta os poderosos. Eles tentam contê-la reanimando regularmente o espectro do horror e do cataclismo. O maior ou menor êxito que terá esta enésima chantagem com o medo dependerá do maior ou menor alívio que possa ganhar a integração europeia. Este é todo o desafio do segundo turno.

Mas, após o 29 de Maio de 2005 e após o 23 de Junho de 2016, a desintegração da UE já começou. Ela está em marcha. 

[1] énarque: designa os antigos alunos da École National d'Administration 

O original encontra-se em ruptures-presse.fr/actu/elections-macron-europe-juncker-merkel/

Este editorial encontra-se em http://resistir.info/ 

UMA EUROPA CADA VEZ MAIS ISOLADA


Ana Alexandra Gonçalves*

Depois de passarem anos a acusar os países "intervencionados" de serem responsáveis todo o mal do mundo, os principais responsáveis europeus tardam em mudar a estratégia, preferindo apostar no erro, enquanto a Europa, mais concretamente a UE, vai ficado progressivamente mais isolada.

Primeiro foi a crise do sector financeiro rapidamente transformada em crise das dívidas soberanas; depois o Brexit; para complicar os EUA escolheram Trump para a presidência e agora a Turquia vira regime autoritário declarado, afastando-se também ela da Europa. 

Sem capacidade de se unir, com protagonistas medíocres como o inefável Presidente do Eurogrupo que apenas fomentam as divisões da forma mais abjecta, deixando a indelével impressão que almejam uma Europa minimalista composta por países do centro e norte da Europa, o projecto europeu passou para o domínio da fantasia.

Hoje temos uma Europa desunida, com personagens não sufragadas e medíocres, sem o Reino Unido, sem poder contar com o aliado americano e com a Turquia voltada de costas para a Europa. Esperar que desta equação saia um resultado promissor é no mínimo ingénuo. Um abalo, bastará um abalo, económico, financeiro ou uma guerra para tudo desabar com a maior das facilidades - assim é quando se procuram as cisões ao invés da união. Assim é quando a UE se encontra sozinha, em larga medida, por culpa própria, e sobretudo por passar anos a preocupar-se com o acessório, descurando o essencial.


TSUNAMI VAI ENGOLIR PENÍNSULA IBÉRICA (só não se sabe quando)


É apenas uma questão de tempo antes que um muro gigante de água atinja a costa de Espanha e Portugal, alertam os cientistas. Documentário espanhol traça cenário catastrófico para a Península Ibérica.

“La Gran Ola” (A Grande Onda, na tradução literal) é o nome do documentário de 63 minutos realizado pelo espanhol Fernando Arroyo, onde analisa o risco de Portugal e Espanha serem  engolidos por um grande tsunami. O filme, narrado a jeito de Twin Peaks (com trilha sonora em tom de suspense conspiratório), também relata como é que os portugueses e os espanhóis vão lidar com a catástrofe, tendo em conta a falta de preparação da Península Ibérica para gerir uma crise desta natureza.

“Esta é a verdade sobre os tsunamis em Espanha e Portugal. Podem acreditar… ou não”, refere o realizador ao jornal espanhol El País.

No filme há participações de vários especialistas portugueses. Mário Lopes, professor do Instituto Superior Técnico denuncia a negligência dos governos. “Os políticos sabem que há risco sísmicos e sabem que ele pode ser reduzido, mas não fazem nada.” O alerta está no ar. “No golfo de Cádis há grande falhas que podem originar grandes sismos em qualquer altura”.

“Esta onde gigante já está a caminho. Não sabemos quando chega mas já está a caminho, e não fazemos nada” relata María Belón, sobrevivente do tsunami na Tailândia em 2004.
O documentário também a ser noticiado na imprensa estrangeira, que compara o futuro possível tsunami ao terramoto de 1755.

O filme oferece uma análise abrangente e didática. Nos 63 minutos do documentário é explicada a difícil base do problema: a enorme diferença entre os círculos temporários dos políticos, que são geralmente de quatro anos e os extraordinários fenómenos sísmicos.

Jornal Económico

quarta-feira, 26 de abril de 2017

PORTUGAL À SOMBRA DE AMBIGUIDADES AINDA NÃO ULTRAPASSADAS – I



Em saudação aos 60 anos do MPLA, aos 52 anos da passagem do Che por África e aos 43 anos do 25 de Abril… e assinalando os 50 anos do início do “Exercício ALCORA”.
1- O relacionamento de Portugal com África, sobretudo com Angola, pautou-se sempre, ao longo dos últimos 50 anos, pela ambiguidade, uma prática constante a que o 25 de Abril de 1974 não pôs fim e por que o 25 de Novembro de 1975 se tornou determinante para tal não acontecer.

De facto Portugal, ao se tornar um vassalo britânico num processo consentido com o rótulo da mais longa aliança em vigor de há mais de 600 anos, tornou-se um subproduto sócio-político e sócio-cultural da aliança anglo-lusa de 1373, depois de passar por sucessivos crivos históricos, dos quais realço as invasões napoleónicas na Península Ibérica (1807/1811) e a Conferência de Berlim (1884/1885) com o traumatizante episódio do “Mapa côr-de-rosa” (1890).

A Revolução Industrial, que potenciou a construção do império britânico no seguimento da derrota de Napoleão, avassalou Portugal que continuou como país rural, meio feudal, tecnologicamente atrasado e dependente durante todo o exercício fascista e colonialista do Estado Novo, algo que se haveria de tornar decisivo para em Angola e Moçambique o colonialismo português se vir a tornar vassalo (e subproduto não assumido, ou envergonhadamente assumido) do “apartheid”, em função duma pujante África do Sul que para manter a hegemonia era obrigada a irradiar influências capazes de defender o baluarte da internacional fascista na África Austral, numa “articulação radial”, conforme à geoestratégia delineada com o Exercício ALCORA.

A ambiguidade histórica e sócio-política da aliança anglo-lusa traduzida numa vassalagem de Portugal tornou possível, por via do Exercício ALCORA e por que na África do Sul a Revolução Industrial se impôs no abrigo do império britânico sob o génio de Cecil John Rhodes, assumir ainda a ambiguidade em relação aos contextos da África Austral, algo que não seria só apanágio do Estado Novo e teve continuidade por via de todos os governos que se sucederam ao 25 de Novembro de 1975 em Lisboa, pois a entrada na União Europeia e a manutenção de Portugal na NATO, continuou a debitar obrigações de vassalagem até aos nossos dias, fazendo aproveitamento das condições conjunturais antropológicas, históricas, económicas e financeiras que advêm do passado.

 No seu livro “ALCORA – O acordo secreto do colonialismo”, Aniceto Afonso e Carlos de Matos Gomes, elespróprios historiadores militares e capitães do Movimento das Forças Armadas, dão um contributo claro e inequívoco para se perceber essa ambiguidade em relação ao “apartheid”, faltando-lhes apenas as consultas aos arquivos das SADF e do “apartheid” para tornar ainda mais substantivas as suas conclusões.

Dizem eles com toda a propriedade no Capítulo Iº, “Portugal, África do Sul e Rodésia”, em “Uma aliança a três Governos” (pag. 23):

“Segundo a definição clássica nas escolas de Relações Internacionais anglo-saxónicas, uma aliança é um acordo formal entre dois ou mais actores – normalmente Estados – que colaboram untos em questões de segurança.

Ainda por definição, uma aliança deve conter alguns acordos sobre a forma de responder a acontecimentos particulares.

A natureza das alianças também é normalmente entendida pela dimensão dos Estados e das suas capacidades económicas e militares; assim, quanto maior e mais forte for um dos Estados de uma aliança, maiores serão as probabilidades de ele ocupar uma posição dominante na mesma (Evans & Newnham, The Penguin Dictionary of International Relations, Londres, Penguin, 1999, pag. 37).

À luz desta definção o Exercício ALCORA é uma verdadeira aliança embora, porventura por razões de secretismo mantidas até hoje, nunca tenha sido considerada como tal, mesmo pelos mais reputados institutos de estudos estratégicos e pelos trabalhos académicos de algumas das universidades mais prestigiadas e tradicionalmente ligadas aos assuntos de política na África.

Essa incapacidade de penetrar neste segredo prolonga-se até aos dias de hoje e vem desde o momento em que, após o 25 de Abril de 1974, Portugal abandonou a política ultramarina de manutenção da soberania sobre as suas colónias e deu por finda a guerra que nelas travava desde 1961”.


2- Desse extracto e dos seus múltiplos fundamentos há que retirar lições que me socorrem nas minhas frequentes denúncias em relação às contínuas ambiguidades dos Governos portugueses após o 25 de Novembro de 1975 em relação a Angola e a África, ambiguidades que ainda hoje não se puseram cobro, até por que nenhum Governo português publicou o que quer que fosse sobre o“acordo” secreto do Exercício ALCORA, ou sobre o seu grau, efectividade, ou caducidade, um procedimento similar aliás à relativa “imobilidade salazarenta” de então.


Os Governos portugueses não “desataram o nó” da aliança secreta do Exercício ALCORA, mantendo inclusive “por inércia” o carácter da ambiguidade ideológica e prática do Estado Novo, por que os vínculos antigos com a África do Sul (que socorrem também as “leituras” da NATO e do USAFRICOM em tempo neoliberal e sob domínio dos “lobbies” do petróleo e dos minérios), mantiveram-se correspondendo ao peso e influência económica e financeira dos vínculos e intervenientes sul-africanos (inclusive interesses do âmbito das “casas” Rockefeller e Rothschild) desde então, algo que tem sido aproveitado pela inteligência económica portuguesa e tem também funcionado de forma aberta ou velada no âmbito sócio-político e ideológico, em função também dos interesses da comunidade portuguesa residente naquele país, uma parte dela “retornada” de Angola e Moçambique.

A consultar de Martinho Júnior:
- Eleições na letargia duma colónia periférica – http://paginaglobal.blogspot.com/2013/10/eleicoes-na-letargia-duma-colonia.html
- Neocolonialismo em brandos costumes e dois episódios – http://paginaglobal.blogspot.com/2017/03/neocolonialismo-em-brandos-costumes-e.html

Imagens: Capa e contracapa do livro “ALCORA – o acordo secreto do colonialismo”; o General sul-africano Charles a, P. Fraser, promotor dos conceitos do exercício ALCORA; condecoração do Vice-Almirante Jacobus Everhardus Luouw, Adido Militar Adjunto da Embaixada da África do Sul em Lisboa em 1982 e sua outra foto-passe.

Portugal | PRESOS POLÍTICOS, HÁ 43 ANOS!


Sim, há 43 anos, a libertação incondicional dos presos políticos não foi tão pacífica como isso! Para melhor entendimento desta afirmação, teremos de remontar à origem do Movimento dos Capitães, surgido cerca de um ano antes, motivado por uma reivindicação de carácter corporativo, como resposta a um despacho da hierarquia do Exército e na qual convergiram oficiais dos quadros permanentes desse ramo com distintos interesses, ideologias e matizes.

Carlos Machado dos Santos | AbrilAbril | opinião

Um dos grupos mais assertivos na salvaguarda daquilo que considerava os seus direitos era constituído, talvez não por acaso, por oficiais que serviam, ou tinham servido com o General António de Spínola, chefe militar carismático que, em dada ocasião, optou por entrar em divergência com o Governo sobre assuntos relacionados com a administração colonial. Embora este episódio tivesse, na época, entrado no domínio público, não foi entendido do mesmo modo pela generalidade dos oficiais do Exército, nem, tampouco, pelo cidadão comum.

Spínola era por muitos considerado o modelo de chefe militar austero, justo, exigente e intransigente, tipicamente predestinado a liderar um movimento capaz de derrubar o governo ditatorial fascista, encetando um novo ciclo governativo sem perturbar o fundamental, ou seja, sem alterar a estrutura hierarquizada das Forças Armadas, nem da malha social do país.

Agora, todos sabemos que o Movimento se constituiu e foi solidificando com a adesão determinada de outros grupos de oficiais, que bem mais pretendiam do que isso e que acabaram por desenhar um projecto político e social para Portugal, estabelecendo como uma das prioridades, o acabar com guerra colonial.

De entre outras delas e, inerente ao derrube do estado fascista, encontravam-se a libertação total e incondicional dos presos por delito de opinião – uma vergonha para o País, internacionalmente – e a extinção da polícia política.

25 de Abril | CANÇÕES DE REVOLUÇÕES ECOARAM NUM TERREIRO DO PAÇO EMOCIONADO


O aniversário da revolução de 25 de Abril de 1974 foi assinalado na noite de 24 num concerto que teve lugar num Terreiro do Paço, muito povoado e que contou com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, o Coro Sinfónico Lisboa Cantat, António Zambujo, Vitorino, Lura, André Gago e outros.

Foi com Lura que teve início o desfiar de canções que nasceram em contexto de ditadura, de conflitos, que serão sempre símbolo de intervenção e de protesto.

Ouvimos “O que faz falta”, “Liberdade” e “Lembra-me um sonho”. Aplausos e ao Terreiro do Paço cada vez chegava mais gente.

Inserido no âmbito de Lisboa-Capital Ibero-Americana de Cultura, o espectáculo teve como objectivo trazer à memória dos presentes canções de outras lutas como o Chile, a Argentina, o Brasil, Cuba, México, Espanha.

E Vitorino cantou “Cancion com Todos” e “Razon de Vivir” mas Silvia Perez Cruz trouxe uma das canções mais bonitas da América Latina, “Gracias à la Vida” numa homenagem a Violeta Parra.

E à memória surgiam imagens enevoadas de países em luta como o Brasil, o Chile, a Argentina, luta essa imortalizada nas canções que ouvíamos.

MÚMIA CAVACO NÃO ESTEVE NAS COMEMORAÇÕES DO 25 DE ABRIL. AINDA BEM!


QUERIAM VER NOVAMENTE UM PIDE A FAZER DE CONTA QUE COMEMORAVA A LIBERTAÇÃO?

Nicolau Santos é diretor-addjunto do Expresso. É ele que nos serve a cafeína desta manhã. Um homem interessante. Quando era jovem na profissão ainda era mais. Ah! E até é comendador da Ordem do Infante desde de 2006! O seu a seu dono, que é como quem diz: a comenda a quem não é uma “encomenda” no jornalismo, nas artes e ofícios de comunicar e de saber fazer contas – porque ele é sabedor de economia e não diz, nem pensa, que “nunca se engana e raramente tem dúvidas”. Ao contrário de Cavaco Silva, aquele a que chamam “múmia” e outros mimos – ainda Vasco Gonçalves o mimou na entrevista que encontrará aqui no PG e que é da lavra do Notícias ao Minuto…

Ora bolas, de Berlim. Esta abertura está muito apalavrada e cheia de palha. Vamos ao Curto de hoje, sobre a atualidade e mais uns pós. Esses pós trazem Ary dos Santos à baila, já que Nicolau trouxe Sophia. Um numa ponta e outra noutra, ou talvez não tanto assim.

25 de Abril, 43 anos depois. Então e como está a açorda? Má. As comemorações foram o que foram. Aceitáveis. Não daquelas em que o múmia Cavaco era PM ou PR. Claro que um ex-PIDE só tinha que ser como ele é. Principalmente ele, que ficou petrificado no salazarismo dos seus saudosismos. Ainda hão-de estudar profundamente como é que aquele trambolho da bufaria foi eleito por várias vezes. Foi PM, foi PR. Foi a maior trampa nacional que aconteceu a Portugal. Terá a haver com o analfabetismo semeado pelo salazarismo, pela iletracia e a estupidez natural administrada pelos caciques abundantes por este país à beira-mar plantado? Talvez. Há uma certeza: Cavaco, sem cantar - aquela vozinha soada de abundante cacofonia não dá para cantar - fez o que António Mourão cantou: “Oh Tempo Volta p’ra Trás”. E voltou, no que conseguiu. Felizmente existe uma Constituição e os apetrechos para a República ser protegida de avantesmas como aquele estafermo. Basta. Os vómitos estão quase a chegar ao goto. Ufa!

Avaliem o que ontem fez e disse Marcelo com o que fazia e dizia o estafermo, sinuoso e perigoso, nas comemorações do 25 de Abril. Principalmente nos últimos anos no cargo de PR. Cuidado com as cadeiras, senhor Cavaco Silva. Ao Salazar lixaram-no. Ufa! Fim da conversa. Isto hoje não dá para mais. Desculpem qualquer coisinha a cheirar a palha.

Final desta enfática abertura para acrescentar que a liberdade e a democracia de que falam os eleitos e outros nas suas ilhargas, é uma grande tanga. O que vimos antes e ainda se continua a ver (sentir) foi a antítese das práticas do lendário Robin dos Bosques: roubar aos pobres e remediados para dar aos ricos. Quanto às consequências prejudiciais recaem sobre os pobres e remediados. Claro! Os ricos upa-upa, que roubaram e roubam, que recorrem aos offshores e etc…. Esses continuam impunes ou no máximo indiciados pela Justiça que não é cega mas faz que não vê esses tais charlatães dos milhares de milhões…

Fim, agora é que é. Basta de "lana caprina". Viva o 25 de Abril, quando acontecer. É que o de 1974 já foi. Precisamos de outro. Segue-se o Expresso Curto do Nicolau, se continuar a ler. Vá nessa.

MM | PG

terça-feira, 25 de abril de 2017

AS CRIANÇAS QUE NÃO CONTAM | Robert Fisk


Duas semanas depois de curioso ataque com gás sarin, terroristas financiados pelo Ocidente explodiram camboio de refugiados, matando 126 sírios, entre os quais 80 crianças. Desta vez, ninguém chorou

Robert FiskThe Independent | Outras Palavras | Tradução Roberto Pires Silveira

Essa foi a mãe de todas as hipocrisias. Algumas crianças sírias mortas importam, penso. Outras não. Um assassinato em massa duas semanas atrás matou crianças e bebês e levou nossos governantes à mais justa indignação. Mas o massacre deste final de semana na Síria matou ainda mais crianças e bebês – e mesmo assim não gerou mais que silêncio daqueles que antes bradaram pela salvaguarda de nossos valores morais. Por que desta vez não?

Quando um ataque com gás na Síria matou mais de 70 civis em 4 de abril, incluindo bebês e crianças, Donald Trump ordenou um ataque com mísseis contra a Síria. Seu país aplaudiu. A imprensa também. Da mesma forma grande parte do mundo. Trump chamou Assad de “mau” e “um animal”. A União Europeia condenou o regime sírio. O governo britânico chamou o ataque de “bárbaro”. Quase todos os líderes ocidentais afirmaram que Assad deveria ser removido do poder.

Desta vez, quando um homem bomba atacou um comboio de refugiados civis nas proximidades de Alepo, matando 126 sírios, mais de 80 deles crianças, a Casa Branca manteve silêncio. Mesmo sabendo que o total de mortes foi maior, Trump não se lamentou nem mesmo no twitter. A marinha dos Estados Unidos sequer lançou um disparo simbólico na direção da Síria. A União Europeia se fingiu de tímida e não quis dizer nem uma palavra. Aquela conversa de “barbarismo” foi sufocada no ninho pelo governo britânico.

OCIDENTE ASSASSINA KADAFI | MERCADO DE ESCRAVOS E O ESTADO ISLÂMICO FLORESCEM


O último país "libertado" pelo ocidente de um ditador "demoníaco" agora trafica escravos abertamente

Abril de 2017 - Information Clearing House - É amplamente sabido que a intervenção da OTAN, liderada pelos Estados Unidos para derrubar o regime de Muammar Kaddafi em 2011 resultou em um vácuo de poder que tem permitido que grupos terroristas como o Estado Islâmico ganhem uma ampla cabeça de ponte no país.

Carey Wedler | tradução de btpsilveira

Apesar das destrutivas consequências da invasão de 2011, o ocidente atualmente está trilhando trajetória similar no que tem a ver com a Síria. Logo após a administração Obama ter trucidado Kaddafi em 2011, realçando seus supostos abusos contra direitos humanos e insistindo que ele tinha que ser removido do poder para proteger o povo líbio, a administração Trump agora está ressaltando as supostas políticas repressivas de Bashar Al Assad na Síria e advertindo seu regime de que poderá rapidamente ter o mesmo fim -  tudo em nome da proteção da população civil da Síria.

Mas como os Estados Unidos e seus aliados fracassaram em providenciar base legal para seu recente ataque aéreo - bem como em providenciar evidências que apoiem suas acusações de que Assad foi responsável pelo mortal ataque a gás na última semana - estão surgindo dificuldades imprevistas para invadir países estrangeiros e remover seus líderes.

Portugal | 1º de Maio | A valorização do trabalho requer medidas concretas que tardam


CGTP-IN intensifica luta para um grande 1.º de Maio

Na reunião que antecedeu as comemorações do 25 de Abril e do Dia Internacional dos Trabalhadores, o Conselho Nacional da CGTP-IN apelou à intensificação da luta nas empresas e nas ruas.

O órgão dirigente da Intersindical Nacional analisou, no dia 12, a situação nacional e internacional, reafirmando que «os avanços registados no novo quadro político do País são inseparáveis da acção e da luta reivindicativa dos trabalhadores». Numa resolução em que se aponta o próximo 1.º de Maio como «grande jornada de luta pela valorização do trabalho e dos trabalhadores», destaca-se o apelo à intensificação da mobilização e, em particular, «a vinda dos trabalhadores à rua, para exigirem o direito a uma vida melhor, afirmarem as suas reivindicações e aspirações e darem mais força à luta pelo fim da exploração do homem pelo homem».

Valorizando as mais recentes acções de âmbito nacional, o Conselho Nacional saudou «todos os trabalhadores e trabalhadoras que lutam por melhores condições de vida e de trabalho, que participaram no Roteiro contra a Precariedade, na Semana pela Igualdade e na Manifestação Nacional dos Jovens Trabalhadores, em 28 de Março».

Portugal | “O PIOR QUE PODE ACONTECER NO FUTURO É O PS TER A MAIORIA ABSOLUTA”


Vasco Lourenço, Coronel e um dos capitães de Abril, é o entrevistado do Notícias ao Minuto.

Vasco Lourenço não é neutro. Sabemos disso e o próprio admite que o seu espaço ideológico está ocupado pelo Partido Socialista (PS). Por isso mesmo, também tem sido esse o partido que lhe tem dado mais desgostos ao longo da vida. Sobre a oposição, diz ser “suspeito” para falar. Acusa Passos Coelho de hipocrisia e de ter mentido “compulsivamente”. Rejeita por completo o regresso do Bloco Central que, de resto, considera ser a causa da destruição, do retrocesso no campo social, que Portugal teve nos primeiros tempos depois do 25 de Abril.

Não gosta de maiorias e até prefere que o PS não a tenha nas próximas legislativas. Isto porque, a experiência diz que quando há maiorias, as vozes das minorias são esquecidas. “E de boas intenções está o inferno cheio”, atira.

Se por um lado é favorável a este Governo e a esta solução de Esquerdas, por outro, deixa severas críticas ao PS. “Não tem habilidade para escolher ministros da Defesa” e isso, constata, tem “descredibilizado” as Forças Armadas. Azeredo Lopes, acusa, “só tem feito asneiras”. Defende, por fim, o serviço militar obrigatório, até para combater o excesso de individualismo e egoísmo que abunda na sociedade.

A entrevista, se continuar a ler.

Portugal | A LIBERDADE COMO A VEMOS E O 25 DE ABRIL QUE AINDA NÃO CHEGOU


Comemora-se hoje o 25 de Abril, o dia da Liberdade. Já lá vão 43 anos desde que o regime salazarista foi derrubado. Volvidas mais de quatro décadas, muita coisa mudou. Portugal, até então “orgulhosamente só” e pouco ou nada desenvolvido, começou a ganhar terreno no que à modernização diz respeito. Foi, a par disso, consolidando a democracia.

E hoje o que se pensa do 25 de Abril? O Notícias ao Minuto foi tentar perceber, no dia em que celebramos a Liberdade, qual o sentimento dos portugueses em relação a este marco histórico. Se, por um lado, há quem prefira realçar o que de bom a Revolução nos trouxe - a liberdade de expressão -, por outro, permanece o sentimento de algo que não foi plenamente atingido, algo que tem sido "adiado" ao longo das décadas.

“Isto agora só se vê má educação por aí”, diz-nos Marco Semedo, de 51 anos, sentado num dos bancos dos Jardins do Império. Pelo sotaque, vemos que é alentejano, ele e o colega, Carlos Baião. São ambos do distrito de Portalegre e ambos motoristas. “Olhe para ali”, aponta Marco para um grande grupo de jovens. “Quem é que daquele grupo lhe diria bom dia, boa tarde ou obrigado? Ninguém”. Mas não só os jovens, ressalva. “Os doutores, os formados, são os piores”.