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terça-feira, 4 de julho de 2017

Portugal | POBREZA SILENCIADA, A QUANTO OBRIGAS



Bom dia, enquanto não chegar a noite. Esta é a prosa que quase sempre antecede a apresentação do Expresso Curto. Haja saúde. E haja também a clarividência de não andarmos enrolados como a pescadinha de rabo na boca sobre factos e intrigalhada sobre a tragédia de Pedrógão Grande e do roubo de importante material de guerra em Tancos.

Num e noutro caso - Pedrógão e Tancos - é imperioso que se apurem as causas e só em seguida é possível em consciência e com justiça apurar quem são os responsáveis. Tudo o resto, enquanto não soubermos as causas, é circo do pior, em que uns palhaços e palhaças mal enjorcados seguem a doutrina do quanto pior melhor, alegando fazerem oposição quando estão somente a pretender “brilhar” e tirar vantagens de ambas as situações. Práticas políticas muito porcas. Concretamente, o CDS e o PSD (assim como alguns fabricantes de opiniãode subserviência aos chefes partidários e aos chefes de serviço), aquilo que estão a fazer é a manipular os que forem nas suas conversas empoladas e falsas. Lamentavelmente existem na comunicação social os que fazem grandes títulos de coisa tão rasteira e abominável.

Estejamos atentos, não deixemos que os casos e as consequências para os realmente responsáveis a apurar caiam no esquecimento e quando chegar a hora saibamos ser exigentes e nada complacentes. Num caso e no outro de certeza que existem responsáveis, contudo podem não ser os ministros das respetivas tutelas – defesa e administração interna. Podem até não ser alguns comandantes militares e serem outros. Primeiro apura-se e depois pune-se, com justiça. Isto mesmo já aqui escrevemos, talvez por outras palavras. Mantemos essa opinião e essa postura. É que o carro não anda à frente dos bois, como é dito no adágio tão popular. Adiante.

Pobreza. Não é abordagem do Curto, quase nunca é. Mesmo assim vamos fazer uma breve abordagem. A razão tem que ver com a existência de mais de dois milhões de portugueses que estão mesmo na pobreza, endividados, a abdicar de adquirir bens essenciais porque os orçamentos familiares são insuficientes para encarar o quotidiano. Os mais velhos, os reformados, são as grandes vítimas. Quando António Costa e o governo que lidera fala em aumentos das reformas talvez as concretizem, porém não chega a muitos reformados e pensionistas. Principalmente aos que recebem quantias ridículas. São imensos os que recebem agora o mesmo o que recebiam no tempo de Passos Coelho e Paulo Portas no primado do terrífico governo que gerou mortes, fome e muita miséria. Que atirou com jovens e não tão jovens qualificados para fora do país apesar de terem sido os portugueses que em milhentos casos suportaram as despesas dos conhecimentos e canudos universitários que adquiriram. Emigrem, disse Passos displicente. Assim o fizeram. Essa mais-valia perdemo-la. E a recuperação tarda ou até nem nunca a recuperaremos porque emigraram e por lá ficam, contribuindo para melhorias e desenvolvimento dos países que os receberam e eles adotaram. Eles e elas, os cérebros.

Ainda sobre a pobreza, - para além da de espírito - aquela que vimos a referir, existem reformas de miséria que estão congeladas. E existe um ordenado mínimo insultuoso, que o governo de Costa fez aumentar, é verdade, mas que continua insultuoso na mesma. Insuficiente na mesma.

Não deixa de ser curioso que sobre isso quase nada se diga. Assim como da pobreza que persiste. Isto está melhor com o governo de António Costa? Sim, sempre se dispõe de mais uns euros, contudo, aos mais pobres, esses, dispõem de mais uns cêntimos e não é para todos. Voltaremos ao assunto de modo mais substancial, já que a imensa classe jornalística não aborda a temática com a honestidade e objetividade que deve. Compreende-se, estão com mais disponibilidades financeiras (os que estão) e nem se lembram dos que deram o couro e o cabelo, até as vidas, por Portugal – os velhos. Nem se lembram dos que trabalham no duro e recebem a miséria do ordenado mínimo. Para não falar dos desempregados, a juventude ou os que dizem estar velhos para lhes darem emprego mas novos para se reformarem. Como sobrevivem esses? Alguém se interessa? Alguém se preocupa? Alguém prima em mostrar a realidade? E os deputados da chamada direita, os tenebrosos neoliberais fanáticos ao estilo de Passos ou dos do CDS, que andam por lá a fazer? Intrigalhada que lhes proporcione vantagens com o desgaste ao governo. Governo que está a reparar os roubos que esses tais neoliberais cometeram no governo de Passos e Portas, com a bênção do ex-PIDE Cavaco Silva – o Carrasco de Belém.

Por hoje basta. Amanhã há mais. A seguir têm à vossa disposição o Expresso Curto, servido por Helena Pereira, se continuarem a ler. Saúde.

MM | PG

Bom dia, este é o seu Expresso Curto 

Helena Pereira | Expresso

O míssil da Coreia do Norte e a revolta militar em Portugal

No verão de 2005, com violentos incêndios no país o então primeiro-ministro José Sócrates, de férias no Quénia, entendeu não alterar o plano de descanso e delegou no seu número 2 a gestão do Governo. Lembra-se quem era? António Costa, ministro da Administração Interna e também ministro de Estado o que lhe dava prioridade na hierarquia. Agora como primeiro-ministro, Costa "planificou" as férias e a insegurança provocada pelo furto de material militar em Tancos não o levaram a ter intervenção pública ou a alterar as férias programadas.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já veio dizer que o período de férias de António Costa não o incomoda mas fez questão de clarificar que tem tratado o que é preciso com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva. Isto, numa altura em que a pressão cresce sobre o Governo mas também sobre o Presidente, comandante supremo das Forças Armadas. Foi convocada uma ação de protesto de militares para amanhã contra a decisão do Exército em suspender cinco comandantes: a deposição simbólica de espadas à porta do Palácio de Belém por oficiais no ativo, uma ação que de qualquer forma pode colidir com o Estatuto dos Militares das Forças Armadas e da qual a Associação de Oficiais das Forças Armadas já se demarcou.

Assunção Cristas, que esteve reunida com o Presidente da República esta segunda-feira, tem uma só frase para Costa: “Senhor primeiro-ministro, volte e demita os ministros”. Inamovível, é como o ministro da Defesa Azeredo Lopes se considera, pelo menos, à data de ontem, apesar de remodelação ser uma palavra que se ouve com mais insistência no PS. O BE, pela voz do líder parlamentar, Pedro Filipe Soares, insiste que o furto em Tancos "foi gravíssimo e não pode ser normalizado".

A polícia suspeita que o assalto em Tancos foi encomendado e que armas já estão fora do país, enquanto a NATO também investiga, como confirmou ontem o MNE. A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, também foi apanhada na polémica. Constança nega que tenha dado ao homólogo espanhol informações sobre a suposta rede que assaltou Tancos na última quarta-feira.

O assalto de Tancos marca o noticiário dos jornais esta manhã. Em manchete, o diário i diz que "PS já admite que Costa avance para remodelação". O Jornal de Notícias conta que "Militares de serviço aos paióis de Tancos com armas sem munições", pelo que DN dizque a solução estudada será a "Segurança nos paióis regressar aos anos 1980" enquanto o Correio da Manhã diz que há "Pressão mundial com roubo de Tancos".

Ainda uma nota para o artigo de opinião, no Público, do deputado socialista Ascenso Simões, que alerta para o perigo de segurança a que a própria Assembleia da República está sujeita.

Morreu Medina Carreira, ex-ministro das Finanças, uma voz incómoda, muitas vezes apocalítica, mas um exemplo de disciplina financeira. A Renascença recorda 10 frases marcantes na sua carreira.

O relatório preliminar da comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos critica a recapitalização, “pelos mínimos”, de 2012, e conclui que não houve pressão da tutela em operações creditícias da Caixa. Hoje, o relator, o deputado socialista Carlos Pereira, apresenta as conclusões em conferência de imprensa no Parlamento.

O presidente do Banco de Fomento demitiu-se, avança o jornal online Eco.

A Associação Sindical dos Juízes Portugueses desistiu de negociar com a ministra da Justiça. Numa carta aberta ao primeiro-ministro, garante que o impacto financeiro das exigências que fazem é “tão pequeno” que chega a ser “ofensivo” o argumento de que “não há dinheiro”.

A greve dos enfermeiros vai prolongar-se nos próximos dias. Ontem houve blocos de partos sem funcionar.

O Público  conta da proposta de alargamento da ADSE: os novos beneficiários terão período de carência de 90 dias.

Pelo menos dez pessoas ficaram feridas nos incêndios de ontem em Abrantes e Tomar. Três são bombeiros e seis são sapadores florestais. E já se sabe, de acordo com relatório da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, que os fogos de Pedrógão causaram um prejuízo de 497 milhões de euros.

O verão ainda agora começou e o armazenamento de águadesceu em 10 bacias hidrográficas.

A Gás Natural estuda propor uma fusão com a EDP, o que a acontecer criaria um gigante ibérico avaliado em 35 mil milhões de euros.

O ex-ministro da Economia, Manuel Pinho, foi constituído arguido, é o oitavo, na investigação às rendas da EDP, sendo que o seu advogado já pediu a nulidade deste ato.

A ativista multada por pedir demissão de Passos Coelho em plena Assembleia da República perdeu o recurso e vai mesmo ter que pagar 1440 euros.

LÁ FORA

Durante esta madrugada, a Coreia do Norte lançou um novo míssil. E Trump já reagiu.

Nos EUA, soube-se agora pela CNN que a Casa Branca paga às mulheres menos 20% do que paga aos homens, uma diferença salarial que é superior à diferença média nacional.

Arranca hoje em Singapura a conferência anual da Interpol, que vai discutir o lado negro da internet e as ameaças dos piratas informáticos.

Na Alemanha, um acidente entre o autocarro de turismo e um camião fez 18 mortos. O autocarro ardeu.

Em Lisboa, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que “Portugal tem sido impecável na expressão dessa solidariedade”. Sobre relação com Trump, respondeu: "Não está a ser mais difícil do que o previsto".

O dono da cadeia hoteleira Fénix foi detido no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, quando tentava embarcar para Portugal. Trata-se de mais um empresário envolvido no caso Lava Jato.

Por cá, no mundo do futebol, Bruno de Carvalho quer que o Governo diga “Basta!”. Em entrevista à Bloomberg, o presidente do Sporting argumenta que o mercado de transferências está viciado, sofrendo de males endémicos, como o suborno ou a fraude.

João Sousa, o tenista português, 62.º do ranking mundial de ténis, foi eliminado esta segunda-feira pelo alemão Dustin Brown, 97.º da hierarquia, na ronda inaugural do torneio de Wimbledon.

Woody Allen volta hoje a Portugal para dar um concerto de jazz no Coliseu de Lisboa. Foi em 2005 a última vez que o cineasta norte-americano atuou em Lisboa com a New Orleans Jazz Band no Centro Cultural de Belém.

FRASES

“Quando o primeiro-ministro não se encontra é substituído pelo ministro dos Negócios Estrangeiros e tenho tratado com ele tudo o que é preciso tratar em termos de Estado. Mais complicado seria se o Presidente da República estivesse em férias, porque aí há certo tipo de decisões que não podem ser tomadas na sua ausência”
Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, sobre as férias de António Costa

"O Estado português está entregue aos bichos?"
João Miguel Tavares, colunista

“Nenhuma situação se resume a demissões, essa é a forma fácil dos partidos que não têm qualquer alternativa para apresentar”
Carlos César, líder parlamentar do PS

"Manuel Pinho merecia ser tratado com respeito. Não lhe foi feita nenhuma pergunta. É absolutamente inaceitável”

Ricardo Sá Fernandes, advogado

O QUE ANDO A LER

"Quatro homens, um Volkswagen carocha e uma chave copiada com recurso a uma barra de sabão. Os explosivos iam escondidos por baixo de caixas de fruta". Assim começa o trabalho multimédia "Um tiro na asa da ditadura" que o José Pedro Castanheira publicou no Expresso há um ano precisamente sobre Tancos, a mesma base militar de onde foi agora furtado material militar. Estávamos em 1971 e nessa altura uma operação da Ação Revolucionária Armada (ARA) destruiu em poucos minutos 17 helicópteros e 11 aviões. O plano "Águia Real" ficou conhecido como a ação de sabotagem mais espetacular da ditadura. Lembrei-me desse ataque agora quando Tancos se tornou manchete nos noticiários. Era um outro país, a viver em ditadura, e o ataque reivindicado visava, como veio a ser assumido em comunicado, destruir toda a frota do "maior complexo militar que a partir de Portugal alimenta a vergonhosa guerra colonial que os fascistas e colonialistas portugueses conduzem".

Raimundo Narciso, um dos operacionais, conta no livro "ARA - a história secreta do braço armado do PCP" como foi preparado o golpe e a facilidade com que entraram nas instações militares: "O sargento reparou no autocolante com o emblema da base aérea da Ota que colámos bem visível no pára-brisas e acreditou. Não lhe pareceu necessário pedir identificações. E muito menos lhe passou pela cabeça revistar o carro, zelo que, aliás, não era habitual".

Hoje fico por aqui. Tenha uma boa terça-feira e uma boa semana! Continue bem informado com o Expressoonline, com o Expresso Diário às 18h e com a Tribuna, o site dedicado ao desporto. Até já!

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