domingo, 2 de outubro de 2011

Timor-Leste: XANANA GUSMÃO, O DITADOR MEIA-TIJELA




ANTÓNIO VERÍSSIMO

Timor-Leste também é um caso sério. Por lá se perfila um candidato a ditador que cegou e ensurdeceu com o poder. É com penosa desilusão que aponto Xanana Gusmão. Como um mal nunca vem só, segundo o adágio, a dupla Xanana-Kirsty Sword Gusmão continua na senda de procurar minar o país em conformidade com os seus apetites e de onde consigam tirar mais vantagens. A prosseguirem nos poderes parece que tudo descambaria à imagem e semelhança de um ditador Marcus e de uma Imelda adaptados às máscaras horrendas deste século.

Felizmente para Gusmão que poucos são os jornalistas com personalidade bastante para não sentirem a arreata do dono. Por certo que o efeito arreata lhes perturba o raciocínio e os impede de cumprir a sua função principal: informar, ser veículo de esclarecimento.

Não fosse existir a certeza absoluta de que Xanana Gusmão e o seu governo concordaram em aprovar um projeto que pretende excluir a língua portuguesa do ensino básico timorense e aqueles a que esse conhecimento chegou julgariam ter tido um pesadelo ou estarem a enlouquecer. É que em Portugal, quando da recente visita do PM timorense, finda há dias, nem um único jornalista questionou Gusmão sobre o assunto. Nem o jornalista da TSF, Manuel Acácio, que lhe fez uma entrevista de 13:13 minutos, tocou no assunto. Fez, no entanto, um bom trabalho dentro das possibilidades, quer dizer: apesar do efeito arreata. Talvez tenha sido o único profissional de informação que destoou do nacional-carneirismo português a que consentiram ser votados os profissionais de informação em Portugal. Não só com Xanana Gusmão mas também com Eduardo dos Santos e com muitos outros. Todos os que convenham aos seus donos. Pena que esses profissionais não tenham um sindicato que adquira poderes bastantes para comprar umas facas com a finalidade de cortar as arreatas de uma vez por todas, para efeitos de aqueles que lhes compram o produto de seu trabalho (leitores, ouvintes e telespetadores) sejam devidamente informados e esclarecidos.

Voltando à entrevista – parece que a única existente durante a visita a Portugal - já que a entrevista a Maria Flor Pedroso, da Antena 1, não aparece na pesquisa, somente o seu anúncio – que o jornalista Manuel Acácio fez a Gusmão, deve-se salientar que a pertinência das perguntas esbarrou num ritual do entrevistado já conhecido desde o golpe de estado de 2006 em Timor-Leste. Ritual que tem vindo a aperfeiçoar-se até aos dias de hoje: a culpa é sempre dos outros. Não importa que Gusmão saiba que sabemos dos envolvimentos da Austrália no golpe de estado tão em sintonia com o PR de então, que era ele. Nem importa que existam manuscritos em que ele dava ordens expressas ao “revoltoso” major Reinado – que acabaria por ser executado em 11 de Fevereiro em Díli depois de “romper relações” com o “comandante” Xanana e de o ter acusado de ser o mentor do golpe de estado. Também não importa que exista no seu governo quem ganhe 100 e gaste 10.000. Sim, porque corrupção no seu governo AMP é coisa que não existe. São manobras difamatórias da oposição Fretilin. Essa sim, extremamente corrupta quando governou com orçamentos irrisórios. Onde estão os então ministros da Fretilin que exibem fortunas e casamentos de milhão de dólares, como o de sua filha Zenilda Gusmão ainda há meses? E os palácios desses ex-ministros onde estão? E os grandes bólides? E as garbosas ostentações de riqueza? Mas isso é possivel ver atualmente num quadro inserido ao tempo que Gusmão chefia o governo AMP. As referências a essa realidade são imensas e a ostentação exibida não permite dúvidas.

Sobre a entrevista quase mais nada se oferece dizer porque o entrevistado foi igual a si próprio e mais igual ainda seria se acaso o jornalista tivesse a sorte ou o azar de apanhar o PM embriagado (cito Ramos Horta) porque ele nessa condição sabe mesmo ser deselegante e nada o impediria de virar costas e ir embora ou meter o jornalista fora, porque nas circunstâncias parece que a montanha foi a Maomé Gusmão.

Nem a propósito, por virar costas, temos um caso deveras caricato e mostruário inconfundível da peça que é Gusmão. Este título desencadeou uma das maiores vagas de ânsia de conhecimento de que possa haver memória nos números astronómicos de leitores do Página Global. A iniquidade demonstrada por Gusmão levou muitos a isso, a quererem conhecê-lo melhor, a quererem desenganar-se. Curiosamente, uma vez mais, a atitude de ditador é de Gusmão… mas a culpa é sempre dos outros. Neste caso… do outro, melhor dizendo. Exatamente de Gaspar Sobral. Um discursante que mal começou a fazer soar a voz em assembleia presidida pelo PM Gusmão na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Para não faltar à exatidão, passo a transcrever o inicio da notícia da Lusa:

“Coimbra, 28 set (Lusa) -- O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, abandonou hoje à tarde um encontro com timorenses que estão a estudar em Portugal, poucos instantes depois do início da reunião, na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (UC).

Xanana Gusmão saiu da sala quando um timorense que vive "em Portugal há 30 anos", mestrando em Ciências Jurídicas naquela Faculdade, Gaspar da Costa Sobral, afirmou, no início da sua intervenção, que "os discursos de ocasião são muito bonitos", mas "o que é preciso é uma política de educação".

O primeiro-ministro de Timor-Leste levantou-se da mesa em que presidia à sessão, com a presença de cerca de uma centena de timorenses, dirigiu-se a Gaspar da Costa Sobral e, depois de lhe dizer que não estava ali "para ouvir políticas", saiu da sala, em passo acelerado.” O restante poderá ser lido AQUI.

A reação de Gusmão é incompreensível por nem dar oportunidade de o orador prolongar um pouco mais a sua intervenção e a assembleia se aperceber minimamente do conteúdo. Aliás, facilmente se presume que ninguém conhece o conteúdo, para além do autor. Como é possível que um PM em visita a um país abandone uma assembleia com estudantes do seu país sem um mínimo de lógica tolerável. Representou efetiva falta de educação e de respeito pelos presentes. Demonstrou a propensão ditatorial do pseudo democrata Xanana Gusmão, do pseudo humanista hipersensível que lacrimeja por tudo e por nada mas que ali demonstrou que se está borrifando para os seus conterrâneos, que longe do país buscam conhecimentos para contribuir para o seu próprio desenvolvimento e progresso - e do seu país por inerência, Timor-Leste.

Não merece o tempo e espaço pôr mais na escrita. Lamentavelmente o ditador mostrou mais uma vez a sua raça. Lamentavelmente, a comunicação social portuguesa faz questão de mostrar o Timor-Leste cor-de-rosa que convém ao regime xananista, em vez de ser imparcial e também falar da fome que assola certas regiões daquele país do sudeste asiático, da miséria onde não chega o desenvolvimento prometido, falado e refalado por Gusmão e pelos seus pares, nem dos milhões alegadamente gastos nesse desenvolvimento mas que não correspondem de forma alguma à obra feita. Que o sistema é altamente corrupto não restam dúvidas. Xanana Gusmão diz que não e dá a cambalhota para falar do governo anterior, que ele próprio derrubou num golpe de estado. Para ele é inútil dizerem-se verdades porque esbarram sempre no ritual já conhecido desde o golpe de estado de 2006 em Timor-Leste. Ritual que tem vindo a aperfeiçoar-se até aos dias de hoje: a culpa é sempre dos outros, ou os outros são sempre piores que ele. Ele, o ditador Meia-Tijela.

*Texto parcial de publicação integral intitulada "TRÊS TEXTOS SOBRE TRÊS PAÍSES E TRÊS TRASTES",  em Página Lusófona – blogue do autor – que aborda Portugal, Angola e Timor-Leste.

8 comentários:

Anónimo disse...

Sem qualquer outro interesse, para além do da mera divulgação, aqui posto o texto escrito por um dos Doutores presente no Doutoramento Honoris Causa de Xanana Gusmão:

"Foi há poucos dias, setecentos e vinte e um anos depois da sua fundação, que a Universidade de Coimbra recebeu como seu novo doutor honoris causa Xanana Gusmão. Honrou-se com a iniciativa a Faculdade de Letras, que assim o fez sentar nos cadeirais entre os seus doutores na velha Sala Grande dos Actos, correntemente chamada a Sala dos Capêlos.




Com júbilo e jubilado, também eu, devidamente integrado na minha Faculdade, a de Economia, com as suas cores bem marcadas nas insígnias doutorais , acompanhei, ao som da charamela e sob o repicar lento dos sinos da velha torre, o candidato e o seu padrinho, Eduardo Lourenço, no lento cortejo saído da Biblioteca Joanina para se dirigir ao longo do Pátio das Escolas para a Via Latina. Muitos timorenses, muitos turistas, muitos estudantes olharam-nos com a habitual curiosidade. O cortejo percorreu a Via Latina e entrou na Sala dos Capêlos. Os da frente foram abrindo alas para que os de trás fossem passando, até que entre nós passasse o Candidato e o seu Padrinho, o Magnífico Reitor e o Director da Faculdade de Letras.




O candidato formulou grave e brevemente a sua súplica com a tranquila leveza de quem sabe que vai ser atendido. Ouviram-se depois os doutores que atestaram com eloquência a qualidade do candidato e a credibilidade do padrinho. Como sempre sem um aplauso, já que na Sala Grande dos Actos todas as ovações são sempre substituídas pelos acordes enérgicos da charamela que aplaude com a sua música uma e outra vez o que se acaba de ouvir.




O candidato foi aceite. José Alexandre "Kay Rala Xanana" Gusmão era um novo doutor da nossa Universidade, honoris causa. Antes de ocupar o seu lugar nos cadeirais, junto dos seus pares da Faculdade de Letras, o novo Doutor veio cumprimentar, um por um, os doutores de todas as Faculdades: Letras, Medicina, Direito, Ciências e Tecnologia, Farmácia, Economia, Psicologia e Ciências do Desporto. A todos abraçou, ouvindo quase sempre breves palavras de boas-vindas. Quando chegou a minha vez, enquanto lhe dava o abraço esperado disse-lhe: " Bem-vindo ! É uma honra termos entre nós um guerrilheiro!" Pareceu-me perpassar pelo abraço que ia acabar, uma brisa de comoção.

Anónimo disse...

Continuação:

Mas foi realmente o que aconteceu. Mais do que o primeiro Presidente da República de Timor Leste, mais do que o seu actual chefe de governo, quem atravessou a manhã clara vindo da luz filtrada do Mondego e entrou, como em sua casa, no coração da Universidade, foi um guerrilheiro saído das fundas prisões da Indonésia, ocupante e opressora, transportando o sonho improvável de um pequeno país independente, de uma liberdade simples, de uma identidade inteira. Se na história realmente vivida, algum David desamparado enfrentou alguma vez um invencível Golias, esse David foi o povo de Timor Leste, quando se levantou contra a Indonésia. E entre os cavaleiros do impossível que deram o seu pequeno corpo e a sua única vida para que a grande alma do povo pudesse acontecer, conta-se sem qualquer dúvida Xanana Gusmão.




Por isso, enquanto a luz clara de sempre me procurava os olhos mais uma vez naquele sala, não pude deixar de ver como numa corrente de imagens aquilo que a saudade já designa como os loucos anos sessenta. Loucos seguramente, porque se um dia, por mais longíquo que ele seja, a vida for justa e livre para todos, essa loucura será respirada sem ansiedade. Vi-os realmente e foi como se os estudantes de Coimbra que então resistiram à sombra asfixiante do salazarismo, transformados numa nuvem de alegria, entrassem de novo na Sala dos Capelos para verem um guerrilheiro ser recebido em casa deles. Uma nuvem de alegria, porque eles sabem que um pouco do mérito de aqui se ter chegado lhes cabe a eles. O mundo não é o que sonharam, mas uma parte das sombras foi vencida.




Deixei então a memória vaguear levemente, através dos séculos de vida da nossa Univerisade. Olhei-a como se fosse um "puzzle", um enorme "puzzle", cujas peças vão sendo conhecidas à medida que o tempo passa. Nessa imagem imensa, vemos zonas sombrias e zonas luminosas. E é como se as noites mais lúgubres estimulassem a explosão das manhãs mais claras. As luzes da esperança que esforçadamente se acendem aqui e ali não se ignoram entre si. Quando há uma que se acende de novo, é como se todas as outras rejuvenescessem. Por isso, embora eu me tenha lembrado dos anos sessenta por terem sido também meus, sei bem que a chegada até nós de um guerrilheiro deu nova vida a todos os momentos de luz da história secular da nossa Universidade e enterrou um pouco mais na escuridão do olvido as manchas de pequenez e de vergonha."

Anónimo disse...

Mas, então, foi por causa daquilo que aqui está escrito no comentário em cima, e que era para dizer, que o senhor mal educado e ditador Xanana virou costas e se foi embora? Inacreditável!

Anónimo disse...

Excelente artigo de António Veríssimo, um dos poucos a quebrar o pacto de silêncio sobre factos graves ocorridos durante o consulado de Xanana. Esta ordinarice de virar costas aos estudantes e ao Reitor da UC foi apenas mais uma.

Anónimo disse...

Caro António Verissimo,

A atitude do Sr. António Gusmão não foi das mais bonitas, mas porque será que esse mestrando Gaspar da Costa Sobral em vez de estar a cagar tacos lá de longe, não vem desenvolver o seu país onde nasceu e que provávelmente tanto ama??
Chega de tantas pedradas, Timor Leste precisa dessa gente que caga tacos em Coimbra já vai para 30 anos, está na altura desse Sr. começar a trabalhar e ajudar a criar um Timor Leste melhor.
Como esse o Tacas tb faz falta em Timor, tenham coragem e venham para Timor, não se acobardem no meio das cidades grandes.
Depois de Timor ser um paraíso já não precisa do Tacas nem do Sobral.

Beijinhos da Querida Lucrécia

Anónimo disse...

Querida Lucrecia!
Se o Tacas e o Sobral deixarem de cagar tacos la em Portugal e ir para Timor caga-los, sera que o Xanas e o Longuinhos e todos os outros corruptos lhes limparao o anus com "soft toilet paper" ou lhe enfiaram uns balazios nas ventas! E que me da a impressao de que nao sao bem vindos a Timor quem realmente quer trabalhar!
Lucifer

Página Global disse...

Querida Lucrecia

Compreendo onde quer chegar mas como sabe os politicos estão sempre sujeitos a escutar críticas. Aproveitar as construtivas e ponderar das razões das outras. se sem razão pode ter sido por a mensagem não ter chegado bem. Se com verdade mas injustas só têm de voltar a explicar melhor a razão das políticas que estão a criticar de modo destrutivo ou sem nexo. Eu acho que deve ser assim. Como sabe não foi este o caso. Antes pelo contrário.
Nada importa se Gaspar Sobral está há 10 ou 50 anos em Portugal, importava ouvilo e se fosse caso rebater e esclarecer com verdade.
Tudo o resto é folclore. O principal foi a atitude inqualificavel de um PM perante uma assembleia e orgãos de comunicação social (que por acaso meteram água na fervura e não mais mexeram na atitude gravíssima). É que a visita era ofiicial, não era outra coisa. Xanana foi mal educado perante todos os presentes e consegue indignar até os ausentes. É atitude antidemocrática, de desprezo pelos semelhantes... Só pode vir de um ditador. Não vejo outra definição.
Vou longo. Eis o que penso. Acho que desta vez se distraiu com o superfluo e pouco se referiu ao essencial. Não é costume. Daí a sua importância quando intervêm. Fica para a próxima.
Muito obrigado.
Cumprimentos.

A. Veríssimo

Anónimo disse...

O HAKEREK HANESAN "HET FALI O NIA AMAZN LOS" ANTONIO LASAN TOLUN

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