terça-feira, 16 de agosto de 2016

Portugal. PASSOS, PIB, FOGOS. QUATRO NOTAS DO MEIO DE AGOSTO



Ana Sá Lopes – jornal i, opinião

1. A conversa dos responsáveis políticos a seguir aos fogos é assustadoramente vã: todos eles, a começar por António Costa, que até já foi ministro da Administração Interna, tinham tido tempo para pôr em ação o que agora defendem. É normal que ninguém acredite. Pelo meio apareceram ideias peregrinas como pôr os incendiários a pagar os custos. Eureka. A coisa resolve-se.

2. Passos Coelho teve a sorte de ter uns números ínfimos de crescimento, nada animadores para o governo e a esquerda, na véspera do discurso do Pontal para sustentar as suas piores previsões. Mas mesmo assim, conseguiu não entusiasmar um cidadão: se o governo está esgotado, como é que vai durar quatro anos? 

3. Passos Coelho pode não ser extraordinário, mas o governo e a esquerda têm um grande problema a resolver: se o programa estava assente na possibilidade de crescimento económico a partir da procura interna, até agora não se viu nada. Não é de estranhar o silêncio pesado do Bloco de Esquerda e dos comunistas, enquanto o governo e o PS lá vão dizendo que a coisa, de facto, não está animadora. Estes números tornam muito preocupante a continuidade do espírito que presidiu à constituição da coligação de esquerda - o que não quer dizer que ponham em causa a coligação. Não vale a pena inventar: o crescimento é inexistente e o Bloco de Esquerda e o PCP correm, a partir de agora, sérios riscos relativamente aos seus eleitorados. É que até nem vale a pena dar grandes saltos relativamente aos números do emprego: é sazonal, coisa que tanto Bloco e PCP estariam a criticar - e não a saudar - caso o governo fosse PSD/CDS.

4. Há duas boas coisas em Portugal: Marcelo, que sabe consolar pessoas, como se viu agora na Madeira. Por muito que se goze com a política dos afetos, há momentos em que a política tem de ser isto, como se viu na Madeira. A outra coisa boa é o turismo - Algarve cheio e Lisboa em alta. Os velhos do Restelo não gostam, já se sabe.  

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