quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Portugal: UNS VIGARISTAS CHAMADOS ESPÍRITO SANTO E OUTROS




A já chamada novela BES, protagonizada pela família Espírito Santo, tem matéria para durar. Mais uma vez o jornal i aborda a dita novela e vem falar-nos de milhões que são embolsados por aquela família banqueira e de negociatas, referindo ainda outros. Desta feita veio à baila as comissões. Milhões e milhões produzidos pelo negócio dos submarinos que os portugueses estão a pagar com língua de palmo. Há ilegalidades? Então não? Na Alemanha soubemos do pendor da justiça ao punir faltosos naquela negociata, na Grécia idem. E em Portugal? Em Portugal a pseudo justiça enrola tudo como pescadinha de rabo na boca, gasta à farta nos processos e depois… Nada!

Sabe-se dos poderes da família Salgado e das suas amizades, conivências e doações a políticos. Até Cavaco Silva recebeu dos Espírito Santo doações para as suas campanhas. O máximo permitido por lei. Não há registos do que aconteceu pela porta do cavalo. Se é que aconteceu algo. Também não há registos de se - e por quanto - a "justiça" foi contemplada em doação ou em preço de saldos. Os portugueses afinal nada sabem destas manigâncias promíscuas entre os poderosos das finanças, da política, provavelmente da justiça e daquilo que mais interessar áqueles verdadeiros Al Capones – como são referenciados pela "vox populi".

Aguardemos a evolução do caso. Pelo andar da carruagem vamos ter mais do mesmo: a culpa vai morrer solteira, desfazendo-se tudo nas pedras de gelo em que a justiça possa ter registado o enredo da novela de uns vigaristas chamados Espírito Santo com seus cúmplices à ilharga. O mesmo de sempre: impunidade.

A investigação de Sílvia Caneco, do jornal i, a seguir. (MM/PG)

Investigação i: Ricardo Salgado. "Há uma parte que teve de ser entregue a alguém"

Sílvia Caneco – jornal i

O i teve acesso a documentação que indicia que, além dos Espírito Santo, houve mais uma pessoa a receber uma percentagem da comissão paga pelos alemães

Os cinco clãs da família Espírito Santo não foram os únicos a ganhar uma parte dos cerca de 30 milhões de euros que a Escom recebeu dos alemães no negócio dos submarinos. Além dos 5 milhões de euros que, como o i avançou ontem, terão ido parar a contas dos membros do Conselho Superior do Grupo Espírito Santo (GES), uma outra fatia da comissão paga à Escom por serviços de consultoria prestados ao consórcio alemão terá ido parar às mãos de uma sexta pessoa.

Na reunião de 7 de Novembro de 2013, Ricardo Salgado, então presidente da comissão executiva do BES, começou por contar aos nove membros presentes que os cinco clãs da família tinham recebido 5 milhões de euros de “comissões” e os três gestores da Escom – o presidente, Helder Bataglia, Pedro Ferreira Neto e Luís Horta e Costa – tinham arrecadado 15 milhões do total pago pelo German Submarine Consortium. “Deram-nos cinco a nós e eles [os administradores da Escom] guardaram 15”, afirmou.

"Estamos rodeados de aldrabões"

Ricardo Salgado

Mas a confissão de Salgado não terminou aí. O então líder do BES tinha outros pormenores da operação a revelar aos clãs liderados por António Ricciardi, Manuel Fernando Espírito Santo, José Manuel Espírito Santo e Mário Mosqueira do Amaral. Antes que lhe perguntassem como três administradores da Escom tinham recebido 15 milhões de euros – três vezes mais que os Espírito Santo –, Salgado adiantou-se: “E vocês têm todo o direito de perguntar: mas como é que aqueles três tipos receberam 15 milhões? A informação que temos é que há uma parte que não é para eles. Não sei se é ou não é. Como hoje em dia só vejo aldrabões à nossa volta... Os tipos garantem que há uma parte que teve de ser entregue a alguém em determinado dia.”  

As declarações de Ricardo Salgado reforçam a tese do Ministério Público de que o montante pago pelos alemães à Escom é “desproporcional” ao trabalho prestado e que a empresa do GES que fez a assessoria do consórcio alemão na negociação das contrapartidas dos submergíveis teria servido de intermediária de eventuais pagamentos ilícitos. O DCIAP – o departamento que investiga as suspeitas de corrupção no negócio dos submarinos há mais de oito anos – desconfia que os cerca de 30 milhões de euros pagos à empresa terão tido outros destinatários: pessoas que terão movido influências para que o consórcio alemão vencesse o concurso dos submarinos, nomeadamente “titulares de cargos políticos”.

Salgado, porém, de acordo com informações recolhidas pelo i, acabaria por não desvendar o mistério da identidade de quem, alegadamente, terá recebido uma percentagem dos 15 milhões de euros que estariam na posse dos administradores da Escom. Aliás, para evitar mais perguntas, pediu a Ricardo Abecassis Espírito Santo que não “remexesse mais no assunto”. “Vamos acabar por saber quem recebeu e quem deixou de receber.” Acrescentou ainda que logo a seguir à operação dos submarinos terão ficado “todos com um ataque de arrependimento, ao ponto de em 2004” decidirem “parar qualquer operação” relacionada com equipamento militar. “Em 2004 o grupo decidiu acabar com esta actividade porque eles estavam--se a preparar para fazer o mesmo com carros blindados”. E “fragatas” e “metralhadoras”, acrescentaram outros membros.

Embora as afirmações de Salgado não revelem nomes, reforçam o que já estava sob suspeita: que os membros do Conselho Superior do GES não terão sido os únicos a receber da Escom, que a empresa funcionou como veículo de pagamentos a outras pessoas e que há um sexto destinatário do dinheiro que permanece em segredo. 

Nem os administradores da Escom nem Ricardo Salgado responderam aos pedidos de esclarecimento enviados pelo i. A Procuradoria-Geral da República limitou-se a dizer que o inquérito está em segredo de justiça.

Durante a reunião, o então líder do BES relatou que Luís Horta e Costa – um dos três administradores da Escom que em Agosto de 2013 foi constituído arguido no processo dos submarinos – lhe terá explicado que a comissão inicial de cerca de 30 milhões de euros paga pelos alemães tinha ficado logo reduzida “a 20 milhões”, com “encargos com advogados” e “pagamentos por fora”. No entanto, acrescentou, Luís Horta e Costa ter-lhe-á “dado a garantia” de que a empresa do GES não teria “pago nada a ministros”.

Se a comissão inicial era de 30 e sobraram 20, para onde foram os outros 10 milhões? Para quem foram os “pagamentos por fora” e quais os encargos exactos com advogados? Afinal quantas pessoas lucraram com a comissão que a Escom recebeu dos alemães no negócio e a que título receberam? Salgado não esclareceu e nenhum dos nove elementos da família presentes na reunião perguntou.

Subornos lá fora 

As suspeitas de corrupção no negócio da compra de dois submarinos pelo Estado português à Man Ferrostaal, em 2004, estão a ser investigadas há mais de oito anos. Até à data, só os três gestores da Escom foram constituídos arguidos no processo por suspeitas de corrupção activa, tráfico de influências e branqueamento de capitais. Apesar das suspeitas de que uma série de depósitos no total de 1,1 milhão de euros nas contas do CDS-PP, entre 27 e 30 de Dezembro de 2004, teriam tido origem na comissão paga pelos alemães à Escom, os investigadores nunca conseguiram deslindar o rasto do dinheiro.

Lá fora os desenvolvimentos têm sido mais céleres: o ex-ministro grego da Defesa Akis Tsochatzpoulos foi condenado a 20 anos de prisão por branqueamento de 6 milhões de euros provenientes de subornos para viabilizar o negócio da compra de quatro submarinos à Man Ferrostaal e outro equipamento militar. Na Alemanha, dois ex-gestores do consórcio alemão admitiram ter pago luvas no valor de 62 milhões de euros a intermediários na Grécia e em Portugal para conseguirem vencer os concursos dos submarinos. O ex-cônsul honorário de Portugal em Munique Jürgen Adolff também foi condenado por corrupção. Nas respostas do ex-primeiro-ministro enviadas à comissão de inquérito sobre aquisição de equipamento militar, Durão Barroso negou ter falado com o ex-cônsul de Portugal na Alemanha sobre o negócio.

Título PG

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