sábado, 24 de setembro de 2011

Moçambique: CPLP DEVE REFLETIR SOBRE ENTRADA DE PAÍSES NÃO-LUSÓFONOS




RÁDIO ONU

Declaração foi feita pelo presidente moçambicano, Armando Guebuza, durante entrevista exclusiva à Rádio ONU.

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp, deve analisar, com profundidade, o pedido de adesão de nações que não falam o idioma.

A opinião é do presidente de Moçambique, Armando Guebuza.

Segundo ele, o interesse no bloco é positivo, mas a entrada de países não-lusófonos poderia representar uma mudança nos rumos da Cplp no que diz respeito à identidade do grupo. Os oito membros atuais da organização têm em comum a mesma língua, falada por 245 milhões de pessoas das Américas à Ásia.

Angola

Nesta entrevista exclusiva à Rádio ONU, Armando Guebuza lembrou que ao assumir a presidência rotativa da Cplp, no próximo ano, Moçambique deve dar continuidade ao trabalho que Angola está fazendo à frente da organização. E comentou o interesse de países que não falam português pela Cplp.

“O interesse dos vários países não há dúvidas de que é positivo. Mas se eles entram para uma organização de oito países e daí mais oito de fora, então o problema é termos que saber: será isto que nós queremos? No sentido de que iludirá a nossa identidade nesse mesmo processo. Nós temos que refletir sobre isso. Precisamos de muitas cabeças, infelizmente. Os povos da nossa organização pensam muito sobre aspectos relacionados à isso, mas o certo é que temos que pensar”, afirmou.

Acordo Ortográfico

Ao comentar a identidade lusófona que une os países da Cplp, Guebuza citou o Acordo Ortográfico, que já foi implementado pelo Brasil, e em parte por Portugal. Ele disse que Moçambique está estudando a implementação do tratado. Mas segundo ele, este é um tema que talvez não diga respeito aos  países que não falam o idioma, mas que se interessam pela Cplp.

“Esses países que pretendem entrar, que interesse terão no acordo ortográfico? Talvez tenham, talvez não. Ou melhor, talvez alguns especialistas na área possam ter. Mas isso é um problema que mexe com todos os países da CPLP. Se vierem os outros, estarão interessados? Será igualmente importante? Veremos. Portanto, aquilo que eu diria essencialmente é: é bom que haja interesse de fora para entrarem para a CPLP. Mostra que a nossa organização é muito importante para eles também. Mas não sei se será igualmente bom que esses outros entrem para a nossa organização, sem por em causa alguns elementos fundamentais que nos unem”, disse.

Segundo a Cplp, entre os países que estão interessados em participar do bloco estão a Guiné-Equatorial, que já fez do português língua oficial da nação. Além da Guiné, Senegal, Ilhas Maurício, Ucrânia e Austrália manifestaram a vontade de acompanhar os trabalhos do grupo com status de observadores ou membros associados.

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