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domingo, 2 de dezembro de 2012

A LÓGICA COM SENTIDO DA VIDA – II

 

Martinho Júnior, Luanda
 
POR UMA PLANIFICAÇÃO INTEGRADA GEO-ESTRATÉGICA EM ANGOLA E NA SADC
 
Dez anos depois do calar das armas em Angola, a pedra-angular da luta de libertação contra o fascismo, o colonialismo e o “apartheid”, em plena azáfama de construção e reconstrução de estruturas e infra-estruturas, o país parece apresentar algumas dificuldades em acordar para a realidade: vive demasiado dos sonhos dos que chegam atraídos pelos imensos recursos e potencialidades, como o resultado de políticas neo liberais de cariz neo colonial, que têm vindo a escancarar as portas sem a suficiente filtragem inteligente que a garantia e o respeito pela história, pela independência e pela soberania merecem e sem ter em conta o desperdício de energia solidária que advém do movimento de libertação, agora quantas vezes, na sua substância original, alvo de marginalização, ou deliberado esquecimento.
 
Urge, em função dos recursos físico-geográficos estabelecer os parâmetros da economia, fora da lógica capitalista e com esse fundamento, estabelecer a arquitectura e a engenharia duma planificação integrada geo estratégica para o século XXI.
 
A planificação integrada geo estratégica leva em conta os relacionamentos geográficos, físico-ambientais e humanos na sua essência, promovendo a inteligência, o estudo e a investigação contínua, de forma a garantir a formulação de sustentabilidade e de viabilização a muito longo prazo.
 
A planificação integrada geo estratégica para todo o espaço nacional angolano, a economia real, com base nos recursos geográficos, físico-ambientais e humanos, tendo em conta os condicionalismos específicos e os seus limites, torna-se imperiosa desde logo pelo indispensável inventário dos recursos, a verdadeira descoberta científica do país pela inteligência nacional, pelas suas universidades, mas também pelo seu significado em benefício do renascimento africano:
 
- A necessidade de com uma via alternativa se pôr imediatamente de lado a insustentável via promovida pela lógica capitalista e consumista que tende a hipotecar as riquezas nacionais, obstrui o emprego de tecnologias limpas e distorce a possibilidade de planificação geo estratégica;
 
- A necessidade de se gerar sustentabilidade objectiva, desde a essência e fundamentos da planificação integrada geo estratégica;
 
- A necessidade de garantir sempre em benefício das novas gerações, o conhecimento adquirido e acumulado, bem como uma gestão inteligente através dos tempos dos limitados recursos existentes, transferindo para as possibilidades renováveis cada vez mais as capacidades energéticas instaladas;
 
- A necessidade de se criar a nível nacional uma cultura inteligente consolidada, capaz de promover em pé de igualdade e solidariedade uma integração regional que proteja não só os recursos limitados, mas capaz de conduzir todos os outros componentes do espaço SADC aos critérios e motivações alternativos, de forma a que seja a própria natureza a ser determinante nas acções conjuntas.
 
A lógica capitalista que antes havia facilitado o fascismo, o colonialismo e o “apartheid”, agora dá oportunidade a todo o tipo de estratégias elitistas em função duma “open society” só aproveitada pelo elitismo, pelos ricos, pelos poderosos e pela paciente acumulação de inteligência por eles conseguida desde os alvores da Revolução Industrial, guardando a sete chaves os “seus” segredos.
 
Essa lógica hoje comporta não só o lucro: nutre-se também da especulação, criminaliza-se por via dos tráficos, das contínuas tensões, dos conflitos e das guerras, criminaliza-se pela sua tendência de fuga aos impostos em desrespeito para com os estados e a sociedade, subverte o nacionalismo e a identidade nacional, introduzindo cada vez mais espaços para o carácter mercenário próprio dos “mercados”, aplicando ao poder de cada um deles as políticas neo liberais de sua estrita conveniência, de seu estrito interesse, propagandeando a cosmética, o embuste e a mentira, esbatendo o real quantas vezes alcançado pela persistente cultura da inteligência científica que “indexou” a si.
 
Na África Austral esse “terreno” tem sido uma constante desde os alvores da Revolução Industrial na África do Sul e se esteve na base da construção da União Sul Africana, esteve também na base do “apartheid” e desde o génio de Cecil John Rhodes que arregimenta a inteligência, para que as elites por si produzidas se mantenham dominantes por séculos e séculos, procurando impedir a lógica alternativa que fundamente uma economia de recursos inteligente, que permita uma planificação integrada geo estratégica, a lógica com sentido de vida!
 
Angola tem finalmente um Ministério inteiramente dedicado ao ambiente, um organismo que pode garantir o activismo dos conceitos alternativos em relação ao planeta e ao homem.
 
Por via desse Ministério está-se a dar prioridade aos Parques Nacionais Transfronteiriços por que eles socorrem as iniciativas de paz em vastas regiões que foram e eventualmente poderiam propiciar novas bases de desestabilização:
 
- Em Cabinda ganha novo fôlego a Iniciativa Maiombe, interconectada aos Parques Nacionais próximos na RDC e no Congo, com perspectivas de vir a integrar outros no Gabão e nos Camarões;
 
- Integrados na região do Okawango-Zambeze que aglutina a iniciativa comum de cinco países (Botswana, Namíbia, Zimbabwe, Zâmbia e Angola), foram agora criados os Parques Nacionais do Luengue-Mavinga e do Luiana.
 
Em qualquer dos casos há que valorizar a natureza associada à paz, desde que os processos elitistas fiquem circunscritos, o que é extremamente importante para a região crucial da África Central.
 
Na iniciativa Maiombe é a Noruega o principal doador, o que destaca esse país do complexo da NATO, na esteira aliás de outra iniciativa de paz que está em curso no outro lado do Atlântico, na Colômbia.
 
Necessário se torna que o Ministério do Ambiente possa assumir o essencial da planificação integrada duma geo estratégia promotor de desenvolvimento sustentável exemplar para África e o mundo, pois condições naturais e humanas não lhe faltam quer no espaço nacional, quer no espaço regional!
 
Os exemplos de Cuba, no que diz respeito às questões ambientais e de inteligência sobre a natureza disponível no espaço nacional e circundante, podem inspirar agora Angola a assumir responsabilidades particularmente sobre a sua rede hidrográfica, por que água é vida!
 
Resgatar a inteligência para as causas da lógica com sentido de vida, é lutar contra a mercantilização do homem e da natureza e por isso, a economia, nesses termos, é por si um garante consolidado de sustentabilidade!
 
Gravura: Mapa do espaço SADC em África.
 
Algumas consultas:
- SADC avalia integração económica numa perspectiva de longo prazo – http://jornaldeangola.sapo.ao/20/0/sadc_avalia_integracao_economica_numa_perspectiva_de_longo_prazo
- Sob a presidência angolana SADC definirá um novo roteiro – http://www.opais.net/pt/opais/?id=1551&det=22786
- SADC lança estratégia Visão de Longo Prazo – http://jornaldeangola.sapo.ao/20/0/sadc_lanca_estrategia_visao_de_longo_prazo
- Identificadas áreas no Cuando Cubango para trabalhos de prospecção ambiental – http://jornaldeangola.sapo.ao/18/0/identificadas_areas_no_kuando-kubango_para_trabalhos_de_prospeccao_ambiental
- Projecto transfronteiriço Okavango-Zambeze veio dar outra dimensão às antigas reservas de caça de Luiana e Luengue (Ambiente) – http://www.governo.gov.ao/VerNoticia.aspx?id=15830
- Declaração de Cabinda convida órgãos internacionais a apoiar manutenção da vida dos ecossistemas – http://www.minamb.gov.ao/VerNoticia.aspx?id=8186
 
 

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