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quinta-feira, 6 de julho de 2017

VIRA O DISCO E TOCA O MESMO | Lusa, sempre os mesmos problemas





Os trabalhadores da Agência de Notícias LUSA estão preocupados com a situação da empresa, nomeadamente as dotações orçamentais que lhe permitam realizar a tarefa fundamental de recolher e distribuir informação.

Os mais distraídos talvez não notem, mas é a LUSA que produz e distribui por todos os restantes órgãos de comunicação social a actualidade diária que ocorre nos mais variados sectores sociais e em todos os quadrantes geográficos do país e da Lusofonia.

São mais de 200 jornalistas espalhados pelo território nacional, pelos países de língua portuguesa e em delegações nalgumas das principais capitais mundiais que recolhem, tratam e distribuem as notícias do dia e as histórias consideradas mais relevantes.

É um trabalho fundamental para a sustentação de um regime democrático. Sem informação não há Democracia e, por isso, a existência da LUSA torna-se fundamental.

OS ETERNOS PROBLEMAS DE FINANCIAMENTO

Acontece que, ciclicamente, a agência noticiosa tem problemas de financiamento. Metade do capital social está nas mãos de privados que em nada contribuem para o bom funcionamento da agência. Para os “patrões da comunicação social” a LUSA serve para escoar pessoal excedentário mas que não convém despedir. É assim que os principais grupos de comunicação social têm lá colocado directores, sub-directores e vice-directores, coordenadores e administradores, gente que lhes prestou bons serviços ao longo de anos e que, por vínculos políticos ou outros, não querem despedir. Assim, dão-lhes a oportunidade de mudar de emprego.

Os principais accionistas privados da agência noticiosa são a Impresa, a Global Media, o Jornal Público e O Primeiro de Janeiro.

Outro problema que inquina a vida da LUSA é que esses accionistas privados são, em simultâneo, clientes da LUSA. Ora, um acionista que é cliente vive um dilema de conflito de interesses que eles resolvem sempre para o lado das respectivas empresas. É por isso que o custo dos serviços da LUSA se mantém praticamente inalterado ao longo dos anos e é por isso que o Estado tem de continuar a pagar integralmente o financiamento da agência noticiosa.

A indemnização compensatória que o estado paga à LUSA pelo serviço público que a agência presta está sempre em discussão e o Estado deseja pagar sempre menos enquanto que as necessidades inerentes ao serviço prestado não diminuem.

TRABALHADORES CRITICAM ADMINISTRAÇÃO E DIRECÇÃO DE INFORMAÇÃO

O que se passa agora não é novo. A administração e a direcção de Informação são órgãos muito dependentes da vontade política dos governos e tendem à subserviência, o que é incompatível com o exercício do jornalismo.

Os trabalhadores da Lusa, reunidos em plenário, consideraram a situação da empresa “preocupante” por estar a funcionar em “sobrecarga e sem estratégia” e instaram o Conselho de Administração e a Direcção de Informação a tomarem uma “posição pública” sobre a situação da empresa e a necessidade de garantir um serviço público informativo e noticioso de qualidade”, pode ser lido na moção aprovada sobre a situação geral da empresa.

Qualquer solução dos problemas da Lusa deve conjugar “de forma indissociável” as questões do financiamento da empresa com as da sua estratégia e da sua liderança, refere o documento.

Os trabalhadores pretendem, ainda, que as contratações e nomeações futuras sejam norteadas por critérios “técnicos, transparentes, objetivos e públicos”.

Vincando a ausência de uma perspectiva de solução para os problemas, que não são de agora e se arrastam, os trabalhadores lamentam a “oportunidade perdida” pelo Governo actual “para corrigir com ganhos os cortes orçamentais superiores a 30% que provocaram a saída de 10% dos trabalhadores, a degradação dos vínculos laborais, designadamente da rede internacional, a redução da produção, a ameaça de criação de um Portugal invisível e um funcionamento em sobrecarga da estrutura restante”.

Por esse motivo, criticam a “desorientação” do Governo, dada a sucessão de “episódios infelizes e declarações e práticas contraditórias”.

Os trabalhadores denunciam ainda a “passividade” da Direcção de Informação por continuar a acreditar que lhe serão atribuídos os meios necessários e a sua “falta de critério” evidenciada pelas alterações propostas na redacção.

Carlos Narciso | Portugal Alerta

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