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sábado, 18 de fevereiro de 2017

Angola. JOSÉ SAIAGO



 Martinho Júnior, Luanda 

Ao fim da tarde do dia 13 de Fevereiro de 2017, faleceu na cidade do Kuito, no Bié, o camarada José Saiago.

O malogrado finou-se com a idade de 82 anos, sendo até à data um dos membros mais idosos da comunidade de segurança do país e membro associado da Acção Social Para Apoio e Reinserção, ASPAR.

Em vida, desde a fundação das geoestratégicas Forças Especiais do Bié em 1976, foi um técnico auto que garantiu a operacionalidade das viaturas que possibilitaram algumas das respostas mais operativas daquela unidade e de outras, enquanto houve acções de guerra em Angola.

Fizesse chuva, fizesse sol, qualquer que fosse a hora do dia ou da noite, respondeu sempre com prontidão às necessidades, quantas vezes aceitando os riscos a fim de garantir os movimentos das tropas.

Viveu também “in loco” as horas mais difíceis da cidade do Kuito, quando a guerra dilacerou o tecido humano na capital do Bié, na década de 90 do século passado.

Foi um homem criativo nas suas aptidões profissionais, encontrando soluções técnicas e logísticas ali onde parecia ser impossível obter resultados práticos e sempre sob pressão.

Malgrado os esforços contínuos da ASPAR, faleceu sem benefício de qualquer tipo de pensão de reforma, nem de apoio institucionalizado do estado angolano.

Muitos camaradas, companheiros de luta e combatentes estão ainda nessa situação que nos obriga a recordar que, sendo dos primeiros em todo o tipo de frentes garantes de independência e soberania, os membros da comunidade estão a ser dos últimos a, com a dignidade que merecem em função do seu exemplo patriótico e dos deveres cumpridos com perseverança e estoicismo ao longo das primeiras décadas de Angola libertada, beneficiar do reconhecimento e apoio nas reformas que tardam a ocorrer na última fase de suas vidas.

Além das razões institucionais desta intervenção, há portanto sobejas razões humanitárias e solidárias que obrigam o presente elogio fúnebre, para que o combate à pobreza não seja uma ideia no abstracto e se possa concretizar em toda a extensão humana que o processo histórico angolano exige.

Para que o estado angolano corresponda como é desejo de toda a comunidade, é necessário que uma outra atenção seja prestada a entidades colectivas como a ASPAR, pelo que uma vez mais se apela nesse sentido, fazendo ainda uso da qualidade de Instituição de Utilidade Pública que é por obrigação e dever desde o Decreto Presidencial nº 06/12 de 16 de Janeiro de 2012, conforme determinação de Sua Excelência o Senhor Presidente da República José Eduardo dos Santos.

Honra à memória de todos os camaradas, companheiros de luta e combatentes que cumpriram com seus deveres substantivos nas horas mais decisivas e difíceis, garantes da independência, da soberania e da democracia em Angola!

Fotos: Assembleia provincial de membros da ASPAR no Bié a 15 de Junho de 2011, presidida pelo camarada Brigadeiro Sacha, Presidente da ASPAR, que contou também com a presença do camarada José Saiago conforme uma das fotos em que aparece de pé, quando dirigia a palavra perante a audiência e a mesa.

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