sábado, 18 de agosto de 2018

Portugal | “Aliança” vai ser mais um flop de Santana ou um escolho para o PSD?

Portugal | “Aliança” vai ser mais um flop de Santana ou um escolho para o PSD?


As más línguas vinham dizendo que Santana Lopes estava em vias de formar um novo partido e lhe dera exatamente as suas iniciais PSL – Partido Social Liberal – mas assim não aconteceu, o pobre é só “Aliança” e mais à frente (em baixo) na prosa pode ler que ele é “personalista” e outras coisas mais. Mais ou más? Mais do mesmo e más na mesma? Não se vê que Santana Lopes possa trazer algo de novo, além daquilo que todos já vimos. Fartos de liberalismos que se associam ao esclavagismo e à exploração selvagem com olhos no vil metal estamos fartos. É o que se vislumbra por todo o mundo.

Santana tem sido useiro e vezeiro em fracassar. Nem por isso deixa de “andar por aí” em busca de quê? De tacho. Ou eles comem todos ou assim não vale. Sobre os propósitos do novo partido de “artes” velhas poderemos concluir mais tarde do que se trata, o que não queira isso dizer que é esperado por muitos que seja mais um flop de Santana. Mais um fracasso. Nele isso até nem destoa. Salva-o a simpatia e estas e aquelas coisas do feitio que até são positivas. Isso não significa que esteja mudado, porque o que se assoma por aí, no que se vai sabendo, é que se esta “Aliança” singrar será à conta de muito esvaziamento do PSD, assim como do CDS e do PS. Isso é o que Santana preconiza e intenta… Bem, lá virá mais um flop do Santana?

Leia no Expresso o que mais vier. (PG)

Partido de Santana Lopes já tem nome: “Aliança”

Personalista, liberal e solidário. Europeísta, mas sem cartilha. Conservador e mais apostado nos privados na previdência e saúde. Este é o novo partido de Santana. E arranca agora

em siglas, nem alusões ao seu próprio nome, nem referências ao carácter ideológico. Simplesmente Aliança. Assim será batizado o novo partido de Pedro Santana Lopes, que arranca já no início da próxima semana com a recolha de assinaturas para se constituir formalmente como força partidária.

O objetivo assumido foi evitar rótulos e preconceitos ideológicos infundados, diz Pedro Santana Lopes ao Expresso, apesar de se perceber que há uma base genética que tem que ver com as raízes do PSD. “Somos um partido personalista, liberalista e solidário. Europeísta, mas sem dogmas, sem seguir qualquer cartilha e que contesta a receita macroeconómica de Bruxelas”, explica.

Leia mais na edição deste sábado do Expresso
Ovar | Festival de Circo do Furadouro com 16 espetáculos gratuitos em dois dias

Ovar | Festival de Circo do Furadouro com 16 espetáculos gratuitos em dois dias


A quinta edição do Festival de Circo do Furadouro regressa a Ovar este domingo e segunda-feira com 16 espetáculos de entrada livre realizados por artistas de cinco países.

Organizado pela Junta da União de Freguesias de Ovar, São João de Ovar, Arada e São Vicente de Pereira, o evento decorre nos espaços pedonais da avenida Central do Furadouro e na marginal junto à praia, entre as 10:30 e as 23:15.

"As artes circenses voltam a tomar conta do Furadouro e no programa do festival estão espetáculos com uma linguagem cénica que promete cativar os jovens e adultos que procuram a praia ovarense nesta altura do ano", revelou hoje à Lusa fonte da organização.

A mesma fonte realçou ter sido "conseguido contratar mais e melhores artistas" nesta edição, designadamente "os espanhóis Vaivén Circo, vencedores de vários prémios internacionais, e o brasileiro Ésio Magalhães, cuja digressão europeia passa pelo Furadouro".
Do cartaz do festival consta também a Compañia Bipolar, da Argentina, e o venezuelano Manolo, assim como Pessic de Circ.

Portugal, por sua vez, far-se-á representar no evento com a clown Tânia Safaneta, a dupla que junta o palhaço Diogo Duro ao músico António Bexiga, e o coletivo Quando Sais à Rua.

A organização do festival defende que a sua audiência "tem crescido ano após ano", pelo que procura corresponder ao crescente grau de exigência do público apostando em "espetáculos diferentes e inovadores".

Lusa | em Notícias ao Minuto
Fim de semana está aí. Saiba o que pode ver à borla em Lisboa e no Porto

Fim de semana está aí. Saiba o que pode ver à borla em Lisboa e no Porto


Espreite as novidades que este fim de semana nos reserva no que a borlas culturais diz respeito.

Agosto avança e traz-nos mais novidades culturais.

O Notícias ao Minuto mantém a sua tradição de oferecer sugestões aos leitores de borlas culturais para aproveitar, tanto no Grande Porto com na Grande Lisboa.

Antes de passarmos à agenda cultural, aproveitamos para um lembrete que é sempre de valor: há muitos museus e monumentos pelo país fora de portas abertas, de forma gratuita, aos domingos de manhã.

Quanto ao que fazer nestes dias 17 18 e 19 de agosto, pelo Porto e por Lisboa, o melhor mesmo é preparar a agenda e espreitar as sugestões que temos para si.

Grande Lisboa

CCB de Verão – Concertos Ao Vivo

Aos sábados e domingos pelas 19h há música ao vivo no Jardim das Oliveiras. O convite é do Centro Cultural de Belém, espaço privilegiado no panorama cultural nacional. Três Bairros e Daniel Bernardes e João Mortágua ficam com as 'despesas musicais da casa' neste fim de semana. Saiba mais clicando aqui.

Teremos sempre Somersby Out Jazz

Uma manta, uns óculos de sol e amigos. Não é preciso muito para desfrutar deste evento. O Out Jazz junta música ao vivo em fins de tarde nos espaços verdes mais nobres de Lisboa. No mês de julho foi no Parque Eduardo VII que se fez a festa. Em agosto é o Jardim da Estrela que está a ser palco dos concertos do Somersby Out Jazz. 

Quando e Onde
Domingo, 19 de agosto, a partir das 17h - Jardim da Estrela
Quem
Claudia Franco | Carie (Wicked Girls)

Conversas da Rua na Amadora

A 4.ª edição do projeto Conversas na Rua já chegou à cidade da Amadora. Até 20 de agosto, seis artistas portugueses vão criar propostas visuais para diferentes locais da cidade. Saiba tudo aqui.

Inimigo Público no Passevite

Os trabalhos de ilustração originais de Nuno Saraiva para o Inimigo Público estão agora em exposição no Passevite, em Lisboa. Podem ser vistos de terça-feira a sábado, das 15h às 21h, até 13 de setembro. A exposiçãsete o é gratuita (excepto se quiser comprar um dos 15 trabalhos que estão à venda). 

Festival Sete Sóis, Sete Luas

A Fábrica da Pólvora, em Barcarena - Oeiras, conta todos os anos com o Festival Sete Sóis, Sete Luas. O evento prolonga-se por semanas, com espectáculos variados a animarem as noites no espaço da antiga fábrica, transformada agora em zona cultural e de lazer. O Virtuoso mandolinista e incrível front man Mimmo Epifani é a figura em destaque, com espectáculo marcado para esta noite de sexta-feira. Mas o programa, como avisámos, é vasto. Conheça-o melhor aqui

Roy Liechtenstein no Colombo

Uma exposição com 41 obras do pintor norte-americano Roy Lichtenstein, desde pop art, paisagens e cartazes, está a dar cor e vida ao Centro Comercial Colombo. Saiba mais sobre este artista e esta iniciativa louvável do Colombo aqui. Uma oportunidade tão simples quanto imperdível, para ver até dia 23 de setembro.

Grande Porto

Cachupa Psicadélica na Esplanada

Há rock com crioulo, pop com hip-hop, tudo na mesma panela, numa miscigenação musical. Eis Cachupa Psicadélica, projeto para ouvir, de forma gratuita, esta sexta-feira, a partir das 19h, no Mercado do Bom Sucesso.

Verão na Casa da Música

A Casa da Música, espaço privilegiado não apenas na Invicta mas em todo o país, também não esquece o verão. Até 11 de setembro há um programa variado que incluiu algumas oportunidades que não são de desaproveitar. Saiba tudo clicando aqui.

Vila Eco-saudável

O atrium do MAR Shopping conta com vila a pensar nos mais pequenos e no melhor para o planeta. Trata-se de um espaço com muitas atividades para brincar e crescer. E de entrada gratuita, como não poderia estar de ser. Para visitar até domingo, 19 de agosto.

Redescobrir Madonna... no Porto

A cantora de 'Like a Virgin' é agora uma das 'alfacinhas' mais conhecidas do planeta. Porém, é na Invicta, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, que a podemos redescobrir na exposição em que se celebram os 60 anos da cantora, feitos esta quinta-feira, 16 de agosto. 'Madonna - the ultimate icon - Celebrating the Queen's 60th anniversary odyssey' é mostra de entrada livre.

O fado de Adriana Paquete

Domingo é dia de fado e dia 19, às 19h, com a voz de Adriana Paquete acompanhada por Pedro Martins na guitarra portuguesa e por João Moutinho Costa na viola de fado. Encontro marcado no espaço Tasty do District, junto à linha de metro da Batalha.

School Affairs na Fnac de Santa Catarina

A Fnac de Santa Catarina, bem localizada no centro da Invicta, recebe por estes dias o projeto School Affairs, de João Henriques, vencedor do prémio Novo Talento Fnac, em 2015. Saiba mais sobre este projeto aqui. A exposição está patente até dia 20 de setembro.

Portobello... Porto Belo

Todos os sábados,o histórico e mundialmente conhecido mercado londrino de Portobello tem uma versão a pensar no 'relax' na Invicta. Eis o Porto Bello, que conta com bancas variadas. As compras terão de ser pagas com o esforço da carteira, o passeio nem por isso.

Onde
Praça Carlos Alberto
Quando
Todos os sábados, entre as 10h e as 19h

Bom fim de semana e boas ofertas culturais!

Notícias ao Minuto

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Aretha Franklin, com todo o respeito. O poder negro vindo dos EUA

Aretha Franklin, com todo o respeito. O poder negro vindo dos EUA


'O respeito é muito bonito', dizia antigamente. Agora parece que continua a ser. Porém essas são 'larvas de outra couve'. Adiante, com respeito. O Curto a respeito de Aretha Franklin. Vale muito. Valdemar Cruz, da xafarica do tio Balsemão, o Expresso, abre, com todo o respeito, a referir-se à senhora dona Aretha, que faleceu ontem, aos 76 anos. Uma boa idade. Nada a lamentar a não ser que já não era a Aretha de antes, compreensivelmente. Toca a todos envelhecermos.

Valdemar refere uma das canções chave de Aretha, Respect, da autoria de Otis. Era sublime, mas não só essa. Otis Redding também a interpretava muito bem, afinal era o autor. Não esqueçamos esse grande interprete. Tem aqui noutra o Otis Redding - (Sittin' On) The Dock Of The Bay. Um monumento de outrora, eterno.

Mas o Curto de hoje é de Aretha, na abertura. Seria estapafúrdio, muito reprovável, não deixar aqui no PG a ligação de Repect, pela diva do soul, ontem falecida mas a perdurar eternamente com a sua voz. Aprecie: Aretha Franklin - Respect [1967] (Original Version). Eterna. No Youtube.

Vamos. Siga para o Curto em que perdura o que Valdemar sabe como poucos. Bom fim-de-semana. Divirta-se. Vem aí um pouco mais de calor. Pudera, assim é o verão que dizem ir manter-se até ao natal. Que bom.

Bom dia. (CT | PG)

Bom dia este é o seu Expresso Curto

RESPECT

Valdemar Cruz | Expresso

Nem sempre as palavras valem apenas pelo que significam. Condiciona-as o contexto. Afeta-as as circunstâncias. Influencia-as o sujeito emissor. Uma mesma palavra pode ser inócua e marcada por escasso significado simbólico, ou transformar-se em agente transformador, estimular movimentos e causas, impor-se como hino, de uma geração, de uma causa, de um povo.

Nas últimas horas tem-se falado muito de RESPEITO. A morte de Aretha Franklin motivou a recuperação de algumas das suas histórias de vida e inúmeras canções. Muito em particular “Respect”. Como quase sempre, nos detalhes pode estar o segredo de toda uma vida. Constatar, como tem sido feito, que a canção foi escrita por um homem para ser cantada por um homem, é um pormenor curioso. Porém, esgota-se em si mesmo se não for contada a história toda e, muito em particular, o modo como o génio de Aretha transformou uma canção na origem marcada por um profundo machismo, num glorioso hino, não apenas da causa feminista, mas da luta dos negros, de todos os combates pela emancipação, de todas as causas inspiradas na dignidade dos povos. E tudo isto não apenas pela poderosa carga reivindicativa de um conjunto de versos, mas sobretudo pela força e o magnetismo de uma voz e da sua capacidade interpretativa.

Na origem está um desconsolado Otis Redding. Escreveu “Respect” em 1965 como uma espécie de lamento do homem que chega a casa depois do trabalho e considera que a mulher não o recebe com a devida vénia e submissão. Segundo alguns biógrafos, a ideia para a canção terá surgido a Redding quando, no regresso a casa após mais uma longa digressão, terá sentido que a mulher não o teria recebido e tratado como esperaria. Ao que parece, terá desabafado com o seu baterista, Al Jacson Jr., que, ao dar-lhe razão, terá dito: “Andas sempre na estrada. Tudo o que podes esperar é um pouco mais de respeito quando chegas a casa”.

Estava dado o mote. Otis compôs a canção e ofereceu-a a Speedo Sims, seu “manager” e membro da banda The Singing Demons. O azar de uns é a sorte de outros. Neste caso, do mundo todo. Sims, percebeu-se rapidamente, não tinha voz para aquela canção e acabou por não a gravar. Gravou-a Otis Redding e publicou-a, com escasso sucesso, no álbum “Otis Blue”, de 1965.

Dois anos depois, “Respect” chegava a Aretha. Canção e cantora precisavam-se. Buscavam-se há muito sem o saberem. O momento do encontro é um instante fundamental da história da música popular norte-americana. Sendo a mesma, a canção passou a ser outra. Aretha transformou-a. Aumentou-lhe o ritmo e fez algumas mudanças fundamentais. Uma delas passou por assumir o papel da mulher que espera em casa, cansada, às vezes desprezada, tantas vezes humilhada, menosprezada, tratada sem dignidade. De repente, o que não passava de uma lamechice sobre o varão que pretende ter em casa uma criada para todo o serviço, passa a ser um grito pela dignidade. Transforma-se no clamor de uma mulher que exige respeito.

“Respect” impõe-se num momento de grandes convulsões políticas e sociais. Os EUA vivem a guerra do Vietname, a luta pelos direitos civis dos negros, o combate pela emancipação das mulheres, e o que começa por ser um grito com repercussões locais, projeta-se para uma escala global. Afinal, nos EUA como em qualquer recanto do mundo, como se verá ao longo deste Exresso Curto, haverá sempre alguém, uma mulher, um homem, um trabalhador, uma criança, todo um povo para quem uma só palavra poderá significar uma profunda mudança de vida: RESPEITO.

Morreu Aretha Franklin. Tinha 76 anos. Chamavam-lhe a rainha da “soul” e o obituário está mais do que feito. Agora, a melhor recordação é ouvi-la. Aqui ficam cinco possíveis viagens – entre muitas outras possíveis - ao mundo musical de Aretha. Para ver e ouvir:

OUTRAS NOTÍCIAS

O Vaticano chama “criminosos” aos padres acusados da prática de abusos sexuais. “Vergonha e dor” é o sentimento expresso depois de a Corte Suprema da Pensilvânia, nos EUA, ter publicado um relatório que documenta 300 casos de pederastia praticados por sacerdotes católicos.

No Brasil começou a que já é tida como a mais inusitada campanha eleitoral da história do país. Lula da Silva é o candidato oficial do PT e está agora em curso mais uma batalha judicial que levará, ou ao retirada, ou à confirmação da candidatura do homem que está há dois anos consecutivos a congregar uma grande superioridade nas intenções de voto. Há treze candidatos inscritos e, caso se confirme o afastamento de Lula, o Brasil corre o sério risco de poder vir a ter um ex-militar nacionalista de extrema direita a posicionar-se como sério candidato á presidência. Jair Bolsonaro defende a ditadura brasileira, a tortura e a liberdade para o uso e porte de armas. Para já recebe 17% das intenções de voto.

O ex-diretor da CIA, John Brennan, a quem Donald Trump retirou o acesso a temas de segurança, escreveu no New York Times que o presidente dos EUA “está desesperado para se proteger a si próprio e os seus próximos”. O embate entre Brennan e Trump tem como pano de fundo as investigações sobre a suposta influência da Rússia nas eleições presidenciais de 2016.

Continuam os efeitos da queda de parte da ponte Morandi, em Génova. 660 pessoas tiveram de abandonar as suas casas. Há o risco de outro pilar ruir. Depois de Matteo Salvini, Primeiro Ministro italiano, ter acusado a União Europeia de, com os seus cortes orçamentais levar ao desinvestimento em infraestruturas, veio a resposta da UE, com os números sobre os apoios que têm sido dados a Itália.

A Hungria quer acabar com os mestrados em estudos de géneronas universidades magiares a partir de 2019. Dois caminhos poderão levar à extinção dos programas nas universidades: através do fim do financiamento da parte do ministério de Educação ou com a revogação da licença do título universitário em causa. A decisão será tomada no final do mês.

Um adolescente Afeganistão que receava ser perseguido no seu país por ser homossexual viu o seu pedido de asilo rejeitado pela Áustria depois de um oficial ter afirmado que o rapaz não “anda, age ou veste” como um homossexual. Assim, não haveria fundamento para temer uma perseguição baseada na sua orientação sexual.

As forças israelitas de ocupação permitiram finalmente a entrega de 10 toneladas de correio acumulado ao longo de oito anos e que estava bloqueado na Jordânia desde 2010. Os serviços postais de Jericó, na Cisjordânia, terão agora de se organizar para iniciar uma imensidão de correio acumulado que inclui cartas pessoais, encomendas, medicamentos e até uma cadeira de rodas.

Duas grandes empresas alemãs, A Deutsche Bahn e a Deutsche Telekom, preparam-se para abandonar o Irão com receiodo que possam ser as retaliações impostas pelos EUA. A Deutsche Telekom estava no Irão através da Detecon, uma empresa de serviços de consultadoria a outras companhias do setor. A Deutsche Bahn, detida pelo Estado germânico, tem dois projetos ferroviários em território iraniano.

Os principais responsáveis pelas 350 mais importantes empresas dos EUA ganharam, em 2017, 312 vezes mais do que a média dos seus trabalhadores, segundo um relatório publicado pelo Economic Policy Institute. Em 1965, a diferença de remunerações era de 20 para 1. O pico de distância foi atingido no ano 2000, quando um CEO ganhava 344 vezes mais do que a média dos seus trabalhadores.

A Índia pretende enviar um astronauta para o espaço em 2022, afirmou o Primeiro Ministro Narenda Modi durante o discurso anual da independência. Naquele ano,a Índia celebrará 75 anos como país independente. Vários astronautas indianos participaram já em missões da NASA.

POR CÁ

Termina hoje a greve geral de cinco dias dos enfermeiros, convocada pelo Sindicato Independente Profissionais de Enfermagem (SIPE) e pelo Sindicato dos Enfermeiros (SE). Os enfermeiros contestam a não conclusão de um acordo coletivo de trabalho que contemple principalmente a categoria de enfermeiro especialista, e exigem, ainda, o descongelamento da carreira.

Vinte e nove concelhos dos distritos de Bragança, Vila Real, Guarda, Viseu, Castelo Branco e Faro estão hoje em risco máximo de incêndio. O aviso amarelo devido ao calor foi alargado a 15 distritos e estendido até ao final de domingo, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). Faro juntou-se à lista dos distritos que o IPMA tinha colocado em aviso amarelo e agora só Bragança, Vila Real e Viseu não estão incluídos. O aviso tem início às 10:00 de sábado e prolonga-se até às 22:00 de domingo.

Começam hoje as festas da Agonia, em Viana do Castelo. Mais de 630 mordomas, de cinco países, vão desfilar hoje, às 16:00, pelas principais ruas da cidade, com todos os trajes de festa, no primeiro de quatro dias da Romaria d'Agonia.

Quando tinha o pássaro na mão, o Sp. De Braga deixou-o fugir. Empatou em casa 2-2 com os ucranianos do Zorya e, face ao resultado de 0-0 na primeira mão, foi afastado da possibilidade de competir na Liga Europa.

No dia 17 de agosto de 1943 era assinado o acordo secreto luso-britânico para a utilização dos Açores no contexto das operações da II Guerra Mundial.

PRIMEIRAS PÁGINAS

Bastonária (da Ordem dos enfermeiros) aumenta salário e com dois anos de retroativos – JN

Bancos emprestam 47 milhões por família – Público

Aretha Franklin. Morreu a voz de respeito – Jornal I

Benfica esconde saúde de Vieira – Correio da Manhã

Metro financia expansão com venda de património – Negócios fim-de-semana

FRASES

“Ainda há quem olhe para nós com o estereótipo dos coitadinhos”. Ana Sofia Antunes, secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, no jornal I

“A criação de um memorial às pessoas escravizadas, na Ribeira das Naus, é de uma importância primordial”. João Figueiredo, antropólogo, no Público

“Para termos uma sociedade mais justa são precisos indivíduos melhores. Mas isso não passa pela transformação da esquerda numa seita de inadaptados exemplares”. Daniel Oliveira, colunista, no Expresso Diário.

O QUE ANDO A VER (E A LER…)

Mais do que ler, tenho andado a ver cinema. Poderá parecer paradoxal, mas leio menos em férias. Terminaram ontem e ficaram marcadas por um regresso à leitura de excertos (sempre corrosivos e bem humorados) de D. Quixote de La Mancha, (aqui uma muito boa incursão no universo de Cervantes) cruzados com incursões nos “60 contos” de Dino Buzatti e “Todos os Contos”, de Clarice Lispector. Tudo obras maiores, das quais me abstenho de dar mais pormenores porque, na verdade, o que quero é falar de cinema.

Começarei por dizer que ando cansado da monótona rotina das séries de televisão. O que vou escrever a seguir não será simpático, nem para um habitual seguidor de séries, como eu, mas começa a consolidar-se em mim a ideia de que, no geral, são muito reacionárias. Calma. Também poderia ir por aí, mas nem me estou a referir a questões políticas ou ideológicas. Fico-me, por agora, apenas pela constatação de que na reprodução dos seus modelos narrativos, revelam um conservadorismo confrangedor. De alguma forma, repetem à exaustão estruturas narrativas, muito ao estilo das novelas do século XIX, sem qualquer arrojo estético. Sem capacidade, vontade, ou interesse em suscitar questionamentos passíveis de afastarem espetadores. Tudo muito regular, muito dentro da norma, Nada de colocar em causa o “status quo”. Algumas exceções, como “Black Mirror”, na Netflix, confirmam a regra.

Por isso quero falar de cinema e das possibilidades imensas proporcionadas por novas plataformas, como a Filmin. Descobri-a há dias e estou ainda na fase experimental. O momento em que durante um mês se pode experimentar de graça. Mas já foi possível ver uma meia dúzia de filmes notáveis, quase impossíveis de encontrar nas nossas salas de cinema, talvez com exceção de Lisboa e Porto. Vocacionada para a apresentação de cinema independente, clássico e de autor, arrancou com um catálogo de mais de meio milhar de filmes. Criada em Espanha em 2008 a partir da associação de um grupo de produtores independentes, estendeu-se depois para o México e está há uns meses em Portugal. Com uma mensalidade de €6.95 oferece um conjunto riquíssimo de filmes de inúmeras nacionalidades, com novas perspetivas, novas abordagens, novas formas de ler o mundo. Foi isso que me permitiu ver o belíssimo “A Criada” (2016), do sul-coreano Chan-wook Park, situado na Coreia, nos anos de 1930, durante a ocupação japonesa. Ou o cruelmente emocionante “Zifret”, (2014), do etíope Zeresenay Mehari. Ou ainda o perturbante “Deephan” (2015), do francês Jacques Audiard, que toma como ponto de partida a fase final da guerra no Sri Lanka e o modo como três pessoas, um homem, uma mulher e uma pré-adolescente, sem se conhecerem, fazem de conta que são uma família para conseguirem asilo em França.

O catálogo de Filmin é tão vasto quanto desafiador, pelo modo como incentiva à descoberta. Inclui uma grande quantidade de filmes portugueses, como “Cartas da Guerra”, de Ivo M. Ferreira, “Sangue do meu Sangue”, de João Canijo, “As Mil e uma Noites” e “Tabu”, de Miguel Gomes, ou “A Fábrica de Nada”, de Pedro Pinho, este a partir de 1 de outubro. Mas é também muito forte nos documentários, ou nas curtas-metragens, sempre em associação com alguns dos principais festivais de cinema nacionais e internacionais. Para quem não tem uma televisão onde possa ser instalada a aplicação, o acesso faz-se através de computador.

Por hoje é tudo. Tenha um resto de dia e um fim de semana recheado de leituras, por exemplo aqui no Expresso e resguarde-se do calor.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

SOB O OLHAR SILENCIOSO DE ANTÓNIO AGOSTINHO NETO – II

SOB O OLHAR SILENCIOSO DE ANTÓNIO AGOSTINHO NETO – II


Martinho Júnior | Luanda  

COMPASSO SEGUNDO DE QUATRO PEQUENOS COMPASSOS DE DECIFRAGEM HISTÓRICA

A independência de Angola, resultado duma forja de lutas da Argélia ao Cabo da Boa Esperança, sendo fresca, tem e é partícipe duma génese fulcral: a do movimento de libertação em África!

A 30 de Novembro de 2016, recordo a propósito, iniciei assim uma das mensagens no livro de condolências, aberto na residência de Sua Excelência Gisela Garcia Rivera, Digníssima Embaixadora de Cuba em Angola, por ocasião do falecimento do Comandante Fidel:

“… De Argel ao Cabo…

Cavalgando com Fidel!

… Levando o ardor progressista desde contra o baluarte do colonialismo francês no Norte de África…

… Até contra o bastião mais retrógrado e fascista que existia à face da Terra após a IIª Guerra Mundial, em seu perverso domínio em toda a África Austral…

… Precisamente no sentido inverso ao projetado pelo império anglo-saxónico sob inspiração de Cecil John Rhodes… do Cabo ao Cairo…”

… O movimento de libertação em África integrou cenários e actores fluentes, que são inspiradores nos termos dos exercícios contemporâneos que continuam a obrigar à consciência crítica que há a cultivar quando o subdesenvolvimento está longe de ser vencido e quando há tanto que resgatar a fim de tornar mais feliz, soberano e livre do obscurantismo o povo angolano e os povos africanos.

Na América a libertação do colonialismo foi há pouco mais de 200 anos e os povos, para hoje levar avante os ideais e as bandeiras dessa libertação, para alcançar um patamar justo de felicidade e de bem-estar, para assumirem seus processos tão legítimos de luta, têm em Simon Bolivar e em José Marti, entre outros clarividentes lutadores dessa época revolucionária, dois dos mais esclarecidos combatentes inspiradores, que deixaram um enorme e visionário legado que há que seguir para enfrentar os desafios e os riscos que hoje afectam a humanidade e o próprio planeta.

A primeira grande forja dessa libertação foi decidida e vivida pelos escravos africanos e afrodescendentes do Haiti, algo na generalidade desconhecido em África, propositadamente desconhecido pelas correntes elitistas que advêm do domínio do império britânico!

Os Comandantes Fidel de Castro e Hugo Chavez, foram profundamente conhecedores desse imenso legado que é património universal, fiéis e clarividentes intérpretes desse legado e abrem caminho a outros fiéis companheiros que se lhes seguem geração após geração, nessa luta secular que já ninguém em consciência pode deixar de conhecer e reconhecer!

Recorde-se “As veias abertas da América Latina”, de Eduardo Galeano, que é também uma memória da luta e dos feitos da liberdade, da autodeterminação e da independência dos povos latino-americanos, por mais vilipendiada, subvertida, ou apagada pelo poder dominante do império da Doutrina Monroe que ela tenha e tem sido!


Em África a libertação do colonialismo enquanto sinónimo de luta perseverante e consequente, a libertação obrigada pelo processo histórico a seguir a via armada, tem em lutadores e combatentes como Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Samora Machel, marcantes revolucionários dirigentes e comandantes que perscrutavam o futuro e deixaram inequívocos rumos que são legados palpáveis nos dados de seu própria biografia, na sua vibrante palavra, nos seus escritos e no rigor de suas próprias obras vocacionadas para a libertação com socialismo e desde logo pela via do socialismo.

Os fenómenos de luta contra o colonialismo em África, são contudo mais recentes que os da América, ocorreram na segunda metade do século XX, enquanto no outro lado do Atlântico foram ocorrendo ao longo do século XIX, pelo que sinais africanos estão ainda frescos, sendo impossível apagá-los com o “fim da história”, segundo o servil e contingente Fukuyama: as gerações que viveram a saga de libertação, que dessa saga beberam a universidade de sua própria identidade, cultura e motivação, que por via de irreversível juramento lhe são fiéis, ainda não desapareceram totalmente! 

Muitos dos que restam dessas gerações, ainda que no anonimato imposto, ou no deserto imposto, ou na marginalidade imposta, continuam com sua consciência motivada em transmitir às gerações vindouras a responsabilidade dos termos das vitórias tão duramente alcançadas, face a face a alguns cuja mentalidade formatada e ávida de lucro ao invés de ávida de humanidade e de vida, de forma tão oportunista, tão corruptível, tão desprezível, tão “maleável”, de forma por vezes tão leviana, tanta riqueza libertária e socialista, tanta clarividência, querem fazer apagar, subverter, desvirtuar, ou deliberadamente desperdiçar!...

Fazem-no esses poucos mas estoicos patriotas por que, para levar avante a libertação dos povos, do obscurantismo, do subdesenvolvimento e da opressão, bebem da mesma inspiração que guiou, em sua época e em sua vida, heróis como Amílcar Cabral, Agostinho Neto, Samora Machel, Fidel de Castro, o Che e tantos de seus companheiros…

Esses raros “dromedários” peritos em atravessar desertos, respiraram e respiram, com a mesma sofreguidão, do mesmo ar que eles, mesmo que por efeito do escaldante deserto do capitalismo neoliberal e suas avassaladas social-democracias os quiserem apagar da história, aplicando à letra e incondicionalmente o “diktat” das ementas de seu “mestre”Fukuyama!

Fazem-no por que é nesse rumo que é possível desenvolvimento sustentável, identidade nacional, a resistência que pode conduzir a democracia aos vínculos populares, os únicos que podem dar substantivo conteúdo à sua essência, que a podem resgatar da abstracção alienatória da representatividade que agora se vai estender às autarquias, que a podem motivar para o patriotismo e ao mesmo tempo para a educação em prol da justiça social, que a podem dinamizar em função da melhor utilização das novas tecnologias abertas à e susceptíveis de massificação!...

Ao não se honrar o passado e a nossa história, ao não se evocarem a memória e os ensinamentos de António Agostinho Neto, ao se perder da clarividência socialista para se implantar a hipocrisia e o cinismo social-democrata, ou uma metamorfose elitista de última geração, quanto Angola, quanto África tem perdido de sua identidade, dignidade e coerência histórica e antropológica, quanto tem perdido de força anímica capaz de ampla mobilização, para levar por diante a longa luta contra o subdesenvolvimento?

Martinho Júnior - Luanda, 10 de Agosto de 2018

Fotos:
- Conferência histórica alusiva aos 55 anos do MPLA, no dia 6 de Dezembro de 2011, foto tirada por mim nesse evento;
- Conferência histórica alusiva aos 55 anos do MPLA, no dia 7 de Dezembro de 2011; intervenção do camarada Jorge Risquet (já falecido), companheiro da IIª coluna do Che no Congo e um dos artífices da linha da frente progressista informal contra o baluarte da internacional fascista e colonialista na África Austral (Exercício Alcora); foto tirada por mim nesse evento.
Delegação angolana de alto nível acompanha Presidente a Pequim

Delegação angolana de alto nível acompanha Presidente a Pequim


Angola, um dos principais parceiros chineses de África, está a preparar uma delegação de alto nível para participar no Fórum de Cooperação China-África (Focac), uma cimeira que se realiza de 3 a 4 de Setembro, de acordo com informações divulgadas por uma publicação daquele país.

A "China-Lusophone Brief" (CL-Brief) escreveu sexta-feira que a participação de Angola na Focac é parte de uma estratégia improcedente do Governo para elevar a atracção de crédito e investimento estrangeiro.

A publicação cita fontes a afirmarem que a delegação que vai a Pequim é liderada pelo Presidente da República, João Lourenço, marcando o primeiro aniversário da sua eleição e depois de visitas realizadas à África do Sul, França, Bélgica e, mais recentemente, um discurso pronunciado no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.

Jornal de Angola
Contas públicas de Angola só saem do vermelho em 2020

Contas públicas de Angola só saem do vermelho em 2020


As finanças angolanas só deverão ficar equilibradas em 2020, com as receitas, sobretudo de impostos, a voltarem a ser superiores às despesas totais previstas seis anos depois, segundo a mais recente projeção do Governo.

A informação consta do Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2018-2022, aprovado pelo Governo e publicado oficialmente a 29 de junho, contendo um conjunto de programas com a estratégia governamental para o desenvolvimento nacional na atual legislatura.

Para 2018, o Governo prevê uma receita total (excluindo endividamento) de 20,2% do Produto Interno Bruto (PIB), essencialmente de impostos com a exportação de petróleo (12,6%), enquanto as despesas totais deverão ascender a 22,7% do PIB, provocando um défice fiscal de 2,5%.

Para 2019, a projeção do PDN aponta para um défice de 1,5% do PIB, com o peso das receitas a caírem para 18,6% e o das despesas totais para 20,1%. Após cinco anos de contas no vermelho, o Governo estima um resultado positivo em 2020, voltando as receitas a superar as despesas, equivalente a 0,4% do PIB, projeção que sobe para 0,5% em 2021 e para 0,7% em 2022.

Angola registou excedentes orçamentais em 2010 (5% do PIB), em 2011 (10%) e 2012 (7%), com a recuperação do setor petrolífero após as quebras de 2008 e 2009, tendo ficado próximo do equilíbrio em 2013.

Quebra nas receitas em 2014

A partir de 2014, com nova quebra nas receitas com a exportação de petróleo, as contas anuais do Estado voltaram a apresentar consecutivamente défices, colmatados com a contração de endividamento público.

O Governo angolano estima fechar 2018 com um endividamento público de 77.300 milhões de dólares (65.100 milhões de euros), equivalente a 70,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do país para este ano, excluindo a dívida da petrolífera estatal Sonangol.

De acordo com informação recente do Governo, a República de Angola deverá "aumentar significativamente" os empréstimos em 2018 e nos próximos anos. Acrescenta que na mais recente estimativa governamental, o Estado angolano captou aproximadamente 3.400 milhões de dólares (2.800 milhões de euros) de dívida no primeiro trimestre deste ano, dos quais 1.300.

Só a China já emprestou a Angola, desde 1983, mais de 60.000 milhões de dólares (50.000 milhões de euros), para obras de reconstrução após a guerra, valores que por norma são liquidados pelo Estado angolano com carregamentos de petróleo.

Agência Lusa | em Deutsche Welle
Violência racista dá sinais de escalada na Itália

Violência racista dá sinais de escalada na Itália


País registra nove ataques a bala contra integrantes de minorias étnicas em 50 dias. Onda de agressões se intensificou desde a posse do novo governo. Ministro do Interior declarou que "racismo é invenção da esquerda".

O estrondo de uma arma de ar comprimido que no início de julho perturbou a calma da arborizada estrada provincial, primeiramente provocou incredulidade – nem todo mundo em Forli, no centro da Itália, presta muita atenção aos eventos locais.

Hugues Messou, natural da Costa do Marfim, de 34 anos, não teve como escapar do fato: ele estava a caminho de casa de bicicleta quando o tiro o atingiu no abdômen. Tendo vivido na cidade por mais de dez anos, nunca a considerara um lugar perigoso, nem mesmo hostil, apesar de uma ou outra palavra racista lançada contra ele.

"O carro parou por uns segundos na minha frente, mas não consegui ver exatamente quem estava dentro. Eram pelo menos duas pessoas, por volta dos 30 anos, talvez mais velhos", conta.

No dia seguinte, ele fez um boletim de ocorrência na delegacia. Há câmeras estrada abaixo, a cerca de 200 metros do local do incidente. Até hoje, o costa-marfinense não teve novidades sobre as investigações, e, até a data de publicação desta reportagem o departamento de polícia local não respondeu aos pedidos de comentários da DW.

"Quem fez isso, saiu de casa com a intenção de atirar numa pessoa negra", diz ele. "Era tarde da noite, e aconteceu duas vezes no espaço de dois dias."

Dois dias antes desse ataque, uma nigeriana fora atingida por um projétil disparado de uma lambreta numa rua próxima. No entanto, ela não registrou queixa.

"Eu estava conversando no bar sobre o que tinha me acontecido e foi quando [o outro ataque] veio à tona", conta Messou. "Se eles estão usando armas de fogo, a coisa é preocupante."

"Teste de espingarda", "brincadeira", "um pombo"

Nos últimos 50 dias, ao menos nove integrantes de minorias étnicas foram feridos a bala na Itália. Em oito das agressões foram usadas espingardas de ar comprimido – cujas balas redondas e de metal podem causar lesões graves – e na outra, uma arma de fogo.

Num dos casos, um menino da etnia nômade rom de um ano recebeu um disparo nas costas. O atirador, um funcionário público, disse à polícia que atirou "para testar a espingarda".

O episódio mais recente ocorreu um Pistoia, na região da Toscana: dois garotos de 13 anos atiraram num homem do Gâmbia. Segundo a agência de notícias italiana Ansa, ao serem identificados pela políci,a ambos afirmaram ter se tratado de uma simples brincadeira, "sem motivação racial nem política". Essa versão foi aceita pela opinião pública em geral.

Em 11 de junho, dois refugiados do Mali, residentes de um centro de recepção próximo a Nápoles, relataram à mídia local que haviam sido alvejados a partir de um carro que passava, cujos ocupantes gritavam slogans de apoio ao ministro do Interior Matteo Salvini, do partido direitista Liga.

Um mês depois, em Latina, ao sul de Roma, dois nigerianos levaram tiros de ar comprimido disparador de um carro. Os agressores foram mais tarde identificados e respondem por lesões corporais com agravante de discriminação racial.

No fim de julho, um operário cabo-verdiano trabalhava num andaime na mesma cidade quando foi atingido nas costas por um tiro disparado de uma varanda próxima. Segundo a imprensa local, o atirador contou aos investigadores que pretendia atirar num pombo.

No início de agosto, três tiros de arma de fogo foram disparados por dois desconhecidos de lambreta contra um vendedor de rua senegalês de 32 anos. Apenas uma delas o acertou, fraturando-lhe o fêmur.

Retórica de incitação racista

Serge Diomande integra o comitê do conselho de cidadãos em Forli, além de ser presidente da Associação Nacional Além das Fronteiras (Anolf). O costa-marfinense, que vive na Itália há quase dez anos e trabalha como guardador em um armazém, considera difícil ignorar o que tem acontecido.

"Até que [os responsáveis] sejam apanhados, vamos ficar sempre na dúvida. Queremos saber quem e por quê. Isso nunca aconteceu aqui. Forli sempre foi uma cidade muito aberta", diz. "Os partidos políticos não deveriam brincar com a migração. É como brincar com a cultura italiana."

Desde que assumiu em 1º de junho, o governo de coalizão entre a Liga, de extrema direita, e o populista Movimento Cinco Estrelas tem se recusado a permitir o desembarque de navios de resgate de migrantes no Mediterrâneo. Salvini anunciou, ainda, que aceleraria as deportações de ilegais e que as comunidades rom deveriam ser recenseadas, e seus membros estrangeiros, deportados.

O governo tem respondido às acusações de que suas políticas e retórica instigam medos e legitimam a violência, negando que haja algum problema. Segundo Salvini, racismo é "uma invenção da esquerda".

O jornalista Luigi Mastrodonato documentou mais de 30 agressões físicas a membros de minorias no país desde o princípio de junho. O site antirracismo Cronache di Ordinario Razzismo (crônicas de racismo comum), da ONG Lunaria, publicou um relatório computando 169 incidentes de discriminação nos primeiros três meses de 2018.

"Motivos fúteis"

Não há dados policiais sobre crimes de ódio na Itália. Os mais recentes – do Escritório para as Instituições Democráticas e os Direitos Humanos (ODIHR), que monitora esses delitos entre os países-membros da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) – são de 2016, quando a organização contabilizou 803 crimes de ódio com registro na polícia. A maior parte se origina em racismo ou xenofobia.

Quando a polícia investiga as causas, o cunho racista nem sempre é reconhecido, e muitas vezes é minimizado, principalmente na presença de outros motivos possíveis ou de motivação múltipla.

Um dia após a eleição na Itália, o vendedor senegalês Idy Diene foi morto em Florença por um homem que declarou que pretendia cometer suicídio, mas em vez disso decidiu voltar sua arma contra um transeunte qualquer. A polícia rapidamente classificou o homicídio como "por motivos fúteis".

Em Aprilia, ao sul de Roma, um marroquino foi morto no início de agosto, numa perseguição de carro, por três homens. Estes negaram qualquer motivo racial, alegando ter acreditado que ele fosse um ladrão e decidido tomar a justiça nas próprias mãos. As circunstâncias do crime estão sendo investigadas.

"Com o passar do tempo, estamos vendo um processo de legitimação crescente de um comportamento que, no melhor dos casos, é de hostilidade e intolerância declaradas contra minorias", aponta Grazia Naletto, presidente da ONG Lunaria, que há dez anos vem documentando e conscientizando sobre o racismo no país.

"As notícias das últimas semanas são preocupantes, independentemente dos números, pois estamos falando de agressões físicas, em alguns casos, graves. Em alguns deles, as autoridades encarregadas das investigações não reconheceram o elemento racial", diz. "Com certeza há no país um clima cultural, social e político que tende a incentivar certas condutas sociais. Temos visto como elas se tornam agressivas."

Ylenia Gostoli (de Roma / av) | Deutsche Welle
DEVASSA, FACEBOOK E CENSURA

DEVASSA, FACEBOOK E CENSURA


Se uma polícia política quisesse ter o levantamento de quem conhece quem; quem é amigo de quem; quem gosta de quem, não poderia inventar um instrumento melhor do que o Facebook.

Este instrumento de devassa da vida pública dos cidadãos veio potenciar a tarefa da espionagem da NSA e agências quejandas.

Mas quem mesmo assim não se importar em ser espionado e insistir em permanecer no Facebook ainda está sujeito à censura dos seus gestores anónimos. E isso não é de agora, como já em 2012 verificou Atilio Boron.

Entretanto, com a histeria que grassa no Estado Profundo dos EUA, o imperialismo intensifica a censura contra qualquer voz alternativa. É assim que o Facebook, obedientemente, acaba de encerrar tanto a página da Telesur como aquela em inglês da Venezuela Analysis. Nem mesmo páginas conservadoras, como o InfoWars, escapam aos censores do Facebook.

O medo a ouvir verdades paira sobre os EUA. Por isso a censura ali passou a ser uma política de Estado – e o capital monopolista que domina os media colabora nisso.


Ver também:   Campanha Os meus dados são meus 
Portugal | Saúde e Ensino – a violência no trabalho

Portugal | Saúde e Ensino – a violência no trabalho


Este é o resultado do individualismo e da competitividade agressiva no emprego, criados pelas políticas neoliberais com discursos violentos contra tudo o que cheire a espírito colectivo e solidário.

Jorge Seabra | AbrilAbril | opinião

Talvez por estarmos em Agosto, com redacções depauperadas, parecendo haver falta de notícias para além dos suores, do Sporting, de Trump e do incêndio de Monchique, nos últimos dias alguns estudos sobre agressões a profissionais da Saúde e do Ensino público ocuparam um inabitual espaço nos cabeçalhos de jornais.

O assunto é sério e reflecte muito do que está (e continua) mal no nosso país e na «Europa» que tem seguido o caminho de agressão ao «Estado Social», aberto por Tatcher e pela traição à social-democracia da «terceira via» de Blair, aprofundado no século actual pela «austeridade» do BCE e da troika.

Violência na Saúde...

«Casos de violência contra médicos e enfermeiros estão a aumentar» – surge a toda a largura na primeira página do Público de 11 de Agosto de 2018.

Um gráfico mostra que, há cerca de dez anos (2007), as notificações de incidentes de violência contra profissionais de Saúde eram de 35, passando, em 2017, a 678 (10% dos quais com agressão física), sendo no primeiro semestre deste ano já de 439, confirmando uma significativa subida.

Nada é realmente novo e, convém perceber – como é afirmado pelos entrevistados –, que os números representam apenas uma pequena ponta do iceberg.

De facto, a maioria dos insultos, humilhações e agressões verbais e mesmo físicas não são notificadas, sendo geridas na intimidade do agredido ou do grupo ou serviço onde trabalha, quer pela sensação de inutilidade, quer pela perda de confiança e auto-estima que, para muitos, o facto implica.

Não é difícil perceber as causas nucleares deste aumento de agressividade para com quem dá a cara pelo Serviço Nacional de Saúde.

As longas esperas em situações de stress (que nem sempre a situação clínica justifica), o constante matraquear pelos media de casos acusatórios passados em hospitais e centros de saúde (grande parte dos quais injustificados e apresentados sem um contraditório credível), a canalização pelo poder político desse mal-estar para um falso e abusivo conceito de «direito cidadão» atirando utentes contra o serviço público cuja degradação é da sua inteira responsabilidade, estão no centro de muitos dos conflitos registados.

A isso soma-se o esgotamento e «burn-out» dos profissionais, com tempos comprimidos e sem espaço para diálogo e empatia (imprescindíveis a uma boa relação com o doente e a família), reflexo da falta de recursos humanos e materiais, da «proletarização» sem direitos nem carreiras, da burocratização e autocracia promovida por administrações demasiado «empresariais», mais preocupadas com números e estatísticas.

Confirmando outros, um estudo publicado na revista Acta Médica Portuguesa de Janeiro de 2016, abrangendo 466 médicos e 1262 enfermeiros com uma média de 36,2 anos de idade, encontrou 21,6% num estado moderado de esgotamento e 47,8% num estado de burn-out elevado.

A pressão e o cansaço, que levam à impaciência, desumanização e «desligamento», reflecte-se também nas relações entre os profissionais, afectando a formação e o trabalho multidisciplinar, com multiplicação de casos de mobbing (assédio moral ou psicológico em meio laboral), atingindo principalmente jovens internos e enfermeiros em início de carreira, também sacrificados pela menorização do ensino, que exige tempo e paciência, sobrecarregados com turnos excessivos e trabalhos de «carregadores de piano».

...e no Ensino

A primeira página do mesmo jornal abria no dia seguinte com «três em cada quatro professores já foram vítimas de assédio moral», referindo uma investigação que abrangeu cerca de 2000 professores dos diversos níveis de ensino.

O assédio significa «violência psicológica extrema, sistemática e recorrente, durante um tempo prolongado, para destruir as redes de comunicação da vítima, a sua reputação e perturbar o seu trabalho», na definição de Heinz Leymann.

Mesmo que os mais cépticos considerem que no resultado há um hipotético exagero de queixas (o que nada prova), estamos a navegar numa situação generalizada e grave.

Como responsáveis da agressão, o estudo apontou, em primeiro lugar, «colega ou vários colegas» (62%), a Direcção da Escola (48,6%), alunos ou familiares (36,9%).

Ao contrário do que alguns poderiam pensar, e sem subestimar comportamentos inaceitáveis de alunos e familiares que confundem falta de respeito e agressividade com direitos de cidadania, tudo aponta para uma grande conflitualidade entre professores e entre estes e as direcções das escolas, perdida que foi a gestão participada e democrática.

Também aqui, as políticas dos longos anos de «arco do poder» PS, PSD e CDS, devastaram o sentido colectivo, de colaboração e a autoridade do corpo docente, instalando a desmotivação e a desconfiança, a luta pelos pequenos poderes, o «cada um por si», a concorrência egoísta estimulada por processos avaliativos divisionistas e sem qualquer sentido de justiça.

De resto, em alguns momentos, a tutela parece ter querido usar a dimensão da luta sindical dos professores, para tentativas «exemplares» de intimidação e desmobilização de outras frentes da função pública («se os professores não conseguem, como vamos nós conseguir?»), procurando «quebrar a espinha» à sua unidade, copiando Tatcher e a repressão dos mineiros ingleses, embora com menos sucesso.

Só assim se pode compreender que o governo PS de Sócrates e da ministra Maria de Lurdes Rodrigues tenha decido colocar como prioridade nacional a imposição de um desastroso processo de avaliação dos professores portugueses.

Embora dificilmente alguém de bom senso – num país mergulhado numa crise económica e com os bancos à beira da falência (como depois se veio a verificar) –, pudesse encarar esse objectivo como razoável e, menos ainda, como prioritário, o tema monopolizou durante meses todos os debates, pondo os comentadores da «situação» a destilar veneno contra «essa corporação de preguiçosos que não se querem deixar avaliar».

A resposta foi esmagadora e deveria ter levado a uma leitura democrática.

Por duas vezes, mais de cem mil professores saíram à rua em espantosas manifestações de unidade, que inscreveram uma página inédita na história dos protestos de um só grupo profissional.

Dez anos depois de ter provocado o caos nas escolas, a ex-ministra veio reconhecer com descontracção e despudor que «…é um grande conforto ver que melhorámos os resultados, e que a avaliação, mesmo não sendo concretizada, afinal revelou-se um instrumento que pode ser substituído por outros instrumentos» (Lusa, 10-2-2017).

A pouca seriedade com que o actual governo falta agora ao seu próprio compromisso, contemplado no Orçamento de Estado de 2018, na contagem de todo o tempo de carreira dos professores congelada nos tempos na troika, parece reproduzir a lógica do governo da época provocando a mesma revolta.

E se o enviesado processo de avaliação de Maria de Lurdes Rodrigues não foi para a frente, a burocratização, desestruturação e precarização das carreiras seguiu o seu caminho, destroçando o espírito de corpo e a cooperação e cumplicidades tão importantes no processo pedagógico, despertando invejas e comportamentos mesquinhos, estimulando a lógica do medo, da subserviência e do «subir» a todo o custo, levando os melhores ao cansaço e esgotamento.

Um recente estudo orientado pela historiadora Raquel Varela e divulgado no passado mês de Julho, abrangendo cerca de dezanove mil professores, encontrou em cerca de 60% níveis preocupantes de exaustão emocional e 42,5% com um baixo índice de realização profissional.

Não será pois de estranhar que só 1,5% dos alunos queira vir a ser professor, conforme afirma o Conselho Nacional da Educação, tendo como base um relatório dos testes PISA a estudantes de 15 anos. E apesar de «os alunos portugueses terem até uma visão positiva dos seus professores», os poucos que escolheram a carreira docente foram os que se situaram nas piores classificações.

Tudo isto desenha um panorama negro que não existia no período de crescimento e de democratização do SNS e da Escola Pública, em que situações de pressão ou de «bulling» entre profissionais podiam existir como casos isolados, mas não eram estimuladas nem tinham repercussão sistémica.

Este é, sem dúvida, o resultado do individualismo e da competitividade agressiva no emprego, criados pelas políticas neoliberais com discursos violentos contra tudo o que cheire a espírito colectivo e solidário, considerado «piegas» e próprio de loosers que não têm a força para se afirmarem como líderes na «selva» da vida, lambendo as botas aos chefes e espezinhando os colegas que lhes podem roubar o lugar nas «avaliações individuais de desempenho», feitas exactamente para melhor dividir e explorar.

E o pior, é que muito de tudo isso se mantém apesar do discurso se ter tornado mais macio, e há gente que acredita que esta é uma forma incontornável de viver, própria da modernidade da época, como se não houvesse alternativa.

Foto: Istock