Hoje
é que são elas, mais um Expresso Curto, do jornal Expresso. O servidor da cafeína
é Rui Gustavo, dizem que editor de sociedade… Hem?! Gente fina é outra coisa.
Bem, mas que o Rui escreve umas coisas giras é verdade. Hoje deve ter acordado
de solapampa e vai daí baralhou-se: deseja-nos e saúda-nos com um “bom dia” mas
escrevr logo de seguida que “Portugal vai arder”. Ah! Conversa fiada e
sardinhas a dez. Portugal já ardeu todinho e op rescaldo está mais que feito. Conclui-se
facilmente que está todinho carbonizado. A obra foi do PS, do PSD e do CDS. Os
tais do “Arco dos Incendiários”. Pois.
Só
há comentário para a situação atrás descrita: estamos quilhados. Pois. E agora
avante! Vamos lá seguir em frente e recomeçar tudo de novo. Oh MFA, empresta aí
os Pandures das tais negociatas. E os submarinos Portas e afins… E etc. Pois, e
adiante.
A
conversa fiada de hoje vai ter de abordar Timor-Leste. E daqui vai um singelo
português que fez do país do comboio de Manatuto (treta) a sua segunda Pátria:
Timor-Leste. Mas, pensando bem, muitas das vezes nem sabe se é a segunda ou a
primeira. Bem, por nascença é a segunda… De coração é quase sempre a primeira. Que
coisa!
Vamos
lá: Lá, foi lá, que houve eleições, ontem, 20 deste Março marado que nos dá uma
primavera esquisita. Lá está a voz do povo: “Março marçagão, de manhã Inverno e
à tarde verão”. Pois, é mais ou menos isso, mas com as mudanças climáticas a “coisa”
está diferente para pior. Oh, olha a novidade!
Timor-Leste.
Eleições presidenciais. Pois. Foram as primeiras eleições produzidas e
realizadas por gente da casa, por Timor. As anteriores tiveram sempre o bedelho
dos da ONU, os bons e os maus. Aqueles que foram para lá para roubar legalmente
e à socapa… Mostrando o que é corrupção. E os que lá chegados e instalados
deram o coiro e o cabelo ao país destruído pela sanha dos invasores indonésios.
Como sempre, em todo o lado, em todas as circunstâncias, há os bons e os maus. Em
Timor-Leste aconteceu também. E ainda acontece. Sacar o vil metal e valores faz
parte dos gananciosos. E por lá também há muitos. E se geram fome e miséria
eles estão-se lá nas tintas! Olhem, por Portugal desses não faltam… E por isso
estamos a arder!
Timor-Leste.
Eleições presidenciais. Realizadas e resultado quase apurado. Mas, já se sabe
quem é o vencedor. Quem é que vai exercer o cargo de PR: Francisco Guterres
Lu-Olo, da Fretilin. Os candidatos já lhe deram os parabéns. Os fretilins estão
já a comemorar. Por esta hora já há umas pielas consideráveis que até permitem às
escuras que os etilizados vejam oiçam e vejam música-cor-alegria mesmo às
escuras. Estão de “cabeça bulak” (malucos) de tanta alegria. Compreende-se, é
assim em todo o mundo. Outros estão tristes porque os seus candidatos perderam
as eleições. É a vida em democracia. Pois. Arribem “mauns” (irmãos)!
Lu-Olo
vai vencer com menos de 60% dos votos expressos pelo eleitorado. Só um pouco
menos de 60%? Oh diabo! Mas então ele foi apoiado pelos dois principais
partidos políticos e só atinge as bordas dos 60%. Evidentemente que deu para
evitar a segunda volta das eleições. Certo. Claro que é positivo. Claro que com
o apoio enorme dos dois partidos políticos, CNRT e FRETILIN, tinha por obrigação
de atingir mais de 60% e nem aí chegou. Os eleitores timorenses não lhe deram
isso. Que significará tal desaire? Significará que nas eleições legislativas,
em Junho, ambos os partidos vão ter menos votação? Parece que sim.
Estamos
cá para ver. Sobre Timor-Leste, aqui, sairá prosa mais substancial e exclusiva.
Tenham paciência. E, minha gente, seus viciados em cafeína expressa, metam bem
nessa cabeça que Timor-Leste é “nasaun diak liu” (nação muito boa, maravilhosa)
por obra do seu povo. Uns heróis!
Basta.
Esta “coisa” está comprida. Vai ter de sair assim. Desculpem, perdi-me.
Apaixonei-me a escrever. Por Timor é sempre assim, pais "diak liu". Saúde “barak, mauns”!
Sigam para o Expresso Curto, com o bom Rui Gustavo. Livrem-se! (MM /
PG)
Bom
dia, este é o seu Expresso Curto
Portugal
vai arder
Rui
Gustavo – Expresso
Bom
dia. Hoje é 21 de março e eu pensava que era o primeiro dia da primavera. Mas
não. Foi ontem. Hoje é dia da Poesia. Eu a pensar que era tão lindo que
poetas e o chilrear dos passarinhos se comemorassem no mesmo dia e afinal a
primavera é quando o equinócio quiser.
Este é o meu terceiro Expresso Curto e se calhar já repararam que sou dado a
contemplações, o que no meu caso não tem grande mal.
Não sei se já contemplaram uma floresta depois de um incêndio, mas o negro e o cheiro provocam uma espécie de angústia e mal estar físico que só se pode comparar ao que se sente quando se veem as imagens das chamas e de homens e mulheres feitos a chorar porque o fogo lhes leva tudo, das casas aos animais. Não sei se ainda se lembram do verão passado, mas no auge da época dos fogos, perante a impotência dos bombeiros e apesar da enormidade dos meios e do dinheiro que se gastou no combate aos fogos, os responsáveis do Governo prometeram que a tragédia não se iria repetir. E garantiram o básico: investir na limpeza da floresta, prevenir os fogos na primavera.
A Carla Tomás foi ouvir o ministro Capoulas Santos, que considero um político honesto e empenhado, e os técnicos que tentam no terreno evitar que todos os anos a história se repita e as notícias não são muito animadoras. Hoje, num conselho de ministros especial, é apresentado um pacote de medidas que já contempla alguma prevenção. Mas as medidas mais importantes só vão entrar em vigor no final do ano. Depois dos fogos. E da história que se vai repetir outra vez. Espero que pela última. É que hoje também é dia da floresta.
OUTRAS
NOTÍCIAS
A primavera chegou à Faculdade de Ciências Humanas, em Lisboa. Atuais e antigos
alunos vão celebrar hoje a
mais bonita estação do ano e lembrar a luta contra o fascismo. A iniciativa "Primavera
na FCSH, Contra o Fascismo” é um protesto contra o protesto do Partido
Nacional Renovador que também hoje, no mesmo local, marcou uma manifestação
contra a decisão da faculdade de impedir há duas semanas a realização de uma
conferência de Jaime Nogueira Pinto sobre populismos. Como nesta altura do ano
"tão depressa o sol brilha como a seguir está a chover" (não me canso
desta bela malha do Rui
Veloso), a PSP já está a preparar uma operação para evitar uma tempestade
desnecessária.
Afinal o inverno não vai ser tão rigoroso como se pensava no universo da Caixa Geral de Depósitos.Paulo Macedo está a reavaliar o plano de encerramento do único banco de capital público português. Como foi acordado com Bruxelas como condição para a injeção de mais capital público na Caixa, vão encerrar entre 150 e 200 balcões. O plano de Macedo é que continue a haver pelo menos uma agência em todos os concelhos e caixas automáticas nas zonas com menos população. Em dez anos, já desapareceram mais de dez mil postos de trabalho na banca. A história não pode ser só explicada pela crise e pelos maus investimentos. Quem é que hoje ainda vai a um balcão? Eu fui e já vi velórios mais animados.
Os cinco principais candidatos ao cargo de Presidente da França debateram ontem na TF1. Na análise do Observador, Fillon foi estadista, Hamon humanista, Mélechon espalha-brasas e Macron e Le Pen os alvos de todos. As eleições francesas têm tido mais atenção do que é habitual por causa de Marine Le Pen, a candidata da Frente Nacional que pode ser comparada a Donald Trump por causa das ideias anti-imigração e securitárias. O que vale é que vai à frente das sondagens, tal como Hillary, antes da vitória de Trump.
No cantinho do Trump deste Curto, o FBI anunciou que vai investigar a influência russa nas eleições que deram a vitória ao mais improvável presidente americano das últimas décadas e explicou, mais uma vez, que Obama não autorizou, nem podia ter autorizado, escutas à torre Trump. O presidente eleito anunciou mais uma medida espetacular e proibiu a presença de aparelhos eletrónicos maiores do que um telemóvel nos aviões provenientes de África ou do médio oriente. Amanhã há mais.
Francisco Guterres Lu-olo foi eleito presidente de Timor-Leste à primeira volta. O candidato apoiado por Xanana Gusmão conseguiu 70 por cento dos votos e a boa notícia é que não houve confrontos nem qualquer tipo de suspeitas de manipulação. Parece normal, mas é só recuar uns anos para lembrar o clima de guerra civil que se viveu naquele país em anos recentes para dar real valor à normalidade democrática. Ou como era bom se hoje houvesse sol.
O
QUE EU ANDO A LER
Não
ligo muito ao Nobel da Literatura. O Churchill ganhou e o Kafka não e isso
chega-me. Nem sequer sei quem são a maioria dos autores que ganharam nos
últimos anos (o Bob Dylan, a sério?!?) e quando Svetlana Alexievich venceu
o prémio da Academia sueca há dois anos, isso interessou-me tanto como a vida
sexual da ameijoa branca – nada, só para ficar claro. A ignorância é mesmo
atrevida e quando li a entrevista do
José Mário Silva à bielorrussa na Revista do Expresso fiquei curioso. O lado
bom de fazer anos é que nos oferecem livros e recebi “A Guerra Não Tem Rosto de
Mulher”, um relato da segunda guerra mundial pela voz de centenas de mulheres
que foram soldados, enfermeiras ou simples lavadeiras. Logo no início uma diz:
“Fui combater tão nova que durante a guerra até cresci”. Outra conta que um
camarada a pediu em casamento no final da batalha de Berlim e que só teve
vontade de lhe bater: “Como assim casar-me? Agora? No meio da fuligem preta e
dos tijolos pretos? Primeiro faz de mim mulher: oferece-me flores, corteja-me,
quero ouvir palavras bonitas”. Tinha-se esquecido de ser mulher, mas disse-lhe
sim na mesma. Por causa da guerra a língua russa mudou. Antes não havia
feminino para fuzileiro ou atirador, por exemplo. O ser humano é maior do que a
guerra.
“Palmas Para o Esquilo”, banda desenhada bizarra de David Soares e Pedro Serpa. Já conhecia o primeiro e tenho pena de não encontrar com mais facilidade os livros dele (ando à procura de “o Pequeno Deus Cego”, já agora. Já disse que fiz anos?). O universo deste autor português é sempre estranho e belo e esta história não foge à regra: um homem internado numa instituição julga-se um esquilo e age em conformidade: guarda restos de comida em esconderijos, trepa às árvores, é incapaz de comunicar. Qual é a diferença ou a fronteira entre loucura e imaginação?
O que ando a ver: Jordskott, uma estranha série sueca da RTP 2 que mistura os universos de Killing com The Swamp Thing. Calma. É muito melhor do que o Monstro da Lagoa Negra o primeiro filme em 3D que a RTP exibiu há uns 30 anos e foi a maior desilusão do ano para todos os putos da minha escola. A sério: se houver um grupo de autoajuda para ultrapassar o trauma daquela noite alguém me avise. Eva é polícia e a filha desapareceu há sete anos na pequena cidade onde moravam. Depois de ter aceitado a morte da filha, um menor volta a desaparecer da mesma forma e uma onda de homicídios incompreensíveis percorre a pequena vila. Um grupo de homens ligados por uma sociedade secreta está a destruir uma floresta e ninguém disse que um conto de fadas sueco tinha de ser encantador, pois não?
MANCHETES
DN: "Ministro
recusa propostas para punir praxes". Manuel Heitor quer concenso para
acabar com prática bárbara.
PÚBLICO: "Portugal
importou 500 toneladas de carne sob suspeita no Brasil"
JN: "Jovens
rejeitam crédito e deixam de comprar casa". Falta de rendimentos e
precariedade laboral tem uma consequência óbvia.
Correio
da Manhã: "Falso abuso dá 272 mil euros a família". Erro de
laboratório provocou suspeitas contra pai e avô de criança de três anos
I:
"Montepio. Toda a história do primeiro mealheiro do país". A história
da instituição que dá os primeiros sinais de ser o próximo "banco" em
dificuldades graves.
CITAÇÕES
"Muitos
dos que aqui estão não acreditam em nós", Cristiano Ronaldo, depois
de receber a Quina de Ouropara o melhor jogador português e a mostrar mais uma
vez por que merece ser o capitão da seleção.
"O
meu contacto com o Presidente da República deu-se quase imediatamente, por
telefone, após telefonema que recebi de Aznar [chefe de Governo espanhol],
solicitando-me que se realizasse em Portugal a reunião com o Presidente dos EUA
[George W. Bush] e o primeiro-ministro do Reino Unido [Tony Blair]", Durão
Barroso, numa troca de desmentidos com o ex-presidente Jorge Sampaio.
"Quando
vier a Primavera,
Se
eu já estiver morto,
As
flores florirão da mesma maneira
E
as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A
realidade não precisa de mim.
Sinto
uma alegria enorme
Ao
pensar que a minha morte não tem importância nenhuma
Se
soubesse que amanhã morria
E
a Primavera era depois de amanhã,
Morreria
contente, porque ela era depois de amanhã.
Se
esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto
que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E
gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por
isso, se morrer agora, morro contente,
Porque
tudo é real e tudo está certo.
Podem
rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se
quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não
tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O
que for, quando for, é que será o que é".
Alberto
Caeiro,"Quando vier a primavera".
É
tudo. Digam um poema.
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