domingo, 7 de julho de 2013

Angola: RECORDAR OS HERÓIS DA CIDADE DO CUÍTO




Delfina Vitorino e José Chaves, Cuito – Jornal de Angola - 2 de Julho, 2013

Mais de sete mil civis e militares morreram durante a guerra que a cidade do Cuito enfrentou há 19 anos, entre muitas crianças. Na sua maioria foram enterrados em lugares impróprios, como quintais, jardins e pátios. O município do Cuito, 19 anos depois, lembra os mártires da guerra que eclodiu após as eleições de 1992.

O 28 de Junho de 1992 tem um significado muito especial para os angolanos e em particular para o povo da província do Bié, que enfrentou inúmeras dificuldades nessa fase sangrenta.

A data consagrada aos mártires da batalha do Cuito foi assinalada num ambiente de paz e consolidação da democracia. É considerada como uma das mais sangrentas e destruidoras do conflito pós-eleitoral de 1992, quando a UNITA de Jonas Savimbi recusou os resultados eleitorais. A cidade do Cuito esteve cercada durante um ano e seis meses, de 6 de Janeiro de 1993 a 28 de Junho de 1994. A resistência de civis e militares foi heróica. Durante um ano e meio, a fome, a nudez, as doenças e a morte fustigaram os habitantes do Cuito.

Muitos fugiram para outras localidades do interior da província onde encontraram condições de sobrevivência. Conceição Chiocana, natural de Calussinga, Andulo, disse que “vivemos momentos terríveis e tristes de lembrar porque aquilo parecia o inferno. A minha primeira filha, que na altura tinha dez anos, teve que pegar numa arma para se defender enquanto procurávamos alimentos”. Conceição Chiocana lembra que os habitantes do Cuito “foram obrigados a comer folhas e raízes de bananeira, peles de animais, comida sem sal e até as arvores pararam de dar frutos”. Para matar a sede, as pessoas recolhiam água da chuva ou das cacimbas.

A nova cidade

Hotéis, pensões, estabelecimentos comerciais, locais turísticos, agências bancárias, estruturas administrativas e económicas foram erguidas nos últimos anos no município do Cuito, capital da província do Bié. Estruturas administrativas, desde as direcções dos ministérios, escolas do ensino primário, médio e superior foram igualmente erguidas na martirizada cidade do Cuito. Neste momento o município tem a funcionar a Escola Superior Pedagógica e a Escola Politécnica, pertencentes à Universidade José Eduardo dos Santos. Quanto às estradas do município do Cuito, precisam de asfalto para facilitarem a mobilidade das pessoas e as trocas comerciais.

Caminhos-de-ferro

Com a reabilitação do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB) e com o surgimento do “Comboio da Paz”, que tem a sua estacão na comuna do Cunje, a circulação de pessoas e bens tornou-se um facto.O cemitério monumento, onde jazem os restos mortais daqueles que lutaram pela pátria, crianças, jovens e idosos, foi erguido na comuna satélite do Cunje. 

O aeroporto Joaquim Kapango também foi renovado para conciliar o crescimento e o desenvolvimento das estruturas sociais e económicas do município do Cuito e facilitar a rápida deslocação das pessoas.

Todas estas estruturas dão outra imagem à martirizada cidade do Cuito, capital do Bié.

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