segunda-feira, 26 de março de 2012

Cavaco defende necessidade de "saber bem tudo" o que aconteceu no Chiado




Jornal de Notícias

O presidente da República lamentou esta segunda-feira "profundamente" que dois fotojornalistas tenham sido atingidos durante os "distúrbios" que ocorreram quinta-feira no Chiado, sublinhando ser importante que se "saiba bem tudo aquilo que aconteceu".

"Lamento profundamente que dois fotojornalistas tenham sido atingidos durante os distúrbios a que as forças de segurança tiveram que fazer face", afirmou o chefe de Estado, quando questionado durante uma conferência de imprensa com o seu homólogo sérvio sobre os confrontos no Chiado entre a polícia e pessoas ligadas à plataforma 15 de Outubro na passada quinta-feira.

Recordando que as autoridades competentes já determinaram a realização de um inquérito "para que tudo seja clarificado", Cavaco Silva defendeu a necessidade de saber tudo o que aconteceu.

"Penso que é importante que todos saibamos, que o povo português saiba bem tudo aquilo que aconteceu nos distúrbios que ocorreram no Chiado", declarou.

Na quinta-feira à tarde, em dia de greve geral convocada pela CGTP, a Polícia de Segurança Pública (PSP) e várias pessoas ligadas à plataforma 15 de Outubro envolveram-se em confrontos junto ao Largo do Chiado, em plena baixa lisboeta.

Depois de vários manifestantes terem arremessado objetos contra agentes e da esplanada do café A Brasileira ter sido praticamente destruída, a PSP reforçou a sua presença com elementos das Equipas de Intervenção Rápida (EIR) e do Corpo de Intervenção.

Durante os confrontos entre manifestantes e polícias, os fotojornalistas José Sena Goulão (da agência Lusa) e Patrícia de Melo Moreira (da France Presse), que se encontravam no local a fazer a cobertura do acontecimento, foram agredidos.

Entretanto, o Ministério da Administração Interna lamentou os incidentes com os jornalistas, adiantando que a Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) já abriu um processo de averiguações.

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Opinião Página Global

Perguntaram a Cavaco sobre os incidentes no Chiado protagonizados pela violência comprovada de elementos do nicho fascista da PSP (a saber se existem outros naquela corporação), e Cavaco disse, no mínimo, o que era de bom-tom, aquilo que os portugueses querem e precisam de ouvir por parte de um chefe de Estado. Repare-se que não foi de iniciativa de Cavaco abordar os selváticos acontecimentos e que se não o questionassem nada diria sobre aquilo que muitos de nós sabemos ser o tipo de violência policial  apanágio dos poderes em que Cavaco Silva está envolvido. Isso mesmo podemos comprovar à data em que foi pouco mais de uma década primeiro-ministro. Desse tempo saldam-se várias vítimas da violência policial daquele regime, como é notado por António Veríssimo no artigo O ESTADO POLICIAL DA NAÇÃO PASSOS-CAVAQUISTA, em Página Global.

Daí salda-se principalmente um jovem que ficou para o resto da vida “preso” a uma cadeira de rodas, atingido por bala policial, sendo que os causadores da sua desgraça certamente se passeiam por aí impunes. Era então primeiro-ministro Cavaco Silva e ministro das polícias o seu amigo (de honestidade dúbia) Dias Loureiro (de alcunha o intocável).

Diz-nos a experiência e as práticas de Cavaco Silva que ele é um homem denodadamente de uma certa direita opaca, tão opaca quanto ele o é. Em democracia devemos tolerá-lo. O que não devemos é calar as críticas que merece. Nem os portugueses se deviam deixar enganar e reelegê-lo para presidente da República, comprovado que está o desaire que representa para esta nossa República. Infelizmente parece que vamos ter Cavaco de pedra e cal por mais quatro anos neste regime repressivo de fachada democrática mas saudosista e praticante de métodos que só com ele e seus pares partidários têm sido usados em cópia quase fiel do salazarismo que os portugueses patriotas derrubaram em 25 de Abril de 1974.

Para se inteirar da bestialidade da violência exercida pela PSP Cavaco não precisa imediatamente do (dos?) inquérito (que sabemos não será credível) anunciado. Basta visionar alguns vídeos e fotografias e logo verá as bestas da PSP, deste seu regime, a guarda pretoriana, que soltaram naquele local de Lisboa agredindo de toda a maneira e feitio cidadãos de várias faixas etárias e géneros, muitos que pacatamente eram meros transeuntes e só depois mirones da selvajaria da PSP. Pessoas que simplesmente estavam encostadas às paredes ou até sentadas na esplanada de A Brasileira.

O truque, mais que conhecido, já estafado, sobre a afirmação “rigoroso inquérito” ou “necessidade de ‘saber bem tudo’ o que aconteceu no Chiado”, dito por Cavaco e parte de título desta matéria, já não colhe credibilidade. Cavaco que nos explique – ou solicite ao PGR que o faça – onde está e quais as conclusões a que chegaram no inquérito referente aos incidentes registados junto à Assembleia da República, na anterior greve geral, onde foi notório que agentes das polícias se infiltraram junto dos manifestantes e assumiram ações de agitadores, conforme é demonstrado em vídeos e fotografias. Quais os resultados desse inquérito? Publicamente nada sabemos e até é provavel que nem exista inquérito apesar de afirmarem (o PGR) que ia ser elaborado. Senhor Cavaco, senhores de Cavaco e Passos, parem de querer ressuscitar o salazarismo. Os contribuintes pagam para que exista uma Policia de Segurança Pública que não cause insegurança e saiba ser profissional dentro dos parâmetros constitucionais de obediência aos Direitos Humanos e não a violar todas essas normas. Portugal e os portugueses não o merecem. Povo algum do mundo o merece.

Como é dito por imensos portugueses, demita-se, senhor cavaco Silva… E leve consigo os seus apaniguados. Era um bom ato patriótico. Ao menos uma vez… (Redação PG - HS)


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