sábado, 16 de julho de 2016

GOLPE DE ESTADO NA TURQUIA. MAIS DE 190 MORTOS E MAIS DE MIL FERIDOS

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É o mais recente balanço da tentativa de golpe de Estado na Turquia. Há, ainda, notícia de 200 militares que se renderam às autoridades.

Um novo balanço da tentativa de golpe de Estado na Turquia dá conta de mais de 190 mortos e de 1.150 feridos.

As forças leais ao Presidente turco, Recep Erdogan, abateram 104 militares revoltosos na tentativa de golpe de Estado de sexta-feira à noite na Turquia, assegurando que outros 1.563 foram detidos, indicou hoje o exército fiel ao regime.

Numa declaração à televisão oficial turca, o general Umit Dundar, chefe do Estado-Maior interino das tropas leais a Erdogan, confirmou também a morte de outras 90 pessoas - dois soldados, 41 polícias e 47 civis -, elevando para 194 o total de vítimas mortais da sublevação, entretanto abortada.

"Caíram como mártires", sublinhou Dundar, referindo-se às 90 vítimas mortais.

As últimas informações indicam, também, que 200 militares sublevados renderam-se às autoridades.

TSF com Lusa

Erdogan: Tentativa de golpe é "presente de Deus"

O Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou na última madrugada que a tentativa de golpe de Estado é como um "presente de Deus" que permitirá "limpar" o Exército.

"Este levantamento, este movimento é um grande presente de Deus para nós, porque o exército será limpo", disse, em conferência de imprensa, pouco depois de aterrar em Istambul, assegurando que os golpistas vão pagar caro pela sua "traição".

O Presidente turco culpou pelo golpe de Estado, que definiu de "traição", os apoiantes do seu arqui-inimigo, Fethullah Gülen, um imã exilado há anos nos Estados Unidos. O movimento que apoia Gülen (Hizmet) já condenou o golpe, num comunicado em que sublinha que "há mais de 40 anos que Fethullah Gulen e o Hizmet têm defendido e demonstraram o seu compromisso com a paz e a democracia".

O fundador do poderoso Movimento Gülen, com milhões de seguidores na Turquia entrou em rutura, em 2013, com Erdogan e o seu Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, no poder desde 2002), que apoiou na fase inicial da sua ascensão.

Seguiu-se uma dramática luta pelo poder e o início da repressão ao Hizmet no país -- acusado por Erdogan de pretender construir um "Estado paralelo" -- através do encerramento de dezenas de escolas e processos judiciais contra figuras políticas e militares associadas a este movimento.

"O que está a ser perpetrado é traição e rebelião. Eles vão pagar um preço elevado por este ato de traição", frisou Erdogan.

O chefe de Estado turco disse ainda que o hotel onde estava de férias, em Marmaris, estância turística na costa do Mar Egeu, foi bombardeado esta madrugada pouco depois de ter saído do edifício.

Apesar disso, Erdogan manteve o tom desafiador: "Não vamos deixar o nosso país para os ocupantes".

Aos jornalistas, no aeroporto, onde foi recebido e saudado por uma multidão, o Presidente turco disse ainda desconhecer o paradeiro do chefe de Estado-maior, o qual terá sido feito refém dos golpistas em Ancara, no seu quartel-general, segundo os meios de comunicação social.

"Há na Turquia um Governo e um presidente eleitos pelo povo, que estão no poder, e, se Deus quiser, vamos superar esta provação", afirmou, antes de felicitar os turcos por terem saído "aos milhões" para as ruas para defender a nação.

"Aqueles que apareceram com os tanques serão capturados porque esses tanques não lhes pertencem", acrescentou.

Cerca de quatro horas depois das primeiras informações, os Serviço de Inteligência Turca (MIT) anunciaram que fracassou a tentativa de golpe de Estado, mas admitindo que ainda persistem algumas bolsas de resistência por parte dos militares.

TSF com Lusa

Portugueses em Istambul fechados em casa e com medo do que vai acontecer

A TSF falou com dois portugueses em Istambul que relatam que em toda a cidade as mesquitas chamam as pessoas para a rua em apoio ao governo. "Ninguém quer uma situação destas, de pré-guerra civil".

A TSF falou há instantes com um português em Istambul que não se quis identificar, por medo de represálias. Vive no centro de Istambul e diz que a cidade está um caos.

Este português conta que há mesmo muitos apoiantes de Erdogan que seguiram o conselho do presidente e foram para a rua, onde se manifestam contra o golpe de Estado.

Quando tudo começou, este português estava na rua. Foi comprar pão e água para durar alguns dias. Conta que tem medo, que ouve tiros e está sentado no chão de casa para se abrigar das balas.

Ricardo Nunes é o outro português contactado pela TSF. Está em Istambul com a sua namorada, para um casamento, e ambos chegaram a pensar não ir por causa dos atentados, mas os amigos e as autoridades disseram-lhes que era seguro, sem que nada fizesse prever o que veio a acontecer. Quando estava a acabar de jantar, o Twitter começou a dar os primeiros sinais de que alguma coisa se passava.

Ricardo conta que, apesar dos apelos ao recolher obrigatório, o que se vê a esta hora é precisamente o contrário. Agora, Ricardo e a namorada têm viagem de regresso marcada para quinta-feira e só querem ser contactados pelo governo português e manter-se em segurança.

Nuno Guedes/Raquel de Melo – TSF – Foto: Sedat Suna/EPA


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