quarta-feira, 7 de setembro de 2011

SINAIS DE MAIS DESEMPREGO




MANUEL CARVALHO DA SILVA – JORNAL DE NOTÍCIAS, opinião

A generalidade das políticas que vão sendo seguidas tem como efeito mais comum e destacado o agravamento do desemprego, acompanhado da quebra da qualidade do emprego. É dramático sabermos que o aumento do desemprego, a diminuição da retribuição do trabalho e a sua desregulamentação, bem como a fragilização da protecção social associada à desvalorização do trabalho, são objectivos do neoliberalismo ou neoconservadorismo para provocarem um retrocesso social e civilizacional que faça baixar para patamares bem longínquos os direitos no trabalho, os direitos sociais e de cidadania e o esvaziamento da democracia.

Esta semana, reforçaram-se os sinais internos e europeus que nos mostram uma evolução macroeconómica muito negativa, e confirmou-se que não há qualquer estratégia política para inverter a actual situação. O nosso Governo faz de conta e continua - num exercício de masoquismo imposto ao povo português - a afirmar como boas as desastrosas receitas da União Europeia e do FMI. Não existe o mínimo esforço para buscar soluções alternativas, mesmo que em dimensões pontuais.

No país, o índice de clima económico diminuiu em Agosto. Foi anunciado, oficialmente, que Portugal perde 4% da riqueza nacional este ano e no próximo, mas a coisa pode ser ainda pior, quer pelo prosseguimento das políticas desastrosas do Governo, quer como resultado de descalabros maiores nas políticas europeias, pois já se sabe que "a Zona Euro vai crescer menos do que o esperado" e, p.e., estão confirmados os efeitos negativos dos aumentos das taxas de juros que o Banco Central Europeu aplica, ao mesmo tempo que se manifesta o pessimismo dos consumidores europeus.

A nossa indústria está perante um confirmado "trambolhão" com o índice de produção industrial a ter, em Julho, a variação homóloga mais negativa (-4,5%). O Governo não consegue dar sinais de motivação para a defesa e revalorização deste sector estratégico.

A meio da semana foi conhecido que as maiores empresas cotadas em bolsa subiram os lucros mas "cortaram 900 milhões no investimento". Alguém fica mais rico, ao mesmo tempo que a grande maioria das empresas tem pouca autonomia financeira e desaparecem inúmeras pequenas e micro-empresas, em resultado da falta de poder de compra dos portugueses e porque são insustentáveis os custos de contexto a que estão sujeitas.

O Ministro das Finanças, com uma frieza social e humana chocantes, veio anunciar-nos mais um plano desastroso. Para 2014 promete "prosperidade", "crescimento" e "criação de emprego", num cenário em que a incerteza é enorme. Para o imediato - o que é concreto - avança medidas de recessão, muito desemprego, privações de diversa ordem, diminuição das condições de saúde, de educação e de protecção social, mais precariedades, em particular para os jovens.

Os sacrifícios, que até agora o 1.º Ministro tinha jurado serem momentâneos, são apresentados como definitivos até 2013 (por agora!). Os impostos continuam a aumentar, sempre sobre os rendimentos do trabalho. A riqueza patrimonial, os dividendos e os resultados da especulação financeira, não são taxados.

Os cortes na despesa do Estado consubstanciam-se no aumento do desemprego e na redução dos salários dos trabalhadores e das pensões. Vamos ter muito menos professores a dar aulas (37.000 professores na maiorias jovens e bem qualificados a ficarem no desemprego), não porque se faz qualquer reestruturação séria no ensino, ou porque existiam professores a mais, mas tão só porque os recursos do Estado vão para o enriquecimento de alguns portugueses e estrangeiros e não há dinheiro para a Educação. O mesmo se passa na Saúde e noutras áreas.

As privatizações e os cortes na Administração Central e Local provocarão milhares de desempregados directos, levarão muitas pequenas empresas privadas ao desaparecimento e incentivarão o desemprego no sector privado.

Também esta semana foi aprovada, na AR, com os votos a favor do PSD e do CDS (abstenção do PS) a Lei que embaratece e facilita os despedimentos.

Tudo isto agrava o desemprego e faz baixar os salários e as condições sociais dos portugueses.

É preciso agir contra a corrente!

Sem comentários:

Mais lidas da semana