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domingo, 23 de julho de 2017

Mari Alkatiri primeiro-ministro | TIMORENSES ELEGEM FRETILIN COM MAIORIA SIMPLES




1º FRETILIN | 2º CNRT | 3º PLP | 4º PD | 5º KUNTO – elegem deputados

Está em fase provisória o apuramento de resultados eleitorais em Timor-Leste que ontem se realizou, no entanto já é certo que a FRETILIN venceu as eleições legislativas ou parlamentares - como é mais corrente enunciarem em Timor-Leste. Os resultados provisórios, superiores a 90% do apuramento, dão a vitória por mais de 30% à FRETILIN e menos quase 3 pontos percentuais ao CNRT de Xanana Gusmão. A situação inverteu-se relativamente às eleições anteriores (2012). É expectável que a aliança tácita entre aqueles dois principais partidos continue e assim formem governo com elementos dos seus partidos políticos.

Em terceiro mais votado está o partido do ex-presidente da República, Taur Matan Ruak, PLP, recém-formado com o propósito de derrubar a homogenia em curso da FRETILIN e do CNRT. Podemos dizer que a Taur muito pouco faltou para ter saído o grande derrotado. De qualquer modo é notória a pobreza do resultado obtido (10%).

Mas o grande derrotado foi o PD, que foi quase sempre governo em aliança com o CNRT. O PD nem chegará aos 10% segundo as previsões baseadas no fraco resultado obtido. Para isso cremos que contribuiu significativamente o eleitorado que lhe fugiu para o PLP de Taur e para o CNRT de Xanana, para além de franjas de eleitores para os pequenos partidos. Talvez também o KUNTO tenha beneficiado das perdas do PD, assim como beneficiou da derrota da Frente Mudança. Essas são contas de outro rosário que futuramente poderemos analisar com maior exatidão.

A confirmarem-se os números provisórios, nesta eleições aconteceram duas surpresas. O partido KUNTO, até agora sempre fora de eleger deputados, consegue obter a 5ª posição mais votada, com cerca de 6%. Isso em detrimento do partido (Frente-Mudança) de José Luís Guterres - um dissidente da FRETILIN - que ocupava sempre um lugar no parlamento em aliança estratégica que fizera com Xanana Gusmão nos tempos em que era objetivo de Xanana enfraquecer a FRETILIN, o que foi conseguindo por via do golpe de estado em 2005/2006. Quanto ao Frente Mudança, de Guterres, não acontecerá legibilidade por ser necessário atingir pelo menos 4% dos votos - antes eram só necessários 3% - e os resultados conseguidos por aquele partido estão longe disso.

Seguidamente, numa prosa elaborada pelo jornalista-residente da Lusa, António Sampaio, apresentamos o que até hoje foi apurado dos resultados eleitorais até à última divulgação (Timor-Leste dista mais 8 horas no fuso horário). Isso e mais algumas considerações úteis ao conhecimento proporcionado pelo referido jornalista - que até sabe tétum na ponta da língua, da caneta e do teclado. Efeitos da água de côco que tem bebido - alegação a propósito de quem por lá começa a ficar também timorense para além da sua nacionalidade de origem. Salvé!

MM | PG

Alkatiri promete diálogo com Xanana, abre braços a restantes líderes

António Sampaio (Texto e Vídeo), Nuno Veiga (Fotos), da Agência Lusa

Díli, 23 jul (Lusa) - O secretário-geral da Fretilin agradeceu hoje a "grande responsabilidade" que o eleitorado timorense depositou no seu partido, o mais votado nas legislativas de sábado, comprometendo-se a dialogar com Xanana Gusmão e com quem queira apoiar o desenvolvimento do país.

"Tudo faremos para abraçar todos mas vamos continuar a trabalhar com Xanana Gusmão, essa figura incontornável desse país, no sentido de responder a esta mensagem clara do nosso povo", afirmou Mari Alkatiri, num discurso na sede da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) em Díli.

Na primeira declaração de um líder partidário depois das eleições de sábado - e quando a Fretilin lidera a contagem dos votos - Alkatiri disse que houve "uma luta renhida entre os dois grandes partidos" mas recordou que a Fretilin e o Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT) de Xanana Gusmão "são partidos aliados".

Agora, contados os votos, "o povo transmitiu uma mensagem clara, de que quer que se continue a consolidar a paz e a estabilidade e que se continue com o programa de desenvolvimento para tirar o povo dessa situação de pobreza".

Quando estão contados 88,14% dos votos, a Fretilin lidera com 30,35% dos votos, à frente do CNRT com 27,88% dos votos, devendo ainda entrar no Parlamento Nacional deputados do Partido Democrático (PD), do Partido Libertação Popular (PLP) e do Khunto.

Questionado pela Lusa se a abertura ao diálogo se limita a Xanana Gusmão ou se aceita falar com os restantes partidos, incluindo o PLP do ex-Presidente Taur Matan Ruak, o secretário-geral da Fretilin disse que todos são bem vindos.

"Agora a campanha acabou. Não existem adversários, existem só compatriotas que quiserem trabalhar juntos", disse, à Lusa numa conversa na sede do partido onde hoje dirigentes e apoiantes estão concentrados desde o fecho das urnas no sábado.

"Estar de braços abertos para incluir todos no processo de governação e de construção do país não significa que todos devem entrar para o governo. Por mim o Governo mais eficaz é sempre um governo pequeno", disse.

Questionado pela Lusa sobre se vai ou não ser primeiro ministro, Alkatiri disse que já solicitou ao secretário-geral adjunto do partido, José Reis, a marcação de uma reunião do Comité Central da Fretilin (CCF) a quem caberá tomar a decisão, dando-lhe a liberdade de escolher se aceita ou não liderar o executivo.

Mais do que uma declaração de vitória o discurso de Mari Alkatiri, em tétum e português, foi um convite "de braços abertos" ás restantes forças políticas que, disse, queiram juntar-se ao projeto de desenvolvimento do país.

Rodeado por centenas de dirigentes e apoiantes do partido, que depois o saudaram num misto de celebração e emoção - muitos choraram num momento que para a Fretilin marcar o regresso ao controlo do Governo, 10 anos depois - Alkatiri agradeceu a "maturidade" do povo timorense.

"Estas responsabilidade que o povo agora nos entrega será tratada com o maior sentido de responsabilidade. Por isso obrigado a todos", disse, explicando que em breve conversará com Xanana Gusmão com quem espera, no momento oportuno, fazer uma conferência de imprensa conjunta.

Alkatiri disse que o voto do eleitorado na Fretilin é um sinal do que o partido fez na campanha mas é também uma declaração de apoio "aos que trabalharam muito para garantir a estabilidade e a paz em Timor-Leste" e para "permitir o desenvolvimento do país".

"Tentámos convencer o povo e o povo ouviu-nos. O povo não deu a maioria absoluta a ninguém e temos que respeitar a vontade do povo", disse.

"Deu maioria simples à Fretilin, reconhecendo a capacidade, os valores e os princípios da Fretilin", disse ainda.

ASP // JPS | Foto ilustração em Google


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