sexta-feira, 18 de novembro de 2016

"QUEM GOVERNA O MUNDO?" - Chomsky responde!



Noam Chomsky é um autor extremamente prolífico e, actualmente, uma presença incontornável que não pode ser ignorada por nenhum estudioso sério de Geopolítica e Relações Internacionais, a sua obra mais recente de estudos acerca dos efeitos globais das intervenções externas do imperialismo estadunidense já se encontra nas livrarias portuguesas: "Quem Governa o Mundo?" (352pp.; 17,50€; Editorial Presença, 2016).

Flávio Gonçalves

Este minucioso volume não só reúne a sua análise mais recente, até finais de 2015, como documenta exaustivamente, nas suas notas de rodapé e bibliografia, a mentalidade, a doutrina e as acções que transformaram os Estados Unidos da América na única hiperpotência mundial.

Nesta obra Chomsky desenterra documentação e factos pouco conhecidos (ou mais correctamente, pouco noticiados) acerca do papel desempenhado pelos serviços secretos americanos um pouco por todo o mundo, com destaque para a América do Sul e para o Médio Oriente, mas sem olvidar o Laos, o Vietname e inclusivamente a Europa, alertando que mesmo algumas das personalidades que têm denunciado a ingerência global da política norte-americana, como Jimmy Carter, acabam por incluir nessa denúncia a sua "adesão a fabricações doutrinárias úteis" da doutrina que denunciam. 

Chomsky, ainda professor emérito no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), rastreia muitos dos problemas do mundo actual ao triunfo da visão capitalista e neo-liberal que o império americano conseguiu impor desde o final da Segunda Guerra Mundial como "normal" e até, afirmamos nós, como sendo o único mundo possível, incluindo aqui até a mais recente descrença generalizada para com a democracia: "a debilitação da democracia em exercício é um dos contributos do ataque neo-liberal à população mundial durante a última geração. E isto não está a acontecer apenas nos EUA: na Europa, o impacto poderá ser ainda pior" referindo-se ao fenómeno Donald Trump e ao crescimento eleitoral dos populismos em solo europeu como sintomas mais recentes desta maleita.

O papel crucial que Israel ocupa em muitas das políticas dos vários governos do Tio Sam, sejam eles Democratas ou Republicanos, é também alvo de crítica minuciosamente documentada. A principal denúncia passa pelo incómodo facto de terem conseguido consolidar, junto da opinião publicada e da política mundial, que quando os seus inimigos agem o fazem por pura maldade e desejo de matar, mesmo quando se trata de algum acidente, já os EUA e Israel "enquanto sociedades democráticas que são, não o fazem por intenção", mesmo quando elegem intencionalmente alvos civis como escolas primárias, infantários ou hospitais, "não podem ser colocados no nível de depravação moral" dos seus adversários.

Uma obra de leitura obrigatória, principalmente nos dias que correm e em todo o lado já se ouve o ressoar dos tambores de guerra contra a Rússia. 


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