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domingo, 8 de maio de 2016

Portugal. JORGE SAMPAIO DESMENTE DURÃO BARROSO



O antigo primeiro-ministro disse numa entrevista à SIC e ao Expresso que o então chefe de Estado tinha concordado com a cimeira das Lajes. Sampaio esclarece os contornos dessa conversa com Barroso.

Num artigo de opinião publicado no jornal Público, Jorge Sampaio começa por realçar as "diferenças de posição" que tinha com o então primeiro-ministro em relação a uma intervenção no Iraque.

"A convicção certa, com que então ficara, de que o Iraque se viria a tornar num fator de polarização PR versus PM, foi-se adensando", escreve o antigo Presidente da República, acrescentando: "Para mim, não era menos premente a necessidade de gerir esta divergência de forma adequada, sem a tornar num fator de vulnerabilização do funcionamento regular das nossas instituições".

"Sobre a Cimeira em si, e o processo que levou à sua realização nas Lajes - e não em Washington, Londres, Barbados e Bermudas, como terá sido ventilado -, a verdade é que a literatura internacional lhe dá pouca ou nenhuma importância e não tendo eu tido conhecimento dos preparativos, pouco posso dizer", continua Sampaio, recordando um telefonema de Durão Barroso, no dia 14 de março, pedindo uma reunião de urgência: "Para minha estupefação, tratava-se de me informar que havia sido consultado sobre a realização de uma cimeira nos Açores, essa mesma que, nesse mesmo dia, a Casa Branca viria a anunciar para 16 de Março, daí a pouco mais de 48 horas... Não é preciso ser-se perito em relações internacionais para se perceber que eventos deste tipo não se organizam num abrir e fechar de olhos; e também não é necessário ser-se constitucionalista, para se perceber que não cabe ao Presidente autorizar ou deixar de autorizar atos de política externa".

O antigo chefe de Estado remata: "Transmiti claramente que tratando-se, como o meu interlocutor afiançava, de uma derradeira e essencial tentativa para a paz e evitar a guerra no Iraque nada teria a opor. Em relação a tudo isto, muito mais poderia recordar, para além da fotografia conhecida que registou um dos momentos mais gravosos deste século, quer seja sobre o papel de Portugal na dita Cimeira, sobre as conclusões da mesma ou ainda sobre tudo o que se seguiu e o início da guerra".

Durão Barroso disse, em entrevista à SIC e ao Expresso, que consultou Jorge Sampaio, então Presidente da República, tendo este concordado com a realização da Cimeira das Lajes, que esteve na origem da invasão do Iraque. "Sim. Foi a única pessoa que eu consultei antes de tomar a decisão final. Depois de me ter sido proposto isso pelos outros países", disse o ex-presidente da Comissão Europeia.

"Aliás, na altura, com o apoio do parlamento português e com o apoio do Presidente da República de Portugal, o dr. Jorge Sampaio, que expressamente disse que sim, que concordava. Foi a única pessoa que eu ouvi antes", acrescentou José Manuel Durão Barroso numa entrevista que foi publicada na revista E do jornal Expresso e também divulgada pela SIC.

A 16 de março de 2003, reuniram-se na ilha Terceira, na base das Lajes, nos Açores, o Presidente norte-americano, George W. Bush, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, o primeiro-ministro espanhol, José Maria Aznar, tendo sido recebidos pelo então primeiro-ministro português, Durão Barroso.

A reunião, conhecida como Cimeira das Lajes, levou, quatro dias depois, na madrugada de 20 de março, ao início da intervenção militar no Iraque.

Bárbara Baldaia com Lusa, em TSF – Foto: Steven Governo / Global Imagens

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