segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Portugal: PCP denuncia estratégia “premeditada” para “destruir” Estaleiros de Viana




PYJ – JGJ – Lusa com foto Arménio Belo

O deputado comunista Honório Novo denunciou hoje existir uma estratégia "coletiva" e "premeditada" para "destruir" os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), mas insiste na necessidade de ser preparado um plano alternativo.

"Estamos perante um ato de premeditação coletiva no sentido de destruir esta empresa, através de um processo de reprivatização inqualificável ou por vias que não criam alternativas", afirmou o deputado do PCP, após uma visita aos ENVC.

Honório Novo reuniu-se com a administração da empresa e representantes dos 625 trabalhadores, encontro que teve o "objetivo" de "alertar a opinião pública para um verdadeiro ato de sabotagem económica" praticado sobre a empresa pública, que se encontra parada, apesar de ter um contrato de 128 milhões de euros por executar, há cerca de dois anos.

"Viemos aos estaleiros confirmar uma situação absolutamente escandalosa, de degradação empresarial que está a ocorrer de há dois ou três anos a esta parte e que se tem agravado nos últimos meses. É uma aposta irresponsável do Governo num processo de reprivatização que está a conduzir a uma situação insustentável", disse ainda.

A indefinição sobre o futuro dos estaleiros já levou os trabalhadores a convocarem uma manifestação pública para a próxima quarta-feira, em defesa da viabilização da empresa.

O protesto, o quarto do género em cerca de dois anos, decorrerá precisamente no mesmo dia em que o ministro da Defesa José Pedro Aguiar-Branco vai prestar esclarecimentos aos deputados, no parlamento, sobre a situação dos ENVC, precisamente sob proposta de Honório Novo.

"Há cada vez mais necessidade de gizar um plano alternativo ao da privatização que modernize a capacidade de resposta dos estaleiros", sublinhou ainda o deputado do PCP, a propósito da chamada do ministro ao parlamento.

Os ENVC estão em processo de reprivatização há mais de um ano, mas o negócio foi suspenso em dezembro devido à investigação lançada pela Comissão Europeia aos apoios estatais de 180 milhões de euros, atribuídos aos ENVC entre 2006 e 2010.

Estas dúvidas já levaram o grupo brasileiro Rio Nave a desistir do negócio, permanecendo na corrida à venda da empresa apenas os russos da RSI Trading.

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