segunda-feira, 15 de abril de 2013

FMI "errou" nas contas da dívida externa de Cabo Verde, diz ministra das Finanças




JSD – VM - Lusa

Cidade da Praia, 14 abr (Lusa) - A ministra das Finanças de Cabo Verde afirmou que o Fundo Monetário Internacional (FMI) "errou" ao escrever no seu relatório de novembro de 2012 que o rácio da dívida é de 97% do Produto Interno Bruto (PIB).

Reagindo à descida (de BB- para B+) de Cabo Verde no "rating" da agência de notação financeira Fitch, anunciada há cerca de uma semana, Cristina Duarte afirmou que o FMI reconheceu que o stock da dívida do país em relação ao PIB sobre os rácios de 2012 ronda os 83% e não os 97%.

Segundo Cristina Duarte, o FMI endereçou já uma comunicação à Diretora do Tesouro cabo-verdiano reconhecendo o engano.

"Alertámos que os dados do «stock» da dívida não estavam corretos, porque o rácio de 2012 não poderia estar em torno dos 96%/97 %. Houve uma troca de emails e, na sexta-feira, tivemos uma comunicação via e-mail, por parte do FMI, reconhecendo que se enganaram nos cálculos e repondo as informações que tínhamos fornecido", explicou, reafirmando que a dívida externa em 2012 estava em torno dos 83% do PIB.

Cristina Duarte garantiu que o Ministério das Finanças "esteve sempre ciente" que os dados estavam incorretos e assegurou que o FMI irá repor a informação recebida na próxima missão a Cabo Verde.

Já em relação à avaliação da Fitch, Cristina Duarte afirmou que a queda do "rating" está relacionada com o facto de a estratégia do endividamento do país ter sido feita, referencialmente, através de moeda estrangeira.

A ministra garante que o risco não foi alterado, embora o Outlook da Fitch tenha passado de "estável" para "negativo", descendo um patamar, o suficiente para que o arquipélago caia para o de "país altamente especulativo".

"Cabo Verde, até à data, praticou intencionalmente uma política de endividamento essencialmente em moeda estrangeira, e não em moeda local. Isto porque a comunidade internacional deu a grande possibilidade a Cabo verde de continuar a gozar de financiamento concessional, com juros baixos", afirmou.

"Dado o nosso regime cambial, o nosso endividamento não pode ultrapassar o intervalo de 20% a 25%, em termos brutos, do PIB. O nosso regime cambial privilegia o endividamento interno para financiar o programa de investimentos públicos", realçou.

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