segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Moçambique. JUSTIÇA, PRECISA-SE NESTE PAÍS!



@Verdade, Editorial

Vergonhoso e repugnante, é o que se pode dizer da Justiça moçambicana. Pois, passam sensivelmente 15 anos após o hediondo crime que vitimou o economista Siba-Siba Macuácua. Crime esse equiparado às actividades violentas perpetradas pelos tenebrosos e sanguinários grupos terroristas que têm semeado dor e luto por onde actuam.

Porém, o mais revoltante na situação em aprecio é a inoperância e a ineficiência da Justiça, sobretudo de órgãos como a Polícia de Investigação Criminal e a Procuradoria-Geral da República, que continuam a fingir que nada aconteceu. Aliás, os cidadãos moçambicanos, espalhados por este extenso Moçambique, assistem, impávido e sereno, à morosidade desta nossa Justiça podre, desactualizada e sem entranhas de humanidade. Já se passam 15 anos e, até então, não se sabe os motivos por detrás dessa bárbaro crime.

Infelizmente, como moçambicanos, continuaremos a assistir os culpados circulando impunes, e mentirosamente prometerão que os culpados serão conhecidos e punidos, quando na verdade não passa de uma patranha para o inglês ver. Aliás, o nosso país está infestado indivíduos sem a mais pequena réstia de sentimento, e que vive fingindo escrúpulos. Mentem que se fartam.

Diga-se, em abono da verdade, que à semelhança do caso Siba-Siba, os moçambicanos continuarão a não ter resposta aos assassinatos do constitucionalista Gilles Cistac, do jornalista Paulo Machava, entre outras vítimas dessa Justiça desactualizada. Ainda mais, pelo andar da carruagem, tudo indica que os culpados da crise que hoje Moçambique atravessa, devido às dívidas contraídas ilegalmente em nome do Estado, não serão punidos, pese embora se conheça o paradeiro dos mafiosos que cometeram esse crime.

Insensíveis (para não dizer cruéis) também somos nós - o Povo, a maioria subjugada - consagrados na hipocrisia e incapazes de exigir os nossos direitos, nomeadamente a Justiça, a Segurança e o Bem-estar. Somos incapazes de nos emocionarmos, de nos movermos por um espírito solidário. Somos incapazes de pôr a nu, as injustiças. Somos incapazes de protestar contra todos os actos bárbaros que vitima(ra)m muitos dos nossos compatriotas inocentes.

Em suma, somos um bando de cobardes domesticados no auge da desumanidade e cúmplices de todas atrocidades cometidas contra os moçambicanos que, com o seu suor, garantem a mordomia de uma corja que se encontra pendurada no poder desde 1975.

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