sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Portugal tem que ter “coragem” para “despedir ´troika´”, diz Louçã


Os funcionários agiotas da Troika
Público

O coordenador nacional do Bloco de Esquerda (BE), Francisco Louçã, defendeu hoje que Portugal tem que “despedir a ´troika´”, que “é prejudicial à economia”, e acabar com a austeridade que aproxima o país de um segundo resgate financeiro.

Um segundo resgate financeiro, frisou, “não é inevitável”, mas, para o evitar, Portugal tem que “ter a enorme coragem e sensatez de despedir a ´troika´”.

“De dizer que a “troika” é prejudicial à economia, à democracia, ao respeito pelas pessoas, ao salário, às pensões. Temos que recuperar para nós, para a Europa, a capacidade de ter uma economia para as pessoas”, afirmou.

Francisco Louçã falava aos jornalistas em Elvas, à margem de uma sessão com estudantes na Escola Secundária D. Sancho II, subordinada ao tema “Os jovens e a política”.

Questionado pela Agência Lusa sobre o cenário de um segundo resgate financeiro, o líder do BE manifestou-se contra - “temos que nos opor a ele”, disse -, mas insistiu que tal implica “romper com a ´troika´” e “acabar com a austeridade”, passando a “dar prioridade àquilo que é prioritário”.

Aludindo aos mais recentes números apresentados pela Comissão Europeia, na quinta-feira, Francisco Louçã ironizou que o Governo PSD/CDS-PP “só tem que está satisfeito”.

“Quis desemprego, tem desemprego, quis austeridade, tem austeridade, quis recessão, tem recessão e, portanto, provocou a queda da economia portuguesa”, acusou.

Portugal, continuou, “está hoje mais próximo do abismo, do segundo resgate, de novas medidas gravosas” e essa situação é “o resultado inevitável, a consequência, de Passos Coelho e Paulo Portas a governarem para criarem desemprego”.

O que o executivo liderado por Passos Coelho deveria estar a fazer era “criar crédito, emprego, desenvolver a economia, melhorar a produção, substituir importações, desenvolver exportações, criar inovação”, contrapôs Louçã, a título de exemplo.

No fundo, segundo o líder bloquista, o Governo devia era “inventar uma economia para as pessoas, em vez de uma economia para a finança, para a especulação e para o despedimento”.

O país tem “1,2 milhões de desempregados”, lembrou, defendendo que essas pessoas deviam estar a trabalhar, porque é “isso que faz uma economia diferente”.

E “só essa economia é que tem futuro. Uma economia com tanto desemprego é uma economia que não tem alternativas e, portanto, cai no abismo da recessão. E é para esse abismo que estas políticas [de austeridade] nos levam”, afiançou.

“Portugal está a viver um gigantesco embuste, que é o embuste das políticas europeias”, alertou, assegurando que se caminha para a “desagregação” da economia nacional, o que faz o país ser “mais vulnerável” à “chantagem financeira que os credores têm vindo a impor”.

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