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terça-feira, 17 de outubro de 2017

IRRACIONALIDADE HUMANA!



 Martinho Júnior | Luanda  

... “Una importante especie biológica está en riesgo de desaparecer por la rápida y progresiva liquidación de sus condiciones naturales de vida: el hombre.

Ahora tomamos conciencia de este problema cuando casi es tarde para impedirlo”…

… “Cesen los egoísmos, cesen los hegemonismos, cesen la insensibilidad, la irresponsabilidad y el engaño.
Mañana será demasiado tarde para hacer lo que debimos haber hecho hace mucho tiempo”.


1- Por incrível que possa parecer a um extraterrestre recém-chegado à Terra, ainda que sábio conhecedor das infinitas linguagens da nossa Torre de Babel, o homem está hoje em unidade, com os sentidos em uníssono nas coisas que ao espaço dizem respeito em pleno século XXI, mas dilacera-se à superfície, na agónica atmosfera, como nas profundezas do subsolo, como se estivesse no século XII, ou XIII, ali onde se sente feudalmente sugado até à morte…

Será um efeito da gravidade do misterioso planeta azul que é sua casa comum?…

Mesmo que o extraterrestre conseguisse decifrar todas as linguagens e gestos humanos, ser-lhe-ia indecifrável esse comportamento do homem com os pés no chão e consciência no espaço, mesmo que percebesse muito de psicologia, de sociologia, da antropologia, de história, de economia, de finanças e até do homem voltado para a fascinação exterior…

A Terra assemelha-se de facto, com essa humanidade, neste ano da graça cristã de 2017, a uma azotada nave de loucos!...
2- Há uma dialética entre o que é da civilização e o que é da barbárie inerente à morfologia e complexa textura humana, que mesmo em pleno século XXI se torna indecifrável, quando sem fronteiras está no espaço e desamparado inventa alucinado tantas fronteiras e muros, a ponto de perder o próprio pé na Terra, numa exposição capaz de corroer intestinamente qualquer extraterrestre e moer-lhe a paciência até ao infinito!

A coisa é de tal maneira grave para o homem de pés no chão, que uma votação abrangente (122 países dispostos a assinar) a favor dum Tratado de Proibição de Armas Nucleares na Assembleia Geral da ONU, foi sacudida com a oposição da NATO (imposta por tabela a todos os vassalos dos Estados Unidos dentro dessa organização, incluindo os de “brandos costumes”), contra a iniciativa, i que não deixa de ser sintomático depois do veto de Trump ao Acordo climático de Paris!

Consta que o homem sem fronteiras e sem qualquer problema de linguagem no espaço, em breve pode estar na Lua, ou em Vénus, ou em Marte, continuando a saga dos primeiros passos no sistema solar e perscrutando o universo a partir de outras gravidades, de outros ângulos, de outras paragens, de outros módulos!...

…Mas no chão da Terra, onde a gravidade terráquea deveria propiciar o melhor dos equilíbrios, há cada vez mais tensões, conflitos e guerras, cada vez mais ambientes degradados, cada vez mais alienadas religiões e caos e terrorismo e fome e desamparo e miséria e muros… sempre os muros!...

Para os “deuses da loucura” como Trump, até os furacões dão uma ajuda: é só constatar a obstinada crueza de suas declarações em Porto Rico!

60 anos depois do lançamento do Sputnik, a mentalidade humana está ainda agrilhoada a um passado remoto, à barbárie, em todos os seus ciclos de vivência, desde o seu berço à sua morte, mesmo que pelo caminho não haja equívoco algum, como se um atavismo molecular intransponível o estivesse a prender definitivamente à irracionalidade… e a civilização fosse algo que apenas tivesse a ver com a consciência no espaço e… sem pés na Terra!...

Martinho Júnior - Luanda, 6 de Outubro de 2017

Fotos:
1 - Imagem-testemunho dos episódios da fome na Terra
2 - Lançamento do Sputnik, o primeiro satélite artificial, há 60 anos

A LENDA DO SPUTNIK!

Há 60 anos o Sputnik voou em órbita e transformou-se no primeiro satélite do espaço. Seguiu-se a cadela Laika, Yuri Gagarin e Alexei Leonov – uma lista de lendas espaciais soviéticas, que deixaram um legado que ainda continua.

Tudo começa no museu privado da RSC Energia, a empresa pública russa que construiu o primeiro satélite do mundo: o Sputnik-1. Neste espaço, que guarda tesouros de Moscovo, entre sondas espaciais pioneiras está uma das peças do Sputnik, construída em 1957.

O nosso guia é o cosmonauta (e herói da Federação Russa) Alexander Kaléry. Relembra como o primeiro satélite foi projetado para ser simples e eficaz:

“Após os primeiros lançamentos bem sucedidos do R7 foi-me sugerido o lançamento de um Sputnik, o mais simples possível. O que significava que não não era suposto que tivesse nenhum equipamento científico, apenas baterias, um sistema de regulação térmica e um módulo de transmissão”.

O Sputnik foi lançado a 4 de outubro de 1957.

Simples e eficaz – transmitiu um sinal único da Rússia para o mundo. “Acredito que foi muito importante emocionalmente, para todo o povo soviético. Já que foi um avanço sério, a prova do progresso tecnológico e a prova do sucesso dos programas que estavam em andamento – liderados por Sergey Korolev e outros cientistas. No total, conseguiram criar uma indústria espacial que é líder mundial em muitas áreas”, diz o diretor geral da Roscosmos, Igor Komarov.

Há 60 anos, a notícia espalhou-se à velocidade da luz. Segundo Roger-Maurice Bonnet, antigo diretor científico da ESA: “Foi um evento importante, foi o início da conquista do espaço por parte dos soviéticos – que ninguém esperava. Estávamos à espera que fossem os americanos, é claro. Eles vieram mais tarde, mas foi o pânico nas capitais do oeste, ao saber que os russos, os soviéticos, eram capazes de fazer tal coisa.”

O historiador de ciência e tecnologia John Krige explica: “O Sputnik foi extremamente importante porque lançou a corrida espacial com os Estados Unidos – entre os Estados Unidos e a União Soviética. Muitas vezes, as pessoas compreendem mal a sua importância e pensam tratar-se de um satélite, mas a principal ameaça do Sputnik foi o míssil que o colocou no espaço. Foi um míssil balístico intercontinental que a União Soviética havia desenvolvido, testado no mês anterior pela primeira vez e, pela primeira vez na história, os Estados Unidos sentiram-se ameaçados”.

Com a corrida espacial em andamento, Sergei Korolev e os seus engenheiros avançaram rapidamente. Menos de um mês depois do Sputnik-1 lançaram o Sputnik-2, com a cadela Laika a bordo. Tornou-se no primeiro ser vivo no espaço – embora tenha morrido devido ao sobreaquecimento no início do vôo.

Os veteranos como recordam o momento: “Sergei Pavlovich Korolev estabeleceu a tarefa de criar uma nave espacial tripulada com o satélite Vostok, que foi utilisado para lançar o primeiro Sputnik. Foi lançado um estudo sobre o recrutamento da tripulação da nave espacial entre os pilotos de testes de aviões de combate. Em 1959 já estávamos no primeiro grupo de testes”.

“O governo lançou o programa da futura exploração do espaço. Neste documento, mencionou estações automáticas a voar até à Lua, voos para Marte e Vénus, mencionou o envio de seres humanos para o espaço, falou sobre o homem a colocar os pés em Marte, Vénus e na Lua e a construir estações nesses locais. Não se esqueça do facto que estávamos em dezembro de 1959!”, adianta Alexander Kalery.

O primeiro homem no espaço, a primeira mulher no espaço, os primeiros passos no espaço, a primeira nave espacial na lua, a primeira nave espacial em Vénus e o primeiro pouso em Marte – assim começou uma verdadeira epopeia para a Rússia. No entanto, com os desembarques na lua, por parte dos EUA, em 1969, a corrida espacial que o Sputnik deu início terminou. O legado do Sputnik continua: o cosmódromo de Baikonur, de onde foi lançado, ainda serve os astronautas que partem para a Estação Espacial Internacional.

Hoje em dia, trata-se de uma estreita colaboração com a ESA e com a NASA e não de concorrência, como diz Igor Komarov: “Agora, acredito que estar em primeiro lugar não é tão importante. O que importa é o que pretendemos fazer com os nossos parceiros. Falo das explorações inovadoras realmente importantes. Entre elas está a ExoMars; a segunda etapa com lançamento em 2020 – e agora estamos na fase de preparação. Também falo das explorações na Lua que nos vão aproximar da exploração do ambiente lunar para o estabelecimento de uma estação habitável na Lua, que pode ser visitada”.

Semelhantes missões na Lua e Marte teriam certamente agradado os engenheiros e cientistas do Sputnik, cuja visão, energia e ambição ainda estão presentes – 60 anos depois.


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