quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Angola: COMO ISABEL DOS SANTOS SE TORNOU A PRIMEIRA BILIONÁRIA DE ÁFRICA

 

Jornal de Notícias
 
Um trabalho de investigação publicado na revista norte-americana "Forbes" revela que a fortuna de Isabel Santos, a primeira bilionária em África, provém de uma quota de uma empresa que se quer estabelecer em Angola ou de uma assinatura presidencial do pai.
 
O artigo publicado pela revista "Forbes" é assinado pelo jornalista e ativista angolano, Rafael Marques e por Kerry A. Dolan, uma das coordenadoras da lista anual de bilionários, investiga a fortuna de Isabel Santos, considerada a primeira bilionária em África e a verdadeira história de como conseguiu a sua riqueza.
 
"Tanto quanto podemos investigar, todos os grandes investimentos angolanos detidos por (Isabel) dos Santos vêm ou de ficar com uma parte de uma empresa que quer fazer negócios no país ou de um assinatura presidencial que a inclui na ação", escreve a "Forbes". Filha do presidente angolano José Eduardo dos Santos, a história de Isabel é considerada "uma janela rara para a mesma e trágica narrativa cleptocrática que estrangula os países ricos em recursos em todo o mundo".
 
O artigo, que tem como título "A menina do papá: como uma princesa africana encaixou 3 milhões num país que vive com 2 dólares por dia", analisa o passado da bilionária africana, desde a sua infância, juventude e concentra-se na sua primeira empresa. A revista assegura que falou com "dezenas de pessoas no terreno" e que consultou diversos documentos públicos e privados durante o último ano.
 
Rui Barata, dono do conhecido restaurante e bar Miami Beach, em Luanda, resolveu propor sociedade a Isabel dos Santos com o objetivo de afastar os inspetores e fiscais governamentais que assediavam o local. Atualmente, dezasseis anos depois, "o restaurante ainda é um local badalado ao fim de semana" e prova que é possível comprar prosperidade desde que se tenha o apelido certo.
 
O artigo procura perceber como é que Isabel dos Santos detém 24,5% da empresa concessionária da exploração mineira, no norte do país, a Endiama, criada por decreto presidencial. O artigo explora ainda a criação da Ascorp, a empresa que resultou da parceria com israelitas para a venda de diamantes mas que tinha, de acordo com a Forbes, o negociantes de armas Arkady Gaydamak, um antigo conselheiro do presidente angolano durante a guerra civil de 1992 a 2002.
 
O negócio dos diamantes de sangue foi alvo de escrutínio internacional na mesma altura em que Isabel dos Santos transferiu a sua parte do negócio para a mãe, uma cidadã britânica. A transferência desta parte, considerada pela "Forbes" como um "poço de dinheiro", aconteceu através de uma empresa sediada em Gibraltar.
 
A posse de 25% da Unitel, a primeira operadora de telecomunicações privada, em Angola, passou também para Isabel dos Santos a partir de decreto presidencial. "Um porta-voz de Isabel dos Santos disse que ela contribuiu com capital pela sua parte da Unitel, mas não especificou a quantia; um ano depois, a Portugal Telecom pagou 12,6 milhões de dólares por outra fatia de 25%", escreve a revista.
 
A quota-parte de 25% da Unitel que Isabel dos Santos detém é avaliada, por analistas que seguem a atividade da Portugal Telecom e que foram ouvidos pela "Forbes", em mil milhões de euros.
 
A revista relembra ainda a parceria de Isabel dos Santos com Américo Amorim, que abarca as áreas financeiras e petrolíferas, através do banco BIC, Galp e da Sonagol. O investimento de 500 milhões na empresa portuguesa ZON também é apontado no artigo que explica ainda como Isabel dos Santos ficou à frente da Nova Cimangola, a cimenteira angolana.
 
No fim do artigo, é citado o "Jornal de Angola", numa edição de janeiro, depois de ser divulgada a lista dos bilionários da "Forbes". "Damos o nosso melhor por uma Angola sem pobreza, mas estamos deliciados pelo facto da empresária Isabel dos Santos se ter tornado uma referência no mundo da finança. Isto é bom para Angola e enche os angolanos de orgulho", escreve. O artigo da publicação norte-americana termina com uma resposta à citação do "Jornal de Angola": "Os angolanos deviam estar humilhados, não orgulhosos".
 

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