sábado, 13 de abril de 2013

Maior partido da oposição moçambicana volta a exigir revisão urgente da lei eleitoral




Deutsche Welle

Conversações entre Renamo e Governo tentam desanuviar tensão em Moçambique . Oposição alega querer revisão da lei eleitoral para garantir a realização de eleições livres no país.

O pedido de revisão urgente da lei eleitoral foi entregue pela Renamo nesta sexta feira (12.04) a uma delegação ministerial durante um encontro, em Maputo, entre o partido em questão e o Governo.

Trata-se da primeira reunião entre a Renamo e uma representação da Frelimo, partido no poder, desde os incidentes armados da semana passada em Muxúnguè, província de Sofala, que terminaram em oito mortos e vários feridos.

As partes envolvidas discutiram a situação política no país, tendo a Renamo entregue ao Governo uma série de documentos em que resume as suas preocupações, como afirma o parlamentar Saimon Macuiane, Presidente do Conselho Jurisdicional da Renamo. 

Macuiane exemplifica dizendo Moçambique precisa de uma legislação que proíba que uma das equipes entre em campo com 15 jogadores e outra, com apenas dois.

Disputa acirrada

A Renamo, o maior partido da oposição em Moçambique, tem vindo a condicionar a sua participação nas eleições autárquicas deste ano e gerais de 2014 à revisão da lei eleitoral, afirmando que a atual legislação propicia a perpetuação de fraude por parte do partido no poder, a Frelimo.

Cristovão Chume, Diretor Nacional de Política da Defesa, revelou que a delegação do Ministério da Defesa, constituída por militares, não se pronunciou sobre as questões eleitorais, mas deixou alguns recados.

As forças armadas aproveitaram o encontro desta sexta feira para informar à Renamo que parem com atitudes que possam colocar em risco a paz e a tranquilidade no país, disse Chume.

Macuiane revelou ainda outras exigências da Renamo apresentadas esta sexta feira ao Governo: "a necessidade urgente do diálogo e de uma mediação para que condições sejam criadas com vista à uma estabilidade efetiva no país".

A Renamo exigiu, nos últimos dias, a retirada imediata das forças governamentais de Muxúnguè e o levantamento do cerco à sua base na Gorongosa, onde se encontra acantonado o seu líder Afonso Dlakhama.

O representante do Ministério da Defesa respondeu que os militares vão continuar a movimentar-se por todo o território nacional como forma de garantir a tranquilidade da população.

"Vamos deixar que os políticos continuem a discutir todos os assuntos que devem ser discutidos, num diálogo aberto e franco, dentro do processo democrático estabelecido no país", defendeu Chume.

Ele avisou aind que "os militares vão continuar a acompanhar de perto a evolução da situação, sem interferir nos assuntos de natureza política".

"Não há discriminação no exército moçambicano"

Outra preocupação levantada pela Renamo está relacionada com a alegada partidarização do exército, que se pretendia fosse único. Cristovão Chume nega tais alegações afirmando que não há discriminação no exército nacional. “

Os encontros em separado da Renamo com quadros dos Ministérios da Defesa e do Interior desta sexta feira acontecem depois que o maior partido da oposição se encontrou, na véspera, à porta fechada, com uma delegação da União Europeia.

Neste encontro, a Renamo mencionou suas inquietações e manifestou a intenção de encetar um diálogo aberto e sério com o Governo moçambicano. A União Europeia instou a Renamo a encontrar uma solução pacífica para o conflito com o governo, considerando tratar-se de uma assunto sério.

Recorde-se que o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, garantiu na última quarta feira (10.04), falando a partir da Gorongosa, que não haverá mais guerra em Moçambique, mas advertiu que a sua formação responderá caso sejam atacados.

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