sexta-feira, 28 de abril de 2017

Moçambique | Filipe Nyusi critica militantes da Frelimo por corrida desenfreada à riqueza*

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Presidente de Moçambique afirma que a Frelimo “não pode ser encarada como uma plataforma de acesso ao poder para servir interesses individuais”.

O presidente da Frelimo, partido no poder em Moçambique, Filipe Nyusi, criticou ontem a corrida desenfreada à riqueza entre os seus militantes, alertando para o risco de esta prática agudizar as diferenças sociais e fomentar o crime.

“Esta corrida desenfreada à riqueza cria e exacerba as diferenças sociais, perturba as relações de humanismo e de solidariedade entre as comunidades e fomenta o crime”, afirmou Nyusi, discursando na abertura da terceira Sessão Extraordinária do Comité Central da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), que se iniciou ontem na Matola, província de Maputo.

Segundo Nyusi, que é também Presidente da República, o apetite pela rápida ascensão aos bens gera um ambiente propício à violação dos direitos humanos, conflitos sociais e a supremacia dos interesses individuais sobre os interesses do partido e de toda a sociedade.

“Os nossos quadros e militantes do partido devem estar cientes desta emergência da supremacia dos interesses individuais ou de grupo, que pretendem predominar no ambiente em que vivemos e querem penetrar e instalar seus tentáculos no nosso seio e da sociedade”, acrescentou.

Para Filipe Nyusi, o comportamento de alguns membros da Frelimo configura uma violação dos estatutos, do código de conduta e da directiva eleitoral do partido, devendo ser combatida sem tréguas.

“A Frelimo não pode ser encarada como uma plataforma de acesso ao poder para servir interesses individuais, o interesse supremo que deve prevalecer é o partido e não o indivíduo, governar é resolver os problemas do povo”, declarou Nyusi.

O presidente da Frelimo referiu que o Comité Central vai aprovar a revisão do código de conduta, da directiva para as eleições internas dos órgãos do partido e das cinco teses do 11.º congresso do partido no poder, agendado para 2017 em Maputo.

Filipe Nyusi sublinhou que o 11.º congresso deve ser um momento de revitalização da democracia interna, exortando os membros do partido a mostrarem espírito de abertura para enfrentarem os desafios actuais.

Nyusi apontou o crescimento da população moçambicana, a mudança drástica da pirâmide etária, as alterações climáticas, o acesso das populações rurais e urbanas às tecnologias de comunicação e informação e o crescente poder do capital financeiro como mudanças que os militantes da Frelimo devem ter em conta.

“Tudo isto acontece numa altura em que a competitividade e a luta para ascender ao poder se impõem com maior acuidade”, enfatizou o presidente da Frelimo.

Lusa | Rede Angola | Foto: Sessão Extraordinária do Comité Central da Frelimo[ FB ]

*Em 8.10.2016

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