quarta-feira, 20 de junho de 2018

Mundial2018 | Portugal X Marrocos hoje às 13 horas

Mundial2018 | Portugal X Marrocos hoje às 13 horas


Sabemos o que vai ser o almoço em Portugal, como não pode deixar de ser será futebol, o mundial na Rússia. Ignoramos qual será a sobremesa. Se será doce ou amarga. Vitória ou derrota. Talvez agridoce para corresponder ao empate. 

Prognósticos só no final do jogo. Lá estaremos, frente ao monitor, a sofrer e com ataques de gáudio e explosões de alegria. Venha o que vier não recusaremos o “cozinhado”. Boa sorte, gana e saber, rapaziada. Vamos lá, cambada!


Da TSF retiramos a lauda sobre o tema. Se não podem ver na TV já sabem que o melhor em áudio, na rádio, é a TSF. Sem tirar nem pôr. Bolas, foi e é a rádio que mudou e muda a rádio. Já esteve mais quase perfeita mas os tempos são de cifrões e feita de nova escola de jornalismo muito dependente dos interesses dos donos das notícias, da informação e etc. nesses “terrenos”. Vá na TSF se não pode ver naquele ecrã habitualmente manhoso e super-mágico a manipular. Aos atentos isso dificilmente acontece, essa tal “manipulação”. Bola. (PG)

Direto. Equipas entram em campo para aquecimento. João Mário no 11

Fernando Santos fez apenas uma alteração para o encontro, trocando Bruno Fernandes por João Mário no meio-campo da seleção.

11 de Portugal: Rui Patrício; Cédric, Pepe, José Fonte, Raphael Guerreiro; William, Moutinho, Bernardo Silva, João Mário; Guedes e Ronaldo

11 de Marrocos: Munir; Dirar, Benatia, Da Costa, Achraf; Belhanda, El Ahmadi, Boussoufa; Harit, Boutaïb e Ziyech.
A Seleção nacional defronta esta quarta-feira (13h) Marrocos, no segundo jogo da fase de grupos do campeonato do mundo. No primeiro encontro, os campeões europeus empataram (3-3) com a "favorita" Espanha.

Esta será a segunda vez que Portugal encontra Marrocos, numa fase final de um Mundial. Foi no México'86, também na fase de grupos, e nesse dia Portugal saiu derrotado por 1-3.

O encontro realiza-se na capital russa, no Estádio de Luzhniki. Nas bancadas, segundo avança o enviado especial a Moscovo, João Ricardo Pateiro, deverão estar cerca de 1200 adeptos portugueses. A assistir ao jogo, na tribuna presidencial, estará o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

TSF
Depois do Sebastião e da sova em Alcácer Quibir temos o Cristiano Ronaldo

Depois do Sebastião e da sova em Alcácer Quibir temos o Cristiano Ronaldo


Ai, ai, hoje há jogo da seleção de Portugal com Marrocos, no Mundial disputado na Rússia. Num aparte apetece perguntar: “Os russos comem criancinhas?” Não? Alguma vez comeram criancinhas? Não? Então que raio de trouxas eram esses mais velhos de outros tempos que deixaram que o salazarismo e a igreja lhes enfiassem isso na cachimónia? Não era só o analfabetismo, desculpem lá. Para acreditar nessa e em muitas outras patranhas é preciso ser muito burro (salvem-se os quadrúpedes porque isto é para os bípedes). É assim que a modos de como hoje: o Correio da Manha e outros igualmente manhosos publicam patranhas, assim como políticos e outros da desinformação, e há bípedes que acreditam piamente. Deve de lhes cheirar a palha. É o que deve acontecer. E é doença? Pois, adiante.

E o Sebastião, aquele imberbe, otário, doentiamente devoto e manipulado pela igreja e outros bandidos da época, lá foi para a batalha em Marrocos e desapareceu. Foi um ar que lhe deu. Depois gramámos com os sacanas do Reino de Castela por 60 anos até os escorraçarmos e linchar os traidores portugueses que colaboravam com os ocupantes. Há sempre sacanas desses em todos os lugares. Nos tempos atuais vimos imensos. E estão bem na vida, os larápios. Só que agora vendem o país à pátria do cifrão. São traidores de alto gabarito nomeados com pompa e circunstância, engravatados e de colarinhos alvos. Mais ou menos bem falantes e muito mentirosos. Tinham de ser. Têm de ser…

Omessa. Vamos lá ao Expresso Curto de hoje porque desta retórica já chega. E é mesmo no Curto que temos o Sebastião imberbe que foi rei da treta porque era a igreja quem desgovernava o povo e o país e se governava (um tal cardeal Henrique). Por Marrocos ser hoje o adversário de Portugal vimos no Expresso a referência ao Sebastião e à batalha de Alcácer Quibir. Nessa batalha as tropas de Portugal levaram porrada de três em pipa. E hoje, no retângulo relvado em que 22 gajos vão andar a correr e a pontapear a bola? Nunca se sabe. Pois. E, se perdermos por uma cabazada, será que vão desaparecer jogadores? Talvez. Para depois aparecerem em Limojes – como diz a prosa de Manuela Goucha Soares. Ora vá ler AQUI depois desta entradinha:

“Sabe mesmo onde morreu o rei D. Sebastião? Em Limoges ou Marrocos

Foi em Marrocos que desapareceu o rei de Portugal e o país perdeu a independência durante 60 anos. No dia em que a seleção das quinas joga com a equipa marroquina no Mundial de Futebol, o Expresso conversou com investigadores que defendem que o jovem rei D. Sebastião sobreviveu a Alcácer Quibir e morreu em França perto dos 80 anos”.

O Expresso Curto a seguir. Para encurtar. Bom dia e boas festas aos jogadores. Por quantos irá vencer o Ronaldo a equipa de Marrocos? (MM | PG)

Bom dia este é o seu Expresso Curto

Hoje há jogo, por isso...

Vou tentar ser rápida nesta habitual vista de olhos pela atualidade de cá e de lá fora. O dia vai dividir-se em antes e depois das 13h, hora do Portugal-Marrocos, com o Presidente Marcelo a assistir in loco, duas horas depois de ser recebido no Kremlin pelo seu homólogo Vladimir Putin (“Assalto ao Kremlin”, não é assim que se chama o hino da seleção?) Não sei se o PR foi a Moscovo ver o jogo e, já agora, encontra-se com Putin, ou se já tinha agendada a visita a Putin e aproveitou e vê o jogo, mas isso também não interessa. Os outros, como nós, aqui na Impresa, fomos convidados a juntar-nos no auditório para partilhar em comum a emoção do jogo (a Altice deu "folga" aos funcionários para ver o jogo). No café da esquina o dono comprou uma televisão para agarrar os comensais.

Muito tempo vai demorar a hora de almoço por este país fora! Esqueçam, hoje não é dia de trabalhar. Até à 1h há de falar-se das perspetivas do jogo (e Fernando Santos já preveniu que Portugal tem de jogar melhor) e depois das 3 do que se jogou… Espera-se que o extra-terrestre Ronaldo surja outra vez em campo, mas vá lá… os outros também têm de dar uma ajuda. E… pronto, não digo mais. Vamos ao que interessa.

1.Tudo (ou quase tudo) que lhe pode interessar sobre o jogo está aqui (mais bola e mais pressão, em suma). Se quer relembrar a conferência de imprensa do Fernando Santos, veja aqui e a do selecionador marroquino, Hervé Renard, aqui – atenção, terrestres, foi ele que lembrou que Portugal ganhou o Europeu sem o capitão! (Também pode ler histórias curiosas do Ronaldo, se é que não as conhece já). Isto é a literatura básica. Se ainda quiser ter um cheirinho de ambiente, espreite aqui. Acho que já fica com uma boa panorâmica.

2.O resto são muuuuuitas opiniões (umas com graçolas assim e outras assado) do que pode ser e ainda não é. Ah, é verdade, esquecia-me. Talvez seja engraçado também lembrar que há 32 anos que Portugal não jogava com Marrocos e… perdeu por 3-1. Não foi bonito de ver e quem se lembra (pelo menos de ouvir contar) diz que foi “uma grande balda”. Hoje seria impossível. Ao menos isso. Leia, que é ilustrativo. Foram os tempos do caso Saltillo, contado por Álvaro Magalhães. E se quiser ir mesmo mais atrás, pode até recordar-se que El-rei D. Sebastião andou por terras marroquinas. E também perdeu. A si próprio e ao país. Demorámos 60 anos a sair do atoleiro.

Não sei se já podemos largar o tema, creio que sim. O leitor agora fica por conta própria e pode vestir a camisola. O dia ainda agora começou e aposto que já sabe tudo sobre o ambiente em Marrocos e na Rússia, e que engraçado que é ver uma criança marroquina a dizer que torce por Portugal e uns portugueses que dizem que andam muito divertidos a cantar por ali, na Rússia, com o Praça Vermelha em pano de fundo. Espetáculo! (E não vou falar mais de futebol, e menos ainda do Sporting).

OUTRAS NOTÍCIAS

Esta é a última: um incêndio de grandes proporções destrói fábrica em Viseu. Já e verão, voltou o calor.

De cá, primeiro. Governo e Bloco de Esquerda ao mais alto nível encontraram-se ontem (António Costa versus Catarina Martins) para começar a discutir temas do Orçamento de Estado. Demorou duas horas e meia e obrigou Costa a cancelar parte da agenda

Hoje é dia de debate quinzenal e o tema são os fundos europeus, Portugal 2030. Na segunda parte, o debate será preparatório do Conselho Europeu de 28 e 29 de junho e versará exclusivamente sobre migrações. É bom saber o que pensa o Governo, parceiros e oposição sobre este tema que se arrisca a incendiar a Europa, mas já lá vamos. Esta quarta-feira é o Dia Mundial do Refugiado e os especialistas dizem que Portugal devia aprender com os erros da Europa. Em 2017 concedeu cerca de 700 estatutos, mas recusou muitos. Ao todo, no mundo, o número de refugiados anda a rasar os 70 milhões.

Mas tenho dúvidas que o PM consiga circunscrever o tema do debate. Com o acordo da concertação social sobre as relações laborais, a greve dos professores e o esboço de propostas do PS sobre a reforma da saúde em cima da mesa, é pouco crível que os deputados fiquem só a discutir os milhões que vêm (ou não) para aqui. Vamos por partes.

Concertação social: o acordo foi assinado na segunda-feira por António Costa, que não deixou dúvidas que era para valer, apesar das discordâncias dos parceiros. Aqui pode ler o que muda no Código de Trabalho e aqui o que divide os três partidos-parceiros sobre o assunto. O PM foi claro, o acordo é para valer, e na sua coluna de opinião, o bloquista-senador Francisco Louçã voltou a insistir na tónica: “O Governo pretende um conflito com a esquerda”. Já é a segunda vez no espaço de duas semanas e sobre assuntos diversos em que Louçã carrega nesta tecla. Porque será? Santana Lopes também repetiu na SIC (pela segunda vez em 15 dias) que “cheira a Bloco central”. Carlos César repete: o eleitorado dos parceiros e do partido socialista preferem a atual solução governativa.

Greve dos professores: na segunda-feira, Mário Nogueira desafiava o Governo a encontrar uma escola onde se tenham realizado reuniões de avaliação (“uma agulha no palheiro”) e protestou contra a tentativa de imposição de serviços mínimos nas reuniões : “é um atentado à democracia”, disse. As greves estão para durar: há um pré-aviso entregue até 13 de julho, e previsão de greve para 14 de Setembro, o primeiro dia de aulas, e durante toda a semana que termina a 5 de Outubro. Os pais começam a reclamar, ressuscitando lutas antigas.

O orçamento, como se sabe, tem de se ser apresentado até dia 15 deste mês. Ontem houve outra reunião e nada deu. Foram cinco horas a partir pedra e a conclusão foi constituir um colégio arbitral para analisar a necessidade ou não de serviços mínimos. Mas só a partir de julho. A informação é da Fenprof.

Nas jornadas parlamentares do PSD também se falou deste assunto: Rui Rio diz que o país não está em condições para contar com o tempo todo aos professores. Quanto às jornadas parlamentares propriamente ditas, que terminaram ontem, Rio falou para muitas cadeiras vazias. A análise do Filipe Santos Costa: uma orquestra desafinada.

Saúde: Maria de Belém apresentou ontem o esboço do projeto do PS sobre a Lei de Bases na Saúde, três dias antes apenas de um debate marcado pelo Bloco para discutir o assunto e que tem, juntamente com o PCP, opiniões muito diferentes sobre o assunto. É um tema que divide os parceiros. O ministro vai esta manhã à comissão Parlamentar de Saúde.

Na frente económica, a notícia são os pormenores do que já se sabia: que a compra da TVI pela Altice foi chumbada pela Autoridade da Concorrência: custaria 100 milhões aos consumidores. A Anabela Campos esmiuça as razões.

Notícias diversas mas interessantes: o Ministério Público continua no encalço dos negócios de Manuel Pinho, desta vez são as casas que vendeu; PS e PSD – qual é o mais amigo da natalidade? Estão ambas no Expresso Diário de ontem. Quanto ao mistério do desaparecimento dos quatro dedos cortados na estátua de D. José no Terreiro do Paço vem no Observador.

LÁ FORA

EUA. Vem de lá a notícia que nos surpreendeu a todos (embora, pensando bem, não seja assim tão surpreendente): o país retira-se do Conselho de Direitos Humanos da ONU (aqui). O cantinho do Trump vai-se alargando: é o escândalo das crianças separadas dos pais (2000 já! Veja as fotos e os vídeos) na fronteira com o México, a guerra comercial que estalou com a China (e consequente abalo em Wall Streetafundando os mercados), o último tweet do Presidente americano a criticar a chanceler Merkel sobre a política de imigração (e a resposta em tom grosso do presidente da Comissão, que disse que Trump “não governa a Europa”), as divergências que alarmam já a NATO a um mês da sua cimeira, e, e, e …

NOTA: a política de Trump sobre a imigração foi a única coisa que nestes últimos tempos conseguiu reunir toda a classe política (e sociedade civil) do CDS ao BE: os seus líderes vão estar presentes amanhã numa inédita manifestação de protesto.

ALEMANHA-FRANÇA. Angela Merkel (que, a propósito, não está assim tão tremida, venceu mais um round, “Renasceu das cinzas”) e Emanuel Macron reuniram-se em Paris para falar da eurozona e encontraram um terreno mínimo de acordo (também aqui) sobre a reforma da dita, nomeadamente a criação de um orçamento para a zona - mas é tudo moderado, calma! Ouça este podcast e perceba porque Macron está a ficar isolado. Se quiser ler o texto completo da declaração final está aqui. Isto leva-me a revisitar as propostas de António Costa, pela mão do site Opendemocracy.net).

EUROPA. O encontro abordou também o problema maior da imigração, realizando-se dias depois da crise do Aquarius, o barco carregado de imigrantes que a Itália recusou acolher e aportou em Valencia. O problema é sério em toda a Europa, sobretudo porque se olharmos para os números se verifica que caíram drasticamente (44% em 2017 em relação a 2016) – consulte o Relatório europeu ou o seu resumo. Quanto ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, quer estabelecer centros de imigrantes fora da Europa. Chame-lhe o que quiser.

A situação é grave, tendo em vista que, por exemplo, em França, de acordo com as sondagens, a maioria da população (56%) foi contra o acolhimento em terras francesas dos imigrantes do Aquarius (metade dos 630 quer ir para França). Na Alemanha são 90% os que querem mais expulsões de clandestinos. Apesar disso e também para dar alguma ajuda a Merkel, Macron aceitou receber os imigrantes que estão na Alemanha e que entraram por França.

Por estas e outras razões, deixo-lhe aqui os links para três artigos sobre o tema: é ou não uma crise de, por e para políticos? (Rui Tavares); a política europeia tout court sobre o tema(Paulo Rangel); e o novo eixo do mal (Amílcar Correia). Há uma crise de perceção na Europa e só um cego não a vê. Mas é assim que se propaga o nacionalismo, o populismo e outros “ismos” – senão, leia este discurso de Viktor Órban, o primeiro-ministro húngaro e descubra por que este tipo de raciocínio é tão apelativo. Cúmulo: foi dito numa cerimónia em memória do grande europeu que foi o chanceler alemão Helmut Kohl.

ESPANHA. Afinal, Pedro Sanchez quer ficar no Governo até 2020 (ver-se-á se consegue) e faz operação de charme na Moncloa (onde antes havia o Rico há agora uma Turca) – não se preocupe estamos a falar de cães e da obsessão dos líderes políticos em os mostrar. O Politico encontrou quatro pontos em que Sanchez copia Trudeau, o primeiro-ministro do Canadá (nós portugueses entendemo-lo melhor).

Do lado do PP, a luta é feroz pelos despojos de Rajoy. O partido está dividido ao meio com a entrada em cena das duas dirigentes, Maria Dolores de Cospedal (ex-ministra) e Soraya Sáenz de Santamaria (a vice-presidente), ambas criações do antigo líder. O Jorge Almeida Fernandes chama-lhe as duas generalas(mas porque será que quando as mulheres se afirmam em mundo de homens têm patente militar?) Há mais quatro candidatos ao cargo, todos homens. A ver quem ganha.

FRASES

"Vai ser uma final para nós, uma batalha importante. Vamos dar a vida em campo", Nadir Dirar, jogador de Marrocos

"Sabemos das nossas capacidades e trabalhamos para um só objetivo, que é honrar a camisola e o país", Pepe. jogador de Portugal

"Não há pozinho mágico, Portugal tem capacidade para fazer melhor", Fernando Santos

"A função do PSD é empurrar o Governo para a irresponsabilidade? Não, isso é função do PCP e do BE. Nós (...) temos outra, que é a de obrigar o Governo a falar verdade", Rui Rio, nas jornadas parlamentares

"Não é um acordo ótimo, mas é um acordo bom", Carlos Silva, líder da UGT, ao I, sobre a concertação social.

O QUE ANDO A LER

Não é para fazer propaganda à casa – mas por acaso já passou os olhos pela coleção sobre Jerusalém, A Biografia de Simon Sebag Montefiore, que o Expresso está a editar em pequenos livrinhos há seis semanas? Pois devia, porque a história da cidade sagrada das religiões monoteístas, que por três vezes foi arrasada e três vezes ressuscitou, merece que lhe dedique alguma atenção. Como foi que se decidiu criar uma inóspita cidade no meio do deserto, os nomes que teve, as mãos porque passou (e as invasões que sofreu), os massacres de que foi vítima? Tudo é objeto de estudo, com uma descrição tão abundante de pormenores que não custa a transportar-nos para esse mundo de outrora que ainda revive. A História da Humanidade está recheada de desumanidade. Os livros, que no conjunto são um grosso tomo, são um mimo de saber e cultura (com um pequeno senão - a tradução é tão fraca que me pergunto se algum português reviu o texto). Se conseguir ultrapassar isso, garanto-lhe, vale muito a pena.

E por hoje é tudo. Eu queria escrever pouco e não consegui. Está liberto para voltar ao futebol, se assim o entender.

Tenha um Bom Dia… e que a vitória nos sorria!

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Enfrentarão os EUA um colapso semelhante ao da URSS na Europa?

Enfrentarão os EUA um colapso semelhante ao da URSS na Europa?


O jornal The Wall Street Journal publicou recentemente um artigo intitulado “Europa Pondera Nova Ordem Mundial Enquanto seus Laços Transatlânticos se Rompem”. Para o colunista da Sputnik, Ivan Danilov, este artigo demonstra que, para que tudo corra bem nos EUA, tudo deve correr mal nos outros países.

O artigo do The Wall Street Journal, escrito pelo cientista político Simon Nixon, oferece um prognóstico pessimista. "Os pobres laços de Trump com os aliados da Europa Ocidental levantam a possibilidade de 2018 ser um ano de desarticulação ideológica, como 1989 foi para a Europa Oriental", indica o artigo.

Desta vez, o império que irá perder a sua influência na Europa da noite para o dia não será a União Soviética, mas sim os Estados Unidos.

"Da perspetiva europeia, o risco de o continente enfrentar um colapso da ordem norte-americana na Europa é comparável ao colapso da ordem soviética de 1989. Naquele ano, o controle que a Rússia mantinha sobre a Europa Central e Europa do Leste colapsou praticamente da noite para o dia quando se evaporou a ideologia na qual o sistema de regras comuns se baseava. Isso obrigou [os países do Leste] a buscarem alternativas", escreveu Nixon no seu artigo.

Quem terá que procurar alternativas agora é a Europa. Para Ivan Danilov, os europeus ainda se lembram muito bem e tomaram muito a sério as opiniões uma vez expressas pelo seu aliado, Donald Trump, de que a "Europa é pior do que a China" e que "a União Europeia não fomenta os interesses norte-americanos". Assim, para os europeus, o caminho escolhido pela administração Trump demonstra que Washington já não quer tratá-los como seus aliados, com os quais se deve compartilhar os frutos da geopolítica norte-americana. Por isso, adverte Nixon (opinião compartilhada por Danilov), entre os EUA e a Europa podem surgir divergências ideológicas.

Para entender a nova posição de Washington relativamente à Europa, é preciso levar em consideração a saúde da economia estadunidense. Como chefe de Estado, Donald Trump "está obrigado" a manter a aparência de que a economia do país vai bem e que no futuro estará ainda melhor, explica Danilov. Mas nem sempre foi assim.

"Durante a campanha eleitoral ele era muito mais sincero e deixou bem claro que a economia norte-americana era 'uma grande bolha'. O estado da economia é o principal problema e dor de cabeça do líder dos EUA. E são as tentativas de corrigir este estado crítico por conta de outros […] que definem a estratégia política externa da administração estadunidense", ressaltou o analista russo.

Para que esta "bolha" não expluda, os EUA precisam que as empresas chinesas, europeias, japonesas, mexicanas, canadenses e outras, bem como seus empregados por todo o mundo, lucrem muito menos e gastem mais dinheiro comprando produtos americanos. Isso permitirá que as empresas e seus empregados nos Estados Unidos lucrem, por sua vez, muito mais, avança Danilov.

"Trump precisa de 'saquear' todo o mundo de uma vez e o mais rápido possível, caso contrário, as contas não baterão certo", assinala o colunista.

Para Danilov, para resolver esta situação os líderes europeus devem adotar medidas bastante radicais, que implicarão sérias mudanças geopolíticas.

Em particular, podem transformar o desafio existencial em um instrumento de consolidação e centralização da Europa sob um único centro de governo, como propõe o presidente francês Emmanuel Macron. Podem também tentar estabelecer alianças táticas com a China e a Rússia, acrescenta Danilov, ou tentar combinar ambos os cenários.

"Até agora, tanto a chanceler alemã, Angela Merkel, como o próprio Macron têm se comportado como se houvesse uma terceira opção: esperar até que os Estados Unidos tomem juízo. Mas depois da falhada cúpula do G7, poucos acreditam nisso", conclui Danilov.

Sputnik | Foto:  AFP 2018 / MOLLY RILEY
CHINA | Xi Jinping assinala construção de força marítima de elite durante inspeção à Marinha

CHINA | Xi Jinping assinala construção de força marítima de elite durante inspeção à Marinha


Jinan, 16 jun (Xinhua) -- O presidente chinês, Xi Jinping, sublinhou a construção de uma força marítima de elite para completar resolutamente diversas missões encarregadas pelo Partido e pelo povo.

Xi, também secretário-geral do Comitê Central do Partido Comunista da China e presidente da Comissão Militar Central (CMC), fez o comentário durante uma inspeção à força marítima do Comando do Teatro de Operações do Norte do Exército de Libertação Popular em 11 de junho.

Enfatizou a necessidade de implementar resolutamente o pensamento do Partido sobre o fortalecimento da força militar para a nova época e de continuar consolidando a lealdade política das forças armadas, e de reforçá-las mediante a reforma e a tecnologia e operá-las segundo a lei.

Também falou da necessidade de que a Marinha atinja os requisitos da transformação.

Xi visitou uma força submarina por volta das 15h30 de segunda-feira enquanto uma brisa de verão fazia ranger as árvores na costa de Qingdao, na Província de Shandong, no leste da China.

No porto se encontrava um novo tipo de submarino que tinha participado do recente desfile naval no Mar do Sul da China. Sobre o casco, os soldados permaneceram em formação esperando ser inspecionados.

Xi subiu a bordo e conversou com eles e lhes fez perguntas sobre seu trabalho e sua vida. O presidente disse que sempre se preocupa com soldados que passam anos de sua vida em submarinos em águas profundas.

Depois de saber que os soldados são dedicados à carreira, trabalham arduamente e cumprem suas tarefas, Xi assentiu com a cabeça para demonstrar sua apreciação.

O presidente desceu ao interior do submarino para conhecer sobre armas e munições. Incentivou os soldados a manter-se firmes em ideais e convicções, a construir uma equipe forte e a treinar para sobressair em suas habilidades. Xi assinou seu nome no diário de bordo.

Antes de deixar a doca, Xi caminhou para outro submarino que se encontrava cerca e saudou com a mão os soldados.

Xi inspecionou o treinamento da força submarina em uma instalação de simulação integral.

"Como está o treinamento baseado em simulacros? As instalações cobrem as demandas? Quais são os desafios?", perguntou o presidente.

Mostrou-se feliz ao saber que os soldados se beneficiam muito do treinamento e falou sobre a necessidade de continuar melhorando a infraestrutura de exercícios.

Xi observou um grupo de recrutas em um exercício de reconhecimento de sonda. Ele uniu-se para pô-los à prova e, com o dedo polegar para cima, elogiou um soldado que deu a resposta correta.

Xi se reuniu com altos oficiais da Marinha na sede do Comando do Teatro de Operações do Norte e tirou uma fotografia em grupo com eles.

Escutou o relatório de trabalho naval do comando e pronunciou um importante discurso.

Xi falou da necessidade de compreender as mudanças nas circunstâncias da segurança nacional, de acelerar os preparativos para a luta militar, incluindo o planejamento da batalha, o desenvolvimento de capacidades e a construção do sistema de comando.

Quando ao treinamento, Xi disse que a intensidade deve ser fortalecida, os módulos, inovados, e a supervisão, reforçada. Assinalou a necessidade de treinar com fins específicos e em condições de combate e de treinar os comandantes.

Pediu esforços para implementar os requisitos para a transformação da Marinha, acelerar o trabalho para melhorar as forças de combate de elite e concentrar-se em abordar as áreas de debilidade e em obter avanços.

Também são necessários planos progressistas e projetos de máximo nível para promover a transformação e o desenvolvimento das forças aéreas navais, disse Xi.

Xi também destacou a liderança absoluta do Partido sobre as forças armadas e o trabalho incessante para melhorar a liderança do Partido, fortalecer a disciplina do Partido e combater a corrupção.

"O trabalho ideológico dentro do exército deve fortalecer-se e a capacidade para o combate deve ser considerado como o critério para a construção militar."

Pediu à Marinha coordenar-se com os departamentos civis, fortalecer inovações de instituições e mecanismos e modelos de desenvolvimento para melhorar a integração militar-civil.

Na quinta-feira em Jinan, capital de Shandong, Xi se reuniu com altos oficiais das tropas estacionadas na Província.

O vice-presidente da CMC, Xu Qiliang, participou dos eventos.
A GUERRA PSICOLÓGICA DO IMPÉRIO DA HEGEMONIA UNIPOLAR EM ÁFRICA

A GUERRA PSICOLÓGICA DO IMPÉRIO DA HEGEMONIA UNIPOLAR EM ÁFRICA


Martinho Júnior | Luanda 

1- Três acontecimentos se podem considerar de marcos vinculativos para a formulação dos parâmetros e conceitos da guerra psicológica que o império da hegemonia unipolar move em África:

- O derrube das torres gémeas de Nova-York, a 11 de Setembro de 2001 (que criou condições para o argumento de qualquer tipo de ingerência, intervenção e/ou manipulação no universo, em particular no Médio Oriente e em África, sob o pretexto de combate contra o terrorismo);

- A criação do AFRICOM em 2007, colocando-o operacional em 2008 (que criou condições adequadas à situação de África, adoptando os novos termos de guerra psicológica para o continente, o que inclui exercícios de “soft power”, civis e exercícios militares em esforços contínuos e com correntes bem definidas);

- O assassinato de Kadafi, na Líbia, a 20 de Outubro de 2011 (que permitiu a eclosão dos processos contraditórios em curso em África, nutridos pelas conveniências de ingerência, intervenção e manipulação).

O colapso do socialismo na década de 90 do século XX tornou-se um esteio que propiciou o fim duma guerra psicológica, a Guerra Fria, cujos conteúdos foram sempre tão propagandeados pela “civilização ocidental” com os Estados Unidos à cabeça e seu cortejo de vassalos que incluíam a NATO, pelo que para o império da hegemonia unipolar, ficou disponível um espaço vazio global que era uma oportunidade para a “globalização” de feição, feita à sua imagem e conveniência que, com base em novas tecnologias, era já um processo dominante à mercê inclusive do seu “soft power” eminentemente anglo-saxónico.

Nesse processo dominante com factores antropológicos nunca antes experimentados a essa escala, urgia nutrir os conteúdos desse domínio em função da visão dum “polícia do mundo”, que para a aristocracia financeira mundial deveria ser erguido persuasivamente e tanto quanto o possível “acima de qualquer suspeita”, numa antropologia de âmbito global, hegemónica e unipolar!

Estabelecidos os critérios na generalidade, então, com a instrumentalização dos Estados Unidos e de seus vassalos, passou-se a tratar dos casos especiais tendo desde logo como justificação o derrube das torres gémeas em Nova-York, a 11 de Setembro de 2001: novo século, nova guerra psicológica!

O que é inerente às novas tecnologias permitiram assim, nos termos da nova guerra psicológica, onde os contraditórios passaram a ser fluxos de ampla mas versátil manipulação, o que Ignatio Ramonet definiu com tanta propriedade em “O império da vigilância”(http://razonesdecuba.cubadebate.cu/articulos/el-imperio-de-la-vigilancia-de-ignacio-ramonet/):

… Con el pretexto de luchar contra el terrorismo y otras plagas, los gobiernos, incluso los más democráticos, se erigen enBig Brother, y no dudan en quebrantar sus propias leyes para poder espiarnos mejor.

En secreto, los nuevos Estados orwelianos intentan, muchas veces con la ayuda de los gigantes de la Red, elaborar exhaustivos ficheros de nuestros datos personales y de nuestros contactos, extraídos de los diferentes soportes electrónicos”…

As implicações na gestação do caos, do terrorismo e da desagregação, que chegam a alimentar correntes filosóficas a cavalo nos conceitos dos “Chicago Boys”, foram a base que propiciou a implantação dos sistemas globais de vigilância e ambos têm sido intimamente associados ao âmbito e conteúdo da guerra psicológica também em curso em moldes adaptados a África: cada um desses conteúdos (neoliberalismo, sistemas globais de vigilância e guerra psicológica) interpenetram-se uns nos outros e nenhum deles foi concebido para se tornar num factor isolado de intervenção!


2- Como África é uma ultraperiferia económica e se tem reduzido por via da opressão resultante do domínio ao papel“básico” de fornecedor de matérias-primas e de mão-de-obra barata, o “império da vigilância” não consegue atingir por si grande parte de sua população e comunidades, particularmente nas imensas áreas rurais, onde parte delas, ainda que se localizem nos espaços vitais idealmente disponíveis, sobrevivem em regimes de autossubsistência e estão ainda fora das possibilidades de acesso às novas tecnologias…

Para muitas dessas comunidades os horizontes são as montanhas circundantes, cursos de água de contingência, ou mesmo a impenetrabilidade de algumas florestas.

… Por isso, existe um campo não coberto, que para o império da hegemonia unipolar era preciso preencher com a implantação directa duma rede de manipulações de contraditórios que a partir dos ensaios da “Iª Guerra Mundial Africana”(um choque de natureza neoliberal que ocorreu durante toda a década de 90 do século passado), tornaram possível primeiro a instalação do AFRICOM em 2008 e depois o golpe na Líbia em 2011, como pedras de toque para, ao expandir-se o caos, o terrorismo e a desagregação, melhor argumentar (justificando) a favor do esforço de amplitude continental de vigilância, com a integração dos meios interventivos de potências como os Estados Unidos, a França e outros vassalos da NATO (Portugal incluído ainda que ao serviço da ONU como ocorre na República Centro Africana), principalmente, a fim de os combater!

Se houver algum investigador que siga a pista do dinheiro que financia o caos, o terrorismo e a desagregação, decerto que vai desembocar nos nós fulcrais que mexem os cordelinhos “behind the scenes”, intrincando-se nas aproximações históricas entre anglo-saxões, sionistas e as agenciadas casas monárquicas da península arábica!

Enquanto nos países mais desenvolvidos os sistemas de vigilância “asfixiam” (conforme a exposição de Ignatio Ramonet), nos países da ultraperiferia económica, uma parte dos sistemas de vigilância tornaram-se interventivos e, no caso africano, com a justificação do combate ao terrorismo, o eixo dessa intervenção passou a ser desempenhado pelo AFRICOM e por vassalos da NATO como a Grã-Bretanha e a França, esta última explorando os nexos e os vínculos decorrentes do “pré carré”, estabelecendo assim os procedimentos da nova guerra psicológica que surgiu em função das enormes potencialidades das novas tecnologias.

Na razão inversa do acesso das comunidades africanas às novas tecnologias, está a crescer o campo de intervenção militar inserida nos parâmetros da nova guerra psicológica em curso em África!

As alianças que o esforço de vigilância propicia em África, após a expansão do AQMI, do surgimento do BOKO HARAM e da implantação das milícias de radicais islâmicos na República Centro Africana, ou na Somália, agora no norte de Moçambique, ampliam a vassalagem dos frágeis países africanos que são alvo desses expedientes instrumentalizados e artificiosos, impondo as regras do jogo que favorecem os interesses do domínio do império da hegemonia unipolar e de seus vassalos de fora (incluindo antigas potências coloniais) e de dentro do continente.

Graças ao “pré carré”, a “FrançAfrique” possui elementos sólidos que se arrastam desde trás em particular na África do Oeste e no Sahel, tornando ainda mais persuasivos os expedientes neocoloniais.

Neste caso as condições que foram criadas para a fermentação que está na raiz do caos, do terrorismo e da desagregação, estão intimamente associadas às condições que promovem a implantação dos sistemas de vigilância, tanto os civis como os militares!

 Outro indicador em resultado dessa fermentação, são as migrações africanas para dentro da Europa, incluindo este episódio corrente do navio Aquarius, num momento em que as migrações em resultado do caos, do terrorismo e da desagregação influem até no carácter dos estados europeus, em função dos seus próprios sistemas democráticos representativos, abrindo caminho a ideologias xenófobas, racistas e de “extrema-direita” que começam a ameaçar a formulação da própria União Europeia!

Esse processo telúrico que é um “efeito boomerang”, está subjacente à vassalagem em relação aos Estados Unidos, contribuindo sob fundo psicológico para a pôr em causa e procurar o “corte das amarras”, ainda que à custa do reforço da vigilância.

Em África simultaneamente o AFRICOM (constate-se aqui: http://www.africom.mil/) possui componentes militares e civis cujos conceitos se interpenetram nas aplicações em curso, facilitando a coordenação dos processos próprios de manipulação, ingerência e intervenção, a coberto das necessidades de vigilância artificiosamente criadas pelo império da hegemonia unipolar, o que se traduz nos termos da guerra psicológica do império em África, inclusive nas suas linhas“transversais” dirigidas às sociedades-alvo e explorando os pontos críticos que se aprouverem (foi assim com as“primaveras árabes” na Tunísia e no Egipto, mas também na Líbia, na base da escalada da agressão e trágico fim dum Kadafi assassinado, é assim com as migrações africanas).

Essa manobra do poder dominante nutre-se de muitos factores, mas no essencial ao domínio, dum conjunto de sistemas de vigilância que Ignatio Ramonet define como “Uma aliança sem precedentes”, que é um esteio para o “soft power”anglo-saxónico (mas á uma agressão que por vezes é dolorosamente sentida em muitas comunidades tradicionais africanas):

… “En cierto modo, la vigilancia se ha privatizado y democratizado. Ya no es un asunto reservado únicamente a los servicios gubernamentales de información. Aunque, gracias también a las estrechas complicidades que los Estados han entablado con las grandes empresas privadas que dominan las industrias de la informática y de las telecomunicaciones, su capacidad en materia de espionaje de masas ha crecido de forma exponencial. En la entrevista con Julian Assange que publicamos en la segunda parte de este libro, el fundador de WikiLeaks afirma:

Las nuevas empresas, como Google, Apple, Microsoft, Amazon y más recientemente Facebook han establecido estrechos lazos con el aparato del Estado en Washington, especialmente con los responsables de la política exterior. Esta relación se ha convertido en una evidencia […]. Comparten las mismas ideas políticas y tienen idéntica visión del mundo. En última instancia, los estrechos vínculos y la visión común del mundo de Google y la Administración estadounidense están al servicio de los objetivos de la política exterior de los Estados Unidos.

Esta alianza sin precedentes – Estado + aparato militar de seguridad + industrias gigantes de la Web – ha creado esteImperio de la vigilancia cuyo objetivo claro y concreto es poner Internet bajo escucha, todo Internet y a todos los internautas”…

Em África também muitos sistemas de vigilância estão em mãos privadas, incluindo os de âmbito mercenário, em especial quando se procura proteger as iniciativas mineiras em grande parte resultante de investimentos externos, acompanhados de agenciamentos locais.

Um exemplo disso é o que está a acontecer no Níger, em pleno deserto quente, onde a Areva é um potentado na exploração do urânio por parte de empresas francesas, o AFRICOM possui algumas das principais bases de drones na região e o poder nigerino está reduzido à impotência do agenciamento.


3- A guerra psicológica do império da hegemonia unipolar em África com esses nutrientes, começa por tratar de dar aos acontecimentos de 2011 na Líbia a sua própria versão (que é também ideológica), conforme por exemplo à Wikipedia (https://pt.wikipedia.org/wiki/Muammar_al-Gaddafi)...

Para os “filtros”, toda a vida de Kadafi foi à margem do admissível, como se fosse aberrante ou “excêntrica”, sendo essa a linha essencial que é transmitida sugestivamente a quem consulta essa “fábrica”:

… “Em sua época de estudante, Gaddafi adotou as ideologias do nacionalismo árabe e do socialismo árabe, pois era fortemente influenciado por Gamal Abdel Nasser.

Durante o início da década de 1970, Gaddafi formulou sua própria abordagem do nacionalismo e do socialismo árabe, conhecida como Terceira Teoria Internacional, que foi descrita como uma combinação de socialismo utópico, nacionalismo árabe e terceiro-mundismo, que eram teorias que estavam em voga na época.

Sua nova teoria foi consolidada por meio do Livro Verde, no qual ele pretendeu explicar a estrutura da sociedade ideal e defendeu a unificação do mundo árabe em um único estado-nação.

Ele descreveu sua abordagem para a economia como socialismo islâmico, embora outros biógrafos sustentem que osocialismo de Kadafi tinha um tom curiosamente marxista, Gaddafi via seu Regime das massas socialista como um modelo que o mundo árabe, o mundo islâmico e os países não-alinhados deveriam seguir.

Sua visão de mundo foi moldada pela sua experiência de vida, ou seja, a sua  islâmica, sua educação beduína, e seu desgosto com as ações de colonizadores europeus na Líbia. Ele acreditava que estava cumprindo uma missão divina e que era um instrumento de Alá, razão pela qual supunha que qualquer ação para atingir seus objetivos seria legítima, não importando os custos”…

No Wikipedia não há uma palavra de análise histórica, antropológica e sócio-política que indicie a capacidades da trajectória de Kadafi enquanto um dirigente líbio vocacionado desde logo para alterar profundamente para melhor a situação do seu povo e assumir em África um papel alternativo progressista em relação às imensas vulnerabilidades africanas.

É por exemplo Thierry Meyssan que recentemente aborda esse tema (http://www.voltairenet.org/article201397.html), quando num artigo bem estruturado e aberto à compreensão e à lógica dos acontecimentos com os olhos de África (“A Líbia segundo a ONU e a dura realidade”) relembra a história da Líbia:

“A Líbia existe apenas há 67 anos. Por altura da queda do fascismo, e do fim da Segunda Guerra Mundial, esta colónia italiana foi ocupada pelos britânicos (na Tripolitânia e na Cirenaica) e pelos franceses (em Fezzan, que eles dividiram e ligaram administrativamente às suas colónias da Argélia e da Tunísia).

Londres favoreceu a emergência de uma monarquia controlada a partir da Arábia Saudita, a dinastia dos Senussis, que reinou sobre o país desde a independência, em 1951. De religião wahhabi, ela mantêm o novo Estado num obscurantismo total, promovendo, ao mesmo tempo, os interesses económicos e militares anglo-saxónicos.

Ela foi derrubada, em 1969, por um grupo de oficiais que proclamou a verdadeira independência e colocou na porta de saída as Forças Estrangeiras. No plano político interno, Muammar Kadhafi redigiu, em 1975, um programa, o Livro Verde, no qual garantiu à população do deserto ir satisfazer os seus principais sonhos. Por exemplo, enquanto cada beduíno ambicionava ter a sua própria tenda e o seu camelo, ele promete a cada família um apartamento gratuito e um carro. A Jamahiriya Árabe Líbia oferece igualmente a água, educação e a saúde gratuitas. Progressivamente, a população nómada do deserto sedentariza-se junto à costa, mas os laços de cada família com a sua tribo de origem permaneceram mais importantes que as relações de vizinhança. Instituições nacionais foram criadas, inspiradas nas experiências dos falanstérios dos socialistas utópicos do século XIX. Elas estabeleceram uma democracia directa em coexistência com as antigas estruturas tribais. Assim, as decisões importantes eram primeiro apresentadas à Assembleia Consultiva das Tribos antes de serem deliberadas pelo Congresso Geral do Povo (Assembleia Nacional). No plano internacional, Kadhafi dedicou-se a resolver o conflito secular entre os Africanos, árabes e negros. Ele pôs fim à escravatura (escravidão-br) e utilizou uma grande parte do dinheiro do petróleo para ajudar ao desenvolvimento dos países subsarianos, especialmente do Mali. A sua actividade acordou os Ocidentais, que começaram, então, políticas de ajuda ao desenvolvimento do continente.

No entanto, apesar dos progressos conseguidos, trinta anos de Jamahiriya não bastaram para transformar esta Arábia Saudita africana numa sociedade laica moderna”…

É evidente que foram os algozes de Kadafi que assim o quiseram e fizeram para que o caos, o terrorismo e a desagregação decorrente das contingências disponíveis, viessem a justificar o carácter de intervenção, ingerência e manipulação do AFRICOM, dos seus “associados” (antigas potências coloniais e membros da NATO) e dos agenciamentos dos frágeis estados africanos, sobretudo os da África do Oeste e do Sahel!


4- Assim o quiseram e a partir daí, instalado o caos, o terrorismo e a desagregação por todo o Sahel até ao Lago Chade, às bacias do Congo, do Nilo e do Zambeze, assim como às imediações dos Grandes Lagos, as manipulações dialéticas do império da hegemonia unipolar em África, tiram partido de outra contradição que se nutre de tensões decorrentes da incessante busca de espaço vital que faz deslocar migrações cada vez mais numerosas das imensas regiões dos maiores desertos quentes do globo, não só em direcção ao Mediterrâneo (para alcançar a Europa), mas também para alcançar o espaço vital rico em água interior, a sul, tendo no horizonte a África Austral.

O AQMI, o Boko Haram, as milícias radicalizadas na República Centro Africana, actuam sobre a Mauritânia, o Mali, o Níger, a Nigéria, o Chade, os Camarões, a República Centro Africana, tiram partido dessas migrações e da desagregação artificiosa do Sudão, esvaído não só em convulsões étnicas e regionais, mas também arregimentado ultimamente para fazer parte da “coligação arábica” no Iémen.

Dessa forma, quer o AFRICOM, quer a França do “pré carré”, ajustam suas ideologias, ingerências, manipulações e práticas interventivas de inteligência militar, aos termos dos argumentos que promovem os moldes da nova guerra psicológica em África!

Num artigo publicado no Opera Mundi (http://operamundi.uol.com.br/conteudo/samuel/40228/grupos+extremistas+se+fortalecem+na+africa+em+meio+a+aumento+de+operacoes+militares+dos+eua+na+regiao.shtml), o inventário estatístico das acções do AFRICOM, fundamentadas pelos termos da nova guerra psicológica resume-se assim:

“Por anos, o Exército norte-americano insistiu publicamente que seus esforços na África eram insignificantes, deixando a população dos EUA e os próprios africanos sem consciência sobre o tamanho real, escala e escopo de suas operações no continente. Porta-vozes e generais do Africom têm alegado repetidas vezes que se trata apenas de uma leve ação no continente. Eles alegam ter apenas uma base na África: Camp Lemonier, no Djibouti. Eles não gostam de falar sobre operações militares. Eles somente fornecem informações sobre uma parte de seus exercícios de treinamento. Eles se recusam a divulgar os locais onde as tropas estão baseadas ou mesmo o número dos países envolvidos.

Durante uma entrevista, um porta-voz do Africom uma vez expressou que somente enumerar quantas ações o comando tem na África seria oferecer uma imagem distorcida dos esforços dos EUA no continente. A portas fechadas, no entanto, oficiais do Africom têm afirmado repetidamente que o continente é um campo de batalha norte-americano e que eles já estão envolvidos em uma guerra factual.

De acordo com cifras divulgadas pelo Comando Militar dos EUA na África, o escopo dessa guerra cresceu de forma dramática em 2014. Em sua Declaração de Operações, o Africom relata que conduziu 68 ações no ano passado, representando um aumento em relação às 55 do ano anterior. Esse número inclui as missões de auxílio às tropas francesas e intervenções africanas no Mali e na República Centro-Africana; a operação Observant Compass, um esforço para desmantelar o que resta do Exército de Resistência do Senhor (LRA, na sigla em inglês) na África Central; e a United Assistance, o envio de militares para combater a crise de ebola na África Ocidental.

No ano passado, foram realizados exercícios de militares norte-americanos em conjunto com exércitos africanos em países como Marrocos, Senegal, Camarões e Malaui. O Africom também realizou exercícios de segurança marítima, incluindo operações no Golfo da Guiné e na costa do Senegal, e três semanas de cenários de treinamento de segurança marítima, como parte da operação Phoenix Express 2014, com marinheiros de vários países, incluindo a Argélia, a Itália, a Líbia, o Malta, o Marrocos, a Tunísia e a Turquia.

O número de atividades cooperativas de segurança passou de 481, em 2013, para 595, no ano passado. Tais esforços incluíram treinamento militar em um programa de parceria entre Estados, que alia forças militares africanas a unidades da Guarda Nacional dos EUA e à Assistência e Treinamento para Operações de Contingência na África (ACOTA, na sigla em inglês), iniciativa financiada pelo Departamento de Estado dos EUA através da qual conselheiros militares norte-americanos e mentores providenciam equipamentos e treinamento para tropas africanas.

Em 2013, o total de ações norte-americanas combinadas no continente alcançou 546, uma média de mais de uma missão por dia. No ano passado, esse número saltou para 674. Em outras palavras, as tropas norte-americanas conduziram quase duas operações, exercícios ou atividades – de ataques de drones a instruções de contrainsurgência, coleta de inteligência e treinamento de pontaria – em algum lugar no continente a cada dia de 2014. Isso representa um significativo aumento das 172 missões, atividades, programas e exercícios que o Africom herdou de outros comandos quando começou suas operações em 2008”.

A persistência deste tipo de cenários revela que, mesmo que a Europa venha a pôr em causa a vassalagem em relação aos Estados Unidos, dificilmente isso será reflectido pelo comportamento europeu em relação a África, pelo que é necessário por parte dos estados africanos, uma maior clarividência no diálogo com os europeus, algo que siga o exemplo muito recente de Angola, com a muito oportuna visita do Presidente Joao Lourenço a França e à Bélgica.

Com a eclosão da ameaça radical wahhabita no norte de Moçambique (pode-se avaliar aqui:https://www.publico.pt/2018/06/10/mundo/noticia/de-onde-apareceu-o-extremismo-islamico-que-assola-mocambique-1833590), depois dessa ameaça ter sido “destravada” em 2011 na Líbia com o fim da era Kadafi, não nos admiraria começar a ver os instrumentos dessa ingerência a criarem condições de penetração com o rótulo de “parcerias” na África Austral, tentando avassalar as elites de todos estados africanos que compõem o espaço da SADC e isso apesar deles estarem apostados em políticas de paz… ou precisamente por causa disso!…

Martinho Júnior - Luanda, 10 de Junho de 2018

Ilustrações:
O Exercício Southern Mistral 2011, antecipou a coordenação do ataque franco-britânico à Líbia (integrando os dispositivos dos Estados Unidos), com vista ao fim do governo de Kadafi (https://www.globalresearch.ca/when-war-games-go-live-staging-a-humanitarian-war-against-southland/24351);
US builds drone base in Niger, crossroads of extremism fight – https://www.yahoo.com/news/us-builds-drone-niger-crossroads-extremism-fight-090624861.html;


Os conteúdos do AFRICOM - Grupos extremistas se fortalecem na África em meio a aumento de operações militares dos EUA na região –http://operamundi.uol.com.br/conteudo/samuel/40228/grupos+extremistas+se+fortalecem+na+africa+em+meio+a+aumento+de+operacoes+militares+dos+eua+na+regiao.shtml
Trump contra todo o resto

Trump contra todo o resto


Prabhat Patnaik [*]

O abandono de Donald Trump da cimeira do G-7 sem que tivesse alterado nem uma vírgula do seu proteccionismo indica desunião entre os principais países capitalistas acerca da estratégia para ultrapassar a crise dos mesmos. Trump decidiu que os EUA seguiriam seu próprio caminho, ampliando o défice orçamental, não apenas dando concessões fiscais às corporações, o que teria pouco efeito no estímulo à procura, mas também pelo aumento da despesa governamental o que teria este efeito e, ao mesmo tempo, o de proteger o mercado interno. 

Estas duas fibras da estratégia de Trump juntaram-se. Na realidade, na ausência de proteccionismo, qualquer estímulo orçamental no interior da economia estado-unidense, tal como uma maior despesa governamental deliberada, extravasaria para fora do país com a criação de maior procura por importações de bens de outros países, caso em que os EUA estariam a gerar emprego não dentro de casa mas sim no exterior – e também a incorrer em dívida para com aqueles mesmos países se assim fizesse. Mas um maior défice orçamental combinado com o proteccionismo assegura que sejam criados empregos internos e não se incorra com isso em dívida externa.

Trump pode permitir-se empreender esta estratégia devido à posição dos EUA no mundo capitalista. Qualquer outro país que prosseguisse uma tal estratégia de défice orçamental ampliado juntamente com proteccionismo testemunharia um fluxo de saída financeiro pois a "confiança do investidor" naquele país seria minada. Mas os EUA estão numa posição diferente: a sua divisa ainda é considerada "tão boa quanto o ouro" apesar de não ser oficialmente tão ordenada (como era sob o Sistema de Bretton Woods). E isto constitui, por uma variedade de razões, a base principal das finanças, de onde, a menos que haja fortes provocações, elas não gostariam de sair. Trump está, assim, a explorar essa posição dos Estados Unidos como o Grande Senhor do mundo capitalista, junto sem dúvida com algum aumento na taxa de juros dos EUA, a fim de pressionar uma estratégia para a revitalização só dos EUA, sem sequer pensar na revitalização do mundo capitalista como um todo.

O que há de errado com esta estratégia não é a habitual afirmação destituída de fundamento de que "o proteccionismo é mau", de que "o livre comércio é bom", ou de que esta estratégia representa um "nacionalismo" que é reaccionário pois oposto ao "internacionalismo" que é progressista. O que está errado com esta estratégia é que"não funcionaria mesmo para os EUA (embora actualmente possa parecer ter êxito), muito menos para o mundo capitalista como um todo.

Todo este discurso acerca de "nacionalismo" contra "internacionalismo" é não só analiticamente errado, porque estes termos não podem ser definidos sem referência ao seu conteúdo de classe ("nacionalismo" por exemplo não é uma categoria homogénea e o "nacionalismo" de Ho Chi Minh é bastante diferente do de Hitler); ele é também eticamente não fundamentado: se níveis mais altos de emprego pudessem ser alcançados por toda a parte, juntamente com níveis mais altos de despesas sociais, colocar cada país a seguir uma estratégia "nacionalista", quando comparados a uma situação onde tentam em vão prosseguir uma estratégia "internacionalista", então contestar uma tal estratégia "nacionalista" é claramente indefensável.

Actualmente a estratégia de Trump, destaca muita gente, parece estar a funcionar nos EUA. A taxa de desemprego está oficialmente baixa e em torno dos 4 por cento. Embora a taxa de participação da força de trabalho continue a estar abaixo da que estava antes da crise de 2008, de modo que, na suposição de uma taxa de participação da força de trabalho inalterada, a taxa de desemprego seria apenas superior a 6 por cento, esta mesma taxa, sugerem alguns, representa um declínio em comparação com a de alguns anos atrás. Ao mesmo tempo, embora Trump tenha utilizado o défice orçamental para agradar os capitalistas através de isenções fiscais, ele não tem, sugere-se, restringido demasiado os gastos sociais. E ainda assim, apesar destas supostas condições de boom, a taxa de inflação é bastante baixa e o dólar continua a estar forte.

Vamos para argumentar assumir que todas estas afirmações acerca do êxito da estratégia de Trump sejam verdadeiras, embora um momento de reflexão mostre que todas elas não poderiam ser verdadeiras em simultâneo. Por outras palavras, é impossível haver uma coexistência, excepto apenas transitória, das seguintes quatro características: uma baixa taxa de desemprego; um grande défice orçamental; uma política de proteccionismo e uma baixa taxa de inflação. As primeiras três delas provocariam excesso de pressões da procura que fariam subir a taxa de inflação, a qual não mais permaneceria baixa. Mas ainda assim vamos assumir que todas as quatro características fossem verdadeiras.

Mas todas estas características são apenas os resultados da primeira fase da estratégia Trump. Outros países, aqueles atingidos pelo proteccionismo dos EUA, não ficariam apenas passivos e a aceitar o aumento do desemprego que a estratégia dos EUA de avançar sozinho lhes exportaria. A breve trecho começariam a tomar medidas compensatórias através da ampliação dos seus próprios défices orçamentais, juntamente com o proteccionismo necessário. No caso deles, no entanto, tais medidas implicariam uma fuga das finanças, já que lhes falta o status de Grande Senhor que os EUA desfrutam. Eles teriam, portanto, que aplicar controles sobre os fluxos financeiros, ou seja, “controles de capitais”; ou elevar suas taxas de juros a fim de estimular as finanças a não os abandonarem.

Controles de capitais, contudo, atacariam as próprias raízes da actual globalização. Vale a pena notar que mesmo Trump, com todas as suas medidas proteccionistas contra as importações de bens e serviços, não aplicou restrições contra os fluxos financeiros livres. Da mesma forma, os outros países capitalistas seriam avessos a restringir fluxos de capitais através das suas fronteiras. Eles portanto recorreriam a altas de taxas de juros para impedir quaisquer saídas financeiras.

Estas altas nas taxas de juros anulariam numa certa medida seus esforços para expandir para reduzir o aumento do desemprego devido ao proteccionismo dos EUA e também provocariam um aumento correspondente nas taxas de juro dos EUA. O que neste momento parece ser uma "guerra comercial" iniciada por Trump – e está a ser discutida e ridicularizada como tal pelos seus oponentes – em breve assumiria a forma de altas competitivas nas taxas de juro, da qual a presente ascensão nas taxas de juro dos EUA teria sido o primeiro sintoma. E tais altas para todos os países capitalistas tomados em conjunto, incluindo os Estados Unidos, anulariam quaisquer ganhos no emprego que um défice orçamental ampliado e o proteccionismo pudessem ter causado.

O que a conjuntura actual mostra claramente é que é impossível ultrapassar a crise capitalista sem impedir fluxos financeiros globais, o que significa livrar-se da hegemonia da finança globalizada. A estratégia de Trump não pretende afastar esta hegemonia e muito menos os outros países capitalistas estão desejosos de se livrarem da mesma, eles iriam todos empenhar-se numa luta competitiva de altas de taxas de juro as quais colectivamente não implicaria qualquer melhoria na situação da economia capitalista mundial.

Só há dois caminhos lógicos possíveis para a economia capitalista mundial poder sair da sua actual crise prolongada. Um é através de um estímulo orçamental coordenado de todos os países avançados, da espécie que Keynes e um grupo de sindicalistas alemães sugeriu durante a Grande Depressão da década de 1930. Isto naturalmente teria a oposição categórica do capital financeiro internacional, o qual se opõe a todo activismo directodo Estado que não passe por seu intermédio. Mas a unidade entre os principais Estados-nação que pudesse, através da mesma, actuar como um Estado mundial substituto, poderia concebivelmente ultrapassar esta oposição. Mas ninguém no G-7 está sequer a falar acerca desta estratégia, o que significa que ela não faz parte da agenda do mundo capitalista. Qualquer tentativa de persegui-la, uma vez que teria de superar a oposição do capital financeiro internacional, o que o capitalismo é incapaz de fazer, teria necessariamente de implicar uma transição para além do capitalismo, ou seja, uma transcendência do capitalismo no próprio processo de superação da sua crise.

O segundo caminho lógico é países particulares decidirem avançar sozinhos, como Trump está a tentar fazer. Mas para isto ter êxito, teriam de ser postos em prática controles de capitais pois, de outro modo, a prevenção de saídas de capital como uma consequência de tal avanço solitário (que necessariamente exigiria activismo orçamental a que a finança sempre se opõe) pressionaria o país, e seus rivais, para altas de taxas de juro competitivas, as quais subvertem – tanto individualmente para países particulares como colectivamente para o mundo capitalista como um todo – as perspectivas de revitalização económica.

O êxito aparente de Trump com a economia dos EUA – se é que há algum êxito, o que é duvidoso – representa portanto apenas a primeira etapa nesta luta competitiva. Este êxito está destinado a ser eliminado quando os outros reagirem aos seus movimentos. Uma vez que nem Trump nem os seus rivais estão sequer a pensar em quaisquer restrições aos fluxos de capital, o que minaria a hegemonia do capital financeiro internacional e por isso está descartado, a crise estrutural do capitalismo está fadada a continuar apesar de todas as aparências em contrário.

17/Junho/2018

[*] Economista, indiano, ver Wikipedia 

O original encontra-se em peoplesdemocracy.in/2018/0617_pd/trump-versus-rest . Tradução de JF. 

Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ 
FRANÇA | Macron lança ataque à habitação social

FRANÇA | Macron lança ataque à habitação social


O governo de Emmanuel Macron fez aprovar na generalidade pela Assembleia Nacional francesa, na passada terça-feira, uma proposta de lei que altera profundamente o panorama da habitação pública e social naquele país, onde esta tem um peso muito significativo, particularmente quando comparado com o que acontece noutros países da União Europeia.

Um dos principais objectivos é fundir os organismos que gerem a habitação social, a maioria dos quais gerem habitação pública, e aumentar as vendas anuais de uma média actual 8 mil casas para 40 mil, segundo o L'Humanité.

Governo promove alienação da habitação pública

Os actuais senhorios, sejam do sector privado ou do sector público (no essencial, organismos municipais), vão ver os apoios directos à construção por parte do Estado reduzidos. Ao mesmo tempo, o subsídio de renda, assumido também pelo Estado, já sofreu cortes que podem chegar a 60 euros mensais, de acordo com o corresponde em Paris do jornal espanhol El Salto. Agora, transferiu esses encargos para os organismos que gerem a habitação social, que terão que reflectir a descida nas rendas praticadas. Com isto, o executivo de Macron pretende empurrá-los para um ciclo de vendas que visa reduzir brutalmente o parque habitacional público e social.

A lei ELAN, como é conhecida, põe ainda um ponto final no limite das rendas em 28 cidades, introduzido na legislação francesa em 2014, tornando-o experimental e voluntário. Até ao momento, apenas em Paris e em Lille foi introduzido um tecto máximo, entretanto cancelado. Os principais grupos económicos do sector reagiram com satisfação quando a proposta foi conhecida. Desde o fim do limite em Paris, os preços subiram 5,7%, segundo a imobiliária Century21, citada pelo L'Humanité, cujos responsáveis terão admitido num encontro com os trabalhadores da empresa que «é hora de expulsar os quadros intermédios da capital».

Esta intenção será ainda mais facilitada porque o prazo no qual uma habitação social continua a contar para efeitos estatístico passa de cinco para dez anos, permitindo que o objectivo fixado em 2000 na lei de que cada localidade deve ter 20% de habitação social não seja cumprido.

Segurança mínima, lucro máximo

Outra novidade do pacote legislativo de Macron é a criação de um «contrato de mobilidade», apelidado pelas estruturas de inquilinos como um «contrato de precariedade». Através deste novo mecanismo, passa a ser possível arrendar casas por períodos entre um e dez meses, não renováveis.

A medida é apontada como um autêntico favor para os proprietários que utilizam plataformas de arrendamento de muito curta duração como o Airbnb, que em França está limitado a 120 noites por ano. Nestes casos e a ser aprovada a proposta, ganham um mecanismo para manter as casas a render nos restantes oito meses em que não as podem colocar nessas plataformas, sem o risco das elevadas multas a que arriscam caso ultrapassem o limite.

França é dos países da União Europeia em que a habitação social tem um peso significativo, cerca de 19% do parque habitacional e mais de 40% do mercado de arrendamento. Em Portugal, de acordo com dados da federação Housing Europe, a habitação social representa apenas 3% do parque habitacional.

AbrilAbril

Na foto: Emmanuel MacronCréditosJulien de Rosa/EPA / Agência Lusa