quarta-feira, 23 de novembro de 2016

LUSOFONIA DE MACAU EM DUAS SEGUIDAS


Administração de Macau precisa de 200 intérpretes e tradutores de português

23 de Novembro de 2016, 21:52

Macau, China, 23 nov (Lusa) - A administração de Macau precisa de 200 tradutores e intérpretes de português e as necessidades de magistrados na região até 2020 estão estimadas em 24, revelou hoje o Governo local.

Segundo "inquéritos internos", são necessários 200 intérpretes e tradutores entre as duas línguas oficiais de Macau (português e chinês), afirmou o diretor dos Serviços de Administração e Função Pública de Macau, Eddie Ko, no plenário da Assembleia Legislativa.

Em resposta a questões dos deputados, Eddie Ko assegurou que os serviços que dirige têm dado "muita atenção" à formação de quadros em língua portuguesa para os organismos públicos. Além da abertura de cursos de formação para funcionários públicos, referiu bolsas para estudantes que se inscrevam em cursos de português no ensino superior e incentivos para optarem pelas carreiras em que há mais falta destes profissionais.

A equipa da Secretaria da Administração e Justiça de Macau, liderada por Sónia Chan, apresentou hoje, pelo segundo dia consecutivo, as Linhas de Ação Governativa (LAG) para 2017 aos deputados, que quiseram saber o ponto da situação da formação de funcionários judiciais e magistrados, de que a região tem falta.

Segundo Manuel Trigo, diretor do Centro de Formação Jurídica e Judiciária de Macau, em 2015 foram identificadas necessidades de 24 magistrados e, entretanto, aberto um curso de formação e estágio com o mesmo número de vagas. Foram admitidos 14 candidatos e a sua formação deve terminar em setembro de 2017, informou, acrescentando que depois, "em tempo oportuno", será decidida a abertura de novo curso.

Quanto a funcionários judiciais, há necessidade de 100 e está aberto um concurso para admitir 70 a formação, devendo depois, se necessário, abrir novo curso quando este estiver terminado.

Nos dois casos, foi definido um plano de formação que visa colmatar as necessidades identificadas até 2020, assegurou.

A secretária Sónia Chan acrescentou que o Governo de Macau admite a possibilidade de cooperar com "outras instituições" para a formação na área jurídica.

O procurador de Macau, Ip Son Sang, disse em outubro que a insuficiência de magistrados em Macau se acentuou no ano judiciário 2015/2016, mas considerou que "há razões para crer" numa melhoria de condições no próximo ano, com a tomada de posse de novos magistrados em formação, o início da construção do edifício (provisório) para albergar as estruturas do Ministério Público ou mais contratações de oficiais de justiça.

Noutro momento do debate de hoje, Sónia Chan foi questionada sobre uma mudança na Lei de Bases da Organização Judiciária, que está em processo de revisão, de forma a permitir o recurso de sentenças que envolvem titulares ou ex-titulares de altos cargos públicos, que são julgados diretamente no Tribunal de Última Instância (TUI).

A secretária voltou a não se comprometer com esta questão, considerada "uma anormalidade" pelo deputado Leonel Alves, limitando-se a responder que o Governo vai "fazer estudos" sobre o assunto.

MP // VM

Nove artistas portugueses em destaque no Festival de Vídeo Experimental de Macau

23 de Novembro de 2016, 21:17

Macau, China, 23 nov (Lusa) -- A edição deste ano do Festival de Vídeo Experimental de Macau é dedicada a Portugal, com destaque para trabalhos de nove artistas portugueses que testam e questionam "os limites" do próprio meio.

Os trabalhos de Rui Calçada Bastos, Nuno Cera, Carla Cabanas, António Júlio Duarte, José Carlos Teixeira, José Maçãs de Carvalho, Tatiana Macedo, Mariana Viegas e Bruno Ramos podem ser vistos em Macau entre sexta-feira e domingo, juntamente com os de quase duas dezenas de artistas de Macau.

José Drummond, responsável pela seleção do programa dos artistas portugueses, explica à Lusa que, tal como noutras formas de arte experimental, também no vídeo o objetivo é "testar os limites do media em si". O vídeo experimental "distancia-se de uma forma mais narrativa de um filme, com começo, meio e fim" e "questiona o próprio media", refletindo "que tipo de experiências se pode fazer" com ele.

Nesse sentido, o programador considera o trabalho de José Maçãs de Carvalho "muito paradigmático": "Não se limita a apontar uma câmara para qualquer coisa e tentar construir uma narrativa a partir daí. Não, há uma ligação com o media. O filme experimental renasce muito pela manipulação do filme em si e não por aquilo que é feito pela câmara".

Drummond destaca também o trabalho de José Carlos Teixeira, que fica "entre o documental e a performance", em que se pede às pessoas para "simular uma queda". O resultado é algo que "não é cinema, não é documentário e acaba por não ser performance".

O programador elogia ainda o trabalho de Tatiana Macedo, que considera brilhante: "O que ela fez foi ir à Tate Gallery e são 45 minutos Tate Gallery, mas no trabalho o sujeito não são as obras de arte e não é o público. Ela tenta transmitir um pouco do que é o olhar sobre o museu a partir da condição dos assistentes, das pessoas que estão a tomar conta das salas, os guardas.

"Nessa perspetiva, é quase como se tivesse a retirar uma função qualquer da câmara enquanto objeto de registo, passando a ter uma função emocional que é o que é que aquelas pessoas veem, o que é a vida delas, o que é que elas sentem", prosseguiu.

Apesar das dificuldades inerentes à seleção de trabalhos para um festival, Drummond considera que "Portugal tem excelentes" artistas em toda a linha e o vídeo experimental não é exceção, pelo que a abundância de oferta fez com que fosse mais fácil "encontrar soluções e criar diálogos que fizessem sentido na programação" do evento.

O programador, que é ele próprio também artista plástico, considera que há algo que distingue os trabalhos dos portugueses dos restantes artistas.

"Nos trabalhos de Macau, apenas o do Yves [Etienne Sonolet] é feito por um ocidental, todos os outros são de Macau. Têm uma perceção que tem que ver com uma forma mais asiática. Nesse sentido [os portugueses] são realmente trabalhos diferentes. Há momentos de memória e perceção que são comuns a todos os trabalhos, mas são diferentes porque a origem das pessoas é diferente, as vidas das pessoas é diferente, aquilo que veem, que sentem, sentem-no de forma diferente", explicou.

Drummond lembra que quase todos os artistas portugueses que participam no festival são marcados pelo facto de "em determinado ponto da sua carreira terem sido emigrantes ou terem tido alguma ligação com a viagem" -- José Carlos Teixeira vive nos Estados Unidos, Bruno Ramos em Londres, Tatiana Macedo em Berlim, Mariana Viegas na Dinamarca, Nuno Cera no Canadá, Rui Calçada Bastos viveu 12 anos em Berlim e António Júlio Duarte fez muito do seu trabalho fora de Portugal.

"A ligação [dos artistas] de Macau é com Macau, enquanto o programa português é mais universalista", resume.

ISG//APN

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