quinta-feira, 15 de março de 2018

Brasil | VEREADORA MARIELLE, CRITICAR VIOLÊNCIA DA POLÍCIA DÁ MORTE

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Freixo define a morte de Marielle como mais uma execução sumária

Presidenciável do PSOL afirma que assassinato de Marielle Franco tem ‘características nítidas’ de execução sumária. A morte da parlamentar gera comoção em nível internacional.

Pré-candidato do PSOL à Presidência, Guilherme Boulos, líder do MTST, destacou a correlação entre o assassinato da vereadora Marielle Franco e as recentes denúncias que ela vinha fazendo:

— Difícil acreditar que a execução a sangue frio de Marielle e do motorista Anderson Gomes seja mera coincidência após as denúncias que ela vinha fazendo sobre a violência policial no Rio. Lutaremos por justiça até o fim. Marielle, honraremos sua caminhada!

Execução sumária

Freixo afirmou, ainda, que o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) “características nítidas” de execução, embora nem amigos nem parentes tinham informações de que Marielle estivesse sofrendo ameaças.

O parlamentar é mais uma voz que exige a elucidação do caso.

— É completamente inadmissível. Uma pessoa cheia de vida, cheia de gás, uma pessoa fundamental para o Rio de Janeiro, brutalmente assassinada. É um crime contra a democracia, contra todos nós, não podemos deixar que isso se naturalize — afirmou.

Sessão solene

Na Câmara, com girassóis em punho e uma faixa preta em sinal de luto, parlamentares de diversos partidos homenagearam à vereadora Marielle Franco e o motorista dela Anderson Gomes. Eles foram assassinados na noite de quarta-feira no Centro do Rio de Janeiro.

Conduzida pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a sessão foi iniciada com um pronunciamento da deputada Luiza Erundina (PSOL-SP), prestando solidariedade às famílias. Ela disse estar indignada “face a mais um crime hediondo contra uma mulher negra, do povo, uma ativista dos direitos humanos”.

— Cada uma de nós, sobretudo nós mulheres, nos sentimos morrendo um pouco. Não vão conseguir calar a voz da Marielle, que vai ser reproduzida por milhões. Estamos muito magoados, não vamos desistir da luta, não vamos permitir que essa luta pelos direitos humanos e pela democracia seja calada — afirmou.

Execução

Emocionada, Erundina também pediu que um vídeo onde Marielle fala da sua trajetória fosse exibido. Nele, a vereadora destaca sua luta; iniciada no ano 2000, na Favela da Maré, no Rio de Janeiro, por mais cultura e educação, e em defesa dos negros e pobres.

O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), se referiu ao crime como una execução. Ele pediu empenho para que os culpados sejam presos. Ao final da sessão Rodrigo Maia anunciou que vai criar a comissão externa para acompanhar a investigação do crime.

Nas Nações Unidas

A Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil manifestou, nesta quinta-feira; consternação com o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro e defensora dos direitos humanos Marielle Franco (PSOL), de 38 anos. Em nota, a ONU diz que espera rigor na investigação do caso e breve elucidação, com responsabilização pela autoria do crime.

“Quinta vereadora mais votada nas eleições municipais de 2016, Marielle era um dos marcos da renovação da participação política das mulheres, diferenciando-se pelo caráter progressista em assuntos sociais no contexto da responsabilidade do Poder Legislativo local”, afirma a organização na nota.

A parlamentar foi eleita com mais de 46 mil votos. Em sua plataforma, defendia o enfrentamento ao racismo, às desigualdades de gênero e à violência nas periferias e favelas.

Homenagens

Marielle saia de evento da agenda de 21 dias de ativismo contra o racismo; em função do Dia Internacional contra a Discriminação Racial. A date será lembrado na próxima quarta-feira.

O corpo foi velado na Câmara de Vereadores, onde a parlamentar recebe as homenagens póstumas. Marielle era presidente da Comissão da Mulher na casa. Tinha acabado de assumir a relatoria da comissão parlamentar que acompanhará a Intervenção Federal na Segurança Pública.

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