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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

ELEIÇÕES NA LETARGIA DUMA COLÓNIA PERIFÉRICA

 

Martinho Júnior, Luanda

Acompanhei de longe e decifrando o que chega a todo o mundo pelas dilectos média de referência “à portuguesa”, a evolução da situação sócio-políica em Portugal em época de eleições para as autarquias e, no meu ponto de vista, só me parece haver sinais deveras positivos, ao nível do 25 de Abril, quer nos distritos de Beja, de Évora e de Setúbal, quer numa parte do “cinturão” de Lisboa, onde Loures assume um papel de vanguarda... e pouco mais (nesse pouco mais lembro algumas freguesias de Braga e Viana do Castelo, por exemplo e enquanto casos de excepção).

Quer Lisboa, quer o Porto, parecem-me estar, no essencial, “controlados” pelo liberalismo típico dos “Bilderbergers” de orientação elitista anglo-saxónica em época de euro: isso faz parte das “tendências de mercado”, melhor das tendências banqueiras da actualidade, tendo em conta o carácter cosmopolita da globalização no quadro da Nova Ordem Global de acordo com o poder funcional da aristocracia financeira mundial e do seu cortejo de alianças com reflexos na oligarquia e na burguesia portuguesa!

A deriva dos “Bilderbergers” é uma remanescente que de certo modo indicia resultar dos tempos das guerras napoleónicas, conformes ao manancial de famílias de banqueiros ao jeito da casa Rothshild, algo que contribui para prender os partidos portugueses da "troika" ao governo conjuntamente com outras amarras mais tradicionais com as quais são obrigadas a “fazer pacto”!

A “Santa Inquisição” está presente nos media pelas restritas condicionantes de mentalidade, por vezes de limites bem expressos e essa é uma filtragem indispensável, inclusive para os “críticos” que preenchem o estado de manipulação da informação pública “à portuguesa” tão criteriosamente trabalhada pelo engenho, arte e técnica de “patriarcas” como Francisco Pinto Balsemão!... psicologia e sociologia aplicadas com valor sócio-político e… com bastos resultados nas urnas!...

Parece-me ser evidente que quer o norte do Tejo, quer o Algarve, quer os Açores, quer a Madeira, duma forma geral não se desprenderam do conservadorismo fundamentalista e reaccionário do tempo das cruzadas e da mentalidade meio-feudal, meio-corporativista, das suas "cordas" num processo amalgamado que acabou por ser determinante nas tendências antropológicas, históricas e geográficas do voto, inclusive em relação à expressão oportunista dos pseudo-"independentes"... uma expressão um pouco à moda dos “tripeiros”!... o cerco parece não ter sido movido apenas pelas tropas napoleónicas em séculos idos… hoje há com cada cerco na caça ao voto e em pleno século XXI!

Nesse aspecto o campo de manobra parece nunca ter estado tão propício aos “caciques de ocasião” que são propositadamente injectados nas possibilidades e brechas de participação, quando a fuga à representatividade está tão bem expressa na enorme percentagem da abstenção ao voto!

A esquerda consolidada, mas flexível na tendência de voto, concentra-se na CDU, uma CDU que é repositório de luta e de esperança, mas que contra si tem a “mentalidade média” dum povo que tarda em ganhar consciência crítica das causas profundas da crise, até por que a meio forçada migração, uma doença social crónica como o é a baixa natalidade, subverte qualquer propensão para um outro futuro… enquanto o país vai sendo atirado para um estágio-letárgico de colónia periférica.

Na “esquerda” o Bloco de Esquerda está mais que nunca num beco cuja única saída parece ser, trepando muros, na direcção da decadente social-democracia portuguesa…

O Bloco de Esquerda só pode entrar num "movimento de traslação" trepando ou não muros, numa reviravolta para sair desse beco, por que tem várias decisões a tomar:

- Deixar de ser "bicéfalo" e ao mesmo tempo...

- ...ou escolher a via da compatibilidade com o PS (o que será mais fácil e oportuno tendo em conta o PS+ de Lisboa);

- ... ou enquadrar a CDU (o que será bem mais difícil).

Definir os seus parâmetros por uma psicologia e sociologia aplicadas que não conseguem descer às águas profundas dos princípios e não fazem a radiografia das causas antropológicas, históricas, económicas e sócio-políticas das situações correntes num Portugal em estágio-letárgico enquanto colónia de periferia, está-lhe a ser proibido pela expressão do voto e quanto mais tempo demorar o “movimento de traslação”, menos resultados irá colher no curto prazo!

Do que decidir dependerá o seu "protagonismo" futuro, ou a ausência dele...

Esta é a minha interpretação muito sintética da novela sócio-política à portuguesa com base nestas eleições para as autarquias, num estado cataléptico e decadente cada vez mais evidente e… assumido!

Lá dizia um poeta, num dos seus raros momentos de lucidez: “povo que talhas com teu machado as tábuas do teu caixão”!

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