terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Banco do filho de Eduardo dos Santos funciona como uma “Lavandaria” de dinheiro



Geopolítica

O dinheiro dos petróleos

A última vez que se discutiu sobre o emprego adequado das receitas das vendas de petróleo foi em 2004 por requerimento controverso duma pequena fracção da oposição, antes de ser aprovada uma nova “lei do petróleo”. Esse requerimento foi um insucesso, pois o partido governamental foi de opinião que não havia motivo algum para a alteração dos já aprovados moldes de distribuição das receitas.

Meses depois descobriu-se por acaso que Dos Santos e os seus conselheiros económicos elaboraram em segredo e fora dos debates parlamentares um conceito de um Sovereign Wealth Fund (SWF, Fundo de Riqueza Soberana), semelhante aos modelos da Rússia e dos reinos árabes.

Pelo menos no papel foi fundado um tal tipo de reserva monetária denominado Angola Reserve Fund for Oil (Fundo Angolano de Reserva das Receitas de Petróleo). Ocasião que foi aproveitada para dar mais umas calcadelas à legalidade, pois só depois de isso vir ao de cima é que o então ministro das Finanças, José Pedro Morais, deu conhecimento à imprensa internacional a existência desse fundo monetário e os membros do parlamento do seu partido tiveram autorização para discutir sobre esse assunto. O plano do governo era o de transformar os fundos de receitas das vendas de petróleo em investimentos empresariais ou investimentos em países considerados amigos do regime actual.

No ano de 2006, o governo fundou o Banco Angolano de Desenvolvimento, sustentado por receitas petrolíferas, mas sob o controlo da empresa petrolífera estatal Sonagol e não do parlamento. Mais uma calcadela! E somente no ano 2007 é que o conselho de ministro aprovou a lei de fundação da Angola Reserve Fund for Oil, para onde são depositadas as receitas monetárias que resultam das diferenças entre os preços de venda do petróleo angolano no Mercado internacional e do preço orçamentado no ano de 2007 no valor de 45 US$ por barril.

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Ainda faltam explicações pela parte dos governantes angolanos até hoje em dia onde fica a diferença do valor do preço não referenciado. “The last but not the least” … calcadela da lei angolana!

Não vamos aqui repetir as peripécias de levaram Zenú dos Santos a integrar o elenco directivo do Banco Quantum. Apenas queremos salientar uma vez mais que na sua origem se encontra uma companhia offshore suíça situada no Cantão Zug, o qual, diga-se de passagem, não serve só como “Offshore Jurisdiction” assim como Zurique, Tessin etc., mas também serve de plataforma para negócios e contrabando de petróleos.

A partir de Zug, uma cidade católica com apenas 100.000 habitantes, mas com mais de 27.000 bancos e empresas offshore, muitas delas só com caixas postais, são exercidos quase todos os negócios de matérias-primas, que ditam o Mercado mundial: petróleo, diamantes e outros minerais, produtos agrícolas, sementes, etc. Os conselhos de administração dessas “fundações” duvidosas fazem crer que por terem nos seus órgãos o filho do presidente de um dos países considerado dos mais corruptos do mundo, visam trabalhar nos processos e movimentos do sector público e acabar com a corrupção nos sectores público e privado, mas …também manter a sustentabilidade dos mesmos”!

Essa Quantum Global Wealth Management AG tinha a liderá-la, Jean-Claude Bastos de Morais, um amigo de adolescência de Zénu dos Santos, filho primogénito do PR, porém, até agora, mantém-se um segredo sobre o tipo de actividades que essa firma exerceu até à data actual. Em todo o caso sabe-se que Bastos fundou numa dada altura do ano de 2004 a companhia Quantum Capital S.A., uma empresa autónoma de direito angolano, que dispõe de bancos e serviços de investimentos em Angola em cooperação com parceiros internacionais...

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