sábado, 23 de novembro de 2013

Angola: A MANIPULAÇÃO DA VERDADE

 

Jornal de Angola, editorial
 
Uma das conquistas mais valiosas dos angolanos depois da independência é a paz que, a par da democracia, procuram consolidar e desenvolver com estoicismo. Os angolanos sabem que tanto quanto custou conquistar a independência, arrancar a paz das mãos de políticos teimosos em fazer a guerra não foi tarefa fácil e exigiu o sangue de muitos dos seus melhores filhos.
 
Os angolanos sabem também que o caminho da consolidação da paz e da construção da democracia está cheio de escolhos. Alguns desses obstáculos que ainda vamos ter de enfrentar, e que por sinal não são poucos, são perigosos, ao passo que outros apresentam-se apenas complexos. Os angolanos sabem que muitos desses obstáculos perigosos na grande caminhada para a construção de uma nação forte e em paz, de uma democracia forte, vão ser criados de forma artificial. Os angolanos sabem que nos grandes momentos de afirmação da sua História, de afirmação da sua grande vontade de progredir, há sempre forças prontas a colocar pedregulhos nas grandes avenidas preparadas para receber o sopro do desenvolvimento. Há sempre forças prontas a manipular, prontas a manietar a consciência colectiva para tentar impedir que seja a serenidade a comandar as nossas atitudes.

Os angolanos conhecem o preço da irresponsabilidade política que adiou o sonho de muitos de ver uma Angola em paz e em desenvolvimento e de certeza que não vão permitir que isso volte a acontecer.

As autoridades angolanas assumiram um forte compromisso com a paz e fazem disso a sua bandeira. As autoridades angolanas têm um forte compromisso com os princípios do Estado Democrático e de Direito e por isso mesmo têm dado provas indesmentíveis desse seu engajamento. Quando no tempo de guerra se pensava que seria decretado no país o estado de excepção, tal não ocorreu. Quando se pensava que muitas publicações seriam encerradas, também tal facto não aconteceu, mesmo sabendo que algumas delas se prestavam a servir os interesses da UNITA e de quem apostava no prolongamento do estado de guerra em Angola. Enquanto da UNITA nos foram chegando relatos dramáticos e horripilantes de execuções no seu seio de vários dirigentes, como sanção pela perda de posições no teatro das operações, todos os seus principais militantes e familiares nas áreas sob controlo do Governo puderam ter a vida a salvo e desenvolver normalmente actividade política. Quando terminou a guerra, e com a UNITA completamente destroçada do ponto de vista militar, muitos foram os seus dirigentes que abraçaram a via do conflito bélico que se encontravam perdidos nas matas e desfalecidos. Valeu a pronta intervenção do Governo, sob a orientação expressa do Presidente José Eduardo dos Santos, para que as Forças Armadas Angolanas tratassem de resgatá-los e trazê-los sãos e salvos de modo a poderem beneficiar de assistência médica adequada. É com grande parte desses dirigentes que a UNITA pode permitir-se sobreviver como força partidária e desempenhar hoje actividade política. Tudo isso foi feito em homenagem à paz, à reconciliação nacional, à construção de uma Angola onde todos os seus filhos possam viver em harmonia e coesão de princípios elementares de convivência. São episódios que não podem deixar de ser contados para desmentir de forma redonda o que a ambição política desmedida teima em negar quando quer fazer aproveitamento de situações que, todos sabemos, as autoridades assumiram o compromisso de esclarecer no âmbito do Estado Democrático e de Direito que estamos a construir e que precisamos todos de fortificá-lo. Um dos pilares do Estado Democrático e de Direito é o seu sistema de justiça e dentro desse sistema o papel dos tribunais é insubstituível. Os nossos tribunais já deram provas suficientes da sua capacidade em fazer justiça, de modo efectivo e transparente, sem complacência para com as pessoas acusadas fundadamente de terem cometido crimes. Por isso quando a Procuradoria-Geral da República veio a público comunicar a detenção de quatro suspeitos de envolvimento no desaparecimento de António Camulingui e de Isaías Cassule, tratou essencialmente de sublinhar uma verdade que a UNITA preferiu ignorar olimpicamente: o sistema de justiça angolano está a reforçar-se e a ter uma intervenção cada vez mais eficaz na realização do direito. Os angolanos têm confiança no seu sistema de justiça e nos tribunais e por isso acreditam que este caso será esclarecido com serenidade pelas autoridades e os autores dos crimes terão a pena que merecerem.

A UNITA, que tem as mãos manchadas de sangue das vítimas de atrocidades na Jamba e do cortejo de mortes provocadas pela guerra, devia fazer um exame de consciência antes de tentar qualquer manipulação para tirar proveito político de uma situação que sabe encontrar-se sob a alçada da justiça e que, por isso mesmo, não faz sentido procurar imputar responsabilidades a quem não as tem e está profundamente interessado em que a justiça seja feita. Com o caso Samakuva e a UNITA pretendem esconder a falta de lealdade com que sempre encararam a democracia.

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