sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Corte de 30% no financiamento da Lusa vai implicar despedimentos de funcionários

 

Márcia Oliveira – i online
 
Renegociação do acordo entre o Estado e a empresa, rescisões amigáveis e cortes nos ordenados são cenários para a agência em 2013
 
Miguel Relvas confirmou à comissão de trabalhadores (CT) da Lusa, na terça-feira, a intenção do governo de cortar 30% no financiamento da empresa, que será de 10,8 milhões de euros. Além deste valor, a agência irá receber mais 700 mil devido à prestação de serviço à Presidência do Conselho de Ministros (PCM).
 
O ministro que tutela a Comunicação Social garantiu que com este montante a empresa podia pagar os salários e não fazer despedimentos. No entanto, o i sabe que Afonso Camões, presidente do conselho de administração da agência noticiosa, afirmou que com menos 30% é impossível não despedir ninguém. Acrescentando que se esta redução se confirmar terá de haver uma renegociação do acordo entre a empresa e o Estado, rescisões amigáveis e corte de salários.
 
Ao i, Afonso Camões não fez quaisquer comentários sobre o assunto, dizendo apenas que “vai esperar pelos números do Orçamento do Estado”, mas sublinha que “a empresa atingiu um patamar de sustentabilidade nos últimos anos. Depois de 19 anos de défices crónicos, atingiu um ponto de equilíbrio, que tem dado resultados e até já se distribuíram dividendos. Este ano atingimos resultados superiores até a 3 milhões de euros”, frisa.
 
Segundo o presidente do conselho de administração da agência, este valor foi conseguido “à custa de recessão de custos, de novos produtos e novos mercados”. “A Lusa conhece bem os problemas do país e estamos solidários com os esforços que estão a ser feitos em todos os sectores, e não nos queremos pôr fora disso. Agora é esperar pelo Orçamento do Estado”, refere.
 
Pré-aviso de greve Os trabalhadores da Lusa decidiram na terça-feira solicitar aos sindicatos “a emissão imediata de um pré-aviso de greve por tempo indeterminado”, numa reacção ao corte de 30% no financiamento do contrato-programa para 2013 assumido pelo ministro da tutela.
 
O contrato anterior previa um financiamento anual de 15 milhões de euros, e a administração da agência havia apresentado, no início do ano, um plano de reestruturação que previa uma redução de 15% no financiamento da Lusa, com a administração a garantir à CT que não haveria lugar a despedimentos.
 
Além do pré-aviso de greve, os trabalhadores da empresa convocaram para a próxima segunda-feira uma vigília, entre as 11h e as 18h, à porta da sede da agência, “convidando a comunicação social, nacional e estrangeira, a estar presente”. A comissão de trabalhadores vai também realizar um novo plenário de trabalhadores na terça-feira, “para fazer o ponto da situação e marcar datas da greve dos trabalhadores da Lusa”.
 

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